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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“A mulher está no seu auge aos 30?”

“Tenho 31 anos e sempre ouvi dizer que a mulher atinge o seu apogeu sexual aos 30, mas não noto grandes diferenças, embora sinta que penso agora mais em sexo do que pensei antes.”

Ana, Setúbal

Cara leitora,

A ideia mais ou menos generalizada de que a mulher atinge o seu pico sexual aos 30 deriva dos estudos feitos pelo investigador Alfred Kinsey, que mostrou que na faixa etária dos 30 anos as mulheres tinham, de um modo geral, mais orgasmos do que no resto da sua vida. Não existe um “pico” específico no que diz respeito à satisfação sexual, pois as pessoas mudam e assumem diferentes respostas sexuais, desejos e intimidade ao longo de todas as etapas na sua vida. De acordo com os estudos efectuados por Kinsey, aos trinta a mulher vive a sua sexualidade mais intensamente porque conhece melhor o seu corpo e sente-se mais confortável com ele do que quando é mais jovem. Este conhecimento íntimo potencia o prazer e facilita o orgasmo, quer seja através da penetração, da estimulação clitoriana, dos preliminares, do sexo oral ou de quaisquer outras actividades sexuais. Por outro lado, aos 30 as mulheres estão também geralmente mais confiantes em relação a si próprias, pois já conquistaram o sucesso noutras áreas da sua vida, e essa auto-confiança reforça o seu ego.

“Tenho a fantasia de ser violada…”

“Tenho 26 anos e sou virgem. Penso muitas vezes no que será estar com um homem, pois nunca tive um relacionamento. No entanto, por vezes tenho fantasias violentas, em que acabo por ser violada, e isso excita-me imenso. Tenho um bocado de receio desta fantasia, tenho medo de me envolver com alguém que acabe por ser agressivo para mim. Por vezes penso que o melhor era ficar sozinha para o resto da vida, mas ao mesmo tempo gostava de ser amada e acarinhada. Nem sei o que pensar…”

Sónia, Évora

Cara leitora,

Deve ser assustador ter esses pensamentos recorrentes que associam a intimidade à violência, mas é bastante corajoso da sua parte admiti-lo, pois são fantasias mais comuns do que supõe. Há muitas pessoas que têm receios sexuais que interferem com a sua capacidade de relacionamento íntimo com os outros, mas é importante encontrar as raízes deste tipo de comportamento para poder ultrapassá-lo. Mesmo que não tido a experiência passada de uma violação, poderá ter assistido a algo que a marcou profundamente, possivelmente quando era ainda muito pequena para processar conscientemente a informação a que assistiu, o que lhe provocou medos, talvez inconscientes. Por outro lado, há pessoas que nunca vivenciaram nada relacionado com violência sexual, mas por tanto medo dela acabam por não conseguir tirar essa ideia da cabeça. Se fizer o exercício de não querer pensar numa laranja, verá que a sua mente faz com que ela não lhe saia do pensamento. Quanto mais reprimimos algo, mais presente se torna. Seja qual for o seu caso, é aconselhável procurar um psicólogo que a ajude a desmistificar este receio que tem, para que seja capaz de abrir o seu coração para o amor sincero e para partilhar a sua intimidade com outra pessoa.

“Como falar de sexo com as minhas filhas?”

“Tenho três filhas pequenas, com 3, 6 e 8 anos, e acho que está na altura de começar a falar com elas sobre algumas questões sexuais.
A minha mãe nunca teve esse tipo de conversa comigo e não sei por onde devo começar, mas quero fazê-lo porque em criança fui molestada e não quero que as minhas filhas passem pelo mesmo. Como a minha mãe nunca acreditou em mim quando lhe disse que fui molestada, quero que as minhas filhas saibam e sintam que podem confiar em mim. No entanto, eu própria sou bastante tímida em relação a estes assuntos, por isso gostava de saber como abordar o tema, e o que devo ensinar a cada uma delas, de acordo com as idades que têm.”

 

Lizete, Porto

 

 

 Cara leitora,

Há muitos pais e mães que, tal como você, não se sentem à vontade ao conversar com os filhos sobre sexualidade, mas a atitude de desejar fazê-lo é já um passo muito importante e positivo. Alguns pais têm receio de dar demasiada informação ou de abordarem estes assuntos cedo demais. Outros temem que se não conversarem com os filhos atempadamente eles iniciarão a sua vida sexual sem que os pais tenham conhecimento. Não se preocupe, pois você e as suas filhas encontrarão juntas uma dinâmica própria que vos permitirá esclarecer estes assuntos. Em vez de ter uma “conversa séria” com elas, opte por ir falando aos poucos, de forma natural e informal, para criar com elas um diálogo de confiança mútua. Na verdade, a educação sexual já começou, mesmo sem se aperceber: ao abraçar e mimar as suas filhas ensina-lhes a importância do toque amoroso, ensinou-lhes
também a lavar os órgãos genitais para não apanhar doenças, e possivelmente até já discutiu com elas as relações que estabelecem com cada membro da família e do círculo de amigos. Pense naquilo que lhes quer transmite, reforce a ideia de que está ao lado delas e que podem confiar em si em qualquer situação. Ensine-lhes que tipo de toque é bom ou mau, para que elas possam identificar uma situação perigosa, e lembre-as que o seu corpo é uma pertença individual de cada uma delas. Pergunte a cada uma delas de que forma a vêem a si expressar afecto por cada pessoa que vos é próxima, para que possam compreender as fronteiras do respeito. A forma como fala com a sua filha de três anos será diferente da abordagem com as suas filhas mais velhas, mas a mensagem veiculada pode ser substancialmente a mesma. Ensine a cada uma delas o nome das partes do corpo, incluindo o peito e a vulva, e às mais velhas pode explicar o que fazem cada uma delas. Também pode sentir-se mais confortável ao ler com as suas filhas livros que abordem a sexualidade explicada Às crianças de diferentes faixas etárias. Acima de tudo, lembre-se que este diálogo é um elo a ser construído diariamente, ao longo do resto da vida. Não fique ansiosa, deixe que a comunicação se faça de forma espontânea e gradual.

“Ele acha que estou velha”

“Tenho 65 anos, sou casada há 35 anos, tenho uma relação estável, mas a nível sexual neste momento as coisas estão complicadas. Já não fazemos amor há vários meses, o meu companheiro acha que estou velha e que não poderei proporcionar-lhe prazer. Também tenho dúvidas se sou capaz, mas desejo-o muito.”

 

Maria, Santarém

 

Cara Leitora,

 

As suas dúvidas são legítimas pelo que não as deve recear, mas lembre-se que todas as pessoas, independentemente do seu sexo, estado civil ou idade, têm direito a uma sexualidade que as satisfaça, não só em termos físicos como também emocionais. Uma das ideias mais comuns na nossa sociedade é a de que as pessoas idosas não têm vida sexual, o que é uma ideia completamente errada. Este tipo de mentalidade faz com que, socialmente, não seja esperado que um idoso tenha o desejo de ter relações sexuais e ainda menos que demonstre esse desejo. Chega a considerar-se que é errado que os idosos assumam os seus interesses sexuais, mas tal é apenas preconceituosos e não corresponde à realidade. O envelhecimento não implica o desaparecimento da sexualidade, o que pode existir é uma evolução na maneira de estar e de viver a sexualidade. Por isso, fale abertamente com o seu marido e explique-lhe que o deseja como antes e mantém o mesmo interesse nele e na relação a dois. Procurem encontrar formas em conjunto de partilharem a sexualidade, talvez de forma diferente, mas não necessariamente menos satisfatória.

“Os meus colegas dizem que eu sou doente…”

“Tenho 25 anos e desde sempre me assumi como lésbica, não tendo dificuldades em lidar com isso, no entanto, ultimamente num novo trabalho sou vista como doente. A homossexualidade pode, efectivamente, ser vista como uma doença?”

 

Marta, Faro

 

Cara Leitora,

 

Antes de mais quero dar-lhe os parabéns pela coragem que tem em assumir a sua orientação sexual. Considero que seria importante em primeiro lugar reflectir se são os outros que a vêm como doente, ou, se pelo contrário, a leitora acha que os outros a vêem dessa forma. Se de facto algum dos seus colegas a insultou dessa forma, então a leitora tem de fazê-los entender que a homossexualidade não é uma doença. A homossexualidade não implica qualquer deterioração no discernimento, estabilidade, fiabilidade ou nas capacidades vocacional ou social, pelo que a leitora não é uma pessoa doente. A homossexualidade, por si só, não promove a anormalidade psicológica e isso sim é importante ter em mente. Não dê tanta importância ao que os outros lhe dizem e não deixe, principalmente, que isto abale a sua estabilidade emocional.

“Ele magoa-me o peito!”

“O meu marido quando está verdadeiramente excitado aperta-me o peito, o que me magoa bastante. O que devo fazer? Tenho medo que ele não me entenda se eu me queixar…”

 

Susana, Évora

 

Cara Leitora,

Há certos pontos do corpo tanto dos homens como das mulheres que são muito sensíveis. Assim, a forma como se proporciona o toque é bastante importante porque, muitas vezes, dá-se o caso de se magoar o parceiro sem ter a noção disso. Assim sendo, não perca tempo e alerte o seu marido para esse facto. Possivelmente, com os estímulos e o impulso sexual ele nem sequer tem a noção da força que utiliza para apertar os seus seios. Não receie falar, pois quanto mais adiar essa conversa mais dores e desconforto irá sentir porque o seu marido age com naturalidade, sem se aperceber do incómodo que lhe está a causar. Os seios para muitas mulheres funcionam como um óptimo local para proporcionar o estímulo sexual e conduzir à excitação. Porém, há um facto extremamente importante que é saber acarinhar sem magoar. Se por acaso, lhe agrada ser estimulada através do toque nos seios converse com o seu marido para que ele modere a força. Existe sempre um ponto de equilíbrio e adoptando uma postura sincera poderá resolver esta questão.

“Digo-lhe que tenho sono…”

“Tenho 38 anos e sou casada. Não sei porque é que isto acontece, mas há mais ou menos 2 anos que deixei de ter vontade de ter relações sexuais com o meu marido. Finjo dores de cabeça ou que tenho sono, evitando a todo o custo, mas continuo a amá-lo como antes. Preciso de resolver esta situação, mas não sei como.”

 

Carla, Viseu

 

Cara Leitora,

 

A inibição de desejo feminino ou apatia sexual é um transtorno muito mais comum do que podemos imaginar, atinge tanto mulheres casadas, como solteiras, sem distinção de idade ou classe social, por isso não se sinta única na vivência desta situação. São vários os factores que podem contribuir para a diminuição do desejo sexual, nomeadamente uma depressão, estados de ansiedade, gravidez, o nascimento de uma nova criança e doenças crónicas tais como o cancro. Faça uma análise dos últimos dois anos da sua vida e tente identificar o factor que possa ter causado o seu desinteresse sexual. A melhor forma de resolver esse problema deve ser encontrada por si e pelo seu marido, através de uma conversa franca e aberta, partilhando emoções e sentimentos. Explique ao seu companheiro o que sente, transmitindo-lhe as suas dúvidas mas também o amor que sente por ele e a vontade de resolver toda esta situação. Deve em conjunto com o seu companheiro percorrer uma longa caminhada, tendo em vista a melhoria da relação e satisfação conjugal. Se acharem importante, poderão também recorrer a um terapeuta sexual, que vai funcionar como um educador e facilitador de todo o processo de melhoria.

“Ele não me estimula o suficiente”

“Tenho uma relação estável há 3 anos, mas a nível sexual não nos damos tão bem quanto eu gostaria. Tenho muitas dificuldades em atingir o orgasmo com o meu namorado. Acho que ele não me estimula o suficiente, pois sinto mais prazer com a masturbação.”

 

Ivone, Setúbal

 

Cara Leitora,

Pelo que o seu discurso transparece, o que existe entre vocês é precisamente falta de comunicação e de diálogo. Se a leitora consegue alcançar o clímax sozinha recorrendo à masturbação, isso quer dizer que consegue atingir o orgasmo se for bem estimulada. Neste sentido, enquanto casal devem ver o processo sexual como uma aprendizagem, onde cada um deve dar a conhecer ao parceiro os seus pontos mais sensíveis e que servem como porta à satisfação. Não se iniba e mostre ao seu namorado os pontos que devem ser devidamente estimulados. Se não mostrar ao seu namorado onde, de facto, reside a sua sensibilidade, provavelmente terá que recorrer muito mais vezes à masturbação para atingir o prazer que deseja. Talvez esse problema possa ser resolvido rapidamente com uma pequena conversa, onde entendam que a sexualidade é algo em que é importante dar e receber e é imprescindível ter o conhecimento do corpo do parceiro. Esta envolvência e cumplicidade são importantes para o bem-estar sexual do casal.

“Será que é possível reconhecerem que sou homossexual?”

Sou homossexual há algum tempo, nunca escondi isso de ninguém, no entanto, há algum tempo coloca-se uma questão que não tem saído da minha cabeça: Será possível ao olharem para mim descobrirem que sou homossexual?”

 

Nuno, Espinho

 

Caro Leitor,

 

A maioria das pessoas nunca pensa que as pessoas que conhecem podem ser homossexuais, assumindo logo à partida que todas as pessoas são heterossexuais. Além disso, as pessoas pensam que têm uma imagem nítida e claramente definida de como é a aparência dos homossexuais, acham que todos os homossexuais são efeminados. Trata-se de uma opinião generalizada, mas que não corresponde de todo à realidade. A maioria dos homossexuais tem a mesma aparência e agem tal e qual como as pessoas heterossexuais. As pessoas com “maneirismos”, os ditos “efeminados” são uma minoria entre os homossexuais, por isso não se preocupe com essa questão. Se este é um factor que o incomoda assim tanto, experimente perguntar a opinião sincera de alguns dos seus amigos mais próximos, pois as pessoas que o conhecem bem poderão responder à sua pergunta. No entanto, é importante concentrar-se em si, no seu sentir e na forma saudável como vive a sua orientação sexual, tentando retirar dessa opção o maior prazer e gratificação possível, tendo em vista o equilíbrio emocional.

“Não a deixo chegar ao orgasmo!”

“Sempre tive uma vida sexual muito activa, mas de há algum tempo para cá durante o acto sexual com a minha companheira ejaculo precocemente, impedindo-a de atingir o orgasmo. Sinto que isso está a prejudicar a relação mas não sei como proceder, pois não sou capaz de evitar que isso aconteça.”

 

Marco, Funchal

Caro Leitor,
Em primeiro lugar deixe-me felicitá-lo pela coragem e pela identificação da situação que está a vivenciar, o que só irá facilitar a rápida resolução da mesma e um adequado diagnóstico. É importante perceber o que mudou na sua vida, o que o torna agora incapaz de exercer um controlo eficaz sobre o tempo de obtenção do orgasmo e assim impedir a vivência a dois dos momentos de prazer. Este aspecto é fundamental para o diagnóstico adequado dado que esta situação poderá ser apenas decorrente de um período, mais ou menos difícil, que está a viver e que condiciona o seu desempenho sexual. Se assim o for, a solução passa pela procura da causa da ansiedade, que o impede de dar o seu melhor durante o acto sexual. Mas se tal assim não for, seria aconselhável consultar um especialista para lhe transmitir alguma confiança e ajudá-lo nesta tarefa. No entanto, lembre-se que se trata de uma situação muito frequente entre casais, para a qual já existe tratamento, tais como a técnica Squeeze na qual o leitor deve fazer uma pausa quando sentir que está prestes a ejacular e deve apertar a base do pénis com o dedo polegar e indicador durante 5 segundos antes de recomeçar a relação sexual.