Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Perdi o interesse no sexo…”

How Your Relationship Can Survive The Winter | Dr. Karen Sherman | YourTango“Antigamente as minhas relações sexuais duravam duas a três horas e nunca tive problemas mas de há uns tempos para cá perdi o interesse no sexo. Tenho uma namorada maravilhosa mas parece que perdi o interesse nela, tenho sentido muitas saudades da minha ex-namorada, de quem me separei já há um ano. Estou com receio de ter uma depressão. O que se passa comigo?”

 

Tiago, Abrantes

 

Cara leitora,

O facto de estar a aperceber-se conscientemente daquilo que mudou na sua vida é o primeiro passo para encontrar uma solução. Nesse sentido, o acompanhamento de um psicoterapeuta pode avaliar consigo o seu caso e ajudá-lo a compreender melhor o que se passa, devendo fazê-lo para evitar uma depressão, conforme receia. Ainda assim, a situação que descreve parece ter a ver com motivos psicológicos, visto que indica ter perdido o interesse na sua atual namorada e ter saudades da sua anterior relação. Convém compreender se, de facto, ainda tem sentimentos pela sua anterior namorada, o que faz com que deixe de sentir interesse na relação sexual com a sua namorada atual, ou se, pelo contrário, é algo que na sua vida o deixa insatisfeito e, como sente que não está a corresponder às expetativas da sua namorada atual, deseja evadir-se dessa situação, regressando a uma situação anterior, quando a sua vida sexual corria sobre rodas. O stress, a ansiedade e o cansaço contribuem para o desgaste mental e comprometem a libido e o desempenho sexual. Assim, tanto pode estar a atravessar uma fase conturbada – que precisa de ser acompanhada por um terapeuta para que não tenha consequências mais graves – que não tem a ver com a sua namorada, como pode estar bem, mas já não sentir atração nem vontade de manter o seu relacionamento. Nesse sentido, o acompanhamento terapêutico será essencial para que compreenda aquilo que se passa consigo e possa resolvê-lo. Se toma medicação a perda de interesse sexual também pode ser um efeito secundário da mesma, devendo nesse caso aconselhar-se com o seu médico.

“Amo-o, mas não quero fazer amor…”

bored couple | TENNIS LIFE MAGAZINE“Tenho 38 anos e sou casada. Não sei porque é que isto acontece, mas há mais ou menos 2 anos que deixei de ter vontade de ter relações sexuais com o meu marido. Finjo dores de cabeça ou digo que tenho sono, evitando a todo o custo, mas continuo a amá-lo como antes. Preciso de resolver esta situação, mas não sei como.” Maria Joana, Viseu 

Cara leitora,

A inibição de desejo feminino ou apatia sexual é um transtorno muito mais comum do que podemos imaginar, atinge tanto mulheres casadas, como solteiras, sem distinção de idade ou classe social, por isso não se sinta única na vivência desta situação. São vários os fatores que podem contribuir para a diminuição do desejo sexual, nomeadamente uma depressão, estados de ansiedade, gravidez, o nascimento de uma nova criança e doenças crónicas tais como o cancro. Faça uma análise dos últimos dois anos da sua vida e tente identificar o fator que possa ter causado o seu desinteresse sexual. A melhor forma de resolver esse problema deve ser encontrada por si e pelo seu marido, através de uma conversa franca e aberta, partilhando emoções e sentimentos. Explique ao seu companheiro o que sente, transmitindo-lhe as suas dúvidas, mas também o amor que sente por ele e a vontade de resolver toda esta situação. Deve em conjunto com o seu companheiro percorrer uma longa caminhada, tendo em vista a melhoria da relação e satisfação conjugal. Um terapeuta sexual pode dar-vos uma ajuda importante nesse sentido, fazendo-vos perceber de que forma podem melhorar o vosso relacionamento.

“Gosto de raparigas mas também olho para rapazes”

 

“Olá, chamo-me Diogo e tenho 17 anos. Já tive relações sexuais com raparigas, mas também dou por mim a olhar para os meus colegas no balneário, e já tive sonhos eróticos com rapazes. No entanto, também gosto de raparigas e tenho prazer com elas… não entendo o que se passa comigo!”

Diogo, Matosinhos

Caro leitor,

As suas dúvidas são mais habituais do que pensa. Embora muitas pessoas sejam tendencialmente heterossexuais, e outras homossexuais, existem também muitas pessoas que sentem prazer e interesse por pessoas de ambos os sexos, como parece ser o seu caso. Assim, embora ainda seja muito jovem, parece tratar-se de uma questão de bissexualidade. Poderá, no decurso da sua vida, ter tendência para preferir um sexo, mas pontualmente pode sentir interesse pelo envolvimento por pessoas do outro sexo. Uma vez que é ainda adolescente, poderá também sentir-se meramente curioso, o que é perfeitamente natural, sem que isso implique necessariamente tendências gay ou bissexuais. Procure ler na internet e em livros especializados mais sobre estes temas e, se sentir à vontade, experimente conhecer amigos gay. Siga o seu coração e não se sinta pressionado, dê tempo a si próprio para conhecer-se melhor.

“Como posso ajudar o meu namorado transexual?”

“Amo o muito o meu namorado mas ele está a fazer a transição de mulher para homem e está a sofrer muita pressão por parte da família e da sociedade em geral. Apaixonei-me pela pessoa que é, conhecemo-nos como lésbicas mas com o tempo “ela” acabou por me explicar que sempre se sentiu um “ele”, e eu própria encorajei-o a fazer a mudança de sexo. Gostava de saber como posso ajudá-lo para que seja tudo mais fácil…”

Francisca, Porto

 

Cara leitora,

O facto de ter ao nosso lado alguém que nos ama como somos e que nos apoia mesmo que as nossas escolhas e o nosso percurso de vida possam fugir à norma ou às expetativas dos outros é por si só o melhor apoio que se pode ter. A mudança de sexo é um processo lento e delicado, que exige uma enorme força de vontade – a qual a maior parte dos transexuais tem, ou não arriscaria fazer essa transição – e também uma presença carinhosa, constante e atenta de quem está à sua volta. A sociedade ainda olha com desconfiança e estranheza para alguém que nasceu com um sexo e que assume outro, talvez daqui a uns anos as mentalidades sejam diferentes, pois cada vez mais se começa a entender que cada ser humano é único e diferente, tendo todos direitos iguais. Provavelmente o seu namorado já é acompanhado por um terapeuta, sendo essencial neste processo de transição. Uma das coisas que poderá fazer é também ter consultas de acompanhamento terapêutico, com ele, se ele assim quiser, ou sozinha, para que um terapeuta a vá ajudando a lidar com os desafios à medida que eles surgem no dia-a-dia. Também pode ajudar ter mais contacto com outras pessoas que já passaram ou estão a passar pelo mesmo processo. Um diálogo franco e honesto com ele, constante, é também um ponto de apoio que facilitará o processo. Evite julgá-lo e pergunte-lhe gentilmente como se sente, o que sente em relação ao que se passa com o seu corpo e à sua volta, especificamente em relação a pessoas concretas da vida dele que não estão a lidar bem com esta situação, por exemplo. Há muita coisa que pode angustiá-lo, ter alguém ao seu lado com quem pode contar é fundamental. Lembre-o das suas qualidades e daquilo que ama e admira nele, dando-lhe força quando ele estiver mais em baixo. Como em qualquer outro aspeto de qualquer relacionamento amoroso, saber quando o outro precisa de ser ouvido e saber respeitar quando ele não quer falar é a melhor maneira de apoiar alguém que se ama.

Facilitar a penetração

Dra., gostava de saber se existe algum produto ou objecto que eu possa introduzir para alargar a vagina, com o objetivo de facilitar a penetração. Existe algum creme para a deixar mais relaxada? 

 
 
A vagina é bastante flexível, permitindo o nascimento de uma criança, por isso não necessita de objectos para aumentar o seu tamanho. A forma mais adequada para facilitar a sua elasticidade é estar descontraída durante o acto sexual e bem estimulada. Deve também utilizar um gel lubrificante durante a penetração, pois este vai facilitá-la, fazendo com que esta seja menos dolorosa e, logo, que os músculos estejam mais descontraídos.

Sémen atravessa a roupa?

 

Sou virgem, mas o meu namorado ejaculou na minha vagina, eu estava sobre ele de pernas abertas fazendo movimentos e tinha calças de ganga e cuecas e ele também. Não me apercebi de nenhum liquido diferente em mim, a não ser o meu próprio, será que com a força do jacto do pénis na ejaculação os espermatozóides conseguiriam ultrapassar essas barreiras? Nestas circunstâncias tenho algumas duvidas: os espermatozóides ultrapassam roupas (tipo 4 camadas de roupas como no meu caso)? Que cor e qual consistência tem o sémen do homem? E se estiver no período fértil? neste caso é possível gravidez? Porque pelo que eu li que os espermatozóides não ultrapassam a roupa, mas e se a roupa estivesse húmida facilitaria a entrada deles?

Vanessa

 
Cara Vanessa,
No seu caso não se pode dizer que ele tenha ejaculado na sua vagina, pois não houve contacto genital, ou seja, os órgãos genitais tinham muito tecido entre eles. A ejaculação não tem força para atravessar a sua roupa, pelo que não precisa de se preocupar, mesmo que esteja no seu período fértil.
O sémen do homem varia na cor e consistência, devido à alimentação do homem, por exemplo, pode ser transparente ou esbranquiçado, líquido ou mais ou menos viscoso.
A sua preocupação revela que está muito ansiosa com uma possível gravidez indesejada, pelo que a aconselho a ir a uma consulta de planeamento familiar (se pretende iniciar a sua vida sexual) e reflectir sobre a toma de um contraceptivo (pílula, implante, anel vaginal, adesivos, etc) e de aprender a utilizar o preservativo, para que quando fizer a penetração pela primeira vez possa dedicar-se ao prazer e não ao medo.

Anejaculação

Tenho 16 anos e nunca ejaculei! Queria saber qual é o meu problema e se tem cura?

 

Gonçalo

 

Caro Gonçalo,

 

Antes de responder há que confirmar se já experimentou a masturbação, ou seja, estimular o seu pénis até ter um orgasmo e ejacular em consequência disso. Se já o fez e não ejaculou deve consultar um médico de clínica geral ou urologista pois a avaliação de um possível problema tem de passar por eles. A anejaculação (não ejacular) poderá ser consequência de alguma medicação que está a fazer ou de alguma operação que tenha feito ao tracto urinário, por exemplo (não tenho dados suficientes para diagnosticar tal e terá de ser um médico a fazê-lo).

Não deixe de esclarecer este seu problema nem tenha vergonha de o expor ao vivo a um técnico de saúde – pode acontecer a qualquer homem e os médicos não o irão julgar.

Utilização incorrecta do preservativo

 Estou com um problema que está a tirar o sono. Tenho relações sexuais com minha namorada há aproximadamente 2 meses, mas sempre com preservativo. Ela era virgem. Depois que começámos a ter relações sexuais a menstruação dela já veio normalmente, sem atrasos. Porém há 3 dias a menstruação dela está atrasada, e ela disse que nunca havia atrasado antes. Apesar de sempre usarmos preservativo pode existir o risco de gravidez? Já estou desesperado porque somos bem jovens ainda.

Abílio
 
Caro Abílio,
 
Só não há risco de engravidar quando não se tem relações sexuais de todo…Mas claro que os métodos contraceptivos cumprem bem o seu papel, se forem bem utilizados.
Os sinais de que um preservativo não foi bem utilizado são: ficar dentro da vagina/ânus, estar rasgado depois de retirado, ter ar lá dentro depois de colocado…

Um atraso de 3 dias não é ainda razão para se preocuparem com uma gravidez indesejada, pode ser devido a muitas razões, mas se continuar façam um teste de gravidez numa farmácia e planeiem ir juntos a uma consulta de planeamento familiar. Há outros métodos contraceptivos que podem deixar-vos mais descansados para gozarem a vossa vida sexual (por exemplo a pílula, o anel vaginal, os adesivos, etc). Mesmo assim a utilização adicional do preservativo é desejável, pois é o único a prevenir as infecções sexualmente transmissíveis, para além da gravidez.

“Como diagnosticar a infertilidade masculina?”

Premium Photo | Bored couple drinking coffee

“Tenho tentado engravidar e não consigo. Acho que o meu marido é estéril. Como posso ter a certeza disso, sem magoar os seus sentimentos?”

Paula, Abrantes

Cara Leitora,

Os problemas de fertilidade podem ser diagnosticados através de exames físicos, a análise do esperma e tendo em atenção a história clínica.

É importante refazer toda a história clínica do seu marido desde a puberdade até à idade actual, de modo a verificar infecções e doenças ocorridas e a medicação tomada.

O exame físico deve ter em conta o tamanho e a textura dos testículos com o objectivo de averiguar a sua capacidade de produzir correctamente esperma. Caso este exame não aponte quaisquer problemas, torna-se necessário realizar um teste que determine o número de esperma encontrado na ejaculação.

Se se comprovarem problemas, será necessário que um especialista verifique a formação do espermatozóide e a sua capacidade de movimentação.

De forma a fazer a avaliação da fertilidade é necessário que o homem ejacule para dentro de um frasco e essa amostra deve ser entregue num laboratório nas duas primeiras horas seguintes. Um outro teste possível de ser realizado é o exame pós-coito que é feito através da recolha de uma amostra de muco uterino logo após a ejaculação do homem. Este último teste tem como intuito verificar se o muco intra-uterino tem a consistência necessária para possibilitar a movimentação do esperma.

É importante pois, que o seu marido vá ao médico e efectue todos os exames necessários, sem pudor nem preconceito pois é o primeiro passo para realizar o vosso desejo de ter um filho. Converse com ele com calma e procure fazê-lo entender que, apesar de difícil, este tipo de diagnóstico é muito importante para a vossa felicidade futura.

 

 

“Fumar erva durante a gravidez faz mal ao bebé?”

“Costumo fumar erva de vez em quando socialmente quando estou com os meus amigos. Descobri que estou grávida e como tal gostava de saber se faz mal ao bebé, pois uma amiga disse-me que não faz mal se não fumar muito. É verdade? Não quero correr riscos.”

 Ana, Porto

 

Cara leitora,

O consumo de substâncias traz sempre perigos para a saúde, sendo ainda mais grave quando a mulher se encontra grávida. Em primeiro lugar, fumar seja o que for durante a gravidez, mesmo tabaco, priva o feto de oxigénio e interfere negativamente com o fornecimento de sangue ao feto. Se não receber oxigénio suficiente, o bebé pode nascer mais pequeno em altura e com menor peso, e os bebés que são mais pequenos têm maiores problemas após o nascimento, tais como infeções e problemas respiratórios, assim como dificuldades a nível da alimentação, problemas sanguíneos, oculares, dificuldade de o sangue chegar ao cérebro, entre outros. Por outro lado, os bebés cujas mães consomem drogas enquanto estão grávidas ou no período de amamentação são mais nervosos e agitados. Assim, embora não seja fácil abdicar de hábitos que sempre teve, deve aconselhar-se com o seu médico para que ele a ajude a ter uma gravidez mais saudável, proporcionando saúde e bem-estar ao seu bebé.