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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

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Profª Drª Helena Barroqueiro

“O que são as “palavras de segurança”?”

23 Safe Words For Sex That People Use When Things Get Heated With Their  Partner

Houvi falar de práticas sexuais nas quais as pessoas utilizam uma palavra de segurança, mas nao entendo do que se trata. Pode esclarecer-me?

Ana, Matosinhos

Cara Leitora,

Nas práticas sado-masoquistas são previamente combinadas “palavras de segurança”, que sinalizam o momento em que o(a) dominador(a) tem de parar, pois o submisso(a) não quer avançar na brincadeira. Estas palavras devem estar fora do contexto, pois dizer “Pára!” ou “Não, não!” pode, contrariamente, ser excitante para o jogo, sendo um incentivo para o dominador continuar. Assim, podem escolher uma palavra como “amarelo” ou “vermelho” como palavras de segurança, ditas pela pessoa que está a submeter-se quando deseja abrandar a intensidade das práticas ou parar porque chegou ao seu limite.

“Tenho medo da penetração”

“Tenho 31 anos, e nunca tive uma vida sexual muito activa. Na minha última relação, apesar de amar o meu companheiro, não conseguia satisfazê-lo porque tinha muito medo de ser penetrada. Sinto muitas dores, mas acho que é um problema psicológico, porque não consigo relaxar. Isto está-me a prejudicar bastante, iniciei recentemente um relacionamento mas parece que tenho trauma de ter relações, envolvo-me bastante e tenho desejo de continuar mas de repente (parece que se passa algo) páro e o meu companheiro não entende porque faço isso. Acho que é um problema que não consigo resolver. Gostava que me indicasse se devo procurar ajuda clínica ou psicológica.

Teresa, Guimarães

Cara leitora,

O seu caso pode tratar-se de uma perturbação sexual feminina, mas tal diagnóstico só pode ser feito numa consulta presencial e com avaliação fisiológica médica e sexológica. Existem duas perturbações sexuais femininas da dor: o vaginismo e a dispareunia. Estes problemas acontecem a muitas mulheres, e não deve deixar de tentar viver a sua sexualidade por isto lhe acontecer nem sentir-se culpada. Deve procurar ajuda especializada para esclarecer se as suas dificuldades são psicológicas ou fisiológicas e reflectir sobre um tratamento adequado. Entretanto pode explorar com o seu novo companheiro outras formas de ter relações sexuais, não só através da penetração… Explorem as massagens, as carícias, a masturbação mútua (pode começar sozinha para descobrir como gosta de ser tocada e o que lhe dá mais prazer), o sexo oral, os brinquedos eróticos… Usem a vossa imaginação para reinventarem a vossa sexualidade sem limites!

“Estou com um atraso de 3 dias…”

When should I worry about my moody teen?

“Tenho 16 anos e estou muito preocupada porque perdi a virgindade há 3 meses com o meu namorado, temos tido relações sexuais muito frequentemente e desta vez já estou com um atraso de 3 dias. Isto assusta-me porque, apesar de usarmos sempre preservativo, a minha menstruação nunca atrasou antes. Apesar de usar preservativo pode existir o risco de gravidez? Estou assustada porque somos ainda muito novos para ser pais.”

Tatiana, Setúbal

 

Cara leitora,

Os métodos contraceptivos cumprem o seu papel se forem bem utilizados. Os sinais de que um preservativo não foi bem utilizado são: ficar dentro da vagina/ânus, estar rasgado depois de retirado, ter ar lá dentro depois de colocado… Um atraso de 3 dias não é ainda razão para se preocuparem com uma gravidez indesejada, pode ser devido a muitas razões, mas se continuar façam um teste de gravidez numa farmácia e planeiem ir juntos a uma consulta de planeamento familiar. Há outros métodos contraceptivos que podem deixar-vos mais descansados para gozarem a vossa vida sexual (por exemplo a pílula, o anel vaginal, os adesivos, etc.). Mesmo assim, a utilização adicional do preservativo é desejável, pois é o único a prevenir as infecções sexualmente transmissíveis, para além da gravidez.

“Erecção involuntária”

“Tenho 21 anos e nunca tive nenhuma relação sexual. No entanto, comecei a sair com uma rapariga de quem gosto muito e sempre que estamos juntos e temos algum contacto mais íntimo (beijos, carícias…)  involuntariamente sinto uma breve erecção, que passado uns 30 segundos volta ao normal. Quase sempre que isto acontece há uma pequena libertação de um líquido (penso que não seja esperma pois é incolor/transparente) através da uretra. Isto é muito embaraçoso para mim pois tenho receio de avançar com a relação para algo mais sério devido a esta situação.”

João, Albufeira

 

Caro leitor,

A resposta sexual humana tem várias fases: desejo, excitação, planalto, orgasmo e resolução. Nas situações sexuais podemos passar por algumas ou por todas estas fases: o que descreve são situações em que se sente excitado e, como tal, é muito natural que sinta pequenas erecções e libertação de lubrificante masculino, que não é bem sémen, mas contém já alguns espermatozóides. Não há razão para se sentir preocupado nem com vergonha – a sua namorada e amiga compreenderá que a resposta sexual masculina é diferente da feminina e que na vossa sexualidade há muito a descobrir!

Experimente ter relações sexuais, levem o tempo que for necessário para se sentirem confortáveis e íntimos um com o outro - não se trata só de penetração, mas de dar e de receber prazer - e façam uma consulta de planeamento familiar antes para utilizarem um método contraceptivo adequado e não terem a preocupação de uma gravidez indesejada a invadir o vosso prazer. Se quiser utilizar preservativo, que vos protege igualmente das infecções sexualmente transmissíveis, tente usá-lo sozinho na masturbação primeiro, para que se habitue a ele e seja mais fácil a sua utilização posterior na relação sexual.

O segredo para uma relação estável e duradoura

Uma relação amorosa pode dar origem a bastante felicidade, mas também a muita mágoa e sofrimento, quando não corre tão bem quanto desejado. A maioria das pessoas passa horas a preocupar-se com as suas relações amorosas, pois estas são uma parte integrante das suas vidas.

O ser humano é curioso e procura compreender como os seus relacionamentos começam, como se desenvolvem e como, por vezes, terminam num labirinto de ódio e dor.

Segundo investigadores norte-americanos, o ser humano necessita de estabelecer relacionamentos íntimos duradouros para funcionar normalmente. Existe uma necessidade humana de ser aceite e amado pelos outros, que é satisfeita através de relacionamentos íntimos duradouros. Uma vez que essa necessidade seja satisfeita, a busca de intimidade cessa, mas se isto não for conseguido podem surgir vários problemas emocionais.

Devido a esta necessidade humana de ser aceite e amado o fim de um relacionamento pode ser muito doloroso, fazendo com que os indivíduos lutem durante muito tempo para manter relações que há muito deviam ter terminado.

Investigações norte-americanas sugerem que pessoas divorciadas, que perderam o parceiro, ou que estão sozinhas há muito tempo, têm a pressão arterial mais elevada, menor longevidade de vida e o sistema imunitário mais fraco do que as pessoas que têm relacionamentos estáveis, duradouros e felizes.

A qualidade dos relacionamentos amorosos, além de influenciar o bem estar físico de um indivíduo, influencia também a sua saúde mental. Pessoas que têm casamentos felizes têm menos depressões, menos problemas de alcoolismo, menos desordens alimentares e doenças mentais, do que aquelas que vivem relacionamento infelizes, em que as suas necessidades básicas de aceitação e carinho não estão a ser satisfeitas.

Podemos portanto dizer que o bem estar físico e emocional de grande maioria das pessoas está diretamente relacionado com a sua satisfação em relação aos seus relacionamentos íntimos. Fatores como a água, comida e abrigo são obviamente essenciais para a sobrevivência humana, no entanto, a necessidade de ser aceite e de criar intimidade é também fundamental para uma vida longa e feliz.

Não existe nenhuma fórmula mágica que possa garantir durabilidade e felicidade numa relação, mas existem vários factores que podem contribuir para o seu sucesso:

* Partilha

Um desses fatores é a partilha de sentimento, sonhos e receios, ou seja, para o sucesso de uma relação os parceiros devem sentir-se seguros e confortáveis um em relação ao outro, de forma a poderem partilhar os aspectos mais privados das suas vidas.

 

* Ligação forte

Outro aspeto bastante importante é o desenvolvimento de uma ligação saudável e forte entre os parceiros, pois o comportamento de um parceiro vai inevitavelmente afectar o comportamento do outro, por isso o respeito e a comunicação são fundamentais na vida de um casal.

 

* Dependência saudável

Nas relações amorosas, principalmente nas mais longas, existe também uma dependência entre parceiros que pode ser emocional, física e mesmo financeira. Na maioria das vezes, esta dependência pode controlar as decisões de cada parceiro durante a relação, ou mesmo depois desta ter terminado. A dependência entre um casal é saudável até certo ponto, mas por vezes pode tornar-se perigosa e doentia, se um dos parceiros for controlador e o outro for submisso e emocionalmente fraco, fazendo com que a relação se torne abusiva. Desta forma, para que uma relação seja saudável, duradoura e feliz é fundamental que a dependência entre parceiros exista com peso e medida, de forma saudável e produtiva, e não doentia e destrutiva.

 

* Planos a dois

À medida que uma relação evolui e as pessoas se vão sentindo mais seguras e emocionalmente envolvidas, passam a considerar-se um casal em vez de duas pessoas totalmente independentes. Desta forma, passam a ver o mundo em termos do "nós" fazendo planos a dois e não na base do "eu", na qual cada indivíduo se preocupa apenas com o seu próprio futuro e bem-estar. Esta mudança na forma de ver o futuro é um sinal de que o relacionamento está a progredir e que tem hipóteses de se tornar duradouro.

 

* Confiança

Outro factor fundamental num relacionamento é a confiança, pois uma vez que esta seja danificada vai fazer com que os parceiros se afastem e comecem a pensar novamente em termos do "eu" e não do "nós".

 

* Compromisso

O compromisso, tal como a confiança, é outro factor essencial para que uma relação se desenvolva de forma positiva. A grande maioria das relações estáveis e duradouras requerem compromisso e investimento por parte dos dois intervenientes. Este compromisso e investimento fazem com que ambos juntem forças para garantir o futuro do relacionamento. Caso isto não suceda, pessoas que já foram bastante próximas distanciam-se cada vez mais, levando, eventualmente, ao fim do relacionamento. Em conclusão, nenhum destes fatores, por si só, é responsável pelo sucesso de uma relação amorosa, mas quanto maior forem a harmonia e entendimento entre o casal a nível dos fatores mencionados previamente, maiores serão as hipóteses de que a relação seja estável e duradoura.

“ Sinto-me insatisfeita…”

 

“Tenho 45 anos, sou casada há 15, e ultimamente tenho-me sentido insatisfeita sexualmente. Como devo lidar com a situação?”

Carla, Coimbra

 

Cara Leitora,

Uma vez que já está com o seu marido há 15 anos pode fazer com que a vossa relação tenha caído na rotina. Reflicta um pouco para que possa averiguar o que gostaria de alterar no vosso relacionamento, e converse com o seu marido para que juntos possam delinear estratégias que devolvam alguma diversidade à vossa vida sexual. Tenha imaginação e tente descobrir, juntamente com o seu marido, novas formas de sentir prazer e de estimular a vossa imaginação, não deixe que a vossa relação caia na rotina.

 

“Sexo anal e hemorroidas…”

“Tenho alguma vergonha em falar sobre este assunto com alguém e procuro uma opinião fidedigna pelo que resolvi escrever-lhe. Tenho, de vez em quando, problemas de hemorroidas, e como costumo praticar sexo anal com o meu marido gostava de saber se posso fazê-lo mesmo que esteja com hemorroidas, se é seguro e se não é mais doloroso por isso.”

 Tânia, Coimbra

 Cara leitora,

O sexo anal não deve ser doloroso, mas o facto de ter hemorroidas pode trazer-lhe dores, sim, e deve consultar o médico para que ele possa avaliar presencialmente o seu caso. Geralmente, as pessoas que sentem dores através do sexo anal não estão suficientemente relaxadas ou excitadas, ou não estão a usar a quantidade certa de lubrificante. Usar bastante lubrificante à base de água aumenta o prazer e ajuda a acabar com as dores nesse sentido, assim como um estado de descontração e relaxamento que faça com que os músculos do ânus não se contraiam. É também muito importante, quando a pessoa não está habituada a fazer sexo anal, que haja uma habituação gradual, começando com os dedos e passando depois para vibradores mais pequenos, antes de introduzir o pénis no ânus. Relativamente à sua questão, não deve praticar sexo anal enquanto tem hemorroidas, porque a fricção e a pressão causadas pela penetração podem causar irritação, desconforto e dores. É também muito importante frisar para todas as pessoas que o sangramento que pode ocorrer com as hemorroidas também expõe ambos os parceiros ao risco de infeções sexualmente transmissíveis, porque o vírus pode ser mais facilmente transmitido. Quer tenha hemorroidas ou não, deve usar sempre preservativo quando fazem sexo anal.

"Será que ele é sensível de mais?"

5 Tips to Reject a Sensitive Guy

“Eu sei que as mulheres costumam reclamar dos homens por estes não serem emocionalmente insensíveis, mas o meu problema é exactamente o oposto. O meu namorado é sensível demais! O que começou por ser algo atractivo está a tornar-se bastante aborrecido pois ele está sempre a choramingar e eu tenho de lhe fazer as vontades todas! O que devo fazer?”

Liliana, Sacavém

Cara leitora,
Realmente isso pode ser bastante aborrecido. O homem ideal seria aquele que é capaz de expressar as suas emoções e de ouvir a sua parceira fazendo-a sentir-se amada e compreendida, sem nunca deixar de ser o homem da relação! No seu caso, parece que o seu namorado é bastante imaturo preocupando-se apenas com as suas necessidades, sem ter em consideração os seus sentimentos. O seu namorado está a utilizar esse tipo de comportamento como uma forma de a controlar, o que demonstra bastante insegurança e egoísmo da parte dele. Compreendo que no princípio ele a tenha atraído pela sua sensibilidade, pois era algo diferente. Infelizmente, por mais que a leitora tente, não o vai conseguir mudar pois existem problemas mais profundos que o fazem comportar-se dessa forma. Se quiser continuar nessa relação aconselho-a a procurar apoio profissional.

“Com que idade se determina a orientação sexual?”

“A minha filha tem 10 anos e tem comportamentos que me levam a pensar que ela pode ser lésbica. Na escola ela brincava mais com rapazes. Recentemente só fala de uma amiga, parece apaixonada. Será que ela é lésbica? É possível detetar-se assim tão cedo?

Carla, Lagos

 

Cara Leitora,

Não é obrigatório que todas as raparigas gostem de brincar às bonecas – as raparigas já conquistaram o direito de ter mais comportamentos “masculinos”, de serem maria-rapaz sem serem discriminadas. Como a sua filha é muito nova é precoce falar-se de homossexualidade. Deixe-a desenvolver-se e ajude-a a aceitar-se tal como é, mesmo que se sinta diferente das outras meninas em algumas características. Dê-lhe tempo para descobrir a sua sexualidade, ao seu ritmo. Ser ou não ser homossexual no futuro não define aquilo que ela será como pessoa, mas sim apenas indica por quem se apaixonará e eventualmente apontará para algumas dificuldades sociais, por vivermos numa sociedade pouco aberta, em alguns contextos, às relações não heterossexuais. Não se preocupe e apoie a sua filha a gostar de si mesma tal como é, e a ser forte para enfrentar os desafios sociais com que se pode deparar ao longo da sua vida. Não deixe de abordar com naturalidade as questões sobre relações entre pessoas do mesmo sexo, mostrando-lhe que elas existem, e que são tão saudáveis como as relações entre pessoas do sexo oposto, sem a pressionar com questões de identidade.

“Não sei se pus bem o diafragma!”

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“Casei-me há pouco tempo e pus um diafragma, mas embora tenha treinado colocá-lo no gabinete do médico não tenho a certeza se o coloquei corretamente, e visto que o tenho há apenas uma semana tenho receio que não esteja bem, pois apesar de estar direito atrás do osso púbico, parece enrugar-se e deslizar, e tenho constantemente vontade de urinar. Uma vez que estive sete anos sem ter relações sexuais e recomecei há pouco tempo, tenho receio que esse facto influencie a colocação do diafragma, e que este não esteja a ser eficiente. Pode ajudar-me?”

Catarina, Lisboa

Cara leitora,

As dificuldades que está a experimentar relacionam-se com a sua falta de experiência, e vai ver que a inserção do diafragma se torna mais fácil com a prática. Há vários modelos e tamanhos de diafragma, sendo que a maioria das mulheres se sente mais confortável com um que dê para dobrar até ficar com a forma de arco, colocando-o mais facilmente na vagina, porque se ajusta melhor sem sair antes de estar bem posicionado. Quando está bem colocado, não deve sentir que tem um diafragma. Assim, se continuar a sentir que ele se move de algum modo ou a exercer pressão sobre a bexiga, fazendo-a ter constantemente vontade de ir à casa de banho, é aconselhável que volte a ir ao médico, para que possa escolher outro modelo e aprender a colocá-lo convenientemente. Tenha em consideração, também, que com a excitação e o orgasmo ele pode movimentar-se, sendo de extrema importância o uso de espermicida durante a relação sexual.

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