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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Não a deixo chegar ao orgasmo!” 

“Sempre tive uma vida sexual muito ativa, mas de há algum tempo para cá durante o ato sexual com a minha companheira ejaculo precocemente, impedindo-a de atingir o orgasmo. Sinto que isso está a prejudicar a relação mas não sei como proceder, pois não sou capaz de evitar que isso aconteça.” Marco, Funchal Caro Leitor,Em primeiro lugar deixe-me felicitá-lo pela coragem e pela identificação da situação que está a vivenciar, o que só irá facilitar a rápida resolução da mesma e um adequado diagnóstico. É importante perceber o que mudou na sua vida, o que o torna agora incapaz de exercer um controlo eficaz sobre o tempo de obtenção do orgasmo e assim impedir a vivência a dois dos momentos de prazer. Este aspeto é fundamental para o diagnóstico adequado dado que esta situação poderá ser apenas decorrente de um período, mais ou menos difícil, que está a viver e que condiciona o seu desempenho sexual. Se assim o for, a solução passa pela procura da causa da ansiedade, que o impede de dar o seu melhor durante o ato sexual. Mas se tal assim não for, seria aconselhável consultar um especialista para lhe transmitir alguma confiança e ajudá-lo nesta tarefa. No entanto, lembre-se que se trata de uma situação muito frequente entre casais, para a qual já existe tratamento, tais como a técnica Squeeze na qual o leitor deve fazer uma pausa quando sentir que está prestes a ejacular e deve apertar a base do pénis com o dedo polegar e indicador durante 5 segundos antes de recomeçar a relação sexual. 

“Quando estou com o meu namorado, não consigo ser eu mesma!”

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 “Nunca gostei de compromissos e sempre tive casos de uma noite ou de pequena duração, meramente sexuais e com os quais me sentia satisfeita. No entanto, conheci um homem por quem me apaixonei e com quem namoro há 6 meses, mas está a acontecer-me algo muito estranho e que me incomoda: não consigo mostrar ao meu namorado o meu lado selvagem da mesma forma que o faço com alguém com quem passo apenas uma noite, pois tenho medo que ele pense que sou muito experiente e não queira estar comigo.”

Maria, Porto

 

Cara leitora,

É normal que, quando inicia uma relação estável, se preocupe mais com o que o seu parceiro pensa acerca de si, mas daí a pensar que por ser uma amante fogosa ele vai pensar que tem muita experiência e não vai querer estar consigo é exagero. Não é por ter tido uma vida sexual mais “vivida” que agora não amará com toda a sinceridade o seu par, e além disso acho que são poucos os homens que vão reclamar por ter uma namorada fogosa. Pode-se dar o caso de a leitora estar a projetar no seu namorado aquilo que realmente sente em relação a si mesma. Se for esse o caso, aconselho-a a procurar um psicólogo para resolver o que está por detrás desse comportamento. Aceite a sua sexualidade sem preconceitos, pois nunca se sentirá completamente feliz numa relação na qual não está a ser autêntica. Vença o receio da intimidade e permita que o amor traga uma nova dimensão à sua própria sexualidade.

 

“Estou a pensar pôr implantes no peito”

“Sempre tive o peito pequeno, e por isso estou a ponderar a hipótese de colocar implantes, mas tenho receio que isso traga consequências negativas para a minha saúde, nomeadamente que me impeça de vir a amamentar. Quais são os efeitos secundários de colocar implantes no peito?”

Luísa, Viana do Castelo

 

Cara leitora,

É bastante sensato da sua parte informar-se antes de tomar uma decisão como aquela que refere. Os implantes mamários podem trazer alguns riscos para a saúde, razão pela qual é fundamental que se aconselhe com o seu médico antes de avançar para essa possibilidade. Caso decida fazer a operação, o cirurgião irá esclarecê-la e discutir consigo várias opções, nomeadamente o tipo de implante, o tipo de inicisão, a anestesia, etc. O risco de infeção, dor, hemorragia, rutura do implante, dificuldades de cicatrização, alterações temporárias ou permanentes nas sensações dos seios… são alguns dos possíveis efeitos secundários, caso a cirgurgia não corra bem. Quanto à sua questão, não há estudos que comprovem o impacto dos implantes na capacidade de amamentação, até porque a forma como estes são colocados não afeta geralmente as glândulas mamárias e permite a produção de leite, assim como a sua deslocação. Ainda assim, é possível que haja uma certa remoção de tecido mamário na cirurgia e isso pode interferir com a qualidade do leite produzido ou com a facilidade em fazê-lo. O mesmo pode suceder em relação ao tipo de incisão feita, pois em alguns casos esta pode danificar nervos essenciais à amamentação.

 

O meu namorado tem um pénis pequeno”

“Namoro há três anos e eu e o meu namorado sempre nos demos bem a nível sexual, mas tanto eu como ele achamos que ele tem um pénis pequeno. Será que não há nada que se possa fazer para aumentar o tamanho do pénis?”

Joana, Santarém

 

Cara leitora,

O tamanho do pénis é variável de homem para homem, embora essas variações não sejam muito grandes. Para além disso, a grande maioria dos homens tem um órgão sexual cujo tamanho permite a satisfação da parceira Contudo, existem alguns casos excepcionais nos quais o pénis é extremamente grande ou extremamente pequeno, o que provavelmente não é o caso do seu namorado, pois quando digo pequeno refiro-me a alguns centímetros apenas. Existem de facto formas de aumentar o pénis tal como a cirurgia, o que não recomendo a ninguém, uma vez que a cirurgia apenas permite um aumento de mais ou menos 1 centímetro. Como tal, não justifica o seu custo, as dores durante a recuperação e o risco de perda da sensibilidade no pénis. Existe outra forma de aumentar o tamanho do pénis, que é a utilização de um género de prótese de extensão que cobre o pénis da mesma forma que o preservativo. Esta manga é feita de silicone e tem por objectivo o aumento do tamanho do pénis. A utilização desta prótese pode parecer um pouco estranha para si, mas é a única forma de aumentar o tamanho do pénis do seu namorado sem ele ter de recorrer à cirurgia. O que a aconselho a fazer é a conversar com o seu namorado e a perguntar-lhe se ele está disposto a experimentar este produto. De qualquer forma, se a leitora não tem problemas a nível sexual com o seu namorado, significa que o tamanho do pénis dele não constitui um impasse para o vosso prazer.

“Tenho caroços no peito”

No outro dia, quando estava a tomar banho, senti dois caroços no peito. O que devo fazer?"

Ana, Portimão

 

Cara leitora,

Todas as mulheres com mais de 30 anos de idade devem efetuar um exame da mama de forma regular. Deve ser feito no banho, tal como a leitora fez, e durante este exame a mulher deve colocar sabonete na mão e apalpar cuidadosamente a mama, de forma a sentir se existem quaisquer caroços na mesma. No caso de verificar que sente alguns caroços, o que é o seu caso, a mulher deve consultar o seu médico ginecologista o mais rapidamente possível, este deve sentir o caroço, e se achar adequado recomendar que a mulher faça uma mamografia.  

“Ela não se masturba!”

“A minha namorada não se masturba, diz que nunca gostou de o fazer, e isso deixa-me bastante surpreendida. A nível sexual ela não demonstra qualquer pudor e diz sempre que tem muito prazer, gostamos muito de masturbar-nos mutuamente, mas acho estranho que ela não o faça sozinha, porque eu sempre gostei de o fazer. É normal que uma mulher não se masturbe, ainda para mais sendo lésbica?”

 

Leonor, Seixal

 

Cara leitora,

A masturbação faz parte de uma vida sexual saudável, mas não é algo obrigatório nem tem de ser apreciado por todas as pessoas. Se a sua namorada não manifesta qualquer problema relacionado com o seu corpo, e se vive a sexualidade de forma feliz e que lhe traz prazer, não tem de estranhar, pois há pessoas que não sentem essa necessidade, quer seja porque têm menos apetência sexual quando não estão com alguém, quer seja porque não gostam de tocar no seu próprio corpo – o que não significa que não gostem de fazê-lo com outra pessoa. Acima de tudo, a masturbação ajuda a libertar a tensão acumulada no dia-a-dia e também a conhecer melhor o próprio corpo, permitindo reconhecer e identificar melhor aquilo que lhe dá prazer. Mas nem todas as pessoas se sentem confortáveis ao fazê-lo, especialmente quando crescem no seio de uma família muito tradicional ou se forem ensinadas que o prazer é algo impuro ou proibido. A comunicação a duas é sempre o mais importante para saber se a sua namorada está confortável, se tem prazer e se está feliz.

 

“O clítoris perde sensibilidade?”

Young happy couple in bed | Stock Images Page | Everypixel

“Eu e o meu namorado fazemos amor quase todos os dias, e como geralmente eu fico por cima o meu clitóris é bastante estimulado, e assim atinjo sempre orgasmos. No entanto, noto que de dia para dia os meus orgasmos ficam menos intensos. É possível que o clítoris perca sensibilidade?”

 

Natália, Guimarães

Cara leitora,

Não há estudos que comprovem que a estimulação intensiva faça com que o clítoris perca a sensibilidade, até porque a parte visível dele é apenas uma pequena porção. O clítoris é, na sua totalidade, bem maior, envolvendo as paredes da vagina: por esse motivo, a parte interna do clítoris é estimulada através da penetração, o que intensifica a excitação e favorece os orgasmos. As mulheres cujo clítoris, na sua totalidade, são mais compactos, ocupando menos espaço em torno da vagina, têm geralmente maior sensibilidade à penetração. Essa é uma das razões pelas quais o tipo de estimulação que proporciona maior prazer varia de pessoa para pessoa. Na situação que refere, experimente utilizar outro tipo de estimulação, mudar de posição, variar o tipo de carícias, a intensidade do toque, etc. É normal que a repetição do mesmo tipo de estimulação deixe de causar excitação e, por conseguinte, faça com que os orgasmos percam intensidade. Por outro lado, nunca é demais lembrar que a preocupação em ter um orgasmo é, quase sempre, uma das principais causas que os tornam mais difíceis de alcançar!

 

“Perco a ereção durante o ato sexual”

man-frustrated-at-work_1600 - Futurity

“Tenho ereções normalmente, sinto-me excitado com a minha parceira e temos ótimos preliminares. Mas durante a penetração vou perdendo a ereção. No entanto, se, a partir daí, pararmos e iniciarmos os preliminares novamente, o meu pénis fica ereto de novo. Sinto que em geral os preliminares são melhores que o ato sexual em si. Por causa disso, tenho problemas para ejacular pois demoro e nunca ejaculo através da penetração. Como homem, este problema chateia-me muito. O que está errado comigo? O que posso fazer para tentar resolver o problema? O facto de usar preservativo pode atrapalhar o prazer de um homem?”

Paulo, Setúbal

 

Caro leitor,

Penso que o seu problema é encarar a penetração como um momento de performance, de competição consigo mesmo, de luta interna para mostrar que consegue… Consegue excitar-se antes de ter de enfrentar a situação da penetração e depois, mas no momento exato deve entrar num papel de espectador de si mesmo, a ver como funciona e o que o seu pénis está a fazer, que o distrai de sentir o prazer e as coisas boas associadas à relação sexual. Descontraia, tenha pensamentos positivos, não se preocupe em perder e voltar a ter ereções – o corpo e a cabeça funcionam mesmo assim e tal pode significar um aumento do prazer para a sua parceira. Se continuar a preocupar-se nas situações sexuais a dificuldade que descreve pode tornar-se num problema em bola de neve, com cada vez mais preocupações. Não há nada de errado consigo e usar preservativo é muito positivo para a sexualidade…pratique um pouco sozinho e na masturbação o seu uso para que não o atrapalhe no momento da colocação. Se o problema persistir, consulte um médico urologista ou de sexologia de modo a resolver o problema desde cedo e ter o prazer a que tem direito.

 

“Sofro de tiroidite de Hashimoto”

“Tenho uma doença chamada tiroidite de Hashimoto, e por esse motivo tenho receio de tomar a pílula. Apesar de viver com o meu namorado ainda não queremos ter filhos, mas queremos deixar de usar preservativo. No entanto, tenho amigas com hipotiroidismo que me disseram que não devia tomar a pílula. É verdade?”

 

Carina, Moita

Cara leitora,

Antes de mais devo esclarecer que o seu médico, que conhece o seu historial clínico, é a pessoa que melhor a pode aconselhar em relação à toma de anticoncecionais, porque acompanha o seu caso específico. Embora a pílula possa ser tomada por mulheres com tiroidite de Hashimoto, o tratamento para esta doença pode interferir com as hormonas da pílula, para além de que o estrogénio da pílula também pode afetar a sua tiroide, uma vez que aumenta a globulina fixadora de tiroxina e isso pode fazer com que tenha maior necessidade de terapia de substituição hormonal para a tiroide. Um excesso de hormonas pode causar problemas de figado. Para quem não sabe, a tiroidite de Hashimoto é uma doença autoimune que afeta a tiroide, que é responsável por regular a energia do corpo através de hormonas chamadas T3 e T4. O corpo de uma pessoa que sofre desta doença cria anticorpos que danificam as células da tiroide, afetando assim a capacidade de produzir estas hormonas, necessárias ao bom funcionamento do organismo. Nesse sentido, deve aconselhar-se com o seu médico, que pode esclarecê-la até por telefone visto que conhece o seu caso, sendo ainda assim desaconselhada a toma da pílula.

 

“O Herpes genital transmite-se aos filhos?”

“Tenho herpes genital e gostava de saber quais são as taxas de recorrência. Vou ter de usar preservativo para o resto da vida? E se eu vier a ter filhos, posso transmitir-lhes o vírus?”

Maria, Valongo

Cara leitora,

Descobrir que tem herpes genital pode ser preocupante, uma vez que passa a precisar de ter alguns cuidados acrescidos. A taxa de transmissão do vírus é menos quando este não está ativo, mas ainda assim existe sempre o risco de contágio por via oral, vaginal ou anal. Nesse sentido, usar barreiras de proteção, como o preservativo ou barreiras dentais, além de uma comunicação franca entre parceiros, é fundamental. A taxa de recorrência é difícil de prever; algumas pessoas têm apenas um caso isolado de incidência mais forte. Depois dele, pode reincidir com uma frequência progressivamente menos, dependendo do seu sistema imunitário, do tipo de Herpes e de onde ele se instalou no seu corpo. O seu médico pode receitar-lhe um medicamento que, quando tomado no primeiro dia que sente sintomas, pode reduzir a duração e descomforto causado por um novo episódio. É muito raro haver transmissão do vírus a um feto, mas se suceder pode trazer graves problemas de saúde tais como parto prematuro ou nascimento com peso abaixo do normal. Se a mãe já tiver Herpes, o risco de contágio diminui porque os anticorpos que o combatem propagam-se ao filho. Se contrair Herpes durante a gravidez os riscos são maiores. Existem casos nos quais uma cesariana pode ser efectuada para prevenir o contágio do bebé, mas apenas um médico pode avaliar cada caso e fazer essa recomendação. Aconselho a que fale com o seu médico pois ele conhece o seu caso e pode ajudá-la não só em relação à reincidência do vírus no seu caso específico como na proteção numa futura gravidez.