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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“O meu namorado quer que eu rape os pêlos púbicos.”

 

 “Ultimamente o meu namorado tem-me pedido que rape os pêlos púbicos, o que acho bastante estranho. Será que isso é um pedido normal dos homens?”

 

Magda, Faro

 

Cara leitora,

de facto há muitos homens e mulheres que optam por aparar ou rapar completamente os pêlos púbicos. Existem algumas vantagens em fazê-lo, o acto sexual torna-se mais higiénico, a prática de sexo oral tanto no homem como na mulher torna-se mais agradável, facilita a utilização de lubrificante e evita irritações dos órgãos genitais femininos aquando da penetração. Se rapar completamente os pêlos a incomoda, experimente apará-los, não tenha tabus. Se o seu namorado lhe fez esse pedido, converse com ele e pense que isso pode dinamizar a vossa relação sexual.

 

 

“Desejo muito ser mãe mas tenho medo das dores do parto!!!”

 

“Estou casada há 4 anos e tanto eu como o meu marido queremos ter filhos, mas eu tenho adiado a situação porque tenho pavor só de pensar no parto e nas dores que vou sentir. O que me aconselha a fazer para perder esse medo, pois receio que o meu marido termine o casamento se eu não lhe der um filho.”

 

Dalila, Aveiro

 

Cara leitora

Ao contrário do que possa pensar, existem muitas mulheres que temem as dores do parto, mas hoje em dia já não existe a necessidade de sofrer para ter filhos. Quando a gravidez é devidamente acompanhada por um médico, os riscos são mínimos quer para a mãe quer para a criança. Segundo a maioria das mulheres, a alegria de ser mão supera em muito qualquer desconforto durante a gravidez ou parto. Devido aos avanços da medicina, a maioria das mulheres recebe anestesia local durante o parto fazendo com este seja bastante tolerável. Mesmo nos casos mais complicado existe a possibilidade de fazer uma cesariana cuja recuperação é relativamente rápida. Se ter um filho é importante para si e para o seu marido tente ultrapassar o medo que sente. Para isso aconselho-a a conversar com um médico de forma a informar-se sobre as diferentes formas de parto sem dor. Aconselho-a também a consultar um psicólogo que a ajude a ultrapassar o medo do parto. Converse com o seu marido, explique-lhe o medo que sente, pois é importante que ele a ajude a superar os seus receios.    

 

 

“A minha namorada gosta de dormir com um boneco, será normal?”

  

“A minha companheira tem 20 anos e dorme com um urso de pelúcia. Ela diz que se não tiver o urso ao lado, não consegue dormir. Eu acho isso bastante estranho e começo a ficar farto da situação. O que devo fazer para que ela deixe o ursinho fora da cama?”

 

Paulo, Setúbal

 

Caro leitor,

Esse é um comportamento normal entre crianças mas não muito comum entre adultos. As criança geralmente têm um cobertor ou um boneco de pelúcia que levam consigo para todo o lado, principalmente quando se sentem nervosos, envergonhados ou com medo. O cobertor ou boneco faz com que a criança se sinta mais segura principalmente quando os pais não estão presentes, daí terem-no sempre com elas. Parece-me que a sua namorada tem um “ursinho de segurança” que faz com que ela se sinta mais segura e daí consiga adormecer mais facilmente. Converse com ela, pois parece que ela não se sente muita segura em relação a ela própria e em relação a si. Ajude-a a sentir-se mais segura, demonstrando-lhe o quão importante ela é para si e o quanto gosta dela. Encoraje-a a ser mais independente e a confiar mais nela própria. Ela só vai deixar de dormir com o ursinho de pelúcia quando se sentir segura em relação a quem ela é, e em relação aos seus sentimentos por ela.

 

“Ela tem medo da primeira vez!”

 

 “Tenho 19 anos e namoro com uma rapariga há 6 meses. Gostava de fazer amor com ela, mas ela tem tanto receio de ter dores que não me deixa avançar. Como posso ajudá-la a conseguir ultrapassar isso? Este problema está a deixar-nos cada vez mais ansiosos!”


Tiago, Coimbra

 

Caro Leitor,

O receio que a sua namorada tem em iniciar a sua sexualidade é partilhado por diversas mulheres. Por isso, procure tranquilizá-la, pois ela não tem qualquer problema que não possa ser ultrapassado. É natural sentir algum receio e desconforto aquando do início da vida sexual, mas isso perderá importância com o decorrer das relações sexuais. As dores que ela sente inicialmente começarão a desaparecer quando o canal vaginal se adaptar ao tamanho e ao formato do pénis. Neste sentido, procure ajudá-la a relaxar, pois esse medo apenas fará com que fique tensa, não consiga descontrair e, consequentemente, não consiga ficar excitada nem lubrificada. Ajude a sua namorada a perder essa tensão, pois sem lubrificação o desconforto será notório e será mais difícil alcançar a satisfação sexual. Experimentem utilizar um gel lubrificante de forma a facilitar a penetração e a diminuir as dores. Mostre-se compreensivo, pois juntos poderão arranjar estratégias que melhorem a relação sexual.

“O Herpes genital transmite-se mesmo com preservativo?”

 

 “Tenho uma dúvida que me tem deixado inquieta. O meu namorado teve herpes genital há dois meses. Evitámos durante esse período ter relações sexuais. Todavia, houve uma vez em que não resistimos e fizemos amor, mas utilizámos o preservativo. É possível transmitir o vírus mesmo usando o preservativo?

Carla, Sesimbra

 

 

 

Cara leitora,

O herpes genital é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns e é causada por um vírus. Embora a probabilidade de a sua transmissão usando o preservativo ser reduzida, o contágio do parceiro não está fora de questão, porque durante o contacto sexual (vaginal, anal ou oral) as áreas que se encontram desprotegidas estarão em contacto directo com a pele de ambos. Todavia, para que seja possível a transmissão é necessário que o vírus esteja activo. Os sintomas mais salientes são bolhas, ardor, comichão e dor. É importante ter em conta que este vírus pode voltar a reaparecer no corpo do seu portador, uma vez que o herpes não tem uma cura definitiva. Assim, é essencial ter bastante cuidado na coordenação da vida sexual e seguir escrupulosamente as indicações médicas de forma a salvaguardar o bem-estar de quem é portador do vírus e a integridade física do parceiro. Como curiosidade, informo-a que as mulheres são mais susceptíveis a este tipo de doenças.

“A minha namorada não tem orgasmos…”

 

 

“Tenho uma vida sexual muito activa, no entanto a minha namorada queixa-se que nunca conseguiu atingir o orgasmo. O que posso fazer? Ouvi dizer que existe um sítio na vagina que se chama ponto G e que se eu lá tocar, ela tem orgasmos. Onde fica o ponto G?...”

 

Jorge, Coimbra

 

 

Caro leitor:

O ponto G é uma pequena aglomeração de terminações nervosas e glândulas, situado no nas paredes da vagina. Sendo uma zona particularmente sensível, pode fazer qualquer mulher atingir um grau de excitação muito alto e intenso. A localização exacta não é conhecida, afirmando alguns especialistas que ele só é perceptível quando estimulado. A melhor maneira de o descobrir é colocar por baixo do traseiro da sua companheira uma almofada, estando ela deitada de barriga para baixo sob a cama, ou deixando a sua parceira ficar por cima. Para que a sua namorada atinja o orgasmo, converse com ela sobre o que lhe dá mais prazer e faça o que ela pedir. Descontraiam, e surgirá naturalmente.

 

“O que se passa comigo?!”

 

 “Tenho 28 anos e sou sexualmente activo há 10. No entanto, ultimamente quando tenho relações sexuais não tenho a mesma reacção. Isto aconteceu de momento para o outro, ejaculo muito rapidamente e depois não consigo ter nova erecção. Estou assustado, o que se passa comigo? Sou muito jovem para ter problemas de ejaculação!”

 

João Pedro, Covilhã

 

 

Caro leitor,

Os problemas sexuais podem surgir repentinamente, depois de uma experiência que correu mal e fica marcada na sua memória. A ansiedade de antecipar que pode voltar a acontecer pode levar a que aconteça mesmo, pois está preocupado e menos dedicado a sentir prazer. Por outro lado, outros factores podem influenciar a sua capacidade de ter relações sexuais e a penetração: ter um problema, estar cansado, ter bebido muito álcool. Um médico de família ou um urologista podem ainda pesquisar melhor se haverá causas fisiológicas, através de exames. Como sente que aconteceu de um momento para o outro, o problema deve ter surgido a partir de uma experiência específica: mudar de parceira/o, a situação em que a relação sexual ocorreu trazer-lhe mais ansiedade do que excitação, querer muito agradar à parceira/o, entre muitas outras possíveis. Tente abstrair-se de problemas, relaxar, não partir logo para a penetração mas demorar-se nas carícias, em sentir o corpo da outra pessoa e o prazer e satisfação que lhe pode oferecer, em descobrir as suas zonas erógenas preferidas. Apesar destas sugestões úteis, penso que deveria consultar um especialista, que lhe esclareça esta questão e lhe dê um apoio presencial, pois pode prevenir que este problema continue e o faça sentir-se cada vez pior consigo próprio. Não tenha vergonha, a ejaculação precoce ou prematura é muito frequente em homens de muitas idades e tem tratamento (as nossas consultas podem ser marcadas em 21 318 25 91)!

 

“Os meus orgasmos estão mais fracos!”

“Tenho 67 anos e mantenho-me activo sexualmente, mas a cada dia que passa sinto que os meus orgasmos diminuem de intensidade, e demoro mais tempo a atingi-los. Porque será?”

Manuel, Coimbra

 

Caro Leitor,

O orgasmo consiste na expectativa em sentir prazer e em libertar tensão sexual, e quanto maior essa expectativa, mais intenso o orgasmo. Por vezes essa expectativa diminui devido a vários factores, entre eles o stress, o desinteresse ou o cansaço. Para que os seus orgasmos se tornem mais intensos deve aumentar a expectativa do prazer, ou seja, o desejo em atingir o orgasmo. Experimente masturbar-se utilizando um lubrificante, mas páre uns instantes antes de atingir o orgasmo, espere alguns segundos e recomece a masturbar-se parando novamente quando estiver quase a atingir o orgasmo. Repita esta sequência as vezes que forem necessárias até que a tensão sexual e o desejo de ter o orgasmo se tornem tão fortes que já não consiga parar. Continue a praticar esta técnica e verá que em breve terá orgasmos bastante mais fortes do que os que costumava ter quando era mais novo.  

  

“Só agora sei o que é ter prazer…”

 

“Tenho 50 anos e separei-me do meu marido porque estava farta de ser maltratada e humilhada por ele. Obrigava-me a ter relações sexuais quando eu não queria, e nunca gostei de sexo com ele. Foi difícil recomeçar do zero, mas embora estivesse muito desconfiada conheci um senhor e começámos a envolver-nos. Só agora entendo aquilo que eu nunca tinha vivido, pois pela primeira vez na vida gosto de fazer amor, e queria partilhar a minha história para que outras mulheres saibam que devem acreditar na sua felicidade.”
Mariana, Queluz
Cara Leitora,
Durante muitos anos limitou-se a obedecer e a fazer todo o tipo de vontades ao seu marido, esquecendo-se de si mesma, o que manifesta que estava subjugada à sua prepotência. Deixou de concretizar os seus desejos, entre os quais os sexuais, o que fez com que deixasse de acreditar na felicidade e na possibilidade de obter prazer sexual. O facto de se ter separado do seu marido foi um passo bastante positivo, pois teve a coragem para renegar o comportamento nefasto que ele estava a exercer sobre si. Felizmente, encontrou um companheiro que conseguiu mostrar-lhe que existem coisas positivas e belas numa relação a dois. A amizade, a compreensão e a confiança são fundamentais para o bem-estar do casal. É bom saber que tem uma vida pela frente e que agora poderá desfrutar bons momentos ao lado da pessoa que ama e que demonstra amá-la, também.

 

“A minha mãe estraga-me as relações!”

“Desde quando era criança a minha mãe foi sempre demasiado possessiva e tentou proteger-me ao máximo. Até compreendo que é a forma de me amar, só que tanta protecção já sufoca e está a interferir negativamente na minha vida afectiva. Como devo abordar este assunto com ela? A minha última namorada acabou tudo comigo porque a minha mãe estava sempre a meter-se, agora conheci uma rapariga e não quero que aconteça o mesmo!”
Filipe, Santarém
Caro Leitor,
De facto, por vezes é difícil para os pais deixarem de ver os filhos como crianças e aceitá-los como adultos com vida própria. Perceber a autonomia e independência dos filhos nem sempre é algo fácil de aceitar. Esse problema deve ser resolvido com diálogo porque a sua mãe provavelmente não interfere na sua vida por mal, é algo involuntário, pois sempre esteve habituada a ser responsável e a dar-lhe a protecção que considerava necessária. Não tema conversar com a sua mãe porque talvez aí resida a solução do seu problema. Com calma e serenidade aborde este assunto para que a sua mãe tenha consciência de que cresceu e que é importante que ela tenha mesmo essa noção.

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