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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Tema de hoje: virgindade


Há umas semanas eu e a minha namorada mantivemos em contacto os nossos sexos sem haver penetração, mas quando a estava a masturbar, apercebi-me que havia sangue e parámos, pois pensámos tratar-se do seu período. Ela diz que afinal não foi o período e não sabe o que se passou. Como ela é virgem será que ela rompeu o hímen?

João, Porto

 

 

Caro leitor,
Não se preocupe pois a situação que o leitor descreve não parece ser séria. Uma vez que a sua namorada é virgem, é bem possível que com as carícias resultantes da vossa aventura sexual ela tenha rompido o hímen. O hímen é uma membrana que cobre a entrada da vagina e algumas mulheres tem hímenes bastante elásticos que não se rompem com tanta facilidade, enquanto que outras mulheres têm hímenes bastante sensíveis que se podem romper sem que haja qualquer tipo de penetração. Algumas mulheres rompem o hímen enquanto praticam ginástica ou equitação enquanto que outras só o rompem durante o coito. Por isso, não se preocupe pois provavelmente o hímen da sua namorada rompeu-se enquanto o leitor a estava a acariciar.

 

Tema de hoje: Parafilias e Disfunções sexuais

(Andy Wahrol)

 

 

O meu irmão gosta de penetrar os meus sapatos de salto alto, os meus soutiens, tangas, bikinis, ligas. Acho que ele se masturba enquanto faz isto. Gostava de saber o motivo.

Cara Leitora,
Tenho pouca informação para lhe dar uma boa resposta: não sei que idade o seu irmão tem, não sei se ele tem estes comportamentos regularmente, não sei como reagiu a sua família e a leitora a eles…
Posso dizer-lhe que os comportamentos que descreve me parecem precursores de parafilias – são disfunções sexuais, mas o seu diagnóstico é complexo e não devemos fazê-lo por email. As características principais consistem em fantasias intensas e recorrentes, sexualmente excitantes, impulsos sexuais ou comportamentos que podem implicar: objectos não humanos; o sofrimento ou humilhação de si mesmo ou do outro (no caso do masoquismo e sadismo, respectivamente); ou crianças ou outras pessoas sob coação.
Alguns exemplos de parafilias são: o fetichismo (usar objectos como fonte de excitação exclusiva); o exibicionismo (exibir os órgãos ou comportamentos sexuais em frente a outros) ; frotteurismo (esfregar-se em pessoas sem o seu consentimento), pedofilia (foco sexual em crianças pré-pubertárias), masochismo (sentir prazer através da dor ou humilhação) e sadismo sexual(sentir prazer em infligir dor ou humilhação) , fetichismo trasvestido (trasvestir-se com o objectivo de atingir satisfação sexual), voyeurismo (observar outras pessoas sem que estas o saibam), entre muitos outros.
No caso do seu irmão, como os objectos de que ele retira o prazer são seus, há um certo carácter incestuoso preocupante, para além de estar a agir sob um impulso sexual com um objecto inanimado, sem que você consinta e os objectos podem vir a tornar-se exclusivos para o desejo e excitação dele, pela acção reforçadora da masturbação, que lhe vai dando prazer e aumentando a probabilidade de voltar a ter tal comportamento.
É aconselhável que procurem tratamento especializado e se aconselhem também da melhor atitude a ter em casa como resposta aos comportamentos dele, da sua parte e de outros que vivam convosco, para que a família e o seu irmão não entrem num ciclo vicioso indesejado para todos. É importante que ele encontre um meio mais adequado socialmente e sexualmente de satisfazer as suas necessidades sexuais, para que no futuro não venha a desenvolver uma parafilia indesejada.

“A minha vagina faz barulho quando tenho relações!”



“Ultimamente, quando estou a fazer amor com o meu namorado a minha vagina faz uns barulhos estranhos. Será que está alguma coisa errada comigo?”

Alexandra, Malveira

 


Cara Leitora:

O barulho que ouve quando tem relações sexuais é completamente inofensivo e é bastante comum de acontecer com as mulheres. Durante a relação sexual, por vezes, o ar entra dentro da vagina e quando é libertado provoca o barulho que costuma ouvir. Certas posições são mais propensas a que o ar entre dentro da vagina, por isso se o barulho é algo que a incomoda tente identificar essas posições e evite fazê-las. Pode também experimentar colocar uma música de fundo enquanto estiver a fazer amor, dessa forma vai poder relaxar sem se preocupar com pormenores pois isso apenas vai fazer com que não aproveite, a cem por cento, todos os prazeres do sexo.

 

 

“O preservativo rompeu-se, o que devemos fazer?”


“ Quando estava a fazer amor com a minha namorada, o preservativo rompeu-se e só reparámos no fim da relação. Não queremos ter filhos. O que devemos fazer?”

 

Sílvio, Foz do Arelho

 


Caro leitor:

Realmente azares com preservativos acontecem e daí algumas mulheres optarem por tomar a pílula e usar o preservativo ao mesmo tempo, de forma a estarem duplamente protegidas. Para casos como o seu existe uma solução que é a pílula do dia seguinte, e esta pode ser tomada até 72 horas depois da relação. Esta pílula não deve ser, de forma alguma, tomada como medida de contracepção, pois pode ser prejudicial à mulher. Deve apenas ser tomada em situação de emergência, como essa. Converse com a sua namorada e, se decidirem por esta opção, a pílula poderá ser adquirida, mediante receita médica, em qualquer farmácia. Continuem a usar o preservativo, pois este protege-os de doenças sexualmente transmissíveis. No entanto, para evitarem uma gravidez indesejada, aconselho a sua namorada a visitar o seu ginecologista e começar a tomar a pílula, pois o seguro morreu de velho.

Tema de hoje: virgindade

 

Olá, gostaria de uma ajuda da vossa parte.
Bom, tenho 30 anos... e ainda nunca fiz sexo... resumindo, sou considerada virgem... A questão é que estou decidida a acabar com isto na minha vida, até aqui não era importante, mas agora isto incomoda-me. A verdade é que eu sempre tive bons relacionamentos com os homens, mas ao namorar, ou quando eles pedem algo mais sério, eu fujo, não quero um compromisso sério... E, por isso, nunca fiz sexo. Pratico masturbação, mas não com penetração. Queria informações sobre a primeira vez, e se isto é normal numa mulher... ou se o meu caso é grave! Agradeço a atenção concedida.
Cada pessoa tem o seu ritmo natural para fazer as coisas, e isso aplica-se também ao sexo. Você diz que se tem masturbado durante os últimos anos mas apenas não experimentou a penetração, o que não tem nada de mal. Respeite o seu desejo e ritmo natural e faça apenas aquilo que quer realmente fazer, sem se sentir pressionada. Se deseja de facto ter um relacionamento mais sério com alguém e aí então deseja experimentar a penetração pela primeira vez, deve fazê-lo sem preocupações. Deve no entanto partilhar com o seu companheiro o facto de ter optado por se manter virgem todo este tempo, pois isso fará com que ele seja mais cuidadoso na primeira vez que tiverem relações sexuais. É importante que da primeira vez que pratiquem a penetração esteja descontraída e apenas experimente introduzir o pénis quando estiver bastante excitada e lubrificada. Pode também experimentar utilizar um gel lubrificante para ajudar na penetração. Se sentir desconforto durante a penetração diga ao seu parceiro para parar e mantenha o pénis dentro da vagina sem fazer qualquer movimento durante alguns segundos, depois respire fundo e descontraia os músculos da vagina, e após alguns segundos diga ao seu parceiro para continuar a penetração. Se quando chegar ao momento de ter relações sexuais achar que necessita de apoio e alguém com quem possa conversar acerca dos seus receios, as nossas consultas podem ser marcadas em 21 318 25 91.

“Será que a homossexualidade é uma doença?”

 

“Tenho 19 anos, sou homossexual e tenho andado preocupado pois um amigo meu disse-me que a homossexualidade é uma doença mental. Será verdade?”

 

Tiago, Almada

 

Caro leitor,

Durante muito tempo pensou-se que sim, mas em 1957 a Dra Evelyn Hooker realizou um estudo no qual testou psicologicamente um grupo de homens heterossexuais e um grupo de homens homossexuais e não encontrou qualquer diferença a nível psicológico entre os dois grupos. Dez anos mais tarde o Dr. Mark Freedman realizou um estudo idêntico no qual testou psicologicamente um grupo de mulheres heterossexuais e um grupo de mulheres lésbicas e também não encontrou qualquer diferença, a nível psicológico, entre os dois grupos. Estes dois estudos vieram demonstrar que a preferência sexual (homossexual ou lésbica) não está de forma alguma relacionada com a existência de uma doença mental. Como resultado destas investigações, em 1973 a Associação Americana de Psiquiatria deixou de considerar a homossexualidade como sendo uma doença mental, concluindo definitivamente não existir qualquer diferença entre homossexuais, lésbicas e heterossexuais a nível psicológico. Por isso não se preocupe pois você é uma pessoa normal!

“ Não consigo esquecer a traição da minha namorada”


“ Num período de crise do meu namoro, a minha namorada traiu-me e desde então não consigo esquecer esse acontecimento. Mesmo depois de já a ter perdoado e de a nossa relação estar muito bem essa época não me sai da cabeça!”

Sérgio – Braga

 

 

Caro Leitor:

O que sente é bastante compreensível pois a sua namorada magoou-o profundamente. Perdoar não significa esquecer, e a confiança é algo que leva tempo a construir, neste caso reconstruir, o que é muito mais trabalhoso. Uma infidelidade pode deixar marcas muitas vezes irreversíveis numa relação o que parece ser o seu caso.

Só a sua namorada o pode “curar” dessa instabilidade emocional pela qual  está a passar, ela terá de lhe provar novamente que merece o seu amor a sua confiança, e que aquilo só se sucedeu porque vocês estavam a passar por um momento de crise.

Faça um esforço e tente ter confiança na pessoa que tem a seu lado, se não conseguir então aí talvez seja melhor parar para pensar se vale a pena continuar com essa relação que só o está a fazer sofrer.

 

Tema de hoje: Problemas Sexuais

 

Sou um jovem de 24 anos, saudável. Passo fases de abstinência sexual relativamente alargadas (por mais de 6 meses).  Tenho um problema que me tem vindo a perturbar há algum tempo: quando me envolvo com uma pessoa e durante a fase pré-sexo, onde nos beijamos, costumo ficar bastante entusiasmado e surgem-me regularmente erecções. O problema que me aparece é numa fase posterior, durante o acto sexual propriamente dito tenho dificuldades em ter erecções. Tenho bastante dificuldade em perceber o porquê desta questão, visto que não tenho problemas em ter uma erecção quando estou sozinho, ou durante a tal dita fase de pré-sexo. Poderá isto ser algum constrangimento, ou alguma disfunção?
Dani
Caro Dani,
Pela descrição que faz do seu problema parece tratar-se de disfunção eréctil, embora uma avaliação médica e sexológica seja sempre necessária – consulte o seu médico de família, para que ele o encaminhe para médicos especialistas (urologista ou andrologista) e considere fazer uma consulta de psicologia e terapia sexual, para que as dificuldades sentidas não se instalem como uma disfunção na sua vida sexual. Se estiver a fazer alguma medicação, por exemplo, anti-depressiva, esta pode influenciar a sua resposta sexual, pelo que deve continuar a tomá-la, mas falar com o seu médico sobre os efeitos secundários e a possibilidade de ajustar a dosagem e as tomas.
Dada a sua idade, acredito que a causa destas dificuldades sejam psicológicas – o leitor parece ter entrado num ciclo vicioso, depois de uma experiência que correu mal, começou a sentir ansiedade de antecipação e a ficar preocupado com isso, o que influencia muito as relações sexuais seguintes, de modo negativo.
Durante a fase de preliminares, quando a relação física já começou com carícias e estimulação recíproca, é mais fácil ter erecções, pois não está preocupado com problemas (sexuais ou outros) ou com consequências negativas da relação sexual e, como tal, o seu cérebro e pénis conseguem sentir e estar focados na excitação do momento. Quando chega a hora de tentar a penetração, o seu corpo e mente estão num modo que não é sexual mas ansiogénico, mergulhados em preocupações e a sentir cada vez menos o prazer.
É muito importante que perceba este ciclo vicioso e o consiga cortar: relaxe, não desista de ter relações sexuais só porque perdeu aquela erecção, pois se continuar a estimulação outras se seguirão certamente; ganhe confiança com as suas parceiras sexuais, para que sejam pacientes e que se sinta à vontade (a intimidade pode ser assustadora, mas também permite a confiança para resolver as dificuldades que sente em parceiras ocasionais); treine a colocação e utilização do preservativo na masturbação; experimente comprar anéis penianos numa sex-shop, que o podem ajudar ligeiramente a aguentar o afluxo de sangue no pénis…
Não deixe de tentar resolver este seu problema, nem que ele domine o prazer das suas relações, pois há muito para experimentar e sentir!

Tema de hoje: Problemas sexuais Femininos

 

 

Desde que iniciei a minha vida sexual há dois meses tenho-me apercebido de que faço muito barulho durante o acto sexual, e por isso tenho medo que os vizinhos me possam ouvir.

Luísa

Cara Luísa,

Cada pessoa tem a sua própria forma de se manifestar durante o acto sexual, de forma a libertar a tensão que precede o orgasmo. No seu caso essa libertação tem trazido algum desconforto, pois teme que os seus vizinhos o ouçam. Assim sendo, para que se possa sentir mais descontraído quando tem relações sexuais, é importante que faça um esforço para conseguir disfarçar o seu “entusiasmo”, experimente escolher uma divisão da casa que seja mais recatada, coloque música ou deixe a televisão ligada de modo a disfarçar os ruídos para que possa desfrutar o acto sexual em toda a sua plenitude e sem estar preocupado com possíveis comentários dos seus vizinhos.

 

 

 

 


“Adoro ser maltratado durante o acto sexual”

 


“Uma vez enquanto fazíamos amor o meu companheiro maltratou-me verbal e fisicamente. Surpreendentemente, adorei esse momento e agora dou por mim a pedir que ele aja dessa forma. Isso é normal?


Carlos, Lisboa

 


Caro leitor,

A forma de obter prazer é diferente de pessoa para pessoa e, no seu caso, sente-se bem alcançando-o de um modo mais agressivo e obsceno. Para muitas pessoas, a dor e a hostilidade são o mote para a excitação e para jogos sexuais. Todavia, importa verificar se essa tendência masoquista é algo esporádico ou se acontece rotineiramente.

No primeiro caso, acontecendo dentro de um contexto específico, isto é, funcionando como um jogo estimulante para atingir o clímax do prazer, não há razões para alarme porque o seu objectivo é apenas o desempenho de um papel dentro de uma encenação de estimulação sexual. No segundo caso, se estes jogos tiverem a tendência para se repetirem, ou seja, sendo a única maneira de obter prazer, estamos diante de um comportamento preocupante, que está a tornar-se desviante e possivelmente compulsivo. A maioria dos comportamentos desviantes entre adultos, quando dentro dos devidos limites e quando fazendo parte do jogo de sedução do casal, não exerce qualquer problema para o individuo. Os comportamentos desviantes começam a ser destrutivos quando se tornam num padrão, que por mais que o indivíduo tente, não consegue parar. Se verificar que este é o seu caso e que a sua preferência sexual esta a interferir com a sua relação, estabilidade emocional e profissional, deve então procurar ajuda de um especialista.