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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Estarei impotente?”

"Sinto que já não me excito com tanta facilidade como antes, embora continue a amar a minha mulher. Será isto a chamada impotência?”

 

César, Cascais

 

Caro leitor,

É perfeitamente normal que, a partir dos 40/50 anos, os homens comecem a perder a capacidade de se excitar só de pensar em sexo, ou ver uma mulher bonita na televisão. Isto faz parte do processo de envelhecimento, da mesma forma que as mulheres têm a menopausa. O problema é que, ao contrário das mulheres que já estão preparadas para a menopausa, os homens são apanhados de surpresa. Como começam a pensar que se passa algo de errado com eles, começam a evitar ter relações, que é o pior que podem fazer nesta situação. É importante que os homens saibam que, com a idade, apenas perdem a capacidade de se excitar tão facilmente com imagens ou pensamentos, mas não perdem a capacidade de ter uma erecção. O problema pode ser facilmente resolvido com estimulação directa do pénis e mais preliminares, tal como sucede com as mulheres! Sugiro que utilizem um lubrificante, pois faz com que a estimulação seja mais agradável.

“Quais as doenças que me podem ser transmitidas se não usar protecção?”

“Tenho 15 anos e pretendo iniciar a minha vida sexual. No entanto, tenho algumas duvidas que gostava que me fossem esclarecidas. Se eu não usar preservativo nas minhas relações sexuais quais são as doenças sexualmente transmitidas que posso vir a contrair?”

 

Gonçalo, Santarém

 

Caro Leitor,

Para que consiga evitar contrair e contagiar outras pessoas, o mais seguro será o diagnóstico precoce das Infecções Sexualmente Transmitidas. Para tal, é necessário que consulte um médico assim que sentir algo fora do habitual no seu organismo. Se, por algum acaso, pensar que foi infectado, o melhor será dirigir-se ao seu médico o mais rapidamente possível, pois não deverá deixar uma infecção destas por tratar, correndo o risco de vir
a ter complicações mais sérias. As IST que se verificam com maior frequência são: o HIV, que conduz à SIDA; o Herpes Genital, semelhante ao cieiro habitual da boca e dos lábios; a Gonorreia, que tanto em homens como em mulheres poderá ser evidenciada por uma sensação de ardor ao urinar e que só se trata com penicilina; as Verrugas Genitais, inchaços pequenos e duros que aparecem junto aos órgãos genitais e que podem causar cancro no colo do útero; a Sífilis, a qual deverá ser detectada logo na fase inicial pois poderá afectar a saúde de todo o organismo, podendo mesmo levar à morte; a Clamídia, cujos sintomas são semelhantes aos da Gonorreia; a Tricomoníase, que é causada por um parasita e que provoca infecções do tracto urinário; a Pediculose Púbica, que é causada por piolhos, entre outras. Desta forma, deverá estar atento a quaisquer sinais fora do normal, tanto em si como na sua parceira, de modo a que sejam tratados na fase inicial. Claro está que a melhor técnica a adoptar será o sexo seguro, isto é, cada vez que tiver relações sexuais o melhor caminho para a prevenção será o uso regular do preservativo.

“Não sei ser fiel!”

“Sempre tive muitas mulheres e muitos relacionamentos, por vezes até em simultâneo. Agora acho que encontrei a mulher dos meus sonhos, mas não sei se conseguirei manter-me fiel a ela.”

 

Rui, Seixal

 

Caro Leitor,

o seu problema não está na dificuldade em conquistar as mulheres mas sim em manter-se fiel a apenas uma. Para si é muito complicado manter um compromisso e estar vinculado a uma pessoa, pois isso fá-lo sentir-se como se perdesse a sua independência e liberdade. Uma relação monógama requer uma maior intimidade e empenho, além de compromisso da sua parte para com a sua parceira, coisa que o leitor tem dificuldade em fazer. Porém, neste momento a situação com que se depara é outra. A sua relação está a solidificar-se e por esta razão sente-se ameaçado, pois não consegue limitar-se apenas a uma parceira. Reflicta um pouco, pois a sua tendência para a poligamia é provavelmente um mecanismo de defesa de modo a evitar a entrega emocional plena a uma só mulher e a um posterior desgosto. O seu comportamento poligâmico serve também para o proteger de rejeições e relações fracassadas. Assim, as várias relações que tem em simultâneo servem apenas para mascarar o insucesso de algumas relações, pois é mais fácil ter outra pessoa para apaziguar a situação do que se confrontar com o fracasso. Uma vez que está presentemente numa relação monógama e assim a quer manter, aconselho-o a procurar a ajuda de um especialista que o ajude a ultrapassar a sua dificuldade de se entregar física e emocionalmente a uma só pessoa.

“Sou mais inteligente do que o meu namorado!”

“Sei que pode parecer arrogante da minha parte dizer isto, mas de facto pela formação que tive e pela minha educação eu sou mais culta do que o meu namorado e ultimamente isso tem-me incomodado bastante. Desde que entrei na faculdade não tenho tanta paciência para as suas piadas parvas como antes. O que devo fazer?”

Carla, Sintra

Cara leitora,

é normal existirem divergências entre os casais, e isso é que faz com que as pessoas se sintam atraídas umas pelas outras. Já imaginou a monotonia
que seria se fôssemos todos iguais? Apesar das diferenças serem na maioria das vezes ponto de atracção, pode haver casos nos quais estas afastam o casal, pois tornam-se muito incomodativas, o que parece ser o seu caso. Se realmente sente que o seu namorado não tem os mesmos interesses que a leitora, e que não consegue ter o mesmo tipo de conversas que a leitora gostaria de ter, aí então deve avaliar a sua relação e ver se realmente quer continuar com ele ou não. Mas a leitora é a única pessoa que pode fazer essa decisão.

“Como dar o primeiro passo?”

Sou um rapaz de 24 anos, bem constituído, tenho um bom emprego e sou atraente. Tenho muitas amigas e algumas delas acho que gostam de mim, mas eu nunca consigo tomar o primeiro passo pois fico sempre a espera que elas o façam. O que devo fazer para alterar
isso?”

 

João, Amadora

 

Caro leitor,

O leitor tem a vantagem de ter as suas pretendentes como amigas, antes de namoradas, o que permite que as conheça melhor. Experimente sugerir algumas actividades mais românticas, ou seja, um passeio à beira-mar, um jantar à luz de velas, e deixe que o ambiente romântico derreta as vossas inibições. Tente colocar o braço à volta de uma das suas pretendentes numa noite fria, ou segurar a sua mão quando dão um passeio pelo jardim. Tudo isto ajuda a que se sintam mais à vontade um com o outro para levar a vossa relação a outro nível.

“Sexo seguro entre mulheres”

“Tenho 21 aos e sou bissexual. Gostaria de saber se a prática de sexo entre mulheres é mais segura do que entre homens, ou homens e
mulheres?”

Joana, Porto

Cara leitora,

Realmente a percentagem de mulheres que tem relações sexuais exclusivamente com outras mulheres que contraíram o vírus da SIDA é mais reduzida do que qualquer outro grupo. No entanto, as lésbicas podem contrair infecções sexualmente transmitidas da mesma forma que homens homossexuais ou indivíduos heterossexuais, devido à troca de fluidos e da utilização de vibradores e outros brinquedos sexuais. Por isso, a prática de sexo seguro é recomendada até entre mulheres pois só dessa forma uma pessoa se pode proteger.

 

“Estou a atravessar a menopausa e o sexo é doloroso”

“Tenho 45 anos e estou casada há 20. A nossa vida sexual sempre foi satisfatória, mas desde que entrei na menopausa sinto menos apetite sexual, e quando tenho relações com o meu marido sofro muito com as dores. É normal?”

Teresa, Viana do Castelo

 

Cara Leitora,

O que está a sentir é algo bastante comum. Durante a menopausa o seu corpo passa por várias alterações hormonais que podem causar redução do desejo sexual e da lubrificação vaginal, daí o motivo do seu desconforto. Sugiro-lhe que consulte o seu ginecologista para averiguar melhor o seu caso e ter a certeza de que tudo está bem a nível físico. Depois consulte um endocrinologista que seja especializado em questões relacionadas com a menopausa, pois hoje em dia existem vários tratamentos para reduzir os seus efeitos. Mas se se decidir por algum tratamento informe-se muito bem dos efeitos secundários da medicação antes de tomar qualquer decisão. Entretanto use lubrificante durante as relações sexuais para evitar o desconforto.

 

“O meu marido é infiel!”

“Desde sempre que o meu marido teve amantes, e eu acabo sempre por descobrir, o que causa muitas brigas. Porém, não consigo deixá-lo porque o amo muito. Como posso lidar com esta situação?”

 

Rosa, Faro

 

Cara Leitora,

o mais provável é que o seu marido não mude, pois a leitora já descobriu várias vezes que o seu marido tem amantes e nunca o deixou, e dessa forma ele continua a ter o mesmo comportamento, pois sabe que a leitora nunca o vai deixar. Por isso, cabe a si determinar o que é mais importante para si, se é mais feliz continuando casada, mas tendo para tal de fingir que não sabe o que se está a passar, ou ficar sozinha e possivelmente encontrar alguém que a ame de verdade e que a respeite. Pense bem, pois apenas a senhora pode decidir o que fazer numa situação destas.

 

“Preservativos durante a masturbação?”

“Tenho 16 anos e masturbo-me várias vezes ao dia. Um amigo disse-me que era aconselhável usar preservativo quando me masturbo, gostava que me esclarecesse se é mesmo necessário, para não estar a gastar dinheiro em preservativos sem necessidade.”

Nuno, Portimão

 

Caro leitor,

Apesar de a maioria das pessoas pensar que se trata de um desperdício, realmente existem algumas situações nas quais a utilização de um preservativo durante a masturbação é recomendada. Se o leitor estiver a utilizar um vibrador durante a masturbação aí então a utilização do preservativo é recomendada como forma de evitar infecções bacterianas, e se o leitor tiver Herpes Genital ou outro tipo de Infecção Sexualmente Transmitida a utilização
do preservativo vai evitar que a infecção se alastre para outras partes do seu corpo através do contágio das suas mãos.

“Devo fazer terapia sexual?”

“Tenho 46 anos, sou
casado há 17, mas de há uns três anos para cá eu e a minha esposa deixámos de
nos dar bem a nível sexual. Embora tivéssemos recorrido ao apoio de um
Psicólogo, continuámos com o mesmo problema. Será que consultar um especialista
em sexualidade poderá ajudar?”

Tiago, Seixal

 

Caro leitor,

Sem dúvida que sim, um sexólogo credenciado tem a
formação e o treino necessários para saber lidar com qualquer tipo de problema
do foro sexual. Se tem tido dificuldades a nível sexual com a sua esposa,
definitivamente aconselho-o a procurar um especialista. Além disso, é bastante
importante que ambos sejam sinceros durante a terapia tanto um com o outro como
com o vosso terapeuta, e que ambos participem activamente na terapia indo às
sessões, fazendo os exercícios recomendados em casa e demonstrando empenho e
vontade de melhorar, pois apenas com o empenho de ambos verão resultados.

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