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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Masturbei-me no banho…”

“Quando tomo banho gosto de me masturbar com a pressão da água. Será normal?”

Ângela, Cascais

 

Cara Leitora,

Existem várias formas de alcançar o próprio prazer, uma delas é através da água que, em contacto directo com o corpo, pode causar sensações espantosas. Para além disso, a água possui um efeito relaxante, proporcionando calma, diminuindo a ansiedade e ajudando na libertação de energias.

A prática da masturbação no banho, seja ela individual ou conjunta, pode ser um estímulo para a renovação de energias e uma prática agradável, mesmo para preceder uma relação sexual. Este momento é de puro relaxamento, tanto físico como psicológico, rompendo as barreiras do inconsciente, relativamente às fantasias sexuais. Não se martirize por ter este tipo de práticas, pois hoje em dia é perfeitamente normal, visto que permite um contacto mais íntimo consigo mesma.

Tenho orgasmos a toda a hora!

 

Tenho um enorme problema que é o facto de ter orgasmos a toda a hora, sem que me possa controlar, o que as vezes é bastante doloroso e embaraçante!

 

Filipa, Caminha

 

Cara leitora,

O orgasmo é uma libertação da tensão sexual, no entanto existem mulheres que têm orgasmos a toda a hora, tal como a leitora descreve, sem que estejam sexualmente excitadas. Este fenómeno é chamado de Síndroma de Excitação Sexual Permanente, e foi apenas recentemente identificado como sendo uma doença. Os sintomas mais comuns deste síndroma são: manifestação de sinais físicos de excitação sexual que dura durante um longo período
de tempo sem que haja estimulação sexual, orgasmos frequentes, e excitação física que persiste independentemente da obtenção do orgasmo. Se a leitora acha que tem este problema aconselho-a a perder a vergonha e a consultar um médico ginecologista e um medico neurologista para que estes a possam ajudar a resolver o problema.

" Não aguento mais fazer amor todos os dias"

 

"A minha mulher procura-me quase todos os dias para fazermos amor, mas às vezes estou cansado e não sinto vontade. Como hei-de lhe dizer isso sem que ela ache que a estou a rejeitar?..."

Afonso, Alcobaça

 

 

Caro leitor:

E perfeitamente normal haver dias em que se sinta cansado e nao tenha desejo sexual, por isso tente conversar com a sua mulher sobre o assunto. Diga-lhe que a ama mas que não lhe apetece fazer amor naquele momento porque está cansado ou preocupado com algo, com certeza que se o disser com carinho ela não vai ficar magoada. Deve ter no entanto cuidado na forma como o diz assegurando-a de que gosta de fazer amor com ela e que cotinua a sentir-se atraído por ela, mas que naquele momento nao lhe apetece fazer amor. Desta forma evita que ela pense que já não o excita ou que a está a rejeitar, mas apenas que naquele momento não sente vontade. Deve sentir-se privilegiado por a sua mulher o procurar com tanta frequência pois muitos homens queixam-se do contrário!!

 

“Gosto de fazer amor com o meu marido em praias, serei exibicionista?”


 

Quando vamos de férias eu e o meu marido gostamos de fazer amor na varanda dos hotéis em que ficamos, ou em praias desertas. Será que somos exibicionistas?

Ana, Sintra

 

Cara leitora,

Exibicionistas são indivíduos que sentem prazer em exibir os órgãos sexuais em público com o objectivo de perturbar ou chocar as pessoas que os estão a ver. Muitos exibicionistas exibem os órgãos sexuais em frente de escolas, parques ou lojas onde têm a certeza que vão ser vistos de forma a atingirem satisfação sexual. Parece-me que a leitora e o seu marido ficam excitados pela “possibilidade” de serem apanhados a ter relações e não pelo prazer de chocar outras pessoas ao ter relações em frente delas. Esse é um comportamento que têm apenas quando estão de ferias porque se sentem mais descontraídos e aventureiros. Assim sendo, o seu comportamento não pode ser diagnosticado de exibicionista nem pode ser considerado uma disfunção sexual, pois sentir prazer em fazer algo arriscado é bastante comum entre casais. Existem, no entanto, algumas coisas com que se devem preocupar como questões legais, pois se forem apanhados pela polícia ou alguém apresentar queixa, podem vir a ter problemas. Por isso, aconselho-os a só fazerem amor em lugares onde têm muito poucas hipóteses de serem apanhados.

 

 

“Perdi o desejo sexual com a maternidade!”

Gustav Klimt

 

 “Sempre me dei bem com o meu marido a nível sexual, mas desde que fui mãe, há uns meses, já não tenho vontade de fazer amor com ele… amo o meu marido, mas sinto que o meu desejo sexual diminuiu bastante. Não sei se se trata apenas de uma fase, a verdade é que tenho medo que o meu marido acabe por procurar outras mulheres…”

 

Sónia, Estoril

 

Cara leitora,

por melhor que seja a vida sexual de um casal, o nascimento de uma criança é sempre um período de desorganização a nível sexual. Alterações hormonais, depressão pós-parto ou cansaço são muitas vezes associados a diminuição de desejo, mas estas não são as únicas razões. Deixar de ter relações depois de ter um filho é bastante comum para vários casais. É perfeitamente seguro ter relações após o nascimento do bebé, desde que a mulher se sinta fisicamente preparada para tal. Aconselho-a a tentar criar novos cenários e fantasias, passe uns dias fora com o seu marido…isto poderá ajudá-la a aumentar a libido novamente.

“Quero fazer sexo anal!”

 

 “Sempre tive o desejo de experimentar fazer sexo anal, mas tenho algum medo de o dizer à minha namorada pois acho que ela não vai aceitar muito bem esta ideia. Como devo abordar o assunto?”

 

Ricardo, Vila Franca de Xira

 

Caro Leitor,

 O sexo anal é um tabu para a grande parte das mulheres. Deve falar sobre esse assunto de forma cuidadosa sem que a sua namorada se sinta obrigada a concordar. Exponha-lhe a sua fantasia dando sempre a entender que não ficará magoado se ela lho negar, mesmo que até fique um pouco desapontado. Assegure-lhe que não a forçará a nada e que se decidirem fazê-lo, parará se ela assim o pedir. Caso a sua namorada concorde com a prática, não se esqueça do lubrificante, que é fundamental nesta situação!

“Não sou capaz de chegar ao orgasmo…”

 

 “Tenho 21 anos e desde os 16 que iniciei a minha vida sexual. Já tive 3 parceiros e actualmente estou com o mesmo parceiro há mais de 5 anos.

O que acontece é que nunca consegui atingir o orgasmo, primeiro pensámos que era por ainda ser inexperiente, mas passado tanto tempo e de tentarmos tantas posições, contactos, e novas maneiras de prazer, confesso que estou muito preocupada, uma vez que quando estou quase a atingir o orgasmo, sinto uma dor que me dá vontade de parar, e essa situação acaba por me frustrar a mim e ao meu marido, já não sei o que fazer...”


Ana, Matosinhos

 

Cara leitora,

 

É importante saber se conseguiu atingir o orgasmo com outros parceiros antes do seu actual. E sozinha, na masturbação? Não tenha vergonha de descobrir como prefere a estimulação na sua intimidade pessoal – tal é essencial para a descobrir numa relação íntima posteriormente. Apenas neste sentido a experiência é importante: o orgasmo feminino é aprendido, encenado num contexto de erotismo e romantismo, muitas vezes diferente do masculino.

Não tenha vergonha de pedir ao seu parceiro para a ajudar nesta encenação: faça jantares à luz da vela, banhos de imersão com aromas de que goste, conversas apaixonadas sobre o vosso amor…qualquer coisa que a estimule a sentir-se à vontade, apaixonada e liberta de preconceitos com a sua sexualidade.

As experiências que fez (de posições, contactos, etc.) podem falhar o objectivo do orgasmo por estar a pensar demasiado nele. A atenção focada no que está a acontecer pode influenciar que a sua resposta sexual seja interrompida e desviada do prazer, para focar essa preocupação de não estar a sentir a satisfação do orgasmo. Isto é um ciclo vicioso que deve tentar contrariar através de pensamentos positivos, fantasias sexuais que lhe agradem, pensar no prazer do que está a sentir sem racionalizar demasiado. Este ciclo é ainda reforçado pela ansiedade de antecipação e pela frustração que vos afasta depois do sexo, em vez de se aproximarem.

Note bem que a maioria das mulheres atinge o orgasmo mais facilmente com outras estimulações sexuais, sem penetração vaginal. As carícias no clítoris, o sexo oral, a masturbação recíproca são modos que pode explorar na sua relação e que têm bons resultados.

A terapia sexual pode ser adequada para si e o seu parceiro, poderão explorar mais sugestões que vos agradem e evoluir juntos na descoberta da vossa sexualidade.

 

“Não tenho lubrificação suficiente!”

 

"Não sei porquê, mas há uns tempos tenho tido dificuldade em ficar lubrificada. Será que esta mudança se deve ao facto de eu estar perto da menopausa?”
Susana, Ericeira
 
Cara Leitora,
Realmente o facto de estar a entrar na menopausa pode causar alterações dos níveis hormonais, nomeadamente níveis irregulares de estrogénio. Esta redução de estrogénio causa diminuição da lubrificação durante o acto sexual, o que pode resultar em dores durante a penetração. A redução de lubrificação pode também ser o sintoma de uma infecção vaginal. Existem alguns medicamentos que provocam como efeitos secundários a redução da lubrificação e do desejo sexual. Para poder esclarecer todas as suas dúvidas a este respeito aconselho que consulte o seu ginecologista, para que juntos encontrem a solução para o seu problema de forma a recuperar a satisfação e plenitude sexual.
 

“Sexo na gravidez!?”

 

 

“Estou grávida de 5 meses e desde que soubemos que eu estou grávida temos evitado fazer amor. O médico diz que não faz mal, mas nós temos receio.”
 
Teresa, Portimão
 
 
Cara Leitora,
 
Pelo que parece já tiveram um parecer médico que não colocou qualquer entrave às relações sexuais, por isso tranquilize-se. Se a gravidez estiver a decorrer dentro da normalidade não existe qualquer problema em ter relações sexuais. Obviamente, o acto sexual deve ser interrompido caso ocorram perdas de sangue, dores abdominais ou outros sintomas e aí devem solicitar de imediato a intervenção médica. Tanto o leitor como a sua esposa devem agir com tranquilidade e se as dúvidas persistirem não hesitem em conversar com o vosso médico assistente. O facto de estar grávida não quer dizer que não possa viver a sua sexualidade de forma plena e satisfatória.

 

“As infecções urinárias transmitem-se através das relações sexuais?”

Tenho 42 anos e uma saúde bastante frágil, pelo que tenho uma forte tendência para apanhar infecções urinárias. Uma vez que sou solteira, não tenho um parceiro fixo. Gostava de saber se as infecções urinárias podem ser transmitidas através das relações sexuais.”

Sandra, Lisboa

 

Cara Leitora,

 Existem algumas infecções sexualmente transmissíveis que causam sintomas semelhantes aos das infecções urinárias, tais como a clamídia ou a gonorreia. Porém, as infecções do aparelho urinário e as bactérias que transporta não são consideradas Infecções Sexualmente Transmitidas, mas isto não invalida que estas infecções não estejam relacionadas com o acto sexual. Ou seja, as mulheres que têm uma vida sexual activa estão mais predispostas a estas infecções do que as não activas. Teorias defendem que as bactérias instaladas na zona vaginal sejam direccionadas para a bexiga através da uretra após a relação sexual vaginal. Desta forma, um dos meios de prevenção contra as infecções urinárias é urinar logo após o acto sexual para que possa expelir as bactérias do aparelho urinário. Advirto-a para a importância do devido acompanhamento médico para estes casos, ainda para mais quando é uma pessoa bastante permeável a estas situações.