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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Tenho 14 anos e não tenho peito!”

“Tenho 14 anos e não me sinto nada confortável com o meu corpo, pois continuo sem ter peito, enquanto todas as minhas amigas já usam soutien e algumas têm o peito mesmo bastante pronunciado. O que se passa de errado comigo? Também ainda não tenho a menstruação, e gostava de saber se há algo que possa fazer para acelerar esse processo.”

Luísa, Évora

Cara leitora,

De fato a única coisa que pode fazer é ter experiência e esperar, pois o desenvolvimento do corpo não acontece na mesma altura para todas as raparigas e rapazes, e embora geralmente a primeira menstruação e o crescimento do peito surjam entre os 12, 13 anos, há raparigas que só passam por essa transformação mais tarde, sendo que até aos 16 anos não tem motivos para considerar essa demora preocupante. Pode perguntar à sua mãe e tias como se processou esta alteração na adolescência delas, pois há boas probabilidade de herdar o mesmo tipo de desenvolvimento. Não deixe que a falta de peito diminua a sua auto-estima, desfrute de cada fase do seu crescimento e invista na sua beleza de outras formas. A seu tempo verá que tudo vai ao seu devido lugar. 

“As feromonas resultam mesmo?”

“Aqui há tempos estava numa loja e vi à venda uma colónia que continha feromonas, perguntei para que serviam e a vendedora explicou-me que as feromonas são uma substância química que fazem com que as mulheres se sintam atraídas pelos homens, assim como acontece com os animais que se atraem pelo cheiro. Isso é mesmo verdade?”

João Paulo, Sintra

Caro leitor,

As feromonas são substâncias hormonais libertadas pelos seres humanos, pelos animais, insetos e outros organismos, sendo mais popularmente conhecidas pela sua capacidade de atrair ou estimular sexualmente um ser da mesma espécie, normalmente do sexo oposto. No caso dos animais, as feromonas permitem detetar a atração sexual conducente a um comportamento de acasalamento, ou funcionam como um aviso de perigo ou risco de conflito. Os seres humanos não conseguem detetá-las conscientemente, e a forma como o corpo reage ou não é bastante variável. Contudo, o cheiro é, por si só, um dos estímulos sexuais mais importantes, sendo capaz de evocar memórias e associações mesmo passado muito tempo. Isto sucede porque a informação que o cheiro dá ao cérebro é menos filtrada e processada do que aquela que é apreendida por outros sentidos como a visão e o paladar. 

“Pode fazer-se sexo a mais?”

“Tenho uma questão que gostava que me esclarecesse. É possível fazer “sexo a mais”? Há limites para o desejo sexual, ou quando este é maior do que o considerado normal podemos falar de ninfomania? Esta é considerada uma doença? Eu e a minha namorada praticamos muito sexo, e basta passarmos um ou dois dias separados para parecer uma eternidade! Seremos normais?”

Carlos, Leiria

Caro leitor,

Não há limite que defina aquilo que é ou não “sexo a mais”. A cultura, a religião, os valores familiares e, sobretudo, as necessidades fisiológicas e as escolhas pessoais de cada pessoa contribuem para essa definição, que naturalmente é variável de pessoa para pessoa. Assim, não tem de considerar como uma coisa negativa o facto de ter sempre vontade de fazer sexo com a sua namorada, sendo até bastante saudável e salutar para a relação a existência desse desejo partilhado. Desde que a atividade sexual de ambos não interfira de forma negativa com a vossa saúde, nem vos faça por de parte as vossas obrigações a nível profissional, familiar, etc., e desde que continuem a manter bons hábitos alimentares e de sono, não há mal nenhum em ambos desfrutarem desse prazer. A ninfomania não é considerada uma doença, sendo geralmente este termo utilizado para definir o desejo insaciável e a necessidade incontrolável de ter relações sexuais, muitas vezes com parceiros diferentes. O sexo torna-se uma compulsão quando se torna na única prioridade, resultando na negligência de outras componentes importantes da vida, como o sono, o trabalho, a vida social. Nestas situações, em que a pessoa não consegue controlar o seu impulso sexual, sendo controlada por ele, a medicação pode ajudar, como noutros casos de obsessão.

“Para que serve um anel peniano?”

 


“Tenho 34 anos e uma vida sexual ativa. Já ouvi falar de um brinquedo sexual chamado anel peniano, gostava de saber para que serve e quais são os benefícios da sua utilização. Já tenho ido às sex shops mas tenho tido vergonha de pedir informações por não querer revelar ignorância, mas a verdade é que tenho bastante curiosidade e gostava de experimentar utilizá-lo. Pode esclarecer-me?”

 

Santiago, Beja

 

Caro leitor,

Não deve ter vergonha de fazer perguntas a respeito do que ainda não sabe, pois os funcionários das sex shops, como de qualquer outro estabelecimento comercial, estão preparados para esclarecer os seus clientes a respeito dos produtos que têm à venda, sendo perfeitamente normal não saber para que serve este “brinquedo” sexual, assim como muitos outros que existem no mercado. O que importa é procurar aprender e inovar a sua vida sexual! O anel peniano é sobretudo utilizado para fazer com que o pénis ereto fique maior e mais duro, e para o manter assim durante mais tempo, atrasando e intensificando o orgasmo. Consiste num anel, como o nome indica, que se coloca à volta do pénis, e que constringe o fluxo sanguíneo, de tal modo que quando finalmente ejacula a sensação é muito mais intensa, porque levou mais tempo a chegar e porque o pénis tem mais sangue contido. Existem anéis penianos de metal ou de borracha, devendo escolher o tamanho certo que se adeque a si. Os anéis de metal podem provocar alergias ou aleijar o pénis, sendo que também existem anéis penianos ajustáveis, que são mais indicados para principiantes. Tenho em atenção que a ereção deve aumentar apenas ligeiramente, se o pénis fica muito apertado então não é esse o tamanho correto. 

“Perdi peso e tenho receio de fazer amor…”

“Fui recentemente submetido a uma intervenção cirúrgica e perdi muito peso, estando agora com peso inferior ao que deveria. Tenho uma vida sexual ativa com a minha parceira e continuo a sentir desejo sexual, mas uma vez que estou com défice de peso tenho receio que retomar a atividade sexual normal possa ser prejudicial para a minha saúde. Gostava que me esclarecesse se não é prejudicial ter relações sexuais enquanto se tenta ganhar peso e, nesse caso, se ejacular duas ou três vezes na mesma ocasião não será prejudicial dada a minha atual condição física.”

 

Tiago, Massamá

Caro leitor,

Embora o seu receio seja sensato dada a sua atual situação física, não é tanto pela falta de peso como pela recuperação que o seu corpo está a fazer da cirurgia que se deve preocupar. Dependendo da intervenção cirúrgica a que foi submetido, o médico que o acompanha poderá indicar-lhe se o seu corpo já está preparado para retomar a sua vida sexual de forma segura. Pode, também, usar a imaginação e a criatividade, pois a intimidade não se resume ao ato sexual em si, pelo que pode partilhar momentos de intimidade com a sua parceira mesmo que ainda não possa fazer grandes esforços físicos. Pode, por exemplo, trocar e-mails provocatórios com a sua companheira, conversas telefónicas mais picantes, beijos sensuais e toda uma série de toques e carícias que, não sendo intrusivos, contribuem para apimentar o romance e manter acesa a chama da paixão e do desejo. Quando retomar a prática sexual experimente posições que lhe proporcionem maior conforto e que não exijam muito do seu corpo, mantendo um registo mais “suave” durante pelo menos as primeiras seis a oito semanas após a operação. No caso de a sua intervenção cirúrgica ter estado relacionada com a região pélvica ou com os órgãos sexuais o seu tempo de recuperação e os cuidados que precisa de ter serão maiores, pois o corpo precisa de tempo para cicatrizar e recuperar. A questão da falta de peso também é importante, mas à medida que recuperar o seu peso normal o seu corpo também estará a restabelecer-se e pode retomar as suas atividades normais. 

“Depois do orgasmo não consigo respirar!”

“Tenho 30 anos e recentemente comecei a ter um problema que nunca me tinha acontecido antes. No momento em que atinjo o orgasmo a minha garganta fecha-se e durante algum tempo não consigo respirar. Apanhei um grande susto porque da última vez estive meia hora com a garganta fechada, conseguia respirar de dois em dois minutos e depois voltava a fechar. Neste momento tenho medo de voltar a ter um orgasmo e do que pode acontecer a seguir! O que posso fazer?”

 

Teresa, Viana do Castelo

 

Cara leitora,

Algumas pessoas sofrem ataques de asma durante ou depois de atividade física mais exaustiva, mas embora a situação que descreve se possa dever a asma, nesta situação é indispensável consultar o seu médico para poder detetar a causa da situação e resolvê-la. No caso de se tratar de asma, em princípio utilizar uma bomba inaladora antes de fazer amor poderá evitar que fique com falta de ar quando atinge o orgasmo ou quando a sua respiração acelera. A exposição a substâncias às quais é alérgica também pode estar na origem dessas dificuldades respiratórias que relata. Por exemplo, são relativamente frequentes os casos de alergia ao látex dos preservativos, sendo que nesse caso a alergia se agrava com a repetida exposição ao material que a provoca, devendo experimentar usar preservativos de poliuretano, por exemplo. Por outro lado, a falta de respiração que descreve também pode estar associada a um ataque de pânico, um fenómeno químico que muitas pessoas experienciam e que pode ser despoletado por inúmeras razões. Uma vez que existem inúmeras causas possíveis e que se refletem numa questão fisiológica de grande importância deve sem dúvida consultar o médico para fazer exames e chegar a um diagnóstico.

“Quais são os perigos do aborto numa fase avançada da gravidez?”

“Tenho uma questão que gostava que me esclarecesse, e que se prende com o aborto, apesar de eu não ter filhos nem estar grávida, mas ouvi falar nesse assunto e não fiquei esclarecida. O aborto realizado no segundo ou no terceiro trimestre da gravidez é perigoso? Se for induzido, limita a capacidade de voltar a engravidar e ter filhos no futuro? De que forma pode afetar a saúde da mulher?”

Clara, Coimbra

Cara leitora,

Quanto mais cedo for feito o aborto, menos riscos traz para a saúde da mulher e mais simples é o procedimento, sendo que no terceiro trimestre de gravidez é já um estádio bastante avançado, só acontecendo em casos de extrema necessidade. Se for efetuado nas condições adequadas de segurança em princípio não terá interferência na possibilidade de gravidezes futuras, mas quanto mais tarde acontecer maior é o risco de sofrer complicações, sendo que um aborto após as 20 semanas de gravidez tem o mesmo risco de morte que um parto. O aborto tem também o risco de provocar hemorragias maiores ou menores, infeções e ferimentos nos órgãos associados, assim como coágulos no útero e reações alérgicas. No caso de ser mesmo necessário abortar, deve ser feito assim que possível. 

“Ela acha-me gordo…”

“Há algum tempo atrás a minha namorada disse-me que eu estava mais gordo e isso está a deixar-me preocupado. Já pensei em fazer uma dieta, mas depois penso que ela deveria gostar de mim tal como sou. Não sei se é paranóia, mas acho que a atitude sexual dela tem vindo a mudar.”

 

José, Malveira

Caro Leitor,

Procure não levar tão a sério o comentário pouco feliz por parte da sua namorada, pois possivelmente ela não o fez por mal e provavelmente nem se deu conta da instabilidade psicológica que lhe causou com isso. A não ser que a sua obesidade seja tanta que ponha em risco a sua saúde, não se martirize com esse tipo de pensamentos, pois para além de o estar a perturbar psicologicamente está a afetar o seu desempenho e vigor sexual. Converse com a sua namorada sem tabus e mostre o quanto ficou magoado com aquela afirmação. Talvez o facto de achar que o comportamento da sua namorada está diferente também esteja relacionado com a sua mudança de atitude. O amor não tem a ver com a aparência física porque a cumplicidade e o respeito mútuo do casal é que são importantes para a solidificação de uma relação. Através do diálogo e de uma atitude compreensiva podem melhorar a vossa vida sentimental e estimular o desempenho sexual.

“O que são esferas anais?”

 

“Tenho uma vida sexual ativa com o meu marido e ambos gostamos de dinamizar a relação e experimentar novidades, pelo que consultamos várias páginas da Internet relacionadas com o assunto. Encontrámos esferas anais e gostávamos de as experimentar, mas não sabemos exatamente de que se trata ou para que servem, será que pode esclarecer-nos?”

 

Teresa, Seixal

 

Cara leitora,

As esferas anais são um brinquedo sexual para mulheres e homens, que podem ser usados a sós ou na companhia do parceiro, sendo uteis para a iniciação ao sexo anal. Consistem em pequenas esferas feitas de um material macio como silicone ou plástico, que se assemelham a uma espécie de colar de pérolas já que estão unidas por um fio de nylon ou e outro material resistente. Enquanto algumas têm um toque mais macio, outras podem texturas. Inserem-se uma a uma no ânus, suavemente, podendo ser puxadas para fora pelo fio no momento do orgasmo, ou em qualquer outra altura. Podem ter tamanhos diferentes, devendo começar-se por usar esferas mais pequenas para ir então progressivamente aumentando de tamanho, pois para algumas pessoas as esferas maiores proporcionam uma maior excitação e intensidade de prazer, pois como o ânus tem muitas terminações nervosas o contato com as esferas pode provocar sensações muito intensas, tanto quando são introduzidas como no momento em que são retiradas. Tenham sempre em conta que o uso de lubrificante é muito importante no sexo anal, para evitar romper tecidos que são muito sensíveis. Como todos os brinquedos sexuais, deverá também ter os devidos cuidados de higiene e limpeza com as suas esferas anais.