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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Tenho curiosidade sobre as fantasias masculinas…”

 

“Sou uma jovem mulher pouco experiente a nível sexual, e recentemente comecei a falar online com um homem que me disse que adora masturbar-se enquanto vê pornografia. Isso deixou-me curiosa, porque eu não vejo pornografia e nenhuma das minhas amigas o faz (pelo menos que o diga…). Gostava de saber em que pensa um homem quando se masturba.”

 

Joana, Braga

Cara leitora,

Cada pessoa, seja homem ou mulher, vive a sua sexualidade de forma diferente e, como tal, embora tenha havido durante décadas a tendência para se pensar que os homens consumiam mais pornografia do que as mulheres, a verdade é que pessoas de ambos os sexos recorrem à pornografia como forma de induzir a sua própria excitação, quer o façam a sós, quer acompanhados pelo seu par. As preferências e fantasias variam de pessoa para pessoa, havendo algumas tendências comuns, mas que podem ser totalmente diferentes daquilo que uma pessoa específica prefere. Geralmente, os homens sentem excitação quando pensam na ideia de fazer amor com duas ou mais mulheres, ou quando lhes é feito sexo oral. Há homens que se sentem excitados com a ideia de serem dominados, outros que têm prazer quando se imaginam numa situação de domínio. O sexo anal é outra das preferências comuns mas, acima de tudo, as fantasias sexuais radicam no que é mais apetecível para cada pessoa e variam conforme o momento.

Ejaculo com muita rapidez

"Quando tenho relações sexuais ejaculo muito rapidamente e não tenho a mesma reação sexual que tinha dantes. Isto aconteceu de um momento para o outro, mas tenho apenas 28 anos, o que me deixa muito assustado."

Manuel - Faro

 

Caro leitor,

Os problemas sexuais podem surgir repentinamente, depois de uma experiência que correu mal e que ficou marcada na memória. A ansiedade de antecipar o que pode voltar a acontecer pode levar a que aconteça o mesmo, pois está preocupado e menos dedicado a sentir prazer. Por outro lado, outros fatores podem influenciar a sua capacidade de ter relações sexuais e a penetração: ter um problema, estar cansado, ter bebido muito álcool. Tente abstrair-se de problemas, relaxar, não partir logo para a penetração mas demorar nas carícias, sentir o corpo da outra pessoa e o prazer e satisfação que lhe pode oferecer, descobrir as suas zonas erógenas preferidas… Apesar destas sugestões úteis, penso que deveria consultar um especialista, que lhe esclareça esta questão e lhe dê um apoio presencial, pois pode prevenir que este problema continue e o faça sentir-se cada vez pior consigo próprio e nas suas relações sexuais. Não tenha vergonha, a ejaculação precoce ou prematura é muito frequente em homens de muitas idades e tem tratamento.

“Serão saudades da minha ex-namorada?”

Stop Feeding the Beast: A Therapist's Approach to Treating Men with Severe  Depression | NewHarbinger.com

“Acabei uma relação há cerca de um ano e tenho outra namorada, que é linda e desejável. No entanto, de há uns tempos para cá comecei a sentir falta da minha ex-namorada, tenho andando em baixo e aconteceu-me uma coisa que nunca tinha sucedido antes, não consigo segurar a ereção. Será que se trata de uma depressão? A verdade é que perdi o interesse na minha namorada atual… devo contactar a minha ex?”

 Cláudio, Beja

 

Caro leitor,

Por aquilo que descreve parece já ter encontrado a explicação para o seu problema. A depressão e o stress interferem no desempenho sexual, mas à partida o facto de pensar constantemente na sua ex pode estar relacionado com a perda de interesse pela sua parceira atual (e não o contrário). Se estivesse satisfeito com a sua relação atual não pensaria numa relação que, se fosse satisfatória, não teria terminado. Assim o melhor será terminar com a sua atual namorada e, antes de entrar em contacto com a sua ex, avaliar o que se passa consigo. Deve consultar o seu médico, caso tenha outros sintomas depressivos. Se continuar com o desejo de retomar o contacto com a sua ex pode fazê-lo, estando, no entanto, preparado para uma possível rejeição que pode, ainda assim, ajudá-lo a aceitar definitivamente o fim. Deve ter também em consideração o estado de calamidade em que vivemos, evitando correr riscos. Lembre-se também que só quando estiver tudo bem claro na sua cabeça pode e deve iniciar outro relacionamento – é mais honesto consigo, e com a pessoa com quem está.

“Ele pede-me para lhe apertar o pescoço…”

“Namoro há dois anos com o meu namorado e temos uma boa relação. No entanto, quando estamos a fazer amor ele pede-me que lhe aperte o pescoço com força antes dele ter um orgasmo. Eu tenho medo de o matar!”

 Sandra, Aveiro

 

Cara leitora,

a asfixia induzida é uma prática usada por algumas pessoas para intensificar os orgasmos, sendo muito perigosa na medida em que pode facilmente provocar a morte ou danos irreversíveis para o cérebro. Há pessoas que apreciam esta prática porque o facto de o cérebro receber menos oxigénio faz com que o lóbulo frontal se “desligue” e, desse modo, a pessoa perca o autocontrolo, libertando-se mais a nível de fantasias e tendo mais intensidade de sensações, com a possibilidade de ter orgasmos mais intensos. No entanto, esta prática é muito perigosa, e como tal caso aceda em fazer-lhe a vontade é essencial que mantenham uma comunicação clara, e que avance com calma, parando ao mínimo sinal de desconforto dele. Devem estabelecer também um código de segurança, para que ele lhe possa pedir que páre. Nunca avance mais do que sente que é confortável para o seu marido e não prolongue essa atividade por mais que alguns segundos.

“A minha menstruação falhou”

“Tenho 33 anos e sempre fui muito regular, a minha menstruação surge a cada 3 semanas e meia. Desta vez, porém, já se passaram 5 semanas e não apareceu. Sei que não estou grávida porque não tenho relações sexuais e tenho estado em isolamento social há mais de dois meses, mas estou a ficar preocupada.”

 

Nádia, Faro

Cara leitora,

A chamada amenorreia, que descreve a ausência de menstruação, é uma condição que surge na sequência de outros problemas de saúde, e por isso deve falar com o seu médico, especialmente se houver falha de três menstruações consecutivas. Ainda assim, uma das causas possíveis para esta condição é a exposição a situações de elevado stress, que pode ser aquilo que está a suceder consigo. Se não toma qualquer tipo de pílula, e se costuma ser sempre regular, esta alteração pode ser devida à mudança de hábitos, por estar mais tempo em casa, e a situações de stress e ansiedade. Convém também notar se tem outros sintomas a acompanhar a ausência de menstruação, nomeadamente dores de cabeça, vista turva ou problemas de visão, aumento de pêlo facial, mudanças no tamanho do peito, entre outras. As perdas acentuadas de peso são também uma possível causa para esta situação. Aconselho a que fale com o seu médico para que possa esclarecer a sua situação específica.

“Ela quer fazer sempre a mesma coisa!”

“A minha esposa quer fazer amor sempre da mesma maneira porque acha que se assim temos prazer não há motivo para mudar. Já tentei pedir-lhe para fazermos outras posições mas ela não quer mudar, e confesso que isto me está a fazer perder o desejo por ela. O que hei-de fazer?”

Nuno, Sacavém

Caro leitor,

A questão principal tem a ver com a comunicação entre os parceiros. Nem sempre as duas pessoas apreciam o mesmo tipo de práticas, mas importa compreender quais são os motivos que levam a sua esposa a não querer mudar. Poderá haver receios que ela não manifesta ou pode não se sentir suficientemente à vontade com o seu corpo e com a sua sexualidade, preferindo manter uma postura dentro do que ela considera tradicional. Pode, também, haver algum tipo de experiência que a marcou de forma negativa, mesmo que não tenha acontecido especificamente com ela, e que ela associe a algo que é desagradável ou indesejável. Assim, lembre-se que se não conversar abertamente com ela, deixando sobretudo espaço para que ela se sinta confortável a explicar os motivos que a levam a agir dessa forma, estará a afastar-se cada vez mais, e será cada vez mais difícil preservar a união. Quando um casal se cala em relação a algo que está a incomodar um ou os dois, está apenas a deixar que aumente a distância entre ambos, chegando a pontos muitas vezes irreversíveis. Pode ser benéfico para ambos, também, fazer terapia de casal com um terapeuta especializado, mesmo que as consultas sejam feitas por videochamada.

“Sexo oral… diferente!”

“Gostava que o meu namorado me fizesse sexo oral no ânus, mas não sei se isso é saudável, nem sei se ele não vai achar nojento. É uma prática comum entre os casais?”

 

Joana, Setúbal

Cara leitora,

Desde que seja consensual e que não ponha em risco a integridade física, mental e moral, nem a saúde dos envolvidos, qualquer atividade sexual pode ser usada para dinamizar a vida de casal. A prática que refere é apreciada por várias pessoas de ambos os sexos, sendo usada muitas vezes como preliminar ao sexo oral. Também chamada anilingus, consiste em beijar, acariciar com os lábios, lamber ou penetrar com a língua o ânus do parceiro. Uma vez que a abertura anal contém inúmeras terminações nervosas, esta prática pode proporcionar um prazer intenso. Para além de ser essencial uma boa higiene, a comunicação entre os dois é o fator-chave para que esta prática seja agradável para ambos. Portanto, partilhe este seu desejo com o seu namorado sem receio de ser mal-interpretada. Tenham sempre em atenção que esta região é muito delicada, e como tal são de evitar os gestos mais bruscos, que podem causar dor e danificar os tecidos. Mantenham uma higiene muito cuidada, porque esta área é propensa à existência de bactérias, e lembre-se que há infeções sexualmente transmissíveis por via anal, como a gonorreia, sendo aconselhável utilizar uma barreira dental (ou película aderente) como forma de proteção.

“Tenho mamilos invertidos”

“Tenho 20 anos e nunca tive uma relação sexual com um rapaz, já tive um namorado mas terminei antes de nos envolvermos mais intimamente porque tive medo de lhe mostrar o meu corpo. Tenho muita vergonha que me vejam nua porque os bicos dos meus mamilos estão virados para dentro, sinto-me feia e acho que nenhum homem me vai achar atraente. Há alguma coisa que possa fazer para mudar os meus mamilos?”

Sandra, Lisboa

Cara leitora,

Embora não seja muito vulgar há pessoas que têm os mamilos virados para dentro. Quer seja por isso ou por outra característica física qualquer, é essencial que aprenda a amar o seu corpo e a compreender que cada pessoa é única e inigualável. Em princípio não há problemas de saúde associados ao facto de ter mamilos invertidos, o que por si só é uma razão para não se sentir mal com eles. Poderá, eventualmente, enfrentar dificuldades na amamentação caso engravide. Uma pessoa pode ter mamilos invertidos durante toda a vida ou apenas numa fase. Há pessoas, também, que têm um mamilo virado para fora enquanto o outro aponta para dentro. Para perceber qual é o seu caso experimente segurar o peito pelo limite da auréola do mamilo, prendendo-o entre o indicador e o polegar, e aperte suavemente mas com firmeza. Se o bico do mamilo se retrai ou desaparece, é realmente invertido. A estimulação dos mamilos e as temperaturas baixas podem ajudar a que um mamilo invertido se vire para fora, mas a única forma de resolver definitivamente esta situação é através da cirurgia plástica. Pode optar por fazê-la ou não, mas acima de tudo aprenda a aceitar-se como é. Se houver confiança e carinho com um parceiro com que se envolver sexualmente ele também não terá qualquer problema em aceitá-la e amá-la como é.

“A pílula influencia os orgasmos?”

“Gostava de saber se a pílula tem algum efeito nos orgasmos, pois tenho amigas que dizem que começaram a ter orgasmos com maior facilidade após começarem a tomar a pílula, mas outras relatam o contrário…”

 

Rita, Mafra

 

Cara leitora,

Há mulheres que têm maior facilidade em ter um orgasmo, enquanto que, para outras, é mais difícil. A toma da pílula afeta os níveis hormonais e por isso a reação de cada mulher é variável: enquanto que, para algumas, a vontade sexual aumenta, e o prazer se torna mais “fácil” de alcançar, noutros casos isso não acontece, havendo até dificuldades ao nível da lubrificação ou diminuição da libido, por exemplo. Um orgasmo resulta da combinação de fatores não só físicos, como também psicológicos e, por isso, importa explorar aquilo que lhe dá prazer a si, em particular. Algumas mulheres sentem-se mais descontraídas quando tomam a pílula, devido a não terem tanto medo de engravidar, o que ajuda a que tenham mais prazer durante a relação sexual. A sua reação à pílula será individual e única, mas pode sempre encontrar formas de potenciar o seu prazer, mesmo que as oscilações hormonais provocadas pela pílula possam afetá-lo. Existem diferentes tipos de pílula, pelo que o seu médico poderá ajudá-la a encontrar aquela que melhor se adequa a si. As pílulas contêm hormonas (cuja dosagem varia) porque, desta forma, o organismo é “enganado” e reage como se já existisse uma gravidez, o que faz com que não haja a libertação do óvulo e, assim, não possa engravidar. Os níveis hormonais no corpo afetam o humor, a vontade sexual e outras reações, pelo que podem afetar a vida sexual mas, ao compreender o que desperta e mantém o seu prazer e ao encontrar uma pílula que seja adequada a si, conseguirá viver a sua vida sexual com normalidade.

“Tenho um caroço no peito…”

 “O meu médico detetou um caroço no meu peito e, embora dissesse que à partida não era motivo para alarme, aconselhou-me a ser vista por um especialista. Ele disse que pode ser um quisto ou um fibroadenoma. Será que possa ter cancro da mama?”

 Luciana, Valença

 

Cara leitora,

Ainda que nem todos os caroços indiciem um cancro, deve ser vista rapidamente por um especialista. Há caroços que podem surgir devido a mudanças hormonais causadas pelo ciclo menstrual, as quais podem originar quistos ou fibroadenomas, que são mais duros e têm uma forma definida do que os quistos. Em qualquer dos casos, podem ser removidos cirurgicamente, com relativa facilidade. Relativamente à possibilidade de ter cancro da mama, a idade, o historial familiar clínico, tratamentos que tenha feito como radioterapia, ou o seu historial clínico são fatores que potenciam este risco. Deve ser vista por um médico para que, através dos exames adequados, possa proceder ao tratamento adequado à sua situação. Todas as mulheres devem, também, proceder ao auto-exame da mama, feito todos os meses, no mesmo período do ciclo menstrual, para que possa detetar qualquer alteração. A melhor altura para fazer este auto-exame é uma semana depois de terminar a menstruação. Consoante a idade, é também muito importante fazer uma mamografia com regularidade.

 

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