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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“ Não consigo atingir o clímax!”


 

“ Sou casada e tenho uma vida sexual activa, mas de há algum tempo para cá não consigo atingir o orgasmo e não entendo porquê!”

 

 

Ana – Loures

 

 

Cara Leitora:

O facto de não conseguir atingir o orgasmo pode ter várias causas: andar mais cansada do que o habitual, estar a passar por um período de desequilíbrio emocional ou uma crise matrimonial, estar a fazer algum tratamento médico cuja medicação bloqueie os receptores de serotonina no cérebro (o que pode dificultar o orgasmo), ou simplesmente andar a pensar demais nesse problema. O facto de antes de começar a relação sexual pensar que pode não atingir o orgasmo já é meio caminho andado para que isso acabe por acontecer. Liberte-se de todo o stress e preocupações que a rodeiam, procure relaxar bastante, se puder goze um fim-de-semana romântico com o seu marido, e verá como o clímax acabará por chegar.

 

Tema de hoje: adolescência

 

“Tenho 16 anos e costumo partilhar com as minhas amigas tudo o que me acontece. Num destes dias falámos sobre a nossa primeira vez, todas elas comentaram que já tinham tido relações, mas eu menti por vergonha, pois a verdade é que ainda sou virgem. Tenho medo, pois os meus pais estão sempre a dizer que sou muito nova e que ter relações na minha idade é perigoso. Isso é realmente verdade?”
 
Sara, Beja
 
Cara Leitora,
A sua questão é um dos temas mais sensíveis na vida de uma adolescente. Para que possa dar esse passo tão importante é necessário que se questione se está preparada para tal e para enfrentar todas as mudanças que daí poderão surgir.
A preocupação dos seus pais é legítima, procure compreendê-los. Não faça nada na sua vida, seja no âmbito da sexualidade ou noutro, só para agradar ou ser aceite pelo grupo. Se cometer o erro de fazê-lo está a provar antes de mais a si própria que é imatura, o que é a prova mais do que evidente de que não está preparada para o fazer!
Lembre-se que existem alguns riscos, tais como as doenças sexualmente transmissíveis, a gravidez e as mudanças psicológicas e físicas, e tenha em conta as precauções devidas para os minimizar. É importante saber que não se deve sentir pressionada a fazer algo que não deseja, dê o primeiro passo apenas quando se sentir preparada e considerar que é o momento certo e a pessoa com quem deseja partilhar essa etapa tão importante da sua vida.

“Os chás afrodisíacos resultam mesmo?”

“É cada vez mais frequente ver à venda em ervanárias chás que afirmam estimular o apetite sexual. Gostava de saber se esses afrodisíacos resultam mesmo e se, por outro lado, podem trazer alguma consequência negativa para a saúde.”
Manuel 
Caro Leitor,
 
Hoje em dia é bastante usual ver em revistas e sites na Internet anúncios referentes aos poderes milagrosos de certos produtos. Os afrodisíacos têm como objectivo principal ajudar na desenvoltura sexual, porém, é preciso ter bastante cuidado na selecção destes produtos e dos locais onde são adquiridos. Procure uma ervanária de confiança, aconselhe-se sobre o afrodisíaco mais recomendado e esclareça junto do técnico todas as suas dúvidas. Antes de tomar qualquer produto desta natureza aconselho a que tenha alguns cuidados básicos. Certifique-se de que não é alérgico a nenhum dos elementos que compõem o produto e restrinja-se apenas às doses recomendadas. Os afrodisíacos podem ser utilizados de diversas formas, sendo o chá apenas uma delas. Até pequenos detalhes na alimentação poderão fazer com que haja um maior estímulo sexual. Lembre-se contudo que é muito importante que, aliado ao uso de afrodisíacos, esteja criado um clima propício que favoreça e estimule o acto sexual.
 
 

“Tenho incontinência urinária…”

“Depois de ter tido o meu filho mais novo, há 5 anos atrás, comecei a perder urina durante as minhas actividades do dia-a-dia. Passei a consultar médicos porque comecei a achar que não era normal e entretanto foi-me diagnosticada incontinência urinária. Será que a minha situação tem solução?”
Liliana
 
Cara Leitora,
A perda involuntária de urina, chamada incontinência urinária, é uma condição que atinge muitas mulheres após o parto e que pode ser causada tambem por efeitos secundários de medicação, problemas neurológicos, doenças da bexiga, problemas na próstata ou uretra, tratamento de tumores e problemas ginecológicos. No seu caso parece estar directamente relacionada com uma lesão causada pelo parto. Assim sendo, é importante que procure a ajuda de um especialista nesta área, pois a incontinência é uma doença que nos dias de hoje tem cura em grande parte dos casos. A incontinência pode ser tratada por via oral com o auxílio de medicamentos, através da intervenção cirúrgica e, também, através de exercícios da musculatura pélvica.
 

"Ele já não me procura…"

"Desde que entrei na menopausa que passei a ter menos desejo sexual. Mas o que me deixa ainda mais insegura e triste é que o meu marido deixou de me procurar para fazer amor e eu sinto-me rejeitada, fazendo com que tenha ainda menos apetência sexual."
 
Mariana, Cacém
Cara leitora,
A entrada na menopausa é sempre difícil para as mulheres. O corpo feminino sofre bastantes alterações tais como a redução nos níveis de testosterona que causa redução do desejo sexual, problemas de lubrificação, desconforto durante a penetração e por vezes corrimento sanguíneo durante vários dias do mês. É óbvio que estas alterações vão interferir com a sua apetência sexual mas não são impedimento para uma vida sexual satisfatória. Aconselho-a a consultar um médico especializado em assuntos da menopausa para tentar encontrar uma forma de fazer com que se sinta mais confortável. Aconselho-a também a conversar com o seu marido dizendo-lhe como se sente quando ele não a procura. Explique-lhe as alterações que o seu corpo está a sofrer e como a participação dele é importante para voltar a ter mais interesse sexual.
 

“O esperma faz bem à saúde?”

 

“Quando faço sexo oral com o meu namorado não gosto de engolir o esperma. No entanto, uma amiga disse-me que o esperma traz alguns benefícios para a saúde, mas não acreditei e gostava de saber se realmente isso é verdade...”
 
Vanessa
 
Cara leitora,
alguns livros sugerem que o esperma é benéfico para o organismo, contribuindo principalmente para hidratar e manter a beleza da pele, devido à gordura que possui. Contudo, os benefícios do esperma são bastante relativos, isto é, depende do estado de saúde em que se encontra o homem portador do esperma. Se este estiver doente, o seu esperma funciona como um transmissor de microrganismos e, neste caso, não acarreta qualquer tipo de benefícios. Por isso aquando da prática de sexo oral deve usar sempre um preservativo, para evitar a transmissão de infecções, como por exemplo a Sida e o Herpes. Se, no entanto, o homem estiver de perfeita saúde, o esperma não tem qualquer tipo de malefícios porque se trata de uma matéria limpa, apesar de ser viscosa.
 

Descobri que a minha namorada se masturba!

 

 

“Sempre pensei que a minha namorada estivesse satisfeita com a nossa vida sexual. Porém, há pouco tempo descobri que ela se masturba com alguma frequência. Porque será?

Susana, Tavira

 

Cara leitora,

 

A masturbação é algo perfeitamente normal. Portanto, não deve ser vista como algo imoral e indecente e muito menos deve duvidar do seu desempenho sexual pelo facto da sua namorada se masturbar. Desta forma, não deve encarar esta situação como uma fraqueza do vosso relacionamento ou do seu próprio desempenho.

A masturbação é uma forma de auto-satisfação, onde a pessoa já conhece as zonas do corpo de devem ser melhor estimuladas para a obtenção do clímax.

Se não se sente à vontade com esta tendência da sua namorada procure falar com ela de modo a esclarecer a situação. Porém, tenha consciência que não deve exigir que ela não se masturbe. Este é um acto pessoal e íntimo. Todavia, é extremamente importante que utilizem o diálogo para não influenciar negativamente a relação. Seja compreensiva e tente não repreender nem julgar a sua namorada.

 

Masturbação

(Auguste Rodin)

 

Escrevo para me esclarecer uma dúvida, não é que não saiba mas parece que as coisas mudaram… Estive noutro dia numa sessão de conversa de mulheres e como é de esperar o assunto foi homens e sexo e fiquei um bocado intrigada quando todas me afirmaram que se pode engravidar com a masturbação, claro que sempre li o contrário, mas com tantas opiniões diferentes não sei o que pensar, e esta é a minha dúvida – pode-se engravidar com a masturbação?
 
Maria de Fátima
 
 
Cara Maria de Fátima,
 
Penso que todas terão razão: por um lado a masturbação não leva à gravidez, pois há carícias mútuas nos órgãos genitais, que não permitem por si só o encontro de espermatozóides com um óvulo; no entanto, por outro lado, se não houver o cuidado de evitar os contactos genitais, tal encontro pode mesmo acontecer, se o pénis tocar nos lábios vaginais (sem qualquer roupa ou outra protecção) e ejacular, os espermatozóides podem subir o canal vaginal e fecundar um óvulo, embora com menos probabilidades. Há ainda a possibilidade, de o homem se masturbar e, com a ajuda de uma seringa, se fazer a entrada do sémen no canal vaginal (para não sobrecarregar o casal com problemas de fertilidade com relações sexuais à hora marcada) e se tal for feito rapidamente os espermatozóides estão ainda vivos e com boa mobilidade. Portanto, as probabilidades de se engravidar com masturbação são pequenas, mas existem em casos especiais.

“Sofro de ejaculação precoce, o que posso fazer?”

 

“Tenho 26 anos e sou extremamente ansioso e nervoso. Tenho constantemente ejaculações precoces o que tem dificultado a minha actividade sexual. Gostaria então de saber o que é aconselhável no meu caso. Gostaria que me indicasse onde poderei ser tratado, já que não conheço clínicas para o efeito.”
 
Pedro, Braga
 
 
Caro leitor,
não se auto-diagnostique sem consultar um especialista – isso é muito duro para si mesmo, e pode simplesmente ter dificuldades em manter a erecção tanto tempo como desejaria ou imagina ser necessário para uma relação sexual satisfatória. Seja realista na sua apreciação do tempo de ejaculação: uma relação sexual de penetração não dura tanto como se diz. Um estudo recente (da equipa de Eric Corty da Universidade de Penn State, que saiu no Journal of Sexual Medicine) refere que uma relação sexual ideal dura entre 3 e 13 minutos. Claro que se se sente insatisfeito com o tempo que dura a sua ejaculação, tem razões para procurar ajuda.
Se é uma pessoa ansiosa por natureza, tente abstrair-se de problemas, relaxar, não partir logo para a penetração mas demorar-se nas carícias, em sentir o corpo da outra pessoa e o prazer e satisfação que lhe pode oferecer, em descobrir as suas zonas erógenas preferidas…
Experimente um produto retardante em pomada, que pode ser comprado numa sex-shop, para colocar na glande e fazê-lo perder um pouco a sensibilidade peniana. Pode também colocar um preservativo e tentar a masturbação com ele, antes de o colocar na relação sexual (pode inibi-lo e assim tem tempo de treinar sozinho até se sentir à vontade).
Se estas sugestões não funcionarem, tente a técnica dos terapeutas sexuais – o squeeze – que consiste em parar a estimulação sexual e apertar a base ou freio do pénis com três dedos (polegar, indicador e dedo médio) antes da ejaculação e por 3 a 4 segundos, o que parará a ejaculação e causará uma redução da erecção. Continue a estimulação e excitação mútua para voltar a recuperar a erecção. Esta técnica deve ser repetida 3 vezes ate permitir a ejaculação. E normal que nas primeiras vezes não seja bem sucedido em conseguir parar a estimulação antes de ejacular, mas deve continuar a tentar. Demora em média 3 semanas, fazendo o exercício 3 ou 4 vezes por dia até que se notem os resultados. Esta técnica pode parecer difícil de executar, pelo que a ajuda de um técnico especializado em sexologia pode ser útil. Não deve ter medo de recuperar a erecção, como refere, pois esse medo em antecipação é que o deve estar a impedir de a recuperar. É ter tranquilidade e não ser observador da sua relação, mas estar presente a sentir todo o prazer possível. Pode ainda masturbar-se até atingir o orgasmo e a ejaculação umas horas antes da relação sexual (ou na própria relação sexual), para que na próxima penetração o tempo desta seja mais duradouro.
Apesar destas sugestões úteis, penso que deveria consultar um especialista, que lhe esclareça esta questão e lhe dê um apoio presencial, pois pode prevenir que este problema continue e o faça sentir-se cada vez pior consigo próprio e nas suas relações sexuais. Não tenha vergonha, a ejaculação precoce ou prematura é muito frequente em homens de muitas idades e tem tratamento.

“Perdi o desejo sexual com a maternidade!”

Gustav Klimt

 

 “Sempre me dei bem com o meu marido a nível sexual, mas desde que fui mãe, há uns meses, já não tenho vontade de fazer amor com ele… amo o meu marido, mas sinto que o meu desejo sexual diminuiu bastante. Não sei se se trata apenas de uma fase, a verdade é que tenho medo que o meu marido acabe por procurar outras mulheres…”

 

Sónia, Estoril

 

Cara leitora,

por melhor que seja a vida sexual de um casal, o nascimento de uma criança é sempre um período de desorganização a nível sexual. Alterações hormonais, depressão pós-parto ou cansaço são muitas vezes associados a diminuição de desejo, mas estas não são as únicas razões. Deixar de ter relações depois de ter um filho é bastante comum para vários casais. É perfeitamente seguro ter relações após o nascimento do bebé, desde que a mulher se sinta fisicamente preparada para tal. Aconselho-a a tentar criar novos cenários e fantasias, passe uns dias fora com o seu marido…isto poderá ajudá-la a aumentar a libido novamente.

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