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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Não consegui fazer amor com ela!”


 

Sinto-me bastante preocupado com uma coisa que me aconteceu recentemente. Tenho 26 anos e nunca tive problemas com a erecção, porém há duas semanas saí com uma pessoa com quem namoro e não consegui fazer sexo. E o que mais me deixou perplexo é que eu já tive relações com ela. Porque é que isto sucedeu?”

 

Rui, Coimbra

 

Caro leitor,

Não se preocupe com o sucedido, pois o seu problema parece ter surgido por factores de uma situação pontual, ou momentânea – como refere ter saído, pode ter tido essas dificuldades por ter bebido álcool, estar cansado devido ao trabalho, ou mesmo por ter alguma preocupação a atormentá-lo.

Tente não entrar num ciclo vicioso, pois quando sente que uma experiência corre mal, pode começar a sentir ansiedade de antecipação e ficar preocupado com isso, o que influencia muito a próxima relação sexual, de modo negativo.

Um homem não tem de querer e desejar relações sexuais a toda a hora: pode estar bem com a sua parceira, mas não lhe apetecer naquele momento e, por isso, o seu cérebro e o seu corpo não responderem aos estímulos de prazer.

Tente abstrair-se de problemas e não pensar nessa única vez em que as coisas não correram como gostaria, tente relaxar, não partir logo para a penetração mas demorar-se nas carícias, sentir o corpo da outra pessoa e o prazer e satisfação que lhe pode oferecer, descobrir as suas zonas erógenas preferidas…

Se o problema persistir, pense em consultar um médico especialista ou um sexólogo/a, para que não deixe esta pequena dificuldade crescer em bola de neve na sua vida.

 

“Tenho incontinência urinária…”


Depois de ter tido o meu filho mais novo, há 5 anos atrás, comecei a perder urina durante as minhas actividades do dia-a-dia. Passei a consultar médicos porque comecei a achar que não era normal e entretanto foi-me diagnosticada incontinência urinária. Será que a minha situação tem solução?”

Liliana, Évora

Cara Leitora,

A perda involuntária de urina, chamada incontinência urinária, é uma condição que atinge muitas mulheres após o parto e que pode ser causada também por efeitos secundários de medicação, problemas neurológicos, doenças da bexiga, problemas na próstata ou uretra, tratamento de tumores e problemas ginecológicos. No seu caso parece estar directamente relacionada com uma lesão causada pelo parto. Assim sendo, é importante que procure a ajuda de um especialista nesta área, pois a incontinência é uma doença que nos dias de hoje tem cura em grande parte dos casos. A incontinência pode ser tratada por via oral com o auxílio de medicamentos, através da intervenção cirúrgica e, também, através de exercícios da musculatura pélvica.

"Não paramos de fazer sexo!”

 

Comecei a namorar uma rapariga há três meses e quando estamos juntos não fazemos mais nada além de sexo. Estamos o tempo na cama e já não nos interessa sair de casa. Será que somos viciados em sexo?”

 

Sandro, Famalicão

 

Caro leitor,

É natural que estejam bastante interessados em sexo nesta fase inicial do vosso relacionamento, pois estão a passar por uma descoberta mútua na qual as vossas hormonas estão no pique! Não se preocupe, pois as coisas tem tendência a acalmar naturalmente por isso aproveite este momento de paixão louca!!! No entanto se esse comportamento se arrastar durante muito mais tempo e começar a prejudicar a vossa vida profissional e pessoal, tenha cuidado, certamente não quer que a sua relação se torne doentia. Aproveite o presente, mas sem esquecer a realidade do mundo que o rodeia, pois caso a relação acabe é nesse mundo que terá de continuar a viver!

“O meu período tem durado três meses.”

 

Tenho 19 anos e há três meses que tenho o período sem intervalo. Estou a ficar preocupada pois o corrimento não para. O que devo fazer?”

Carla, Odemira

 

Cara leitora,

De facto não é normal que tenha um corrimento sanguíneo devido à menstruação durante três meses seguidos. Normalmente as mulheres têm ciclos menstruais de 28 a 35 dias, com fluxos que variam entre os 3 e os 5 dias, sendo que quando este dura mais de 7 dias, a mulher deve consultar um médico. Assim sendo, a leitora deve consultar um ginecologista o mais rapidamente possível, para ver o que se passa consigo, pois pode dar-se o caso de a leitora ter um problema mais sério como um desequilíbrio hormonal, fibroses ou mesmo um tumor no colo do útero. Consulte o seu médico com a máxima urgência.

"Posso usar o creme retardante com o preservativo?"

Tenho 27 anos e, segundo a minha namorada, cada vez que tenho relações ejaculo depressa demais. Gostaria de experimentar usar um creme retardante, mas será que o posso utilizar com o preservativo sem que este perca o efeito?”

 

Gustavo, Alhandra

 

 

 

Caro leitor,

 

O creme a que o leitor se refere é um creme retardante que contém uma pequena percentagem de um produto chamado Lydacane ou Benzocaina, que possuem qualidades analgésicas. Estas substâncias, quando em contacto directo com a pele, causam uma sensação de adormecimento, fazendo com que a pessoa perca alguma da sensibilidade ao tacto na zona onde este foi aplicado. Por se tratar de um analgésico, estes produtos devem ser utilizados em pequenas quantidades para evitar o adormecimento total do pénis ou perda de erecção. Uma vez que o efeito desejado é a diminuição da sensibilidade do homem e não da mulher, é aconselhável a colocação do preservativo antes da penetração, o que não deve danificar o preservativo.

 

 

"A pílula afecta os orgasmos?"

 

"Vou começar a tomar a pílula e gostava que me esclarecesse a respeito de uma dúvida que tenho quanto à sua interferência nos orgasmos. Enquanto algumas amigas me dizem que torna os orgasmos mais fáceis, outras dizem-me que os dificulta. Afinal, quem tem razão?"

 

Susana, Loures

 

 

 

Cara leitora,

 

Os efeitos da pílula não são iguais para todas as pessoas, até porque variam de acordo com a pílula tomada. Assim, a divergência de opiniões que as suas amigas tem relaciona-se não só com o facto de serem pessoas diferentes como também, certamente, com a diferença entre as pílulas que tomam. As pílulas, sejam de que tipo forem, enganam o organismo fazendo-o "crer" que engravidou, para que desta forma não liberte um óvulo. Contudo, as respostas sexuais do nosso organismo estão fortemente ligadas aos nossos níveis hormonais e seja qual for a pílula tomada ela pode diminuir a libido em algumas mulheres. Contudo, tenha em conta que os orgasmos resultam da combinação de fatores físicos e psicológicos, e que poderá contornar os eventuais efeitos da pílula aumentando o tempo de preliminares ou estimulando manualmente o clítoris durante a relação sexual. Há mulheres que têm maiores dificuldades em atingir o orgasmo, mesmo sem tomarem a pílula. É essencial aprender aquilo que despoleta o seu prazer para que, mesmo tomando a pílula, não sofra com os seus eventuais efeitos nocivos.