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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Sexualidade infantil”

“Estou preocupada com o meu bebé, de apenas 2 anos, porque às vezes apanho-o deitado em cima do travesseiro como se estivesse
num acto sexual, isso também acontece quando ele brinca, anda de triciclo e até mesmo no nosso colo. Nesses momentos eu procuro ver o pénis dele e está sempre durinho, parece que ele sente prazer a fazer isto. Não sei se ele viu alguém a ter sexo mas o que me preocupa é que ele precisa ir para a creche e eu não consegui fazê-lo este ano por medo dele fazer isto na escola. Ele já sabe que é
errado, mas continua. Não sei o que pensar nem o que fazer
...”

 

Paula, Leiria 

 

Cara leitora,

o comportamento do seu filho é perfeitamente normal e não deve ser considerado sexual: ele descobriu o prazer de estimular os seus genitais, mas não associa tal à sexualidade, que ainda desconhece, nem tem fantasias associadas (como acontece na masturbação). A exploração do corpo faz parte do desenvolvimento, tal como pôr o dedo no nariz, e em crianças tão jovens não deve ter qualquer ligação com ter visto alguém a ter comportamentos
sexuais ou qualquer situação de abuso sexual (que nestas idades os leva a ficarem alheados do meio envolvente ou a problemas de sono). Não deve dar demasiada atenção a este comportamento, pois tal levará a que ele o faça também. Não entre em pânico, não há nada com que se preocupar. Se ignorar este comportamento ele irá diminuir por si mesmo; enquanto que se o reprimir, castigar ou se se zangar com ele só aumentará a sua curiosidade com essa parte especial do seu corpo. Arranje outras brincadeiras para substituir a estimulação genital e o distrair quando a está a fazer: com puzzles, brinquedos, jogos - proponha fazê-las naturalmente, sem se mostrar chocada. Se se aperceber que ele o faz para relaxar mostre-lhe outros modos de o fazer, massajando-o, ouvindo músicas calmas com ele. Tente não o fazer sentir que há partes do corpo que são sujas, mas sim que compreenda lentamente o conceito de privacidade e de comportamentos adequados sozinhos e com outros. Ir para uma creche, como deve
compreender agora, é positivo para o seu desenvolvimento social e irá dar-lhe mais actividades para fazer, coisas para aprender e esquecer o prazer dessa brincadeira – não deixe de o fazer e não tenha vergonha do seu filho, ele está a crescer e a descobrir o seu próprio corpo.

“Como posso tê-la de volta?

“Terminei um namoro de quase 6 anos com a mulher que amo, sobretudo devido à minha incapacidade de fazê-la sentir-se desejada. No início da relação tínhamos relações sexuais com bastante frequência, o sexo era muito bom, mas isto durou apenas nos primeiros meses. A partir daí, à medida que íamos ganhando intimidade um com o outro, o desejo foi desaparecendo, cada vez tínhamos menos relações, até que recentemente chegámos a estar 3 ou 4 meses sem as fazer. Acho-a extremamente bonita e atraente, é uma pessoa que atrai a atenção dos outros homens pela suabeleza e sensualidade. A dificuldade para mim está em olhar para ela e vê-la como mulher que é, minha parceira, e desejá-la ao ponto de iniciar a relação sexual. Porque depois de a iniciarmos, normalmente sinto-me bem e o sexo é bom. Ela é uma pessoa com muita libido, e frequentemente tentava que tivéssemos sexo, mas eu sempre arranjava uma desculpa para que tal não acontecesse.Gostava de a recuperar e de mudar… O que posso fazer?

César, Peniche


Caro leitor,

os problemas de desejo sexual que descreve são cada vez mais frequentes, dado o estilo de vida stressante que muitos de nós temos hoje em
dia. Uma das maneiras de os resolver é encontrar alguém que tenha um desejo semelhante ao nosso – a frequência varia muito de pessoa para pessoa e a complementaridade de um casal varia muito ao longo do tempo. O desejo sexual, sendo uma das fases da resposta sexual humana, não é apenas espontâneo, como muita gente pensa. Pode surgir igualmente em resposta a estímulos que a pessoa considere excitantes, bonitos, românticos, adequados. Procure encontrar os seus, pode fazê-lo com a ajuda de um especialista ou pode fazê-lo sozinho e em casal. Não deixe de tentar, pois a sua
tendência para não precisar de ter relações sexuais pode ser “contrariada” pelo hábito e pela aprendizagem de comportamentos sexuais saudáveis e adequados a si, que lhe estimulem uma maior frequência, não só de comportamentos, como de pensamentos e de sentimentos. Leia, veja filmes, procure coisas de cariz sexual para se manter activo e para se estimular, mesmo que não tenha relação. A masturbação é saudável e deve mantê-la na sua rotina. Descubra quais são os estímulos que fazem parte da sua sexualidade e dê largas à sua imaginação. Se sentir que pode ainda beneficiar de terapia sexual. 

“Terei desejo a mais?”

 

“Tenho 18 anos e considero-me um pouco obcecado por sexo. Namoro há 2 anos com uma rapariga que amo muito, temos relações regularmente que me satisfazem bastante, mas por mim eu tinha todos os dias, a toda a hora! Eu penso em sexo todos os dias, e também me excito muito facilmente, o que se torna embaraçoso. O que devo fazer?”

 

 

Pedro,
Aveiro

 

 

Caro leitor,

Na sua idade é natural que se excite facilmente e que tenha erecções espontâneas, mesmo que isso seja embaraçoso em algumas situações. Se andar com roupa larga poderá esconder mais facilmente, mas terá de passar por isso, e é bastante saudável. Sobre a sua obsessão com o sexo, só será considerada um problema se o puser em perigo, procurando ter relações sexuais impulsivas, por exemplo, com desconhecidos ou em lugares
desadequados. Se tem relações regularmente e sente prazer nelas, é natural que pense muito em sexo.  Masturbe-se antes de sair de casa, ou à noite, o que o pode ajudar a controlar melhor o tempo entre as relações que tem com a sua namorada. Lembre-se que o órgão sexual mais importante é o cérebro e, por isso, deve cortejar a sua namorada, sem a pressionar, para que o desejo sexual dela se aproxime do seu. Ser um bom namorado, fazê-la sentir-se amada e respeitada como mulher, é a melhor maneira de a fazer desejar ter sexo consigo. E não se esqueça de fazer sempre sexo seguro, com preservativo, evitando gravidezes indesejadas e infecções sexualmente transmissíveis.

“Gravidez e penetração”

“Tenho 16 anos e como ainda não tive a minha primeira relação, costumo praticar com o meu namorado apenas os "preliminares". No entanto, tenho uma dúvida: ele não colocou o pénis na minha vagina, mas colocou-o na entrada, forçou a entrada mas não ocorreu penetração. Preciso de saber se o líquido que sai antes da ejaculação também pode causar gravidez mesmo sem penetração de facto? Ele não chegou a ejacular e eu estava no meu primeiro dia fértil, por isso tenho muito receio.”

 

Mariana, Matosinhos

 

 

Cara leitora,

O líquido que antecede a ejaculação já tem alguns espermatozóides presentes e o contacto genital desprotegido pode levar a gravidezes indesejadas e à transmissão de infecções sexualmente transmissíveis. Como as probabilidades são menores do que numa relação sexual penetrativa não lhe posso dar uma resposta clara e definitiva. Se a sua menstruação se atrasar faça um teste de gravidez e confirme. Considere ir a uma consulta de planeamento familiar para iniciar uma contracepção eficaz, que lhe permita viver a sua sexualidade com prazer e sem preocupações.

 

“Posso engravidar estando com o período?”

“Fiz amor com o meu namorado no segundo dia do período, na relação sexual nós usámos preservativo, depois continuámos com preliminares mas sem preservativo e o pénis dele esteve próximo da minha vagina, por isso estou com algum receio de poder ter engravidado. Corro esse risco?”

 

Clarissa,
Leiria

 

Cara leitora,

O primeiro dia de menstruação é o primeiro dia do ciclo e a ovulação e o período fértil (o intervalo feito pelos 4-5 dias para trás e para a frente do dia que marca a metade do ciclo menstrual) são calculados a partir daí, mas tendo em conta vários ciclos menstruais – pelo menos 6, que não correspondem necessariamente a 6 meses. Assim, provavelmente o dia em que teve relações sexuais não estava no intervalo do período fértil. Se estivesse e houvesse contacto genital sem protecção, a probabilidade de engravidar aumentava consideravelmente, por isso deve escolher um método contraceptivo que  se adeqúe aos seus comportamentos, como a contracepção hormonal, por exemplo(pode ser em pílula, adesivo, implante, anel vaginal). Aconselho-a a ir a uma consulta de planeamento familiar, que são gratuitas em muitos centros de saúde de Portugal, para esclarecer as suas dúvidas e começar uma contracepção que a deixe descansada e livre para viver o seu prazer!

 

“Não consigo sentir desejo!”

 

“Tenho 25 anos e nunca senti desejo sexual. Namoro há 4 anos com um rapaz que amo, mas desde que começámos a ter relações sexuais que a nossa relação se tornou um tormento. Sinto repulsa, horror e vontade de fugir. Eu sei que tenho um problema, mais diria um bloqueio. Já recorri a uma psicóloga sexóloga, porque na infância sofri de abusos sexuais, mas não ajudou muito, e tenho medo de recorrer a medicamentos porque receio que anulem o efeito da pílula. Preciso da sua ajuda porque estou a perder o meu namorado, ele não compreende o que eu sinto e eu não consigo mudar… o que hei-de fazer”

 

 

Sónia, Bragança

 

Cara leitora,

Há muitas questões a resolver nas dificuldades que demonstra na sua sexualidade. Em primeiro lugar, o trauma de ter sido abusada não é fácil de ultrapassar e tem consequências sérias. Quem inicia a sua vida sexual à força e cedo demais não pode esperar apreciar o sexo em si mesmo sem ajuda especializada e algum esforço. Por isso, aconselho-a a retomar as consultas com a psicóloga sexóloga e a seguir as suas recomendações. Infelizmente, ultrapassar uma situação dolorosa requer ainda muita dor, mas tem o benefício de a fazer sentir-se melhor consigo e na sua sexualidade futura. Não desista, valerá a pena. Dado o que conta, compreende-se como é difícil sentir prazer nas suas relações sexuais…e quem sente pouco prazer não sente o desejo a aumentar. Repare como isto aconteceu desde que começaram a fazer amor, pois antes a vossa relação não estava associada a sexo. Saiba que o desejo feminino é difícil de tratar com medicamentos…terá de ser com a sua imaginação e criatividade. Não se “obrigue” à penetração vaginal,
explore outras opções menos invasivas para si, que lhe aumentem o prazer sem a pressionar: pode ser desde massagens eróticas, a banhos de imersão em conjunto, a conversas sobre fantasias sem se tocarem… Invente à vontade a sua forma de se excitar e gostar de sexo! Por fim, aconselho que tente voltar à terapia, pois pode ser uma grande ajuda. Compreendo que custe e que os seus efeitos positivos levem tempo a sentir-se, mas é um passo
que a pode ajudar em muito nestas questões.

“A incontinência urinária tem cura?…”

“Depois de ter tido o meu filho mais novo, há 5 anos atrás, comecei a perder urina durante as minhas actividades do dia-a-dia. Passei a consultar médicos porque comecei a achar que não era normal e entretanto foi-me diagnosticada incontinência urinária. Será que a minha situação tem solução?”

Vanessa, Montemor-o-Novo

Cara Leitora,

A perda involuntária de urina, chamada incontinência urinária, é uma condição que atinge muitas mulheres após o parto e que pode ser causada também por efeitos secundários de medicação, problemas neurológicos, doenças da bexiga, problemas na próstata ou uretra, tratamento de tumores e problemas ginecológicos. No seu caso parece estar directamente relacionada com uma lesão causada pelo parto. Assim sendo, é importante que procure a ajuda de um especialista nesta área, pois a incontinência é uma doença que nos dias de hoje tem cura em grande parte dos casos. A incontinência pode ser tratada por via oral com o auxílio de medicamentos, através da intervenção cirúrgica e, também, através de exercícios da musculatura pélvica.

“Não quero que o meu filho sofra!”

“Sou divorciada, tenho 45 anos e um filho com 20. Considero-me uma pessoa de mente aberta e de bem com a vida, e sempre tive uma relação muito próxima com o meu filho, ele sempre falou comigo acerca de tudo. Sempre conheci bem os seus amigos, mas o problema é que recentemente apaixonei-me e acabei mesmo por me envolver sexualmente com um amigo do meu filho, que é 20 anos mais novo
do que eu. O que devo fazer? Embora me sinta apaixonada não quero que o meu filho sofra!”

 

Mariana, Lisboa

Cara leitora,

As relações entre pessoas com uma grande diferença de idades são mais comuns do que imagina, bem como os receios que sente em assumir um relacionamento com um rapaz 20 anos mais novo. A nossa sociedade faz ainda muitos juízos de valor acerca desse tipo de relações, por isso seja cautelosa e veja se realmente quer fazer-se a si e ao seu filho passar por uma situação dessas. Se acha que esse relacionamento é apenas uma paixão passageira, não vale a pena assumi-la e meter a sua família ao barulho. No entanto, se acha que realmente quer fazer vida com esse rapaz, aí então, mais cedo ou mais tarde vai ter de enfrentar tanto o seu filho, como a família do outro rapaz e a sociedade em geral.

Tive um ataque de loucura e masturbei-me no elevador do meu prédio

 

“Após ter estado com o meu namorado e de ele me ter levado até à porta do prédio onde vivo, tive um súbito acesso de loucura
e não resisti a masturbar-me no elevador. Serei normal?”

 

 Cristina, Viana do Castelo

 

Cara Leitora,

O facto de se ter masturbado num local de passagem como o elevador do prédio onde vive, e onde pode ser surpreendida pelos seus vizinhos, acarreta alguns riscos que deve ter em atenção. No entanto, se o acto da masturbação for realizado de forma equilibrada, é algo altamente saudável pois permite a satisfação e o bem-estar pessoal. Deste modo, se este acto for realizado de forma ponderada, a masturbação não deve ser encarada como algo anormal. Alguns teóricos são da opinião de que a satisfação ao nível sexual se reflecte inevitavelmente na vida emocional, profissional e social. Desta forma, se a masturbação for encarada de uma forma positiva e responsável poderá trazer repercussões positivas para o indivíduo.

“Não tenho vontade de me satisfazer”

“Não tive qualquer tipo de relação sexual depois de me divorciar do meu ex-marido, há um ano, e nem sequer tenho vontade de me satisfazer sexualmente. Será que há algo de errado comigo?”

Paula, Coimbra

Cara Leitora,

O facto de não ter relações sexuais e de não lhe apetecer satisfazer-se através da masturbação não é motivo para se preocupar. Deve fazê-lo apenas se e quando se sentir estimulada para tal. Não se deve sentir diferente ou menos “normal”, pois tudo decorre dentro da normalidade. Há muitas pessoas que julgam que não ter uma vida sexual activa é um motivo para preocupações, e que é prejudicial à saúde, mas tais pensamentos estão completamente errados. Não entre em pânico e tente levar a sua vida de uma forma normal. É claro que, como se sente emocionalmente abalada devido ao divórcio, o seu apetite sexual está mais reduzido. Neste sentido, dê tempo ao tempo e quando tiver a sua vida amorosa reestruturada verá que, com toda a certeza,
irá recuperar o interesse sexual.