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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“O que são os exercícios Kegel e como funcionam?”

“Bom dia, gostava de saber com mais pormenor como é que se fazem os exercícios Kegel. São apenas para mulheres ou os homens também os podem fazer?”

 

Carina, Barcelos

 

Cara leitora,

Os exercícios Kegel foram desenvolvidos pelo Dr. Arnold Kegel para ajudar as mulheres a recuperar o controlo da bexiga, especialmente depois do parto, fortalecendo os músculos pélvicos. O Dr. Kegel descobriu, também, que os seus exercícios aumentavam a intensidade dos orgasmos, tendo-se tornado especialmente famosos por isso. Embora sejam concebidos para mulheres os homens também podem pô-los em prática, melhorando a sua função urinária. São bastante fáceis e podem ser praticados em qualquer situação. Enquanto está a urinar, se parar de repente o fluxo, estará a trabalhar os músculos pélvicos. Assim, tudo o que tem a fazer é contrair os músculos pélvicos e depois soltá-los, fazendo-o dez vezes de seguida, três vezes por dia (sem ser quando está a urinar, isso apenas serviu para perceber o tipo de movimento que tem de fazer). Vá aumentado gradualmente o número de contrações que faz até que, ao fim de um mês, esteja a fazer séries de 20 contrações, 10 vezes por dia. Deve também introduzir alguma variação nos exercícios, intercalando exercícios simples com outros em que, após contrair os músculos, conta até 3 antes de soltar. Ponha o exercício em prática enquanto vê televisão, quando está no carro à espera que o semáforo mude de cor, etc… faça-o de forma descontraída e natural. Experimente fazer os exercícios enquanto estiver a fazer amor com o seu par, vai ver que isso provoca sensações muito boas tanto em si como no seu parceiro!

 

“Gostava de fazer sexo oral a outro homem…”

“Sou um homem heterossexual que sempre gostou de mulheres, mas há pouco tempo tive um sonho erótico muito estranho, em que fazia sexo oral a outro homem, e desde então essa ideia não me tem saído da cabeça! Acho muito estranho e esta ideia tem-me perturbado, pois os homens não me excitam minimamente, mas esta fantasia deixa-me muito excitado! Serei gay?”

 

Sérgio, Lisboa

 

Caro leitor,

As fantasias sexuais permitem conhecer e explorar situações novas e excitantes, que podemos ou não querer por em prática. Muitas pessoas têm fantasias sexuais com atores ou cantores famosos, o que à partida não será fácil de concretizar, mas ainda assim essas fantasias não deixam de lhes provocar sensações agradáveis. Por outro lado, a sensação de quebrar os próprios tabus pode ser extremamente excitante, o que explica essa sua fantasia sem que signifique necessariamente que exista uma tendência homossexual da sua parte. Embora lhe caiba a si decidir se quer ou não por essa fantasia em pratica, saiba que por vezes as fantasias nos dão mais prazer do que pô-las em pratica.

“Circuncidado, sim ou não?”

“Nunca tive um namorado que fosse circuncidado e essa característica é algo que me intriga bastante. Será que um homem circuncidado me pode proporcionar mais prazer? Existem diferenças para a mulher com quem ele tem relações sexuais? Sim, ou não?”

 

Carolina, Barcelos

 

Cara leitora,

Embora a diferença entre um pénis circuncidado e um que não o foi seja aparentemente pequena – o pénis circuncidado não tem a membrana envolvente, porque lhe foi removida – existem algumas diferenças no que diz respeito à forma como o pénis “se comporta” durante o ato sexual e nas sensações a ele relacionadas.  Num homem não circuncidado, quando o pénis tem uma ereção essa membrana de pele retrai-se, expondo a cabeça do pénis, ajudando a diminuir a fricção durante o ato sexual, criando também mais lubrificação na mulher. Como tal, um pénis em que essa membrana foi removida pode precisar de lubrificação adicional para ambos os parceiros para que sinta mais prazer. O odor libertado pode também ser diferente, e há que ter alguns cuidados pois os homens circuncidados são mais sensíveis a irritações da pele, embora sejam menos vulneráveis às infeções sexualmente transmissíveis.

“Tenho pensado em convidar outras mulheres para fazerem amor connosco…”

“Tenho 43 anos e amo a minha mulher, mas apesar disso ultimamente tenho fantasiado com fazer amor com outras mulheres que se juntam a nós. Acho isto estranho, pois eu e a minha mulher temos uma vida sexual fantástica, experimentamos tudo juntos, e por essa razão não compreendo de onde vem esta minha vontade. Não sei se hei de dizer à minha mulher ou não…”

João Paulo, Coimbra

 

Caro leitor,

Para algumas pessoas, em especial para os homens, a ideia de ter relações sexuais com duas ou mais pessoas é extremamente excitante. Por outro lado, quando a vida de casal cai na rotina, convidar uma terceira pessoa pode trazer um vigor renovado à relação, pela excitação da novidade. Assim, não há nada de errado nessa sua fantasia, e o facto de querer partilhá-la com a sua mulher mostra que continua a amá-la, pois quando um casal gosta de partilhar tudo sem tabus isso revela que o amor que existe é forte. Converse com a sua esposa com sinceridade e frontalidade, pois ela poderá estar recetiva a esta ideia. Devem, no entanto, ser cuidadosos com a pessoa que escolherem para se juntar a vós nesta experiência, evitando correr riscos para a vossa saúde, bem como deixar claro que será uma relação meramente sexual, para que a presença de novas pessoas não interfira a nível emocional com a vossa relação.

 

 

“Sexo depois do período?...”

“Eu e o meu namorado tivemos relações sexuais dois dias depois do meu ciclo menstrual. Eu tomo a pílula, e fizemos amor na noite anterior a voltar a tomar. No entanto, estou com algum receio de engravidar. É seguro ter relações sexuais depois do período e antes de recomeçar a pílula?”

 

Nádia, Beja

 

Cara leitora,

Desde que tome a sua pílula de acordo com a prescrição que lhe é aconselhada em princípio não corre riscos de gravidez indesejada. Os componentes químicos das pílulas alteram a produção de estrógeneo e progesterona no seu sangue, evitando a maturação do ovo no ovário, e fazem também com que o óvulo tenha maior dificuldade em fixar-se para ser fertilizado, ao mesmo tempo que promovem a criação de um muco que dificulta a entrada dos espermatozoides no útero. Pela composição das caixas, o número de pílulas é concebido para assegurar que, mesmo nos dias em que não está a tomar, estará protegida de uma gravidez. Contudo, todos os métodos anticoncecionais têm uma taxa de fracasso, que no caso da pílula corresponde a 3%, o que significa que em cada 100 mulheres que tomam a pílula 3 engravidam na mesma. Embora seja pouco provável, existe uma ínfima possibilidade de que isto aconteça. Uma vez que a pílula também não protege da transmissão de doenças, pode considerar usar também preservativo, duplicando a forma de proteção utilizada.

“Posso por lubrificante no preservativo?”

“Tenho algumas dificuldades a por o preservativo, e já pensei em usar lubrificante para que se torne mais fácil. No entanto, gostava de saber se ao usar lubrificante por dentro do preservativo não corro o risco de este escorregar com maior facilidade, saindo do pénis. Obrigado pela ajuda que me possa dar.”

 

Paulo, Sintra

Caro leitor,

Com preservativos de látex ou poliuretano usar um pouco de lubrificante facilita a colocação do preservativo e pode até aumentar as sensações na glande do pénis, mas tenha em conta que basta umas poucas gotas de lubrificante, pois se usar demasiado isso fará com que o preservativo escorregue facilmente. No caso de usar preservativos de látex, deverá usar lubrificante à base de água, pois os lubrificantes oleosos danificam o látex. Poderá, também por o lubrificante diretamente no pénis, colocando de seguida o preservativo.

 

“Sexo na banheira ou no chuveiro?”

“Adoro fazer amor no banho com o meu namorado, mas como tenho receio de engravidar gostava de saber se é mais seguro usar o chuveiro. É possível engravidar se o meu namorado ejacular na água da banheira, ou a água quente destrói o esperma?”

 

Catarina, Leiria

 

Cara leitora,

Fazer amor na banheira ou no chuveiro, por si só, não impede uma gravidez nem a transmissão de doenças. Embora estar numa banheira de água quente dificulte a produção de espermatozoides, devido à diferença de temperatura, tal não é o suficiente para garantir a eficácia enquanto método anticoncecional. Os homens com problemas de fertilidade devem evitar os banhos de imersão por esta razão, pois o processo de produção de espermatozoides é sensível à temperatura. Fazer amor no chuveiro aumenta mais ainda o risco de gravidez indesejada, pelo que deve usar um método anticoncecional e que a possa proteger contra doenças.

 

“A vagina dá mais prazer que o clítoris?”

“Noutro dia eu e as minhas amigas estávamos a falar sobre a nossa vida sexual e uma delas disse que sente mais prazer quando o namorado lhe toca na vagina sente mais prazer do que com a estimulação do clítoris. É possível? Pensava que o prazer da mulher se concentrava no clítoris…”

 

Susana, Barcelos

 

Cara leitora,

Embora as sensações que produzem sejam diferentes, tanto o clítoris como a vagina propiciam prazer à mulher. Cada mulher é um ser humano único, e que vive o prazer de forma diferente e única também. O que dá muito prazer a uma mulher pode não provocar qualquer sensação a outra. Por essa razão, conhecer bem o próprio corpo é essencial para poder descobrir aquilo que lhe dá prazer a si e para que, dessa forma, o possa transmitir ao seu companheiro. Em primeiro lugar, há que compreender a diferença entre o prazer e a sensibilidade. Embora existam muitas áreas sensíveis ao longo do corpo, não quer dizer que todas elas proporcionem prazer. As zonas erógenas, que o provocam, estão associadas a terminações nervosas. O clítoris contém inúmeras terminações nervosas, provocando intensas sensações de prazer quando é estimulado. Embora seja menos comum, há muitas mulheres que também sentem muito prazer pela estimulação da vagina, pois também contém muitas terminações nervosas. A estimulação da vagina e do clítoris em simultâneo pode provocar inesperadas ondas de prazer!

“Sinto dores no clítoris…”

“De há algum tempo para cá noto que depois de fazer amor sinto dores e comichão muito forte no clítoris, e de cada vez que o meu namorado me toca, ao de leve que seja, temos logo de parar. Por vezes até o roçar da roupa interior me causa desconforto. Gostava de saber se isto é normal e como posso resolver o problema, pois está a interferir com a minha vida sexual.”

 

Tânia, Santarém

 

Cara leitora,

De facto, quando o clítoris está bem qualquer toque nesta área pode trazer um enorme prazer mas se, pelo contrário, se passa algo de errado com esta zona os toques podem ser extremamente dolorosos, por ser tão sensível. O clítoris compõe-se por três partes, a “cabeça”, que consiste numa pequena bolinha eréctil, localizada mesmo acima da abertura da uretra e por baixo do osso púbico, que pode ser visível consoante a anatomia da mulher e o seu estado de excitação, uma parte que se estreita e que vai dessa “cabeça” até ao interior do corpo, onde recebe os sinais nervosos que provocam a excitação, e um tecido que cobre a zona, nos lábios superiores, e que protege o clítoris, produzindo um fluido lubrificante quando a mulher está excitada. Quando esse fluido se acumula em excesso torna-se num líquido branco leitoso, que se não for removido através da lavagem pode “endurecer” em pequenos grânulos, os quais por sua vez provocam irritação na pele sensível envolvente, provocando dor mesmo apenas com o contacto da roupa. Embora a higiene depois de fazer amor possa resolver o problema, certas mulheres têm o canal que liga o clítoris ao interior do corpo mais estreito, dificultando a lavagem, pelo que pode experimentar submergir esta zona durante alguns minutos, usando o bidé, e mover a pele cuidadosamente, afastando os tecidos, lavando com cuidado com um produto aconselhado pelo ginecologista.

 

“Quero mostrar-lhe que não sou uma “santinha”!”

“Eu e o meu namorado estamos numa fase de nos darmos mais intimamente antes de termos relações sexuais... mas ele acha que eu sou muito tímida, e quer que os preliminares sejam mais sensuais. Por isso gostaria que me desse algumas ideias, do que posso fazer para lhe demonstrar que não sou a “santinha” que ele pensa, embora ainda não esteja muito à vontade pois ainda não fizemos amor…”

Marta, Gondomar

Cara leitora,

Devo felicitá-la pela vossa decisão de quererem conhecer-se melhor antes de terem relações sexuais, pois esse período de descoberta entre o casal é bastante importante para a construção de uma base forte para a vossa relação. Muitas vezes os casais, ao terem muita pressa em iniciar a sua atividade sexual, acabam por não ter oportunidade para explorar o corpo do parceiro de forma detalhada. Desta forma, o conselho que lhe posso dar é que não tenha receio de ser você mesma, não tenha receio de dizer o que gosta e o que não gosta, de sussurrar palavras picantes ao ouvido do seu namorado, de pedir que ele lhe faça carícias, de sugerir novas práticas e carícias. Experimente fazerem massagens um ao outro, tomarem um banho juntos, vendar os olhos do seu namorado e explorar os vossos sentidos com comidas afrodisíacas, enfim, não tenha receio de ser imaginativa.

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