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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Quero fazer sexo anal!”

 

 “Sempre tive o desejo de experimentar fazer sexo anal, mas tenho algum medo de o dizer à minha namorada pois acho que ela não vai aceitar muito bem esta ideia. Como devo abordar o assunto?”

 

Ricardo, Vila Franca de Xira

 

Caro Leitor,

 O sexo anal é um tabu para a grande parte das mulheres. Deve falar sobre esse assunto de forma cuidadosa sem que a sua namorada se sinta obrigada a concordar. Exponha-lhe a sua fantasia dando sempre a entender que não ficará magoado se ela lho negar, mesmo que até fique um pouco desapontado. Assegure-lhe que não a forçará a nada e que se decidirem fazê-lo, parará se ela assim o pedir. Caso a sua namorada concorde com a prática, não se esqueça do lubrificante, que é fundamental nesta situação!

Dildos

 "Dildos são simplesmente brinquedos sexuais em formato de pénis, frequentemente feitos de silicone. Podem ser usados para penetrar o ânus e, no caso das mulheres, trazem um cinto para ajustar."

 

 

 

(Sexo Ardente, Flic Everett)

“Sinto o peito e a barriga inchados…”

 

 “Tive relações sem preservativo, embora tomando a pílula, mas estou com receio, pois tenho o peito e a barriga inchada. Neste momento estou com o período, só que pouco e acastanhado. Será que estou grávida?”

 

Patrícia, Santarém

 

Cara leitora,

É possível estar grávida e ter menstruação, ou seja, ter perdas de sangue que são confundidas com menstruação: 25% das mulheres grávidas tem o que se pode chamar de “sangramento de implantação”, e muitas delas confundem esse corrimento sanguíneo com a menstruação, e por isso não descobrem que estão grávidas até vários meses após a fecundação. No entanto, como refere ter usado a pílula, mesmo que tenha sido na semana de pausa, a eficácia contraceptiva é grande, superior a 95%, portanto não se deve preocupar. Se quiser tirar as dúvidas, dado que ter o peito e a barriga inchados (o que são igualmente sintomas de menstruação apenas e, em alguns casos, de gravidez).

Lembre-se que utilizar a pílula e o preservativo (a contracepção dupla), para além de ser mais eficaz em relação a gravidezes indesejadas protege-a igualmente das infecções sexualmente transmissíveis.

 

Dicas Sexuais

 "Acariciar os seios da sua parceira pode acelerar bastante o orgasmo - acaricie-os ligeiramente com os dedos ou lamba-os, para aumentar a excitação."

 

 

 

(Sexo Ardente, Flic Everett)

 

“Ela não me conseguiu excitar!”

 

“Tenho 17 anos e tive a minha primeira experiência sexual há pouco tempo. Foi com uma profissional do sexo, só que não foi tão bom como eu esperava. 

Da primeira vez que fui masturbei-me antes, por conselhos de amigos. Ela fez-me sexo oral, até aí tudo bem. Só que quando coloquei o meu pénis na vagina dela perdi a erecção. Depois ela masturbou-me, mas não consegui recuperar. Voltei passado dois dias, sem me masturbar, ela  fez-me sexo oral de novo, eu estava excitado, penetrei-a um pouco, mas o meu pénis amoleceu de novo.  Não consigo entender, masturbo-me todos os dias, e quando vou praticar sexo não consigo!!?? Qual é o meu problema? Será que é por culpa dos remédios que eu tomo (anti-depressivo e calmante).”

 

Mário, Beja 

 

 

Caro leitor,

As dificuldades de erecção que sentiu podem dever-se a muitos factores, mas o mais importante é que perceba que não se deve preocupar tanto com a sua performance e penetração, pois essa atitude negativa em relação a si mesmo prejudica-o, leva-o a sentir ansiedade no momento e mesmo em antecipação do momento.

Saiba que a masturbação não se relaciona com o seu caso, pode fazê-lo e deve até fazê-lo, com pensamentos e fantasias positivas para si.

Analisemos os factores que refere, que podem ainda ter outros a reforçá-los: toma medicamentos do foro psiquiátrico que sem dúvida influenciam a resposta sexual; tentou a relação sexual num contexto de pouca intimidade (a profissional do sexo) e, como tal, pode ter ficado mais nervoso com isso, embora em alguns homens as dificuldades surjam, por exemplo, quando estão apaixonados e querem muito satisfazer a parceira; voltou à mesma situação sexual mais com o objectivo de se “testar” a si próprio do que procurar ter prazer, o que diminui muito a sua capacidade de se excitar…

Eu não diria que o seu problema é disfunção eréctil, mas sim dificuldades de erecção. Contudo, se a sua ansiedade continuar a interferir na sua capacidade eréctil deve procurar um técnico de saúde, de preferência sexólogo, para que esta dificuldade não se transforme num problema sexual instalado na sua sexualidade. Procure o tratamento se perceber que não consegue relaxar por si e entregar-se ao prazer sem preocupações. 

“O líquido pré-ejaculatório pode engravidar?”

 

 

“Tenho 17 anos e eu e minha namorada ainda não tivemos nenhum tipo de relação sexual senão a masturbação mútua. Utilizamos sempre preservativo mas tenho uma dúvida que gostaria que me esclarecesse. O líquido pré-ejaculatório pode engravidar?”

 

Paulo, Sintra

 

Caro leitor,

A gravidez apenas acontece se houver contactos genitais directos (entre vagina e pénis ou ânus) e o preservativo utiliza-se para prevenir também as infecções sexualmente transmissíveis nesses contactos.

Vocês, pelo que relata, são cuidadosos com esses contactos genitais, pois utilizam preservativo na masturbação e quando se acariciam. O líquido pré-ejaculatório pode engravidar, embora contenha menos espermatozóides do que o esperma e, como tal, haja menos probabilidades de engravidar. Por isto se recomenda a utilização do preservativo antes de qualquer contacto genital, também para prevenir a transmissão de infecções sexualmente transmissíveis.

Se quiser ficar mais descansado, vão juntos a uma consulta de planeamento familiar para falarem com calma com um técnico de saúde e considerarem tomar a pílula. Este método contraceptivo não faz mal à saúde, se a sua namorada não tiver história de doenças cardio-vasculares ou outras (só um médico poderá avaliar bem a sua situação) e pode ser tomado bem antes de iniciarem a vossa vida sexual, apenas para vos descansar sobre os contactos genitais e viverem o prazer da vossa sexualidade. Enquanto utilizar o preservativo pode ficar descansado sobre as gravidezes não planeadas e as infecções sexualmente transmissíveis.

 

“É normal toda esta preocupação e medo de engravidar?”

 

“Comecei a tomar a pílula, tomei-a sempre sem esquecimentos e por volta da mesma hora. Na semana passada tomei a última pílula da caixa e iniciei a semana de pausa. Tive logo sinais de sangue e no terceiro dia senti umas dores ligeiras e notei um pouco mais de fluxo (o que acho normal). Só que nesse mesmo dia tive relações sexuais com o meu namorado, mas usamos preservativo e ele ejaculou fora da minha vagina. E para além disso tivemos cuidado ao colocar o preservativo e de ver se se tinha rompido (o que não aconteceu).

A minha preocupação está se pode haver algum risco de ocorrer uma gravidez! Apesar de todos os cuidados não consigo estar descansada e gostava que a Drª me ajudasse. É normal toda esta preocupação e medo de engravidar? Fico sempre assim.”

Sandra, Barcarena 

 

Cara leitora,

A sua preocupação é um pouco excessiva para quem toma a pílula correctamente, como me diz, e utiliza preservativo igualmente. A protecção dupla é muito eficaz na prevenção da gravidez indesejada e da transmissão de infecções sexualmente transmissíveis. Repare que na semana de pausa entre as caixas de pílula continua protegida da gravidez indesejada.

A sua ansiedade com a gravidez pode prejudicar a sua capacidade de se entregar ao prazer do sexo, pelo que deve reflectir sobre ela, sozinha e com o seu namorado. Podem optar por ter sexo não penetrativo, em algumas relações sexuais, para ter prazer sem essa preocupação com a penetração.

Pense bem se não se estará a sentir culpada por ter relações sexuais antes do casamento, por exemplo, pois por vezes as mulheres deixam-se influenciar por preconceitos sociais infundados e injustos para com elas. Não ligue a essas ideias feitas e divirta-se na sua sexualidade.

“Ela pára a meio da relação sexual a chorar”

 

 “Tenho 23 anos e namoro com uma rapariga há quase 4 anos. Sentimos muito amor um pelo outro, porém, há alguns meses observei que minha namorada está muito inconstante na vida sexual.  Eu preocupo-me em excitá-la ao máximo, fazendo carinhos e conversando sobre as suas fantasias. Costumamos ter sexo em casa dela, o problema é que muitas vezes ela pára no meio da relação, dizendo que não está relaxada ou simplesmente pára e chora nos meus braços. Conversamos muitas vezes sobre isso, ela dá uma desculpa diferente, ora dizendo que não estava com vontade (mas eu percebia que ela estava excitada), ora dizendo que se sente mal por fazer sexo comigo na casa dela. Já tentamos ir a outros lugares, como um hotel bonito, mas além de ser muito caro, já houve vezes em que ela também parou. Já não sei o que fazer! Faço tudo para excitá-la, converso, pergunto, mas mesmo assim isto acontece com frequência. Já houve vezes em que eu a satisfazia 13 vezes em menos de 2 dias. Percebi que fazemos menos sexo hoje, o meu desejo continua o mesmo, mas o dela diminuiu. Que conselhos me dá?”

 

Pedro Miguel, Matosinhos

 

 

Caro leitor,

A sua namorada parece estar a sofrer dificuldades sexuais, mas pela sua descrição não saberei bem quais. Por vezes as mulheres sentem-se culpadas ou envergonhadas de ter uma vida sexual activa, pelos preconceitos de que “uma senhora” não gosta de sexo, não o faz antes do casamento…ou outras ideias feitas e preconceituosas, principalmente em relação à mulher. As exigências sociais sobre a mulher são muito duras com elas e mais brandas com o homem (embora também sejam uma forma de pressão sobre eles) e, por vezes, influenciam a felicidade individual que não se consegue libertar e viver à vontade o prazer.

Tem de falar com ela honestamente e sem pressões, sobre o que a preocupa, como ela gostava que fosse a vossa vida sexual, o que poderá ter mudado para ela… Sem pressões nem preconceitos, pelo vosso amor. Pode tentar ter relações noutro local, onde se sintam à vontade, íntimo e privado e criar um ambiente especial. Tente explorar com ela o prazer sem a pressão da penetração: diga-lhe em sussurro que vão fazer amor sem penetração e veja como ela reage (pode ser que ela goste mais da excitação do que da penetração, o que é muito frequente em muitas mulheres); faça-lhe massagens e carícias sem fim; dê-lhe um banho perfumado; leia-lhe histórias eróticas como se fossem vós as personagens principais…use a sua imaginação para lhe oferecer pedaços de prazer inesquecíveis!

Se as suas tentativas não funcionarem, deve precisar de bastante tempo para sentir alterações, pense em ir com ela a uma consulta de planeamento familiar ou de sexologia para falarem com um especialista sobre a questão e tentarem encontrar soluções em casal. Boa sorte. 

“Dores nos testículos”

 

 

“Até há uns meses atrás tudo corria bem com o meu funcionamento sexual, certo dia aleijei-me no testículo esquerdo e na altura senti uma grande dor. Passou durante algumas horas mas depois voltou a doer.

Estas dores são muito fortes e apareciam frequentemente durante o dia.

Alguns dias depois quando estava a masturbar-me reparei que a erecção não era muito forte, não fiquei muito preocupado, o pior foi quando cheguei ao orgasmo e ejaculei reparei que a quantidade de esperma era bastante reduzida e ainda fiquei mais preocupado. Cerca de 2 dias depois, queria-me masturbar, não conseguia de nenhuma maneira obter uma erecção.

Pensei recorrer a um médico mas resolvi esperar. Passou-se cerca de uma semana e já conseguia dificilmente obter uma erecção mas quando ejaculava não saia nada.
Passados quase 4 meses voltou quase tudo ao normal. Consigo obter uma erecção apesar de parecer que não conseguir ter uma erecção completa ou não tão forte como era, e quando ejaculo sinto uma sensação esquisita que não existia antes e que não sei bem explicar.
Com isto não sei se se passará algo de errado e se deveria consultar um médico. Não sei se o urologista é o indicado.


Martinho

 

Caro Martinho,

Penso que deve consultar um médico, seja urologista directamente, seja um recomendado pelo seu médico de família. Só ele lhe poderá fazer um diagnóstico diferencial e determinar se o seu problema é fisiológico ou psicológico.

Da minha parte, penso que a dor que sentiu pode ter desenvolvido em si um medo exagerado de sofrer consequências ao nível sexual e, como tal, entrou num ciclo vicioso de observação atenta do seu pénis e da resposta sexual que ele fazia, a um ponto que a sua atenção deixou de estar focada no prazer sexual, mas sim na performance, no seu desempenho.

Este ciclo faz com que o próprio corpo não responda da melhor maneira, pois sente-se avaliado, observado e daí que sinta erecções menos fortes e sensações esquisitas na ejaculação.

Esclareça com o médico se ficou com sequelas no testículo ou no aparelho reproductor e tente não ser observador de si próprio.

Entregue-se às suas fantasias sexuais e deixe-se levar pelo prazer da masturbação, sem se desviar para pormenores técnicos da sua resposta sexual – verá que a sua resposta sexual vai melhorar. Não deixe este problema crescer em bola de neve e consulte um sexólogo/a se persistir. 

 

“Tenho medo de engravidar porque sou muito irregular…”

 

" Ainda sou virgem e tenho muito medo da minha primeira vez... O meu namorado quer muito, mas eu sinto muitas dúvidas. Se apenas usar o preservativo estou protegida ou corro o risco de engravidar?

Será que me podia explicar como faço as contas para ter menos probabilidade de engravidar? Tenho um período irregular e não sei como resolver isto.”

Marta, Évora

 

 

Cara leitora,

Não se deixe pressionar para iniciar a sua vida sexual. Será melhor fazê-lo com alguém que espera pela sua vontade e segurança em o fazer, ao seu ritmo e praticando sexo seguro.

Proponha-lhe irem a uma consulta de planeamento familiar para escolherem um método que vos sirva e a deixe liberta para descobrir o prazer da vossa sexualidade. A contracepção dupla (pílula+ preservativo) é a mais eficaz e recomendada, pois para além de prevenir a gravidez indesejada protege-os a ambos de infecções sexualmente transmissíveis.

Em relação ao cálculo do seu período fértil, ou seja, os dias em que há maior probabilidade de engravidar, saiba que como método contraceptivo é muito falível e ineficaz, pois depende muito do casal e de factores difíceis de avaliar. Comece por anotar durante uns 6 meses o primeiro dia da sua menstruação, para saber a média de dias do seu ciclo. Depois, subtraia 18 dias ao seu ciclo mais longo e 12 ao seu ciclo menor – o intervalo entre estes dias é o seu período fértil, sendo que os espermatozóides podem viver dentro do corpo da mulher até 5 dias. Lembre-se que como os seus períodos são irregulares é mais complicado fazer estas contas e ficar segura com o método do calendário – consulte um médico e planeie com tempo a sua primeira vez. Verá que não se vai arrepender. Boa sorte.

 

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