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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Quais são os melhores momentos para a concepção?

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"Sou uma mulher ansiosa por ser mãe, mas que não sabe muito a respeito do seu corpo. Gostaria de saber quais são os melhores momentos para conseguir engravidar, sei que se encontram a meio do meu ciclo, mas quando? O meu período menstrual dura cerca de 30 dias, e tenho o período nos primeiros 4 dias. Seguindo este ciclo, pode dizer-me em que dias tenho maior probabilidade de conseguir engravidar?"

Luísa - Barcarena

 

 

Cara leitora,

Conhecer bem os ritmos e ciclos do seu corpo é fundamental, tanto se pretende engravidar, como se deseja evitar que isso aconteça, ou para poder desfrutar plenamente da sua sexualidade. Uma vez que a menstruação difere de mulher para mulher, o melhor período para engravidar varia, mas seguindo a regra do seu ciclo é possível encontrar o que procura. As mulheres têm tendência para ovular a meio do ciclo, contudo, é mais acertado dizer que ovulam 14 dias antes da menstruação. Embora seja fora do comum, as mulheres podem ovular em qualquer momento do ciclo. A fertilidade depende essencialmente de três fatores: um óvulo saudável, esperma saudável e muco cervical favorável. A mulher ovula uma vez em cada ciclo. O óvulo vive de 12 a 24 horas e depois desintegra-se se não for fertilizado. Em condições favoráveis do muco cervical, o esperma pode sobreviver até cinco dias dentro do corpo. Estas condições criam cerca de uma semana de intervalo no qual é mais provável engravidar. Consulte o seu médico para definir o seu ciclo em pormenor, para poder identificar com uma margem de erro o mais pequena possível quais são os dias em que deve tentar engravidar.

Vida de casal: não tenho vontade de fazer amor!

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A rotina é, sem dúvida, um dos maiores inimigos de qualquer relacionamento. Enquanto que nos primeiros tempos da paixão todo o tempo que passavam juntos parecia pouco e qualquer toque ou olhar desencadeava um incêndio que os levava para os braços um do outro, com o tempo e a habituação a excitação da novidade apaga-se. Se a isso juntarmos as exigências do dia a dia, as discussões a respeito de quem lava a louça ou vai buscar os filhos à escola e as pressões a que cada um dos dois é submetido no local de trabalho, é fácil de compreender porque é que a vida sexual se torna um problema silencioso para tantos casais.

 

Passamos mais tempo a trabalhar e a responder aos desafios e exigências profissionais do que a sós com quem amamos. Por outro lado, qualquer pessoa, por mais apaixonada que esteja, precisa de ter tempo para si e para sentir saudades do seu mais-que-tudo. Aquilo de que muitas vezes não nos damos conta, no entanto, é que ao afastarmo-nos no dia a dia isso cria um fosso também na nossa vida sexual, afastando-nos.

 

Por outro lado, é fundamental ter presente que se perder o contato com a sua própria sexualidade isso irá necessariamente afastá-la do seu par. Limitar-se a cumprir as suas obrigações enquanto mãe e profissional, esquecendo-se que também é mulher, com desejos e vontades, faz com que essa parte do seu ser e da sua vida vá ficando entorpecida. A partir daí, muitas mulheres deixam de sentir prazer na relação sexual, porque não se permitem desfrutar dela com relaxamento e descontração, passando a evitar o seu parceiro. A anorgasmia, uma disfunção de que já falámos, pode surgir então e impedir a mulher de ter orgasmos, ou dificultando-os. Como tal, isto faz com que a mulher ainda tenha maior tendência para evitar a relação sexual, pois sabe que não lhe será fácil chegar ao orgasmo, tornando o sexo algo penoso.

 

Mais vale prevenir…
A melhor forma de combater a falta de desejo no casal é aprender a evitá-la. Para tal, integre certos princípios na dinâmica da relação e faça deles hábitos saudáveis, para o bem da relação.

Sexualidade na adolencência

 

 

Para os pais que têm filhos numa fase de
grandes mudanças, como é a adolescência, há que deixar os tabus para trás e
abrir a mente. Em primeiro lugar, tenha em atenção que, embora não se deva
considerar a melhor amiga do seu filho ou da sua filha, é em si que eles devem
apoiar-se para esclarecer muitas das suas dúvidas, bem como resolver alguns
problemas. Se nunca se mostrar disponível para o diálogo, então será nos amigos
da mesma idade, que sabem tanto quanto eles sobre o assunto, que estes irão
procurar informação sobre sexo, ou outros assuntos, que pouco ou nada se sentem
à vontade para partilhar consigo.

Como muitos pais não se preparam para o
início da vida sexual dos seus filhos adolescentes, estes acabam por se colocar
em situações de risco, tais como: gravidez prematura, contacto com doenças
sexualmente transmissíveis ou experiências sexuais desagradáveis. E não falamos
apenas de países subdesenvolvidos! 

Tenha em conta que não é pelo facto de falar
com o seu filho sobre sexo que este iniciará a sua vida a este nível
levianamente. E para que isso não suceda explique-lhe que o sexo é algo bom e
natural, mas tem um momento certo para acontecer, que temos que estar
psicologicamente e fisicamente preparados. E se dúvidas houver, os
especialistas dizem que meninos e meninas devem receber o mesmo tipo de
orientações. Não podem existir preconceitos. O ideal é que seja o pai a
dialogar com os filhos e a mãe a esclarecer as filhas.

 

Devo aderir ao swing?

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"Sempre fui feliz com a minha companheira, e sempre experimentamos, a nível sexual, tudo o que existia. Agora estou indeciso em aderir ao swing, talvez por desconhecimento ou receio, mas a verdade é que sinto uma forte curiosidade e a minha companheira partilha do mesmo interesse que eu, sendo que já abordámos este assunto por diversas vezes."

Alexandre - Odivelas 

 

Caro leitor,

O swinger encara a sexualidade desprovida de preconceitos, na qual há uma libertação de tabus e as fantasias ganham vida com outros casais, aceitando que o parceiro tenha relações sexuais com outras pessoas. Há efetivamente um envolvimento carnal e nunca sentimental. Os swingers encaram o casamento como um partilhar em pleno de uma vida a dois, valorizando a fidelidade emocional em detrimento da física. Por isso o que tem de perceber e discutir com a sua parceira é o que pretendem enquanto casal. A introdução desta nova prática sexual na vida do casal pode provocar profundas mudanças na forma de viver a vossa relação de casal e a vossa sexualidade. Procure, em conjunto com a sua parceira, ponderar os prós e os contras na adesão a esta prática, equacionando o que será melhor e mais proveitoso para ambos.

Não conseguir penetração

 

 

Tenho 31 anos, e nunca tive uma vida sexual muito activa. Mas a ultima relação sexual que tive foi com uma pessoa que amava muito, mas não consegui satisfazer o meu ex companheiro, não consegui ser penetrada, tenho bastantes dores, mas acho que é um problema psicológico meu porque não relaxo. Mas isso está-me a prejudicar bastante. É que agora estava  a começar um relacionamento e parece que tenho trauma de ter relações, envolvo-me bastante e tenho desejo de continuar mas de repente (parece que se passa algo) e paro e o meu companheiro não entende porque faço isso. Acho que é um problema que não consigo resolver.

Gostava que me ajudassem a suportar este problema e perguntar se devo procurar ajuda clínica ou psicológica.
Patrícia

 

Cara Patrícia,

 

 

O seu caso pode ser de uma perturbação sexual feminina, mas tal diagnóstico só pode ser feito numa consulta presencial e com avaliação fisiológica médica e sexológica. Existem duas perturbações sexuais femininas da dor: o vaginismo e a dispareunia. Estes problemas acontecem a muitas mulheres e não deve deixar de tentar viver a sua sexualidade por isto lhe acontecer, nem sentir-se culpada. Deve procurar ajuda especializada para esclarecer se as suas dificuldades são psicológicas ou fisiológicas e reflectir sobre um tratamento adequado.

Por enquanto podem explorar outras formas de ter relações sexuais, não só através da penetração… Explorem as massagens, as carícias, a masturbação mútua (pode começar sozinha para descobrir como gosta de ser tocada e o que lhe dá mais prazer), o sexo oral, os brinquedos eróticos… Usem a vossa imaginação para reinventarem a vossa sexualidade sem limites!

 

 

 

 

 

 

 

“Não consigo ter prazer total!”

 

Tenho 32 anos e amo o meu marido, com quem vivo há 3 anos. O problema é que não consigo ter relações sexuais na sua plenitude, isto é, não consigo tolerar a penetração.

Penso que o problema não é frigidez, pois tenho prazer com o resto, mas não consinto que ele me penetre, pois magoa-me muito. Sei que o problema é meu e que isto não é normal, mas não sei a quem pedir ajuda, o mais indicado será ir ao ginecologista ou ao sexólogo? Ajude-me, este problema pode dar cabo da relação e eu não quero que isso aconteça!

 

Margarida, Sesimbra

 

Cara leitora,

Este problema sexual que descreve de não conseguir a penetração vaginal acontece a muitas mulheres e deve procurar tratamento com especialistas da área da sexologia para o tentar resolver. Sem muitos dados, eu colocaria as hipóteses de dispareunia ou de vaginismo – duas disfunções sexuais femininas. Deve também consultar um ginecologista para verificar se a dor não se deve a algum problema de natureza ginecológica.  

Diversifique as relações sexuais, explorem as massagens, as carícias, a masturbação mútua, o sexo oral, os brinquedos eróticos… Usem a vossa imaginação para reinventarem a vossa sexualidade sem limites e para não estar tão concentrada na penetração apenas!

Aconselho-a a explorar o seu corpo através da masturbação,  para que possa descobrir como gosta de ser tocada e o que lhe dá prazer, pois o primeiro passo para sentir prazer com um parceiro é ser capaz de o fazer sozinha.

Nas suas relações sexuais, deve tentar relaxar e entregar-se a carinhos e festas durante um tempo substancial (a lubrificação depende do prazer que sente antes de iniciar a penetração). Não vou definir-lhe um tempo limitado, mas sugiro-lhe um mínimo de meia hora, antes de tentarem a penetração ou sequer de pensarem nisso (podem até nem chegar a concretizá-la!).

Como o seu problema pode ser mais específico, seria desejável fazer uma consulta presencial de Sexologia, para fazer um diagnóstico diferencial.

Onde e como devo tocar-lhe?

 

 

Iniciei a minha vida sexual há pouco tempo e quando estou a fazer amor com o meu namorado fico nervosa porque não sei onde nem como devo tocar-lhe para o deixar mais excitado, pois sou inexperiente… pode ajudar-me? Onde é que os homens gostam de ser acariciados, e de que maneira?”

 

Teresa, Espinho

Cara leitora,

A descoberta da sexualidade e a exploração do corpo da pessoa amada é uma experiência maravilhosa e cada momento é inesquecível. Acima de tudo, e para além de qualquer regra sugerida por outros, dedique-se a conhecer o corpo do seu namorado em particular, estando atenta a todos os seus movimentos e à reação que cada gesto suscita nele. A pele possui um elevadíssimo potencial erógeno, sendo capaz de provocar desejo e excitação. Experimente acariciar com a ponta dos dedos, com os lábios, com a língua, com os seus seios e com qualquer outra parte do seu corpo as mais variadas partes do corpo dele. Pergunte-lhe se gosta, se prefere de outra forma. Não seja demasiado insistente, mas esteja sempre atenta ao feedback dele, à sua respiração, aos estremecimentos do seu corpo. Experimente acaricia-lo com o seu cabelo, se tem cabelo comprido, e varie o tipo de toques, alternando entre roçar ligeiramente e agarrar com firmeza, por exemplo. 

“O meu clítoris é enorme!”

 

Tenho um clítoris fora do normal. Já me observei com um espelho e acho que é maior do que o normal. Quando me excito parece que cresce e tenho medo de experimentar ter relações com alguém e assustar a pessoa. O que posso fazer?”

 

Sara, Lagos

Cara Leitora,

 

O que descreve pede uma avaliação médica cuidada. Marque uma consulta com um ginecologista ou no seu médico de família, para ser observada por profissionais que lhe dirão se tem razões para tal preocupação. Pode ser que as suas expectativas estejam a influenciar a sua imagem mental do clítoris e esteja a sentir preocupações sem razões para tal. Há pessoas que apresentam pequenas diferenças da média, mas tal não tem necessariamente de influenciar negativamente a sua sexualidade e a sua relação com alguém no futuro. Se o médico lhe confirmar as suas suspeitas, pode avisar a pessoa antes de ter a relação sexual, para não ser surpreendida, e verá que é um pormenor físico sem importância. No entanto, mesmo que o seu médico confirme que o seu clítoris é maior do que o normal, não decida fazer uma cirurgia “estética” ao clítoris apenas para reduzir o seu tamanho, pois isso pode ter consequências devastadoras na sua sexualidade, ou seja, pode perder toda a sensibilidade no clítoris e não vir a ser capaz de atingir o orgasmo.

Na fase da excitação feminina é normal os grandes e pequenos lábios alterarem o seu tamanho e o clítoris ficar ereto – pode ser apenas isso que observou em si mesma, para além da lubrificação vaginal. 

“Ela está quase… mas nunca consegue chegar lá!”

 

“Tenho 20 anos e gosto muito da minha namorada, com que namoro há já dois anos. Começámos a ter relações sexuais seis meses depois de nos envolvermos pois éramos ambos virgens e quisemos esperar, mas desde o início da relação que praticámos sexo oral um no outro. Contudo, a minha namorada nunca consegue chegar ao orgasmo. Parece que está quase… mas não consegue, como se algo a impedisse. Já tentámos várias técnicas e posições, mas mesmo quando se masturba ela também não consegue. Há algo que possamos fazer?”

 

Carlos, Porto

Caro leitor,

Cada mulher precisa do seu tempo, sensibilidade e paciência para explorar o seu corpo e visto que a sua namorada era virgem estão ainda a fazer ambos a descoberta da vossa maneira de viver a sexualidade. Há mulheres que se encontram numa fase pré-orgásmica, quando ainda não experimentaram um orgasmo nem na relação sexual nem através da masturbação, podendo ser anorgásmicas quando não chegam a consegui-lo. Apesar de não alcançarem o orgasmo, outros aspetos da relação sexual podem proporcionar-lhes prazer, sendo essencial que se sintam bem ao desfrutarem do sexo e da intimidade com o parceiro. É também muito importante que ter um orgasmo não se torne uma pressão, pois essa sim pode minar o prazer. Relaxar e focar-se naquilo que a faz sentir-se bem, no que lhe dá prazer e lhe provoca sensações positivas é o ponto de partida, sendo que algumas mulheres que têm dificuldade em ter um orgasmo conseguem-no através do uso de um vibrador, usando lubrificante, perto do clítoris. Sem pressas nem pressão, dediquem mais tempo a explorar o corpo dela, a dois e ela sozinha, e o mais provável será acabar por conseguir “chegar lá”. Se mesmo assim não aconteça, o acompanhamento de um terapeuta irá ajudá-la. 

“Masturbo-me no duche”

 

“Sempre gostei de me masturbar na banheira, e cada vez mais tenho o hábito de, ao fim do dia, me masturbar enquanto tomo duche. Não sei por que razão sinto tanto prazer dessa forma!”
 
Carolina, Almada
 
Cara Leitora,
A masturbação é algo perfeitamente normal e, apesar de não se falar muito disso, faz parte da sexualidade da maioria das pessoas, tanto homens como mulheres. O banho é um momento de privacidade na qual o corpo se encontra relaxado e descontraído, sendo como tal um momento propício ao prazer. Para além disso, a água possui um efeito relaxante, proporcionando a calma, diminuindo a ansiedade e ajudando na libertação de energias. A prática da masturbação no banho, seja ela individual ou conjunta, pode ser um estímulo para a renovação de energias e uma prática agradável, mesmo para preceder uma relação sexual. Este momento é de puro relaxamento, tanto físico como psicológico, por isso não se preocupe por ter este tipo de práticas, pois são perfeitamente normais.