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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“O meu pénis é curvado!”

“Olá, tenho 36 anos e uma característica física que me incomoda. O meu pénis curva para a esquerda e ligeiramente para cima, algo com que não me sinto confortável pois tenho receio que as mulheres com quem me envolvo achem o meu pénis estranho e pouco atraente. Existe algo que eu possa fazer para mudar o formato do meu pénis sem ter de recorrer a uma intervenção cirúrgica?”

 

Vasco, Barcarena

 

Caro leitor,

Não tem de ficar tão preocupado com a sua característica física, pois é bastante normal que o pénis faça uma certa curvatura, que pode ser mais ou menos acentuada, evidenciando-se mais quando o pénis está ereto. O desenvolvimento dos músculos na base do pénis, a pele e os tecidos combinam-se de forma a criar curvas e formas que variam de homem para homem. Em alguns casos a curva pode ir “endireitando” com a idade, naturalmente. Deve apenas preocupar-se no caso de a sua ereção ser dolorosa para si ou de a penetração provocar dor na sua parceira, ou de ser de algum modo desconfortável. Por uma questão estética, apesar de haver à venda alguns “comprimidos milagrosos” no mercado, não deve por em causa a sua saúde pois os resultados podem não ser como espera. Aprenda a aceitar e a desfrutar dessa característica que o faz ainda mais único e especial.

“O impulso sexual de um homem diminui com a idade?”

 

“Tenho quase 30 anos e estou algo apreensivo com uma questão. Sempre fui muito ativo sexualmente, pelo que me preocupa a ideia que o impulso sexual de um homem possa diminuir com o avançar da idade. Isso é possível? Se sim, há algo que eu possa fazer para evitá-lo?”

 

Pedro, Bragança

Caro leitor,

Felizmente nem tudo o que é bom acaba. O desejo e o impulso sexual no homem e na mulher diminui gradualmente com a idade, mas a testosterona, a hormona que controla o impulso sexual no homem, nunca deixa inteiramente de ser produzida. Alguns homens de 70 e 80 anos continuam a ter uma libido ativa mesmo com níveis diminuídos de testosterona. Para além da idade, a libido pode ser afetada, em qualquer momento da vida, por fatores como o stress, a fadiga, preocupações com o trabalho, efeitos secundários dos medicamentos, insatisfação com a relação ou falta de interesse pela parceira, entre outras. A vida sexual do homem vai sofrendo alterações mesmo que o desejo se mantenha. Enquanto que aos 20 é menos frequente terem sonhos molhados e masturbarem-se menos, no final dos 20 e aos 30 podem notar que o pénis não fica tão ereto como costumava e que precisam de maior estimulação para terem uma ereção. Aos 40, 50, pode precisar de estimulação direta para ter uma ereção, que pode não ser tão plena como era habitualmente, tendo também maior facilidade em perdê-la. O ângulo de ereção também pode variar ao longo do tempo, bem como a força da ejaculação. Aos 50, 70 anos torna-se mais difícil conseguir que a excitação leve à ereção, levando também mais tempo a ejacular. É importante lembrar que estas mudanças fazem parte do processo de envelhecimento natural do corpo e que não acontecerão todas de uma vez, do mesmo modo como convém não esquecer que cada pessoa tem o seu ritmo próprio, pelo que deve desfrutar da sua sexualidade em pleno e sem ansiedade.

“Preciso de ajuda para ter orgasmos!”

“Tenho 22 anos e apesar de já ter iniciado a minha vida sexual, tenho dificuldades em conseguir atingir o orgasmo, pelo que gostava que me ajudasse nesse sentido. O que posso fazer para ter orgasmos mais facilmente enquanto estou a fazer amor com o meu namorado?”

 

Cátia, Caneças

 

Cara leitora,

O orgasmo é o ponto em que toda a tensão que o corpo vai acumulando é subitamente libertada sob a forma de uma série de contrações musculares involuntárias e que proporcionam prazer, e que se podem sentir na vagina, no útero e no reto. Pressionar e massajar o clítoris conduz a essa tensão e a inúmeras sensações de estremecimento e de preenchimento pélvico. Há muitas mulheres que têm dificuldade em alcançar o orgasmo, quer seja sozinhas quer com um parceiro. A vergonha em tocar o próprio corpo, a falta de conhecimento do mesmo e medos desconhecidos são apenas alguns dos fatores que dificultam esta libertação física, cuja componente psicológica é também muito importante. Os orgasmos podem ter intensidades diferentes, conforme a mulher, o momento, o tipo de estimulação, o parceiro, etc. Para conseguir ter um orgasmo mais facilmente, evite concentrar-se mais nos pensamentos do que nas sensações, pois é fácil distrair-se com ideias que a afastam do seu propósito, como por pensar se está a agir corretamente, pensar no que o parceiro pode estar a pensar ou se está impaciente, aborrecendo-se consigo mesma e desistindo dos estímulos que está a receber. Não deve também alimentar o receio de não conseguir ter um orgasmo ou de pedir mais do seu parceiro, pois dessa forma estará a criar uma pressão mental que tornará mais difícil a libertação. Os sentimentos de culpa a respeito do sexo, ou pensar que se devia concentrar mais no seu parceiro, são também prejudiciais, bem como querer acelerar o processo. Dê mais tempo a si própria e deixe-se apenas guiar pelas sensações e pelo seu próprio prazer, deixando-se ir, e verá como se tornará mais fácil. 

“Será que sou Homossexual?”

“Tenho 23 anos e apesar de ter tido algumas namoradas nunca houve envolvimento sexual entre nós. Contudo sempre tive interesse por homens e até já me senti atraído por alguns. Serei Homossexual?

 

Pedro, Lisboa

 

 

Caro Leitor,

 

A questão que coloca é uma das mais frequentes no âmbito da homossexualidade, isto é, como se sabe que se é ou não homossexual? Deixe-me dizer-lhe que não existe uma resposta verdadeira e standard para esta questão. Algumas pessoas dão-se conta dos sentimentos homossexuais mesmo antes de saberem que existe uma palavra para os descrever, outros consideram que é só uma fase que estão a passar. No entanto, raramente é só uma fase. Assim sendo, considero importante que reflita sobre todos os seus relacionamentos, sobre os seus desejos e interesses sexuais de modo a perceber a sua posição nesta área da sexualidade. Tente fazer uma pequena experiência, enquanto se masturba tente fantasiar que está a ter relações sexuais com uma mulher e depois que está a ter relações sexuais com um homem e observe qual das fantasias o excitam mais e qual das fantasias o levam a atingir o orgasmo.

“Obsessão Sexual!”

“Desde sempre gostei muito de obter prazer através do sexo, no entanto, parece que nunca fico satisfeito, quero sempre mais e mais. Temo que esteja dependente de sexo, é possível ter uma obsessão?”
 
João, Tires

Caro Leitor,
Na realidade, podemos perceber a dependência do sexo quando a atividade sexual se torna muito frequente e jamais se obtém satisfação. O desejo sexual toma a maior parte dos pensamentos de uma pessoa e a sua única motivação é o prazer, ao invés do amor.
A dependência sexual é um distúrbio progressivo que pode provocar sérios problemas psicológicos, dificuldade nos relacionamentos amorosos, prejuízo nos estudos, na vida profissional e económica, envolvimento noutros vícios, como bebidas e drogas. Por sua vez, esta prática sexual em excesso também pode levar a prática de comportamentos sexuais de risco que podem pôr em perigo a sua saúde física e psicológica.  
Face a toda esta sintomatologia e também às repercussões que esta situação poderá ter na vida é importante consultar um especialista, de modo a percecionar qual o impacto e influência que esta situação tem na sua vida e de que forma a condiciona.
 

“Porque é que os preservativos falham?”


“Tenho 26 anos e sou sexualmente muito ativo, mas tenho verdadeiro pânico de engravidar alguma rapariga pois neste momentos assentar e ser pai está muito longe dos meus planos. Embora use sempre preservativo, sei que não existe 100% de garantias que uma gravidez indesejada não aconteça, e como tal gostava que me explicasse porque razão os preservativos podem falhar, para que desse modo me possa precaver melhor.” 

 

Miguel, Bragança

 

Caro leitor,

A percentagem de mulheres que engravidam utilizando o preservativo durante o ato sexual é de cerca de 10 a 15 mulheres em 100, durante um ano. Se o preservativo for usado da forma mais correta essa percentagem reduz para 2 a 3%, havendo assim uma taxa bastante elevada de sucesso. Como pode ver, a forma como o preservativo é utilizado determina em grande escala o seu sucesso. Para o usar corretamente deve usá-lo sempre que tem relações sexuais e da forma certa. Guarde os preservativos num lugar seco e fresco, afastados da luz solar direta e verifique sempre o prazo de validade. Abra a embalagem com cuidado, sem usar os dentes, e se o preservativo parecer descolorado ou seco não o utilize. Pode usar um pouco de lubrificante para ter mais prazer. Segure a ponta do preservativo com a ponta dos dedos, guardando algum espaço para a ejaculação. Com a outra mão, desenrole-o cuidadosamente ao longo do pénis, sem deixar que se formem bolsas de ar e até ao máximo possível. Depois de ejacular, segure bem a base enquanto o tira do pénis para evitar que escorregue. Dê-lhe um nó e deite-o no lixo, não na sanita. 

“Posso transmitir Hepatite C?”

“Há uns anos atrás contraí Hepatite C através de uma transfusão de sangue e tenho algum receio de poder propaga-la ao meus namorado através do ato sexual. Que tipo de precauções podemos tomar? Também se pode transmitir através do sexo oral?”

 

Ana, Covilhã

 

Cara leitora,

 

O vírus da Hepatite C transmite-se sobretudo através do contacto com o sangue infetado de uma pessoa ou de produtos que tenham estado em contacto com ele, nomeadamente através da transfusão de sangue ou do transplante de órgãos ou da partilha de seringas não corretamente esterilizadas, ou também através de cortes e feridas. De entre os vírus da Hepatite, a Hepatite C é aquela que tem menor risco de contágio, principalmente no contexto de um relacionamento monogâmico de longa duração, sendo pouco provável que se possa transmitir via sexo oral. Usar preservativo ajuda a diminuir o risco de transmissão do vírus.

“Devo aderir ao Swing?”

 


 

“Sempre fui feliz com a minha companheira, e sempre experimentamos, a nível sexual, tudo o que existia. Agora estou indeciso em aderir ao Swing, talvez por desconhecimento ou receio, mas a verdade é que sinto uma forte curiosidade e a minha companheira partilha do mesmo interesse que eu, sendo que já abordámos este assunto por diversas vezes.”

 

Alexandre, Odivelas

 

Caro Leitor,

O Swinger encara a sexualidade desprovida de preconceitos, na qual há uma libertação de tabus e as fantasias ganham vida com outros casais, aceitando que o parceiro tenha relações sexuais com outras pessoas. Há efetivamente um envolvimento carnal e nunca sentimental. 

Os swingers encaram o casamento como um partilhar em pleno de uma vida a dois, valorizando a fidelidade emocional em detrimento da física. Por isso o que tem de perceber e discutir com a sua parceira é o que pretendem enquanto casal. 

A introdução desta nova prática sexual na vida do casal pode provocar profundas mudanças na forma de viver a vossa relação de casal e a vossa sexualidade. Procure, em conjunto com a sua parceira, ponderar os prós e os contras na adesão a esta prática, equacionando o que será melhor e mais proveitoso para ambos.

“Posso estar dependente do sexo?”

“Tenho 34 anos e desde sempre gostei muito de obter prazer através do sexo, no entanto, parece que nunca fico satisfeito, quero sempre mais e mais. A minha namorada queixa-se do meu excesso de actividade sexual, e masturbo-me a ver pornografia, mesmo quando não estou com ela. Estou constantemente a pensar em sexo, temo que se esteja a tornar uma dependência, é possível?”

 

Carlos, Braga

 

Caro Leitor,

 

Podemos perceber a dependência do sexo quando a actividade sexual se torna muito frequente e mesmo assim jamais se obtém satisfação, como parece ser o seu caso, em que o desejo sexual toma a maior parte dos pensamentos de uma pessoa e a sua única motivação é o prazer. A dependência sexual é um distúrbio progressivo que pode provocar problemas a nível psicológico, dificuldade nos relacionamentos amorosos, prejuízo nos estudos, na vida profissional e económica, envolvimento noutros vícios. Por sua vez, esta prática sexual em excesso também pode levar a prática de comportamentos sexuais de risco que podem pôr em perigo a sua saúde física e psicológica. Face a toda esta sintomatologia e também às repercussões que esta situação poderá ter na vida é importante consultar um especialista, de modo a percepcionar qual o impacto e influência que esta situação tem na sua vida e de que forma a condiciona, para encontrar formas directas de a resolver.