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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Sexo anal e hemorroidas…”

“Tenho alguma vergonha em falar sobre este assunto com alguém e procuro uma opinião fidedigna pelo que resolvi escrever-lhe. Tenho, de vez em quando, problemas de hemorroidas, e como costumo praticar sexo anal com o meu marido gostava de saber se posso fazê-lo mesmo que esteja com hemorroidas, se é seguro e se não é mais doloroso por isso.”

 Tânia, Coimbra

 Cara leitora,

O sexo anal não deve ser doloroso, mas o facto de ter hemorroidas pode trazer-lhe dores, sim, e deve consultar o médico para que ele possa avaliar presencialmente o seu caso. Geralmente, as pessoas que sentem dores através do sexo anal não estão suficientemente relaxadas ou excitadas, ou não estão a usar a quantidade certa de lubrificante. Usar bastante lubrificante à base de água aumenta o prazer e ajuda a acabar com as dores nesse sentido, assim como um estado de descontração e relaxamento que faça com que os músculos do ânus não se contraiam. É também muito importante, quando a pessoa não está habituada a fazer sexo anal, que haja uma habituação gradual, começando com os dedos e passando depois para vibradores mais pequenos, antes de introduzir o pénis no ânus. Relativamente à sua questão, não deve praticar sexo anal enquanto tem hemorroidas, porque a fricção e a pressão causadas pela penetração podem causar irritação, desconforto e dores. É também muito importante frisar para todas as pessoas que o sangramento que pode ocorrer com as hemorroidas também expõe ambos os parceiros ao risco de infeções sexualmente transmissíveis, porque o vírus pode ser mais facilmente transmitido. Quer tenha hemorroidas ou não, deve usar sempre preservativo quando fazem sexo anal.

“Com que idade se determina a orientação sexual?”

“A minha filha tem 10 anos e tem comportamentos que me levam a pensar que ela pode ser lésbica. Na escola ela brincava mais com rapazes. Recentemente só fala de uma amiga, parece apaixonada. Será que ela é lésbica? É possível detetar-se assim tão cedo?

Carla, Lagos

 

Cara Leitora,

Não é obrigatório que todas as raparigas gostem de brincar às bonecas – as raparigas já conquistaram o direito de ter mais comportamentos “masculinos”, de serem maria-rapaz sem serem discriminadas. Como a sua filha é muito nova é precoce falar-se de homossexualidade. Deixe-a desenvolver-se e ajude-a a aceitar-se tal como é, mesmo que se sinta diferente das outras meninas em algumas características. Dê-lhe tempo para descobrir a sua sexualidade, ao seu ritmo. Ser ou não ser homossexual no futuro não define aquilo que ela será como pessoa, mas sim apenas indica por quem se apaixonará e eventualmente apontará para algumas dificuldades sociais, por vivermos numa sociedade pouco aberta, em alguns contextos, às relações não heterossexuais. Não se preocupe e apoie a sua filha a gostar de si mesma tal como é, e a ser forte para enfrentar os desafios sociais com que se pode deparar ao longo da sua vida. Não deixe de abordar com naturalidade as questões sobre relações entre pessoas do mesmo sexo, mostrando-lhe que elas existem, e que são tão saudáveis como as relações entre pessoas do sexo oposto, sem a pressionar com questões de identidade.

“Não sei se pus bem o diafragma!”

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“Casei-me há pouco tempo e pus um diafragma, mas embora tenha treinado colocá-lo no gabinete do médico não tenho a certeza se o coloquei corretamente, e visto que o tenho há apenas uma semana tenho receio que não esteja bem, pois apesar de estar direito atrás do osso púbico, parece enrugar-se e deslizar, e tenho constantemente vontade de urinar. Uma vez que estive sete anos sem ter relações sexuais e recomecei há pouco tempo, tenho receio que esse facto influencie a colocação do diafragma, e que este não esteja a ser eficiente. Pode ajudar-me?”

Catarina, Lisboa

Cara leitora,

As dificuldades que está a experimentar relacionam-se com a sua falta de experiência, e vai ver que a inserção do diafragma se torna mais fácil com a prática. Há vários modelos e tamanhos de diafragma, sendo que a maioria das mulheres se sente mais confortável com um que dê para dobrar até ficar com a forma de arco, colocando-o mais facilmente na vagina, porque se ajusta melhor sem sair antes de estar bem posicionado. Quando está bem colocado, não deve sentir que tem um diafragma. Assim, se continuar a sentir que ele se move de algum modo ou a exercer pressão sobre a bexiga, fazendo-a ter constantemente vontade de ir à casa de banho, é aconselhável que volte a ir ao médico, para que possa escolher outro modelo e aprender a colocá-lo convenientemente. Tenha em consideração, também, que com a excitação e o orgasmo ele pode movimentar-se, sendo de extrema importância o uso de espermicida durante a relação sexual.

Não sei o que dizer à minha mãe!”

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 “Tenho 19 anos e há uns dias, quando estava a fazer amor com o meu namorado, o preservativo rompeu-se. Ficámos com medo e por isso tomei a pílula do dia seguinte, mas deixei a embalagem no meu quarto e a tenho a certeza que a minha mãe a viu. Ela não me disse nada mas estou apavorada, não sei o que lhe hei-de dizer!”

Jessica, Sesimbra

 

Cara leitora,

Em primeiro lugar é importante alertar que a toma da pílula do dia seguinte não deve ser nunca usada como método contracetivo, comporta riscos para a saúde e só deve ser usada como recurso em situações de emergência, como a que descreve. Em segundo lugar, deve sempre praticar relações sexuais com segurança, utilizando preservativo, como referiu ter feito. Uma vez que o preservativo pode romper-se, como sucedeu, é importante lembrar, a todos os leitores, que uma vida sexual consciente passa por conhecer o parceiro e o seu historial clínico, evitando a troca de parceiros e fazendo testes com regularidade. Por fim, compreendo que seja constrangedor falar sobre a sua vida sexual com os seus pais, mas eles querem o melhor para si e por isso é preferível ser sincera e abordar o assunto com frontalidade, explicando à sua mãe que está consciente dos riscos que corre e que por isso procurou resolver a situação. Dependendo da confiança que tem com a sua mãe em relação a este tipo de assuntos a reação dela poderá ser mais ou menos compreensiva, mas seja como for uma mãe deve sempre procurar ajudar os seus filhos, a sua mãe já teve a sua idade e saberá compreendê-la e orientá-la.

“Estou farto das fantasias dela!”

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“A minha namorada está sempre a inventar coisas novas para fazer na cama, e isso as vezes chateia-me porque apesar de variedade ser bom, eu prefiro a tranquilidade de fazer amor na nossa casa, sem grandes aventuras. ”

Francisco, Matosinhos

Caro leitor,

Regra geral, os casais preferem cenários recatados e confortáveis para terem uma maior intimidade na vida sexual (o que parece ser o seu caso). Porém, há quem prefira fugir à rotina, optando por recorrer ao imaginário e a fantasias para estimular a vida sexual (o que parece ser o caso da sua namorada). O ato sexual é algo que deve ser desfrutado por ambos os parceiros de forma consensual, e não é correto que um parceiro queira fazer prevalecer uma ideia no sentido apenas da obtenção do próprio prazer. Procure falar com a sua namorada para que ela perceba que o leitor está feliz com a vossa vida sexual e não sente a necessidade de estar constantemente a inovar nas vossas práticas sexuais. Uma vez que vocês têm preferências diferentes, tentem conversar e atingir um meio-termo que faça ambos felizes. A inovação é saudável e aconselhável para a vida sexual do casal, mas só deve acontecer com o consentimento de ambos os parceiros.

“Apaixonei-me por um rapaz mais novo”

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“Tenho 35 anos, sou divorciada e não tenho filhos, mas tenho receio de assumir a relação com um rapaz 10 anos mais novo do que eu, e não sei o que devo fazer, pois ele está a pressionar-me para o fazer.

 

Luísa, Carregado

Cara leitora,

É comum a insegurança que diz sentir nesta situação, pois trata-se de um cenário menos comum numa sociedade que infelizmente ainda faz muitos juízos de valor. No seu caso, faça uma avaliação dos seus sentimentos por esse rapaz, e do rumo que essa relação poderá ter, uma vez que tem sido uma relação camuflada e longe dos olhares das outras pessoas. Tenha uma conversa franca com o seu companheiro de modo a averiguar se ele está na disposição de assumir publicamente o vosso amor, bem como todas as consequências que disso podem advir. Se verificar que, de facto, essa relação reúne condições para seguir em frente, por mais que lhe custe, não a oculte da sua família e amigos. Conte-lhes a verdade pois de facto você não está a fazer nada de errado, e tem todo o direito de ser feliz.

“Ela acorda-me com sexo oral quase todos os dias!”

“A minha namorada é bastante desinibida a nível sexual, e por isso temos uma vida sexual bastante ativa. Quando dormimos juntos ela desperta-me de manhã fazendo-me sexo oral, será que isto é normal?”

Diogo, Mafra

 

Caro leitor

O leitor diz ter uma vida sexual bastante ativa com a sua namorada, que diz ser uma pessoa desinibida, por isso não vejo nada de mal no cenário que está a descrever. O único problema é se o leitor não gosta de sexo oral ou não lhe apetece ter relações sexuais de manhã, o que sucede com algumas pessoas, e dessa forma se não gosta desse tipo de comportamento explique à sua namorada as suas razões. Por outro lado, se lhe agrada esta forma divertida e estimulante de acordar, aproveite ao máximo o facto de ter uma namorada desinibida.

 

“Será que ele pode ter cancro nos testículos?”

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O meu namorado tem 37 anos de idade e o seu testículo direito está inchado e dói-lhe imenso quando lhe toco, e não sei porquê. Será que ele tem um problema grave como cancro testicular?

Liliana, Linda-a-Velha

 Cara leitora,

De facto os sintomas que descreve são geralmente sinónimo de algum problema a nível testicular, mas não significa obrigatoriamente que se trate de cancro testicular. É importante que o seu namorado marque uma consulta com o um médico de forma a que este lhe possa fazer um exame físico detalhado. Geralmente o cancro testicular manifesta-se através de um inchaço dos testículos, na maioria das vezes não acompanhado de dor. Este tipo de cancro é relativamente raro, mas vale sempre a pena avaliar a causa da dor. Pode dar-se o caso de o seu namorado ter feito uma lesão do testículo resultante de pancada ou alguma atividade física, por isso é importante que ele consulte o seu médico para que este lhe possa indicar o diagnóstico e tratamento mais indicados para o caso dele.