Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Atraso na menstruação

Estou preocupada. Eu tomava um anticoncepcional que me fazia muito mal, sendo assim parei de tomá-lo quando a ultima menstruação veio. No entanto eu não tomei outro tipo de anticoncepcional porque já havia passado o tempo de tomá-lo e a menstruação veio de novo, ficou por dois dias e acabou. O problema é que hoje já seria altura de vir de novo e ainda não aconteceu. Tive relações duas vezes e ainda assim o meu marido não gozou. A dúvida é: O que está acontecendo com meu organismo...é normal essa demora para vir o periodo ou estou grávida?
 
Amélia
 
Cara Amélia,
 
Tomar e parar um contraceptivo deve ser feito com conselho médico. Quando parou a pílula devia ter usado o preservativo, pois estaria mais segura de prevenir qualquer gravidez indesejada. Mesmo que o seu marido não ejacule, na lubrificação natural masculina já pode haver alguns espermatozóides. No entanto, não quer dizer que esteja grávida, é natural haver flutuações mensais na menstruação.
Anote numa agenda o primeiro dia da menstruação – é essa a data relevante para perceber quantos dias em média tem o seu ciclo menstrual. Depois de alguns meses, poderá perceber a duração do ciclo e calcular o seu intervalo fértil, a partir do dia que fica ao meio, contam-se três a cinco dias (a duração média de vida dos espermatozóides) para trás e para a frente e neste intervalo tem absolutamente de utilizar um método contraceptivo, pois as probabilidades de engravidar são grandes.
Tente esclarecer as suas dúvidas no seu médico de família ou ginecologista e encontrar o método certo para si, de modo a sentir-se à vontade para viver a sua sexualidade e sentir o máximo de prazer possível.

“Ela está demasiado ousada…”

 

“Não sei o que se passa, mas a minha namorada tem feito cada vez mais propostas indecentes em termos sexuais. Não tenho gostado da situação pois parecia uma rapariga doce e até ingénua, e agora mostra-se quase feroz. A continuar assim, não sei se não é melhor terminar com ela…”
Cláudio, Tomar
 
Caro Leitor,
Para que possa pôr termo, de uma vez por todas, às propostas da sua companheira, antes de terminar a relação que mantém actualmente, é importante que tenha uma conversa séria e objectiva com ela. Evite tomar atitudes precipitadas para que não se arrependa mais tarde. Lembre-se que a via do diálogo é fundamental para esclarecer qualquer tipo de situação. Seja sincero e diga-lhe que não gosta do tipo de propostas sexuais que ela lhe tem feito e que, se ela pretende continuar a estar consigo, terão de encontrar um equilíbrio que satisfaça ambos. Mostre-lhe aquilo que está a sentir neste momento, não tenha receio de lhe dizer aquilo que lhe vai na alma. Tome a sua decisão após uma conversa directa e franca.

Bebé e masturbação

Chamo-me Júlia e tenho um problema com o meu bebé de apenas 1 ano e 8 meses. Ele faz umas coisas muito preocupantes. Às vezes apanho-o deitado em cima do travesseiro como se estivesse num acto sexual, isso também acontece quando ele brinca, anda de triciclo e até mesmo no nosso colo. Nesses momentos eu procuro ver o pénis dele e sempre está durinho. Parece que ele sente prazer a fazer isto. Não sei se ele viu alguém a ter sexo mas o que me preocupa é que ele precisa ir para a creche e eu não consegui fazê-lo este ano por medo dele fazer isto na escola. Ele já sabe que é errado, mas continua. Não sei o que pensar nem o que fazer ...
Júlia
 
Cara Júlia,
 
O comportamento do seu filho é perfeitamente normal e não deve ser considerado sexual: ele descobriu o prazer de estimular os seus genitais, mas não associa tal à sexualidade, que ainda desconhece nem tem fantasias associadas (como acontece na masturbação). A exploração do corpo faz parte do desenvolvimento, tal como por o dedo no nariz, e em crianças tão jovens não deve ter qualquer ligação com ter visto alguém a ter comportamentos sexuais ou qualquer situação de abuso sexual (que nestas idades os leva a ficarem alheados do meio envolvente ou a problemas de sono).
Não deve dar demasiada atenção a este comportamento, pois tal levará a que ele o faça também. Não entre em pânico, não há nada com que se preocupar. Se ignorar este comportamento ele irá diminuir por si mesmo; enquanto que se o reprimir, castigar ou se se zangar com ele só aumentará a sua curiosidade com essa parte especial do seu corpo. Arranje outras brincadeiras para substituir a estimulação genital e o distrair quando a está a fazer: com puzzles, brinquedos, jogos - proponha fazê-las naturalmente, sem se mostrar chocada. Se se aperceber que ele o faz para relaxar mostre-lhe outros modos de o fazer, massajando-o, ouvindo músicas calmas com ele. Tente não o fazer sentir que há partes do corpo que são sujas, mas sim que compreenda lentamente o conceito de privacidade e de comportamentos adequados sozinhos e com outros. Ir para uma creche, como deve compreender agora, é positivo para o seu desenvolvimento social e irá dar-lhe mais actividades para fazer, coisas para aprender e esquecer o prazer dessa brincadeira – não deixe o fazer e não tenha vergonha do seu filho, ele está a crescer e a descobrir o seu próprio corpo.

“Porquê eu?”

“Tenho 30 anos e hoje tenho a certeza que sou gay, no entanto não deixo de me perguntar o porquê de isto me ter acontecido a mim. Preferia ser um rapaz como os meus amigos, que já estão todos a casar e a construir uma família. Sei que se os meus pais soubessem teriam um desgosto enorme, mas também não quero viver para sempre na clandestinidade.”

 

João, Viana do Castelo

 

Caro Leitor, Parece-me que apesar de ter a sua orientação sexual bem definida, não é percepcionada por si como uma coisa positiva. Pelo contrário, é uma situação que lhe causa desconforto e sofrimento, pelo que o primeiro passo será reflectir sobre o que lhe provoca esses sentimentos. Perceber o motivo de sentir-se assim com algo como a sexualidade, que por si só deveria ser indutora de prazer. Depois, é importante ter em mente que a homossexualidade não é ensinada, nem é aprendida e que mais importante que procurar possíveis causas é compreender que homossexualidade em si não é algo negativo. O primeiro desafio é aceitar o seu próprio desejo sexual e aprender a viver de uma forma saudável a sua orientação sexual, retirando dela o máximo de prazer possível. A partir do momento em que for capaz de estar bem e em paz consigo próprio as pessoas que realmente gostam de si e o querem ver feliz aceitarão com naturalidade este facto, mesmo que possam levar algum tempo a adaptarem-se, pois podem ter outra ideia feita a seu respeito. Hoje em dia é possível também para casais homossexuais construírem uma família, por isso procure acima de tudo a sua própria felicidade.

“Não consigo ter um orgasmo!”

"Tenho 28 anos e neste momento estou a viver uma nova relação que dura há 2 meses, mas tenho um problema, tenho dificuldades em atingir o orgasmo. Gosto do meu namorado e sinto-me bem com ele, mas como já sei que vai ser difícil chegar ao orgasmo tenho cada vez maior tendência para fugir ao contacto sexual com ele, invento desculpas para não fazermos amor e sei que isso o deixa infeliz e o afasta de mim. Gostava de resolver o meu problema, mas não sei como.”

 

Ana, Tomar

 

Cara Leitora,

A dificuldade em atingir o orgasmo é algo muito frequente e trata-se de uma das causas que mais origina insatisfação no campo sexual e consequentemente provoca abalos na relação de casal. A dificuldade em atingir um orgasmo pode deixar o casal nervoso e gerar uma escalada de ansiedades e insatisfações. Obviamente que as causas são várias e a “culpa” por esta situação não pode ser atribuída exclusivamente a nenhum dos elementos de casal, no entanto, um e outro podem auto-culpabilizar-se por esta situação. Por isso o melhor é discutir este assunto com o seu parceiro, explicando-lhe o que sente e a situação que está a viver. E importante que comunique com o seu namorado de forma a que ele saiba o que lhe dá mais prazer. À primeira vista poderá parecer-lhe uma conversa difícil dado o carácter recente desta relação e também dada a ansiedade que esta situação provoca, no entanto, será uma oportunidade única para o fortalecimento da vossa relação.

“Ele compara-me com a ex namorada…”

“Namoro com um rapaz há dois meses e iniciamos a nossa vida sexual. Como é o meu primeiro namorado a serio sinto-me ainda insegura, embora tente disfarçar. Contudo, ele comentou comigo que a vagina da ex-namorada é mais apertada do que a minha, o que fez sentir muito envergonhada. Ele é o segundo rapaz com quem tenho relações sexuais, penso que ele está a insinuar que tive mais namorados, mas não é verdade.”

Luísa, Coimbra

Cara leitora,

Antes de mais qualquer relação deve assentar no respeito mútuo de ambos os parceiros. Assim, não é correcto da parte do seu namorado fazer comparações entre si e a anterior namorada, ainda para mais relativamente a aspectos físicos que são variáveis de mulher para mulher, de corpo para corpo. Converse com ele e explique-lhe que está magoada, pergunte-lhe como é que ele se sentiria se você comparasse o pénis dele com o do outro rapaz com quem esteve. Para que um relacionamento resulte é importante que ambos os parceiros expressem aquilo que sentem, o que gostam e o que não gostam na relação e também a nível sexual, mas devem sempre focar-se no momento presente, pondo as relações anteriores que tiveram no lugar onde pertencem – o passado.

“Tenho medo que ele ache que sou gorda!”

“Tenho 25 anos, namoro há dois meses e cada vez mais se aproxima o momento em que haverá envolvimento sexual entre mim e o meu namorado, mas tenho receio que ele me ache gorda.”

 

Joana, Lisboa

 

Cara Leitora,

Não se preocupe e não se sinta única a viver estes sentimentos, dado que são muitas as mulheres que se preocupam de tal modo com o seu aspecto físico que colocam o prazer em segundo lugar. Lembre-se de que se o seu namorado escolheu estar consigo é porque ele gosta de si tal como você é. É importante perceberem que o acto sexual é um momento único envolto em magia e prazer, não um desfile de moda em que se está a reparar no excesso de gordura do outro ou nas suas imperfeições. Desta forma, não se preocupe com o seu aspecto físico e viva intensamente e sem preconceitos o momento do envolvimento sexual, tirando partido de cada carícia, de cada movimento, tendo em vista um estado pleno de prazer. Também é importante perceber porque se sente assim, qual a origem dessa falta de confiança que a impede de vivenciar de forma plena a sua sexualidade. Faça uma reflexão cuidada e tente encontrar a origem desta falta de confiança tendo em vista a resolução desta situação, de modo a evoluir para um estado de satisfação.

"Gosto de me masturbar"

"Acabei de fazer 18 anos, neste momento não ando com ninguém, mas mesmo assim sinto muito desejo e gosto de me masturbar frequentemente. É normal? "

 

Ana Patrícia, Covilhã

 

Cara Leitora,

Claro que é normal… ainda para mais aos 18 anos! A masturbação é um comportamento saudável praticado por indivíduos de todas as idades. Infelizmente ainda é um tabu para muitas mulheres, quando na verdade ajuda imenso a mulher a descobrir-se, e a perceber do que gosta a nível sexual. A masturbação ainda é também um tabú para algumas religiões, pois estas encaram a sexualidade só como um acto meramente reprodutor. Não se preocupe, explore o seu corpo e faça novas descobertas nessa viajem maravilhosa. 

“Queremos casar virgens”

“Eu e o meu namorado temos 17 anos e queremos casar-nos virgens. No entanto, gostávamos de apimentar o nosso relacionamento… há algum tipo de preliminares que possamos fazer sem ir contra a nossa vontade de nos mantermos virgens? Podemos tocar-nos, desde que continuemos vestidos? Há alguma forma de eu o deixar louco sem chegar a vias de facto?”

Cátia, Vila Franca de Xira

 

Cara leitora,

A vossa decisão de continuarem virgens é legítima e até curiosa num tempo em que a ideia de casar virgem perdeu a importância social que tinha, sendo cada vez menos frequente. No entanto, para manterem acesa a chama da paixão é positivo experimentarem a vossa sexualidade dando largas à imaginação. A provocação verbal é um poderoso estímulo, por isso antes de mais comece por sussurrar mensagens insinuantes ao ouvido do seu namorado, “jogue” com ele ao “gato e ao rato”, provocando-o. Explorem o corpo um do outro com todo o tipo de carícias, massagens, uso de óleos perfumados, etc. A masturbação mútua é um poderoso estímulo sem chegar a consumar o acto sexual, porque não há penetração. O sexo oral é muito apreciado, principalmente pelos homens, pelo que é uma boa forma de estimular a libido do seu namorado. Não devem, no entanto, fazer algo com que não se sintam confortáveis. O dialogo mutuo é fundamental para que possam avançar juntos e com segurança. Tenham também em atenção que o sexo oral transporta riscos para a saúde, pelo que devem fazê-lo sempre com preservativo.

"A impotência tem cura?"

"Tenho 43 anos e estou casada há 10. Sempre tivemos uma relação satisfatória a nível sexual, mas ultimamente o meu marido anda com problemas na vida dele, o que tem afectado o seu desempenho na intimidade. Eu acho que o stress o está a tornar impotente, há cura para esta situação? Como posso ajudá-lo?"

Conceição, Matosinhos

Cara Leitora,

São vários os motivos que podem afectar o desempenho sexual do homem, quer sejam factores emocionais, físicos, ou ambos. Recomendo-lhe que aconselhe o seu marido a ir a um médico urologista para realizar alguns exames e medir os níveis de testosterona. Se estes valores forem normais então terão de procurar outras possíveis causas para o problema.
O seu marido está a tomar alguma medicação? Sofre de diabetes, problemas de hipertensão arterial ou coração? Estas são algumas das causas mais comuns de impotência. Quanto a saber se a impotência tem cura, com o desenvolvimento da Medicina, existem cada vez mais soluções de todo o tipo, por isso esteja descansada. Comecem por identificar possíveis causas físicas ou médicas para o problema, se estas forem excluídas então trata-se de algo do foro psicológico, talvez stress, ansiedade, ou mesmo problemas matrimoniais. Dê ao seu companheiro o apoio de que ele necessita e verá que tudo irá correr pelo melhor.

Pág. 1/3