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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Tenho receio de usar tampões!”

Estes são os 10 maiores erros na utilização de tampões

“Tenho 14 anos e gostaria de começar a usar tampões mas não sei bem o que devo fazer. Gostaria de saber se existe algum perigo para a saúde se optar pelo seu uso.”

Joana, Porto

Cara leitora:

Hoje em dia muitas mulheres optam por usar tampões porque são mais confortáveis do que os pensos higiénicos. Adquiri-los é bastante simples, dirija-se a um supermercado e compre uma embalagem de tampões “Mini”. Aconselho-a que comece por usar os Mini por estes serem mais pequenos e fáceis de aplicar. À medida que se for sentindo mais confortável pode começa a usar os de fluxo médio ou máximo. Aconselho-a também a utilizar um pensinho diário para a proteger de quaisquer fugas de fluxo. A forma de aplicação do tampão é bastante simples, basta seguir as instruções que vêm na embalagem, aconselho-a, no entanto, a escolher tampões com aplicador pois são mais fáceis de introduzir na vagina.

Existem alguns cuidados a ter tais como: não deixar o tampão dentro de si por mais de 6 ou 8 horas para não correr o risco de entrar em choque tóxico; use tampões adequados ao fluxo de cada um dos dias do seu período, a utilização de tampões muito grandes pode irritar a pele da parede vaginal; opte por tampões que não têm cheiro, não é aconselhável utilizar nada que contenha desodorizante pois isso pode causar irritações vaginais. Quanto ao cheiro, não se preocupe, desde que mude os tampões com a frequência aconselhada e tenha uma boa higiene íntima, não deve ter problemas nessa área. Utilizar tampões não deve ser uma tarefa muito complicada desde que siga estas recomendações, mas se a qualquer atura sentir desconforto, retire o tampão e visite o seu ginecologista. 

“Acho que o meu irmão é homossexual…”

 “Tenho um irmão de 25 que anda sempre a falar de mulheres mas nunca teve uma namorada. Há dias, por acidente, encontrei revistas pornográficas masculinas escondidas debaixo da cama dele. Será que ele é homossexual?”

Sara, Porto

 

Cara leitora,

Ou o seu irmão é realmente homossexual ou está ainda a explorar a sua orientação sexual. A leitora diz que ele nunca teve uma namorada, apesar de constantemente falar em mulheres. Pode dar-se o caso de ele ser homossexual e falar de mulheres numa tentativa de esconder a sua opção com medo da reacção que as pessoas vão ter. Ainda existem muitos preconceitos contra pessoas que não são heterossexuais, e se a sua família é conservadora, é natural que o seu irmão tenha medo de como a família vai reagir ao descobrir. Seja compreensiva pois ele está, com certeza, a passar por uma fase bastante difícil. Apoie o seu irmão, dando-lhe a entender que o aceita independentemente das escolhas que ele faça a nível pessoal.

 

“Tenho muitas infecções urinárias.”

“Tenho 42 anos e tenho uma saúde bastante frágil e tenho forte tendência para apanhar infecções urinárias. Uma vez que sou solteira, e tenho tido vários namorados, será que as infecções urinárias podem ser transmitidas através das relações sexuais?”

Sandra, Alverca

 Cara Leitora,

Existem algumas infecções sexualmente transmissíveis que causam sintomas semelhantes aos das infecções urinárias, tais como a clamídia ou a gonorreia. Porém, as infecções do aparelho urinário e as bactérias que transporta não são consideradas Infecções Sexualmente Transmitidas, mas isto não invalida que estas infecções não estejam relacionadas com o acto sexual. Ou seja, as mulheres que têm uma vida sexual activa estão mais predispostas a estas infecções do que as não activas. Teorias defendem que as bactérias instaladas na zona vaginal sejam direccionadas para a bexiga através da uretra após a relação sexual vaginal. Desta forma, um dos meios de prevenção contra as infecções urinárias é urinar logo após o acto sexual para que possa expelir as bactérias do aparelho urinário. Advirto-a para a importância do devido acompanhamento médico para estes casos, ainda para mais quando é uma pessoa bastante permeável a estas situações.

 

“O meu período tem durado três meses.”

 Free Photo | Worried girl holding her phone

“Tenho 19 anos e há três meses que tenho o período sem intervalo. Estou a ficar preocupada pois o corrimento não pára. O que devo fazer?”

Carla, Olhão

Cara leitora,

De facto não é normal que tenha um corrimento sanguíneo devido à menstruação durante três meses seguidos. Normalmente as mulheres têm ciclos menstruais de 28 a 35 dias, com fluxos que variam entre os 3 e os 5 dias, sendo que quando este dura mais de 7 dias, a mulher deve consultar um médico. Assim sendo, a leitora deve consultar um ginecologista o mais rapidamente possível, para ver o que se passa consigo, pois pode dar-se o caso de a leitora ter um problema mais sério como um desequilíbrio hormonal, fibroses ou mesmo um tumor no colo do útero. Consulte o seu médico.

“O creme retardante pode usar-se com preservativo?”

Preservativo masculino | Atlas da Saúde 

“Tenho 27 anos e, segundo a minha namorada, cada vez que tenho relações ejaculo rápido demais. Gostaria de experimentar o creme retardante, mas será que o posso utilizar com o preservativo?”

 Paulo, Guarda

 

Caro leitor,

O creme a que se refere é um creme retardante que contém uma pequena percentagem de um produto chamado Lydacane ou Benzocaina, que possuem qualidades analgésicas. Estas substâncias, quando em contacto directo com a pele, causam uma sensação de adormecimento, fazendo com que a pessoa perca alguma da sensibilidade ao tacto na zona onde este foi aplicado. Por se tratar de um analgésico, estes produtos devem ser utilizados em pequenas quantidades para evitar o adormecimento total do pénis ou perda de erecção. Uma vez que o efeito desejado é a diminuição da sensibilidade do homem e não da mulher, é aconselhável a colocação do preservativo antes da penetração, o que não deve danificar o preservativo.

 

“Não consigo atingir o orgasmo…”

“Tenho 30 anos, já estou há três anos a morar com o meu o namorado e nunca consegui atingir o orgasmo. Será que tenho algum problema ou é normal isto acontecer?”

Teresa, Matosinhos

Cara leitora,

Atingir o orgasmo depende muito de mulher para mulher e das situações em que sente o prazer. A maioria das mulheres não atinge o orgasmo com a penetração, mas mais facilmente com masturbação, com sexo oral, com estimulação do clítoris… não valorize demasiado a questão de atingir ou não o orgasmo, pois a sua atenção irá desviar-se do prazer e não se entrega às sensações físicas, tirando menos satisfação daquilo que sente.

Como não sei se alguma vez terá sentido orgasmo é difícil responder-lhe, mas procure como gosta do prazer na masturbação sozinha, acaricie-se e à sua vagina – se a leitora souber do que gosta melhor poderá guiar o seu parceiro ou parceira nessa descoberta.

“Quero estimular-lhe o ponto G…”

Letra G – alfabeto.pt

“Procuro ser o melhor namorado do mundo! Estou apaixonado pela minha namorada e temos uma vida sexual fantástica, mas quero dar-lhe ainda mais orgasmos, e mais intensos. Sei que o Ponto G é um “lugar mágico” na vagina das mulheres, mas como sou homem não sei como encontrá-lo, nem o que hei-de fazer com ele…”

Dinis, Guarda

 

Caro leitor,

O seu empenho e motivação são sem dúvida ingredientes fundamentais para um romance apaixonado, e procurar proporcionar o máximo de prazer ao outro é essencial para uma vida sexual feliz e saudável. No entanto, lembre-se que, no que diz respeito ao sexo, assim como todos os aspetos de relacionamento, a comunicação é sempre essencial, portanto não há nada melhor do que ir perguntando à sua namorada aquilo de que ela mais gosta, as sensações que sente em cada carícia, o que gostava de experimentar. O chamado Ponto G (abreviatura de Ponto Gräfenberg, assim chamado em homenagem ao ginecologista alemão que primeiro apontou para a sua existência e defendeu a sua importância para o prazer feminino, na década de 50) é uma área particularmente sensível existente mesmo através da parede frontal da vagina, entre a parte de trás do osso púbico e o colo do útero. Quando esta região vaginal é estimulada através da penetração manual ou com o pénis algumas mulheres têm orgasmos especialmente intensos, que podem inclusivamente ser acompanhados pela chamada ejaculação feminina. Experimente colocar um ou dois dedos dentro da vagina dela (obviamente que depois de ela estar devidamente lubrificada!), com a mão virada para cima, e esfregue suavemente o topo da parede vaginal, estando atento às reações dela e àquilo que lhe dá maior prazer. Experimente fazer com os dedos o movimento de “anda cá” dentro da vagina dela, alterne o tipo de toque, de pressão e de movimento. Importa lembrar, ainda assim, que nem todas as mulheres têm especial prazer através do Ponto G, portanto é sempre fundamental conhecer aquilo que a sua namorada, especificamente, prefere.

 

“Como posso ajudar o meu namorado transexual?”

“Amo o muito o meu namorado mas ele está a fazer a transição de mulher para homem e está a sofrer muita pressão por parte da família e da sociedade em geral. Apaixonei-me pela pessoa que é, conhecemo-nos como lésbicas mas com o tempo “ela” acabou por me explicar que sempre se sentiu um “ele”, e eu própria encorajei-o a fazer a mudança de sexo. Gostava de saber como posso ajudá-lo para que seja tudo mais fácil…”

Francisca, Porto

 

Cara leitora,

O facto de ter ao nosso lado alguém que nos ama como somos e que nos apoia mesmo que as nossas escolhas e o nosso percurso de vida possam fugir à norma ou às expetativas dos outros é por si só o melhor apoio que se pode ter. A mudança de sexo é um processo lento e delicado, que exige uma enorme força de vontade – a qual a maior parte dos transexuais tem, ou não arriscaria fazer essa transição – e também uma presença carinhosa, constante e atenta de quem está à sua volta. A sociedade ainda olha com desconfiança e estranheza para alguém que nasceu com um sexo e que assume outro, talvez daqui a uns anos as mentalidades sejam diferentes, pois cada vez mais se começa a entender que cada ser humano é único e diferente, tendo todos direitos iguais. Provavelmente o seu namorado já é acompanhado por um terapeuta, sendo essencial neste processo de transição. Uma das coisas que poderá fazer é também ter consultas de acompanhamento terapêutico, com ele, se ele assim quiser, ou sozinha, para que um terapeuta a vá ajudando a lidar com os desafios à medida que eles surgem no dia-a-dia. Também pode ajudar ter mais contacto com outras pessoas que já passaram ou estão a passar pelo mesmo processo. Um diálogo franco e honesto com ele, constante, é também um ponto de apoio que facilitará o processo. Evite julgá-lo e pergunte-lhe gentilmente como se sente, o que sente em relação ao que se passa com o seu corpo e à sua volta, especificamente em relação a pessoas concretas da vida dele que não estão a lidar bem com esta situação, por exemplo. Há muita coisa que pode angustiá-lo, ter alguém ao seu lado com quem pode contar é fundamental. Lembre-o das suas qualidades e daquilo que ama e admira nele, dando-lhe força quando ele estiver mais em baixo. Como em qualquer outro aspeto de qualquer relacionamento amoroso, saber quando o outro precisa de ser ouvido e saber respeitar quando ele não quer falar é a melhor maneira de apoiar alguém que se ama.

“Tenho medo de ter uma vagina pequena demais!”

“Sou virgem mas eu e o meu namorado estamos a pensar em ter relações sexuais pela primeira vez. No entanto, já praticámos masturbação e o pénis dele parece-me muito grande. Tenho medo de sentir muitas dores. O que posso fazer se a minha vagina for pequena demais?”

Melissa, Belas

 

Cara leitora,

Antes de mais, apenas deve dar esse passo se está segura acerca dele e se sente preparada, devendo SEMPRE usar preservativo para se proteger contra infeções sexualmente transmissíveis e prevenir uma gravidez indesejada. Depois, é preciso ter consciência que tudo faz parte de um processo gradual. Uma vez que é virgem é natural que possa sentir dores das primeiras vezes, pelo que é muito importante estar bastante lubrificada e descontraída, para que a penetração seja mais fácil. A vagina é elástica e vai dilatando progressivamente com a penetração, retomando à sua forma inicial quando o pénis é retirado. Nenhuma vagina é pequena demais, lembre-se que num parto normal um bebé sai através dela, precisamente pela dilatação que, nessa situação, consegue alcançar! Ainda assim, é conveniente que o seu namorado explore primeiro a penetração com os dedos, inserindo gradualmente um, dois e três dedos na sua vagina, sempre proporcionando uma boa lubrificação, e só depois experimentem a penetração com o pénis, se estiver à vontade e com vontade de o fazer. Lembre-se de comunicar sempre com o seu parceiro em relação a tudo o que sente e de lhe pedir para parar caso sinta algum desconforto, porque quando fica tensa e nervosa sentirá mais dores. Descontraia e deixe que tudo flua com naturalidade!

“Não sei se é lubrificação ou corrimento vaginal…”

“Tenho alguma vergonha em colocar esta questão, mas quando o meu namorado me faz sexo oral não percebo se fico com lubrificação ou se tenho mais corrimento vaginal… Como posso distinguir?”

Heloísa, Fafe

 

Cara leitora,

Quando uma mulher fica excitada – o que também acontece através do sexo oral – é normal que ganhe lubrificação. De facto, faz parte do processo natural que isso aconteça, de forma a facilitar a penetração e a evitar a dor e a fricção. O corrimento vaginal acontece naturalmente durante o dia, sendo a consequência da limpeza interna da vagina, pois trata-se do muco produzido pelo colo do útero e que cobre a vagina, sendo expelido como forma de limpeza. É por esse motivo que é normal ter corrimento vaginal diário, sendo que a sua quantidade e consistência varia conforme o momento do ciclo menstrual em que se encontra, assim como o seu sabor, que pode ser mais doce ou mais salgado. Cada mulher tem um padrão específico de variações ao longo do ciclo. No que diz respeito à lubrificação, quando a mulher começa a ficar excitada as veias dos tecidos genitais começam a dilatar e a encher-se de sangue, o que cria uma reação que faz produzir um líquido que deixa os lábios vaginais molhados, assim como a entrada da vagina, facilitando a penetração. Desta forma, aquilo que sente quando o seu namorado lhe faz sexo oral, ou quando fica excitada, é uma mistura tanto do corrimento, que já tem porque vai sendo produzido ao longo do dia, como da lubrificação que é produzida por estar excitada.