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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Tema de hoje: Orgasmos

Estou namorando há quatro meses, e apesar de sentir sensações maravilhosas quando estou com ele não consigo ter um orgasmos...aliás acho que só tive uma vez há muito tempo...mas é muito gostoso ter relações sexuais e sinto que chego muito perto do orgasmo...mas ele colocou uma pressão em mim que não consigo lidar, a obrigação de gozar, que se não conseguir me fazer ter um orgasmo vai me deixar, porque acha que o problema é com ele...que eu devia ter normalmente com outros...preciso de ajuda, até já pensei em aprender a fingir um orgasmo.
 
 
 
 
 
Cara leitora,
 
Apesar de se falar muito dos orgasmos da mulher, a verdade é que há um grupo de mulheres que não sente orgasmos, apesar de gostar de ter relações sexuais. Não posso afirmar se este será o seu caso, mas é positivo ler que gosta de ter relações sexuais e que se sente muito excitada – é por isso que a sexualidade e as relações valem a pena e nos dão satisfação, independentemente do final e dos orgasmos.
Saiba que a maioria das mulheres não atinge o orgasmo através da penetração vaginal. A estimulação oral e manual do clítoris são outras maneiras que pode experimentar para ver se consegue atingir o orgasmo. Tente descobrir sozinha, na masturbação, se consegue sentir orgasmos e depois tente mostrar ao seu parceiro ou partilhe com ele, com calma e algum jogo erótico o que gostava que ele lhe fizesse.
Muitas vezes o que acontece é o casal ter dificuldades em exprimir o que dá mais prazer aos dois e cada pessoa varia muito, mesmo ao longo da vida. A pressão que refere sentir não ajuda a atingir o orgasmo, mas sim fá-la ficar mais nervosa e a sentir menos o prazer. Tem de falar disto com ele, para que o vosso prazer não saia prejudicado. Não me parece que fingir seja uma boa solução, pois se ele vier a descobrir vai sentir-se traído e pode até afastar-se ainda mais de si. A comunicação sincera e a abertura sobre o que sente são melhores opções de resolução da dificuldade que está a sentir.
Tente não estar preocupada com isso durante as relações sexuais e deixar-se levar a sentir o prazer delas… A intimidade e as sensações físicas são mais importantes do que a satisfação final que pode tirar do sexo. Se pensa que este facto a está a prejudicar muito na relação, então procure ajuda especializada da sexologia, para mais conselhos úteis para descobrir a sua sexualidade.

Pílula e Preservativo

Tenho uma pequena dúvida relacionada com gravidez. Eu faço contracepção e o meu namorado usa quase sempre preservativo. Acabei a caixa da pílula no domingo e a minha menstruação costuma vir na quarta feira seguinte e dura 4 a 5 dias.

Mas uma colega minha engravidou e disse que a sua menstruação veio normalmente ate ao 4º mês.Tenho medo de engravidar ou até mesmo de estar grávida... Será possível continuar a menstruar normalmente e estar grávida?
 

 

Alexia

 

Cara Alexia,
 
Como toma anticoncepcional e utiliza preservativo NÃO tem razões para se preocupar. Tem de fazer as tomas cuidadosamente: à mesma hora diariamente, não tomar medicamentos sem confirmar se interferem com a pílula, se vomitar ou tiver diarreias use sempre o preservativo. Reveja a colocação correcta do preservativo (http://consultoriosexologia.blogs.sapo.pt/tag/coloca%C3%A7%C3%A3o+correcta+preservativo) e não se preocupe demasiado com a gravidez indesejada, pois tal irá prejudicar o seu prazer com a sua sexualidade.
Em resposta à sua questão: é possível ter ligeiras perdas de sangue e já estar grávida, mas é muito raro e haverá outros sintomas da gravidez que a alertarão para a possibilidade de gravidez (seios sensíveis, apetite alterado, sono); por isso não deve dar demasiada importância a tal.
Repare que para calcular o seu período fértil não importa quantos dias tem de menstruação, mas sim o primeiro dia, para saber quantos dias dura é o seu ciclo. Anote durante uns meses num calendário ou numa agenda e faça as contas de quando será o seu intervalo fértil. Neste site pode fazer facilmente as contas: www.sexualidades.com
Poderá utilizar sempre preservativo nesses dias, para ficar mais segura. A protecção dupla (contracepção hormonal e preservativo) é extremamente eficaz e deve deixá-la segura e livre para sentir o prazer.

Tema de hoje: virgindade

Bettina Rheims

 

Olá! Tenho 17 anos e comecei a ter relações sexuais aos 15, mas nunca contei nada à minha mae. Agora tive coragem de lhe contar que perdi a virgindade, só que lhe disse que foi há 2 meses atrás, pois fiquei com medo do que fosse pensar sobre mim, agora ela quer que eu vá ao ginecologista, mas tenho medo que ele descubra quando perdi a virgindade! Será que ele/ela consegue descobrir quando perdi a virgindade??
Por favor ajudem-me..
 
É de felicitar a coragem que teve em partilhar com a sua mãe que iniciou a sua vida sexual, e para ser sincera a sua mãe não deve estar muito procupada com “quando” você iniciou a sua vida sexual, mas apenas com o facto de que você é sexualmente activa e, por isso, quer que o faça de forma segura e saudável, e daí ela insistir numa consulta de Ginecologia. Por isso vá à consulta e não se preocupe, pois não existe nenhuma forma de o seu ginecologista descobrir quando iniciou a sua vida sexual. Uma vez que tem sido sexualmente activa durante os últimos dois anos é defiitivamente aconselhável que consulte um ginecologista e que faça todos os testes de rotina, bem como que inicie alguma forma de contracepção.

Sexo contribui para uma vida mais saudável

Estudos indicam que o sexo contribui para uma vida mais saudável e até actua como
'medicamento' preventivo em certas situações. De que forma e em que aspectos
isto pode ser verificado?

 

A sexualidade é uma dimensão muito importante da vida dos humanos, ainda mais hoje em dia, em que a sociedade está muito "sexualizada".
Os estímulos sexuais chegam-nos de toda a parte e por qualquer coisa. Nunca se falou e mostrou tanto sexo na história. No entanto, tal não significa mais informação adequada e sempre correcta. Provavelmente há tantos mitos e tabus como antes.  

O que constitui uma vida saudável depende muito de cada pessoa, mas para a maior parte de nós certamente que a sexualidade (e o sexo é apenas uma parte dela!) é uma fatia relevante do
bolo. Os afectos entre as pessoas, as relações familiares e íntimas, os contactos físicos e de proximidade são necessidades e factores de boa saúde mental e qualidade de vida no geral, que fazem parte da nossa sexualidade enquanto seres humanos. Pode prevenir-se assim a depressão e a ansiedade, o isolamento social e a solidão, as somatizações que alguns de nós têm (sintomas
físicos - como dores de cabeça, de costas ou outros - que reflectem problemas inconscientes de foro psicológico) e mesmo doenças que surgem a longo prazo na vida e que uma satisfação e qualidade de vida podem retardar o seu aparecimento.

Ao nível do sexo propriamente dito, das relações sexuais, o provérbio popular responde bem:
"A função faz o órgão" – ter ao longo dos anos uma vida sexual saudável e satisfatória previne o
aparecimento de disfunções sexuais como a disfunção eréctil (a impotência como se dizia antes), a falta de desejo ou libido, as dificuldades de excitação e de atingir o orgasmo. Desde que seja sexo seguro, protegido pelo preservativo e seguido medicamente pelo menos uma vez por ano (para avaliar possíveis infecções sexualmente transmissíveis, células pré-cancerígenas, fazer o
acompanhamento da contracepção utilizada, etc.) é saudável e muito desejável para o corpo e a mente terem uma vida sexual activa e feliz.

 

“Quais os sintomas da menopausa?”


(…) Tenho quarenta e dois anos e estou muito perto da menopausa devido à idade
que possuo. Consequentemente, gostaria de ficar mais e melhor elucidada sobre
este assunto.”

Margarida, Loulé

Cara leitora,

Existe uma diferença entre a menopausa e o climatério. A menopausa
trata-se da última menstruação e o climatério é a fase em que a mulher passa do
período fértil para o infértil, onde existe uma diminuição significativa da
produção das hormonas sexuais. Nesta nova etapa da vida da mulher, os ovários
deixam de funcionar, quebrando, então, as menstruações. Esta redução a nível
hormonal pode provocar algumas alterações físicas e psicológicas, por vezes
condicionando a sua vida afectiva e social. Os sintomas mais comuns são as
sensações de calor que causam um certo desconforto, alterações urogenitais
causadas pela falta de estrogénio, diferentes formas de encarar a sexualidade
(falta de desejo), variações súbitas de humor (ansiedade, depressão, fadiga,
insónia, falta de memória), problemas ósseos e doenças cardiovasculares.

Porém, de forma a melhorar a qualidade de vida das mulheres já é
possível a realização de tratamentos hormonais que têm como objectivo repor os
níveis de estrogénio. Este tipo de tratamento nunca deve ser feito sem
supervisão médica e deve ser contínuo, pois a sua paragem pode trazer
consequências nefastas para o funcionamento do organismo.

"Gosto de me masturbar"

"Acabei de fazer 18 anos, neste momento não ando com ninguém, mas mesmo assim sinto muito desejo e gosto de me masturbar frequentemente. É normal? "

 

Ana Patrícia, Covilhã

 

Cara Leitora,

Claro que é normal… ainda para mais aos 18 anos! A masturbação é um comportamento saudável praticado por indivíduos de todas as idades. Infelizmente ainda é um tabu para muitas mulheres, quando na verdade ajuda imenso a mulher a descobrir-se, e a perceber do que gosta a nível sexual. A masturbação ainda é também um tabú para algumas religiões, pois estas encaram a sexualidade só como um acto meramente reprodutor. Não se preocupe, explore o seu corpo e faça novas descobertas nessa viajem maravilhosa. 

Tema de hoje: fantasias

 

 

 

Ter fantasias sexuais é bastante saudável, no entanto quando a imaginação sexual é muito fértil, e as pessoas querem experimentar práticas sexuais alternativas, tais como o Sado-masoquismo, há que tentar estabelecer limites e regras. As regras dos jogos sexuais têm de ser acordadas por ambos para que, chegando a um determinado limite, o jogo acabe sem que haja dor. Nos jogos sexuais sado-masoquistas a excitação é conseguida através de técnicas sexuais com princípios que são por muitos considerados cruéis, pois podem aparentemente acarretar alguma dor. Pode-se considerar este tipo de jogos como fazendo parte do chamado Sadismo, no qual a pessoa que controla o jogo sexual tem prazer através do controle do parceiro. No entanto, nos jogos Sadomasoquistas a cada sádico corresponde um submisso, o masoquista, e é necessário existir por parte de ambos um acordo. É necessário que tenham atenção aos instrumentos utilizados, para que os actos não provoquem demasiada dor ou danos. Por isso, o casal deve escolher uma palavra-chave, e quando esta é dita por algum dos membros do casal o jogo erótico deve ser imediatamente interrompido.

 

O meu marido masturba-se com muita regularidade

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"Sou casada há quase 15 anos e há pouco tempo descobri que o meu marido se masturba com muita regularidade. Temos uma vida sexual ativa e, mesmo assim, o meu companheiro sente a necessidade de se masturbar. Será que eu não chego para o satisfazer?"

Teresa Paixão - Lagoa

 

Cara leitora,

Grande maioria dos homens pratica a masturbação com alguma frequência, mesmo quando tem parceira. Por isso, o facto do seu marido se masturbar, não significa que não esteja satisfeito com a vossa vida sexual, mas provavelmente acontece pela simples razão de que ele sempre se masturbou desde a adolescência. A masturbação é algo que faz parte da sexualidade masculina e feminina, independentemente da pessoa ter um parceiro ou não. A maioria dos homens pratica a masturbação durante toda a sua vida, mas quando estão numa relação, fazem-no menos frequentemente. Não deixe que esta descoberta seja uma fonte de desacordo entre ambos, aproveite a oportunidade para conversar com ele sobre o assunto. Fale-lhe sobre os seus receios e, mais importante, as suas necessidades, o que vai ser bastante benéfico para a vossa relação.

“A vasectomia vai prejudicar o meu desempenho sexual?”

 

“Tenho 45 anos e o meu médico aconselhou-me a fazer uma vasectomia. Eu e a minha esposa temos algum receio de que a pílula falhe e não evite uma gravidez, pois com esta idade seria uma gravidez de risco. Também não queremos que ela seja sujeita a uma intervenção cirúrgica mais dolorosa e penosa. Será que depois de fazer uma vasectomia não conseguirei ter o mesmo desempenho como actualmente?”

 

Ricardo, Bragança

 

 

 

Caro Leitor

 

 

A vasectomia é uma pequena cirurgia para a esterilidade planeada, não significa impotência. A vasectomia é, na realidade, uma pequena cirurgia, que demora cerca de 20 a 30 minutos e é feita com anestesia local, para que não haja dor. Na cirurgia executam-se dois pequenos cortes no escroto de forma a cortar o canal, conhecido como canal deferente, de cada um dos lados e atar as extremidades. Muitos indivíduos do sexo masculino optam por este tipo de cirurgia para que a parceira não seja submetida a uma cirurgia muito maior e muito mais séria, chamada esterilização feminina.

Isto significa que, embora os espermatozóides continuem a ser produzidos nos testículos, já não conseguem percorrer o caminho até ao pénis. No entanto, não se verifica nenhuma alteração no desempenho sexual, nem tão pouco a perda do desejo sexual.

Qualquer indivíduo que seja submetido a uma vasectomia continua a ter ejaculação, tal como antes e inclusivamente, o sémen parece exactamente igual.

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