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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Posso guardar os preservativos na carteira?”

Saiba porque nunca deve guardar preservativos na carteira ou no bolso

“Sempre me habituei a ter alguns preservativos na carteira, por precaução. No entanto, um amigo reparou nisso e alertou-me para o facto de que não é seguro guardá-los ali porque podem estragar-se. É verdade?”

 

Luís, Vila Verde

 

 

Caro leitor,

Ter a consciência de que deve praticar sexo seguro é muito importante e, nesse sentido, ter sempre alguns preservativos consigo é uma boa forma de garantir que está preparado para qualquer situação – ainda que, uma vez que vivemos num contexto de pandemia, deverá ter cuidados redobrados e evitar contactos de risco. O seu amigo tem razão, já que na carteira os preservativos estão expostos à pressão provocada pelas moedas, notas e cartões, pelo aumento de temperatura quando coloca a carteira no bolso e, dependendo do material e da robustez da mesma, esses danos podem comprometer TOTALMENTE a sua eficácia. Pode haver fissuras mínimas, não detetáveis a olho nu, por exemplo. Opte por adquirir uma carteira rígida especificamente para os preservativos (como algumas carteiras para transporter a mascara, por exemplo – MAS NÃO OS MISTURE COM A MÁSCARA!) e use-a apenas para esse efeito. Quanto mais sólido e resistente for o material do recipiente onde os guarda, melhor, e tenha em atenção para que seja um material que evite o aquecimento. Evite levar consigo mais preservativos do que o necessário, e guarde-os sempre num lugar seco e fresco, quando estiver em casa. Troque-os com regularidade.

“O meu namorado não consegue ejacular…”

Couple hugging, woman looking worried – Stockphoto

“Apesar de amar o meu namorado e de termos uma vida sexual com grande cumplicidade, ele sente prazer, mas nunca consegue ejacular. Ele diz que sempre foi assim com outras parceiras, mas eu gostava de saber se é possível ajudá-lo, e como fazê-lo.”

 

Susana, Covilhã

 

Cara leitora,

É aconselhável que o seu namorado consulte um médico especialista, se ainda não o fez, pois a situação que descreve pode dever-se a fatores fisiológicos que precisam de ser identificados para poderem ser tratados. Importa também saber até que ponto o seu parceiro se sente desconfortável com a situação e quer mudá-la, pois há pessoas que não sentem necessidade de ter um clímax – e, no caso dos homens, é possível ter orgasmos sem que haja ejaculação. O seu namorado consegue ejacular quando se masturba? Pode haver, também, questões psicológicas que estão a interferir com a sua vida sexual, sendo aconselhável ser acompanhado individualmente por um sexólogo. Aproveite esta situação para falarem, de forma honesta e recetiva, sobre aquilo que cada um prefere na relação sexual e que tipos de expetativas têm.

“Sexo depois de uma cirurgia de alta frequência”

The things that women are most worried about! - Ayoti-Blog 

“Fui submetida a uma CAF (cirurgia de alta frequência) e gostava de saber quanto tempo depois da mesma é seguro ter relações sexuais.”

 

Gabriela, Porto

 

Cara leitora,

A cirurgia de alta frequência é um tipo de biópsia feita ao colo do útero e remove uma pequena quantidade de células para análise, nas quais tenha sido detetada alguma anomalia num teste de Papanicolau ou noutro exame. É aconselhável esperar entre três a quatro semanas após a cirurgia antes de voltar a ter relações sexuais, mesmo que se sinta bem. O tecido cervical é bastante sensível e pode ocorrer sangramento nas semanas posteriores à cirurgia. Embora a penetração seja desaconselhada, pode continuar a ter prazer, estimulando a área exterior do aparelho genital, devendo sempre avaliar o seu nível de conforto para saber se é seguro fazê-lo. No período de recuperação deve também evitar o uso de tampões, que podem causar irritação. Aconselhe-se com o seu médico para que ele possa direcioná-la de acordo com o seu caso.

“Sangue no sémen”

 Homem preocupado com a mão no queixo | Indicações para a prótese testicular  | Dr. Luiz Augusto Westin

“Um dia depois de fazer amor de forma mais intensa com a minha namorada encontrei sangue na minha roupa interior e, entretanto, detetei sangue misturado com o sémen quando ejaculo. Tenho sentido uma pressão ligeira no meu testículo esquerdo. O que se passa?”

 João, Barcarena

 

Caro leitor,

Embora encontrar vestígios de sangue no sémen não seja, por si só, indício de um problema de saúde, é aconselhável consultar o seu médico para verificar essa situação. Por vezes, pode haver pequenos cistos no epidídimo, que se encontra nos testículos e que armazena o esperma. Esses cistos são cheios de líquido e, ao crescerem, provocam desconforto e até dor, fazendo com que sinta uma espécie de pressão. Chamados espermatoceles, podem resultar de uma inflamação na área genital – que, pelo que descreve, pode ter sido causada pelo facto de ter tido relações sexuais mais intensas. Para além desta hipótese, o cancro da próstata também pode causar desconforto pélvico e sangue no sémen, sendo como tal importante que consulte o seu médico para que possa proceder a exames que expliquem a dor e os sintomas que descreve.

“Só tenho um ovário…”

Rubies in the Desert » The Antidote To Worry.

 “Tenho 19 anos e devido a um grande quisto foi-me removido um ovário há 3 anos. O meu ginecologista disse-me que continuo a poder engravidar, mas tenho algum receio. A quebra de estrogénio tem algum efeito negativo a nível físico?”

Joana, Massamá

 

Cara leitora,

Todos os procedimentos cirúrgicos têm os seus prós e contras. O seu ginecologista, que acompanhou o seu caso, é a pessoa que melhor pode esclarecê-la, uma vez que conhece o seu processo clínico. De um modo geral, o corpo continua a produzir a mesma quantidade de estrogénio – simplesmente passa a ser produzido pelo único ovário que também assume a ovulação total (normalmente os óvulos são produzidos por um ovário de cada vez, em meses alternados). Estudos feitos indicam que as mulheres submetidas a este tipo de intervenção cirúrgica tendem a ter a menopausa mais cedo, e que há também maior probabilidade de terem um filho com síndrome de Down. Quando (e se) desejar engravidar, o processo deve ser acompanhado pelo seu ginecologista, para que possam assegurar que o seu único ovário está a ovular corretamente, visto que pode levar mais tempo a conseguir engravidar (embora também possa não haver qualquer atraso).

“Tenho um relacionamento estável, mas penso muitas vezes noutro homem”

“Namorei três anos com o meu companheiro com quem vivo há dois e  sempre nos demos bem. Embora tenhamos um relacionamento sério, há algum tempo para cá comecei a sentir-me sexualmente atraída por outro homem. Não sei o que fazer…”

 Marina, Alcácer do
Sal

 

Cara leitora,

Compreendo que se encontre bastante confusa e instável a nível emocional pelo que dá a entender pela sua carta. Relativamente a esta questão, é perfeitamente normal sentir-se dividida, e isso é bastante natural. Diz que gosta do seu parceiro actual com quem se relaciona há 5 anos, mas sente-se atraída por outra pessoa a nível sexual. No inicio do vosso namoro o ser conquistada e seduzida fê-la sentir muito especial e amada acima de tudo e de todos, mas após cinco anos a vossa relação já se tornou rotineira e a excitação já não é igual à de antes. O facto de se sentir sexualmente atraída
por outro homem sugere que a leitora experimenta a necessidade de voltar a sentir a excitação da conquista. Obviamente que todos nós gostamos da sensação de conquistar e de sermos conquistados, e isso faz parte da natureza humana, mas não se pode esquecer que depois da conquista e do desvendar do mistério que se encontra por detrás da pessoa desejada, facilmente se chegará a um momento de rotina, de insatisfação e de incerteza. Fazer sexo apenas por prazer carnal pode ser uma experiência memorável, mas fazer amor com a pessoa que se ama é uma sensação bem mais intensa. Tendo em conta que tem uma relação estável e com alguns anos é aconselhável que tenha uma atitude mais ponderada e consciente para não tomar precipitadamente qualquer decisão. Se pretende salvaguardar o seu relacionamento, tente quebrar a rotina que possivelmente invadiu a vossa relação e que promoveu este tipo de pensamentos.

Ter uma vida sexual activa depois dos 60 é errado?

"Tenho 65 anos e sou viúvo. Há um ano e meio que namoro uma senhora de 59 anos de quem gosto e com quem tenciono casar. Damo-nos muito bem e temos uma vida sexual bastante boa, no entanto as pessoas criticam-nos dizendo que somos "velhos demais" para essas coisas e que devíamos ter juízo. Será que eles têm razão?"

Adelino - Carnaxide

 

Caro leitor,

Claro que não! Ao contrário do que algumas pessoas mais jovens possam pensar, muitos homens e mulheres entre os 50 e 80 anos de idade continuam a ter relações sexuais, havendo mesmo quem afirme que sentem mais prazer agora do que quando eram mais novos. Há indivíduos no entanto que reduzem a sua atividade sexual nessas idades, mas por vezes isso é devido à dificuldade em encontrar parceiro, ou deve-se a pressões sociais como as que o leitor está a ser alvo, tabus a nível pessoal acreditando que não é correto ser sexualmente ativo, ou mesmo preocupações de saúde achando que o sexo pode causar doenças. É difícil estimar a atividade sexual em indivíduos de idades mais avançadas, pois tal como os adolescentes, eles tendem a reprimir e esconder a sua vida íntima com medo de serem criticados. Não se preocupe com aquilo que os outros pensam pois provavelmente têm ciúmes da sua relação. Aproveite a boa disposição da sua companheira, divirtam-se e vivam a vossa relação da forma que vos trouxer mais felicidade. Façam aquilo com o qual se sintam confortáveis.

“Experiências com uma amiga…”

Information for GLBT Youth on Finding Like-Minded Teens

 “Tenho 19 anos e sou virgem. Nunca tive um namorado. Há uns meses comecei a ter conversas sexuais com uma amiga, ficámos bastante excitadas e já fizemos “sexo ao telefone”. Não sei se sou lésbica. Ela vive noutra cidade e já pensámos em fazer sexo por videochamada. Será que devo fazê-lo?”

 Jessica, Viana do Castelo

 Cara leitora,

Acima de tudo importa fazer aquilo com que se sente bem, embora deva sempre proteger a sua intimidade e a sua identidade, pois com a Internet há sempre o risco de que aquilo que se passa entre duas pessoas acabe por se divulgar pelo Mundo se uma das partes envolvidas trair a outra ou se os ficheiros forem parar a outras mãos. Assim sendo, cabe-lhe avaliar os prós e contras antes de tomar uma decisão. Caso decida fazer a videochamada, evite que o seu rosto e o seu corpo sejam filmados em simultâneo – o que torna mais difícil identificá-la. Relativamente às dúvidas em relação à sua orientação sexual, é normal que haja fluidez – grande parte das pessoas sente-se atraída por pessoas de ambos os sexos, tendo uma preferência por um deles que pode variar em fases diferentes da vida. é perfeitamente natural e saudável que explore a sua sexualidade com alguém em quem confia. Conhecer bem o seu corpo e aquilo que lhe proporciona prazer fará com que, quando tiver relações sexuais com outra pessoa, elas sejam também mais satisfatórias para si e para a outra pessoa.

“O lubrificante ajuda a prevenir infeções?”

 Cuidados que você precisa ter ao utilizar óleos e lubrificantes íntimos

“Gostaria de saber se usar lubrificante juntamente com o preservativo durante o ato sexual diminui o risco de contrair infeções sexualmente transmissíveis.”

Tomás, Leiria

 

Caro leitor,

conjugar o uso do preservativo com o lubrificante durante o ato sexual diminui a fricção que pode levar à rutura do preservativo ou causar irritações nas paredes da vagina (ou do ânus) e, portanto, ajuda a diminuir de contrair infeções sexualmente transmissíveis. Mas, atenção: o lubrificante sozinho não oferece qualquer proteção! O uso de preservativo é sempre indispensável. O lubrificante deve ser à base de água ou silicone, sendo que aqueles que contêm espermicida são os menos eficazes para evitar infeções – porque são os que mais podem danificar o preservativo e causar irritações cutâneas, que aumentam a suscetibilidade a infeções.

 

“Ela é 30 anos mais nova que eu!!…”

“Tenho 52 anos e sou casado há 31. Considero que o meu casamento sempre foi feliz, apesar das zangas e dos problemas que acho que acontecem em todos os casais. Tenho dois filhos, um com 30 anos e o mais novo com 24, e os amigos deles costumam frequentar a minha casa. Eu sempre tive cuidados com o meu corpo, frequento o ginásio e vou correr ao fim do dia, quase todos os dias, por isso considero-me um homem saudável e atraente. Ultimamente, uma das amigas do meu filho mais novo começou a falar mais comigo e demonstrou que se sentia atraída por mim, eu também me sinto muito atraído por ela e a verdade é que nos acabámos por envolver sexualmente algumas vezes. Não consigo deixar de pensar nela, e acabamos por fazer amor frequentemente, mas ao mesmo tempo sinto vergonha de estar a trair a minha esposa e, de certa forma, o meu filho.”

Paulo, Setúbal

 

Caro leitor,

A situação que está a viver está a causar-lhe instabilidade emocional, uma vez que tem mantido uma relação extraconjugal com uma amiga do seu filho. O leitor diz sentir-se envergonhado por estar a trair a sua esposa, mas não acaba a relação que mantém com essa rapariga. A relação que mantém com a sua esposa é baseada em algo sólido tal como a amizade, carinho e companheirismo, enquanto que a relação que mantém com a amiga do seu filho é baseada em algo passageiro e superficial como a luxúria e a atração sexual. Cabe a si refletir e averiguar em qual das relações se sente melhor e quais as suas metas. Deve evitar continuar a viver nesse dilema que também poderá deixar o seu filho muito magoado consigo, pois afinal de contas trata-se de uma amiga dele.