Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“ Fiquei paraplégico e tenho medo de já não satisfazer a minha esposa.”

 

“Sou casado, e sofri recentemente um acidente que me deixou paralisado da cintura para baixo. A minha esposa tem-me apoiado bastante no processo de reabilitação, mas eu tenho medo que ela perca o interesse por mim uma vez que não a posso satisfazer sexualmente…”
Manuel, Coimbra
Caro leitor,
A adaptação a uma deficiência adquirida é um processo bastante doloroso, que requer tempo, sendo natural que tenha dúvidas e receios quanto ao futuro da sua relação. A existência de uma deficiência vai alterar a dinâmica da relação, necessitando que ambos os intervenientes se adaptem a novos papéis. A sua esposa passa a cuidar mais de si do que você dela, o que pode vir a causar problemas iniciais. No seu caso, diz que a sua esposa o tem apoiado bastante durante a recuperação, o que é excelente.
O mais indicado é partilhar as suas preocupações com ela, pois sem dúvida vão existir mudanças na vossa vida sexual, que não se podem ignorar. Apenas através da colaboração de ambos a situação se resolverá da melhor forma. O leitor diz que não pode satisfazer a sua esposa… Mas desde quando é que sexo se limita à penetração? A estimulação manual e oral são práticas sexuais que poderão praticar sem qualquer problema.

“Não tenho lubrificação suficiente!”

 

"Não sei porquê, mas há uns tempos tenho tido dificuldade em ficar lubrificada. Será que esta mudança se deve ao facto de eu estar perto da menopausa?”
Susana, Ericeira
Cara Leitora,
Realmente o facto de estar a entrar na menopausa pode causar alterações dos níveis hormonais, nomeadamente níveis irregulares de estrogénio. Esta redução de estrogénio causa diminuição da lubrificação durante o acto sexual, o que pode resultar em dores durante a penetração. A redução de lubrificação pode também ser o sintoma de uma infecção vaginal. Existem alguns medicamentos que provocam como efeitos secundários a redução da lubrificação e do desejo sexual. Para poder esclarecer todas as suas dúvidas a este respeito aconselho que consulte o seu ginecologista, para que juntos encontrem a solução para o seu problema de forma a recuperar a satisfação e plenitude sexual.

“Pede-me que lhe fale ao ouvido…”

 

“O meu namorado fica excitado quando durante as relações sexuais lhe falo ao ouvido. Não gosto de o fazer sempre, mas ele insiste em que eu o faça. ”
Susana, Póvoa de Varzim
Cara Leitora,
A forma de atingir o clímax varia de pessoa para pessoa, e no caso do seu namorado, o facto de a leitora lhe falar ao ouvido é uma forma de o fazer alcançar o orgasmo. Cada pessoa possui um ponto sensível e o seu namorado é mais vulnerável à linguagem sensual que emite durante a relação sexual. Desta forma, o seu namorado pode conseguir sensações indescritíveis. Porém, é importante que ele respeite a sua posição durante a relação sexual, pois deve ser um momento de partilha, onde se dá e também se recebe. Tente falar com ele neste sentido, para que ninguém se sinta prejudicado nem para que esta insistência prejudique o vosso relacionamento.

“A namorada do meu filho tenta seduzir-me!”

 

“Tenho um filho de 29 anos que ainda vive na minha casa. A namorada dele é uma jovem bastante atraente e costuma dormir na minha casa com bastante frequência. O problema é que quando fica sozinha comigo tenta seduzir-me. Eu recuso sempre as suas investidas, porém, já não sei como fugir mais, pois sinto-me bastante atraído por ela. O que me aconselha?”
Alberto, Vila Real
Caro leitor,
É natural que se sinta tentado, pois segundo o leitor a namorada do seu filho é bastante atraente e passa a maior parte do tempo na sua casa, mesmo quando o seu filho não está presente. Fez bem em recusar os seus avanços, pois envolver-se com ela só iria causar problemas na sua relação com o seu filho e na relação do seu filho com a namorada. Como acha que ele vai reagir ao descobrir que o seu próprio pai o traiu ao dormir com a sua namorada? Parece-me que ela é bastante insegura e que quer sentir poder ao seduzi-los aos dois. É natural que o leitor se sinta tentado a corresponder aos seus avanços pois isso fá-lo sentir-se mais jovem e dá-lhe a oportunidade para competir com o seu filho. Aconselho-o a evitar situações nas quais esteja sozinho com ela para que não se sinta tentado a fazer algo do qual se venha a arrepender.

“Gostaria que me dissesse o que é a homossexualidade.”

Tenho amigos homossexuais, e faz-me confusão o facto de ainda haver pessoas preconceituosas e que os descriminam. Eu sei que a tendência sexual é diferente da considerada “normal”, mas eles são pessoas normais! Afinal o que é a homossexualidade?
Laura, Castelo Branco
Caro leitor,
A palavra homossexual deriva do Grego homos, que significa o mesmo. Como tal, designa alguém que tem uma preferência sexual e emocional por indivíduos do mesmo sexo.
Pela mesma razão, também se pode perguntar a que se deve a heterossexualidade, ou seja, a preferência de relações sexuais com indivíduos do sexo oposto. Isto porque tanto a homossexualidade como a heterossexualidade são maneiras de se expressar a sexualidade. Na existência humana sempre houve, há e haverá indivíduos homossexuais, heterossexuais e bissexuais, indivíduos que tem preferência por ambos os sexos.
Assim, os indivíduos podem manifestar a sua sexualidade nas várias formas, pois a sexualidade é a capacidade de dar e receber prazer e afecto, de comunicar, seja esta capacidade partilhada com indivíduos do mesmo, ou do sexo oposto.
Tudo depende, como em muitos outros aspectos, das diferentes experiências a que associamos o prazer sexual, da educação, do ambiente social em que vivemos.
O que aconteceu e que ainda acontece é que algumas culturas, por diversas razões, principalmente pela identificação ao nível da reprodução, encaram a heterossexualidade como sendo a “norma”, o “natural” e a homossexualidade e bissexualidade como “desvio” e “doença”. Desta forma exerceram e exercem atitudes e comportamentos repressivos e discriminativos contra estas.

“Tenho muitas dores…“

“Há um ano que iniciei a minha vida sexual, mas ainda sinto muitas dores quando faço amor. Gostava de saber o porquê destas dores.”
Nicole, Carcavelos
Cara Leitora,
Uma vez que iniciou a sua vida sexual há um ano e ainda sente dores durante o acto sexual, a primeira atitude a tomar é ir uma consulta de ginecologia. O que se verifica é que algumas mulheres têm dores durante as relações sexuais devido a problemas variados, tais como obstipação crónica, fibromas, endometriose, hemorróidas, processos inflamatórios e infecções na região pélvica. Também há mulheres que têm dores pelo acto da penetração, por insuficiência de lubrificação, por infecções causadas por fungos, bactérias ou vírus, em consequência de alguma doença que tenha sido transmitida sexualmente, ou ainda por reacção alérgica a componentes dos preservativos usados durante o coito. Cada mulher é um caso isolado, por isso é importante que consulte um médico ginecologista para tentar identificar a causa das dores que sente durante a relação sexual.

“Será que a minha esposa é pervertida?”

 

“Já por diversas vezes apanhei a minha esposa a ver revistas pornográficas, o que me deixa bastante incomodado. Será que ela é uma pervertida?”
Cristiano, Loures
Caro Leitor,
muitas pessoas gostam de, uma vez por outra, dar uma espreitadela em revistas pornográficas, mas isso não significa obrigatoriamente que quem o faz seja pervertido. Contudo preste atenção ao conteúdo das revistas, se retratam relações heterossexuais entre adultos não tem com o que se preocupar. Se se tratar de “outro tipo” de conteúdo, isso pode ser um sinal de que a sua esposa tem preferências sexuais diferentes ou pode querer experimentar algo novo. Contudo se esse não for o caso, mas a situação se estiver a tornar num hábito diário, pode tratar-se de um vício sexual que pode ser resolvido através de intervenção profissional. Aborde o assunto com a sua esposa, e explique-lhe as suas dúvidas, sem ser num tom acusatório de forma a manter aberto o diálogo.

“Tenho medo de mostrar o meu lado erótico”

 

“Quando tenho uma relação duradoura, não consigo mostrar as minhas garras a nível sexual, pois tenho medo que a pessoa que está comigo pense que sou uma vadia e que já devo ter tido várias companheiras sexuais!...”
Martina, Porto Côvo
Cara Leitora,
É normal que quando assume uma relação amorosa estável se preocupe mais com o que a sua companheira pensa acerca de si. Mas pensar que por se mostrar uma pessoa sensual e fogosa vai dar a entender que já teve várias parceiras sexuais é um raciocínio inválido, pois não é através da libido de uma pessoa que se pode avaliar quantos companheiros essa pessoa teve. Pode dar-se o caso de você estar a projectar na sua namorada aquilo que realmente sente em relação a si mesma… Isso é muito comum. Se for esse o caso, aconselho-a a procurar um psicólogo para resolver o que está por detrás desse auto-conceito tão negativo. Aceite a sua sexualidade sem preconceitos, vá-se libertando aos poucos pois nunca se sentirá completamente feliz numa relação na qual não está a ser autêntica. Relaxe e converse com a sua namorada acerca disso sem receio, vai ver que ela até vai gostar das suas “garras”.

“Ele não quer ser pai!”

 

 

“Estou desejosa para ter um filho, mas o meu marido evita ejacular dentro da minha vagina. Se depois da ejaculação dele eu passar o dedo e o introduzir na minha vagina, ou com uma seringa introduzir o sémen no meu período fértil,  posso engravidar?”

Diana, Massamá
Cara leitora,
Penso que deve falar com o seu marido sobre este seu desejo para partilharem o prazer da gravidez planeada. Ser mãe é um projecto conjunto de grande esforço e muita satisfação, principalmente se desejado e não imposto.
Como não sei porque é que o seu marido evita ejacular na penetração vaginal, não me sinto confortável de lhe dar uma resposta sobre as probabilidades de gravidez. Compreenda que o está a desrespeitar, se ele não desejar ser pai ainda e lho tiver dito claramente.
Fale sobre esta sua necessidade e tente relaxar, não estar ansiosa por engravidar nem disposta a fazer tudo para que tal aconteça, mesmo que prejudique a confiança que ele tem em si ou no futuro da vossa relação.
Só depois disto poderemos falar sobre como aumentar a probabilidade de engravidar, pois nesta situação pode ser egoísta e irresponsável tomar uma decisão tão importante sozinha e sem considerar os efeitos no seu futuro pessoal e relacional.

“A minha namorada gosta de dormir com um boneco, será normal?”

 

“A minha companheira tem 20 anos e dorme com um urso de pelúcia. Ela diz que se não tiver o urso ao lado, não consegue dormir. Eu acho isso bastante estranho e começo a ficar farto da situação. O que devo fazer para que ela deixe o ursinho fora da cama?”
Paulo, Setúbal
Caro leitor,
Esse é um comportamento normal entre crianças mas não muito comum entre adultos. As criança geralmente têm um cobertor ou um boneco de pelúcia que levam consigo para todo o lado, principalmente quando se sentem nervosos, envergonhados ou com medo. O cobertor ou boneco faz com que a criança se sinta mais segura principalmente quando os pais não estão presentes, daí terem-no sempre com elas. Parece-me que a sua namorada tem um “ursinho de segurança” que faz com que ela se sinta mais segura e daí consiga adormecer mais facilmente. Converse com ela, pois parece que ela não se sente muita segura em relação a ela própria e em relação a si. Ajude-a a sentir-se mais segura, demonstrando-lhe o quão importante ela é para si e o quanto gosta dela. Encoraje-a a ser mais independente e a confiar mais nela própria. Ela só vai deixar de dormir com o ursinho de pelúcia quando se sentir segura em relação a quem ela é, e em relação aos seus sentimentos por ela.

Pág. 1/3