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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“As infecções urinárias transmitem-se através das relações sexuais?”

Tenho 42 anos e uma saúde bastante frágil, pelo que tenho uma forte tendência para apanhar infecções urinárias. Uma vez que sou solteira, não tenho um parceiro fixo. Gostava de saber se as infecções urinárias podem ser transmitidas através das relações sexuais.”

Sandra, Lisboa

 

Cara Leitora,

 Existem algumas infecções sexualmente transmissíveis que causam sintomas semelhantes aos das infecções urinárias, tais como a clamídia ou a gonorreia. Porém, as infecções do aparelho urinário e as bactérias que transporta não são consideradas Infecções Sexualmente Transmitidas, mas isto não invalida que estas infecções não estejam relacionadas com o acto sexual. Ou seja, as mulheres que têm uma vida sexual activa estão mais predispostas a estas infecções do que as não activas. Teorias defendem que as bactérias instaladas na zona vaginal sejam direccionadas para a bexiga através da uretra após a relação sexual vaginal. Desta forma, um dos meios de prevenção contra as infecções urinárias é urinar logo após o acto sexual para que possa expelir as bactérias do aparelho urinário. Advirto-a para a importância do devido acompanhamento médico para estes casos, ainda para mais quando é uma pessoa bastante permeável a estas situações.

 

“Não consigo ter prazer…”

“Sempre gostei de praticar sexo, mas nunca consegui atingir o orgasmo, apesar de já ter tido vários parceiros. Será que o problema é meu? As minhas amigas já me disseram que poderei ser frígida...”

Sara, Carcavelos

 

Cara leitora:

A anorgasmia, ou ausência de orgasmo, é infelizmente bastante frequente nas mulheres. Essa situação deve-se, normalmente, a factores do foro  psicológico, como uma educação severa, crenças religiosas, ou ansiedade durante a relação sexual. Se essa for a questão…lembre-se que não há nada de mal no sexo. É algo que faz parte da vida de todos os seres, é tão natural como respirar. Comece por conhecer o seu próprio corpo, através da masturbação, para que depois possa ensinar ao seu companheiro quais as partes do corpo que são mais sensíveis. Se achar necessário, aconselho-a a marcar algumas sessões com um terapeuta sexual.

Devo aderir ao swing?

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"Sempre fui feliz com a minha companheira, e sempre experimentamos, a nível sexual, tudo o que existia. Agora estou indeciso em aderir ao swing, talvez por desconhecimento ou receio, mas a verdade é que sinto uma forte curiosidade e a minha companheira partilha do mesmo interesse que eu, sendo que já abordámos este assunto por diversas vezes."

Alexandre - Odivelas 

 

Caro leitor,

O swinger encara a sexualidade desprovida de preconceitos, na qual há uma libertação de tabus e as fantasias ganham vida com outros casais, aceitando que o parceiro tenha relações sexuais com outras pessoas. Há efetivamente um envolvimento carnal e nunca sentimental. Os swingers encaram o casamento como um partilhar em pleno de uma vida a dois, valorizando a fidelidade emocional em detrimento da física. Por isso o que tem de perceber e discutir com a sua parceira é o que pretendem enquanto casal. A introdução desta nova prática sexual na vida do casal pode provocar profundas mudanças na forma de viver a vossa relação de casal e a vossa sexualidade. Procure, em conjunto com a sua parceira, ponderar os prós e os contras na adesão a esta prática, equacionando o que será melhor e mais proveitoso para ambos.

“Suspeito que estou a ser traída”

 

 

“De há uns meses para cá, o meu companheiro não quer ter relações sexuais comigo, anda a maior parte do tempo fora de casa e muitas noites nem volta, diz que está a trabalhar e a fazer serão, mas quando ligo para o emprego dele dizem-me sempre que ele não está. Será que estou a ser traída?”

 

Joana, Vila Nova de Gaia

 

 

 

Cara leitora,

 

sinto muito mas os sinais parecem ser claros... passar noites fora de casa e principalmente dizer que está a trabalhar mas nunca estar no escritório. Mantenha a calma, tente perceber o que se está a passar antes de tomar decisões precipitadas. Converse com o seu companheiro sem utilizar um tom acusativo, tente saber se existe alguma razão que faça sentido para que ele evite estar em casa, passar noites fora ou fazer amor consigo. Se continuar a ter suspeitas faça-lhe uma visita ao emprego e assim saberá se ele diz a verdade ou não. Tente resolver as coisas pelo melhor, boa sorte! 

 

 

 

Não atinjo o orgasmo!

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"Quando tenho relações sexuais com o meu namorado fico muito excitada, mas não consigo atingir o clímax; no entanto, quando estou sozinha consigo atingi-lo. Esta situação trará algum problema à minha saúde?"

Rute – Portimão

 

Cara leitora,

Já pensou que a inibição referente ao seu namorado poderá estar a interferir com a dificuldade em atingir o clímax? Uma mulher pode ficar muito excitada e não atingir orgasmo, sem que isto traga problemas de saúde. O que acontece é que sente uma sensação de tensão ou congestão dos órgãos genitais, que pode ser incómoda, devido ao afluxo de sangue que é maior nessa região. Quando o orgasmo não é atingido, essa congestão pode levar algum tempo a desvanecer-se embora não traga nenhum tipo de problema de saúde. Poderá, eventualmente, sentir-se frustrada, devido à dificuldade em atingir o orgasmo estando mesmo muito excitada. Relativamente ao seu namorado, provavelmente, o que sente é vergonha e preocupação das reacções que possa demonstrar quando atingir o clímax. Não tenha medo do possível descontrolo, já que numa relação sexual ambos têm de aprender a demonstrar e a aceitar os comportamentos e os efeitos dos atos sexuais. Talvez uma conversa com o seu namorado sobre esta situação possa ajudar bastante no seu caso pois, possivelmente, ele poderá ter outro tipo de receios que ainda não tenha tido abertura para falar, também, por medo da sua reacção. Troquem informações sobre estes aspetos que podem, evidentemente, ser ultrapassados e estarem a declinar a vossa relação sexual sem razão.

Orgasmos sem ejaculação?

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"Gostava de saber como é que o sexo tântrico funciona exatamente… Ouvi dizer que leva a um orgasmo muito intenso, sem ejaculação, mas gostava de saber mais pormenores… Como é que isso é possível?"

 Cláudio - Setúbal

 

Caro leitor,

As tradições religiosas tântricas encontram-se no hinduísmo e no budismo e veneram as divindades relacionadas com a energia sexual cósmica. O yoga tântrico defende a ideia de que uma "veia" enorme sobe desta a parte do fundo da espinha, onde repousa a kundalini, ou poder, até à mente, o pico mais elevado, simbolizado pelo lótus. No tantra, a maior fonte de energia que existe no universo advém das relações sexuais ritualizadas e o orgasmo é considerado uma experiência cósmica e divina. A prática tântrica chamada "karezza" envolve uma relação prolongada, sem ejaculação. Para tal, as posturas são trabalhadas, a meditação, o controlo da respiração e a pressão dos dedos são usadas como forma de perpetuar o clímax sem chegar à ejaculação. Estes orgasmos sem ejaculação trazem muito prazer e permitem que a relação sexual continue. Requer, no entanto, preparação e conhecimento da técnica. Fisiologicamente isto é possível porque o clímax e a ejaculação implicam duas funções distintas e, embora aconteçam em simultâneo, o orgasmo não precisa da ejaculação para ser considerado como tal.

A Menopausa

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Com o aparecimento da menopausa, que acontece entre os 45 e os 55 anos, a mulher deixa de ser fértil. A perimenopausa é a fase que a precede, e nela o corpo da mulher começa a sofrer transformações tais como a oscilação dos níveis de estrogéneo e a irregularidade da ovulação, que faz com que a menstruação deixe de aparecer em alguns meses. As alterações hormonais que caraterizam este período refletem-se em diversos sintomas físicos, tais como afrontamentos e suores nocturnos, fadiga, dores nas articulações, e secura da pele, cabelo, olhos e boca. Por outro lado, há mulheres que também experimentam alterações de humor, que provocam ansiedade, irritabilidade, e tendência para a depressão. O esquecimento e a dificuldade de concentração são também caraterísticos. É possível que devido à oscilação dos níveis hormonais a mulher também sinta dificuldades físicas e emocionais durante as relações sexuais.

 

“Será normal só ter sexo uma vez por semana?”

“Tenho 34 anos e o meu marido tem 36, e estamos casados há 15 anos, e geralmente só temos relações sexuais 1 vez por semana. No início do nosso casamento fazíamos amor muito mais vezes, por isso preocupa-me que a paixão esteja a desaparecer. Será que é normal o que se passa connosco?”

 

Marta, Évora

 

Cara leitora,

A situação de casal que descreve é perfeitamente normal. A frequência com que os casais têm relações sexuais varia bastante, mas de qualquer modo é comum que a frequência diminua com o passar dos anos. Com a idade e com a convivência diária os casais não sentem tanta necessidade de ter relações tão frequentemente, por isso se o facto de ter relações com o seu marido uma vez por semana não é um problema para si nem para o seu marido (converse com ele para ter certeza), então não se alarme pois uma vez por semana não está nada fora da norma. Convém, no entanto, de vez em quando quebrar a rotina e surpreender o seu par, de forma a manter a chama da paixão sempre viva.

 

Desejos Sexuais

 

Tenho um noivo de 54 anos e eu 28 ele diz que me ama muito e eu também, mas só temos  relações sexuais de 15 em 15 ou uma única vez ao mês. Quando fazemos amor ele fica louco, muito excitado e leva-me à loucura, ele adora o meu corpo e faz loucuras comigo, mas  tenho medo de casar e continuar a ter todo esse tempo para voltar a acontecer outra relação sexual. 
Será que é porque trabalhamos juntos? Ou porque é um homem muito preocupado com os negócios? Ou será que não é muito chegado ao sexo? Estou cheia de dúvidas…
 
Rute
 
Cara Rute,
 
O desejo sexual é uma parte da resposta sexual humana que tem um funcionamento bastante complexo. Pelo que descreve o seu parceiro não tem problemas de excitação nem de orgasmo (outras fases da resposta sexual), mas não tem o mesmo desejo que a Rute, ou seja, não lhe apetece tão frequentemente.
Todos os factores que refere podem influenciar o desejo: a idade mais avançada que a sua, as preocupações do trabalho, o facto de passarem o dia juntos…Apenas ele lhe poderá dizer se sempre foi assim.
Nestes casos costuma-se aconselhar os casais e encontrarem o meio termo da frequência ideal de ter relações sexuais – assim os dois podem ficar mais satisfeitos – sem que se force nenhum membro do casal. Pode tentar falar desta questão com o seu parceiro. Não há um número certo de quantas vezes se deve fazer amor por mês – cada casal deve encontrar o seu número ideal e que pode variar muito no tempo.
 
Por outro lado pode usar a sua imaginação e estimular o seu parceiro para que lhe apeteça mais vezes: prepare-lhe um banho de imersão, faça lhe uma massagem por todo o corpo, experimente brinquedos eróticos, pode mesmo fazer uma brincadeira erótica com ele durante o dia (em que trabalham juntos, pelo que percebi) para lhe criar suspense para a noite… O limite é a sua imaginação!
Em relação à decisão de casar ou não cabe-lhe a si a decisão, ninguém lhe poderá aconselhar qual o melhor caminho a seguir a não ser a Rute. Não se esqueça que a sexualidade é uma parte da relação, mas não o todo e a importância das relações sexuais depende de cada relacionamento.

“Terei herpes genital?”

 

Há algum tempo que tenho uma vermelhidão e sinto ardor no pénis. Será que tenho Herpes Genital?"

Alexandre, Coimbra

 

Caro leitor,

É possível que se trate de Herpes Genital, pois esta doença causa os sintomas que descreve. Herpes provoca também febre e dor muscular, principalmente na primeira vez que se manifesta. Ao contrário de outras doenças transmitidas sexualmente a Herpes não tem cura, podendo o aparecimento de sintomas ser controlado através de medicação, mas o vírus permanece para sempre no organismo. Por isso é fundamental que use um preservativo “sempre” que tiver relações sexuais, caso contrário contagiará a sua parceira ou parceiro. É melhor consultar o seu médico o mais rápido possível para ter certeza do que se trata.