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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Clamídia e vibradores”

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 “Fui ao médico e ele diagnosticou-me Clamídia. Já estou a fazer o tratamento que o médico prescreveu, mas como costumo usar vibradores de vez em quando surgiu-me uma dúvida: devo deitá-los fora? Posso voltar a ter uma infeção por usar vibradores “contaminados”, mesmo tendo-os lavado e desinfetado? Obrigada!”

 Gabriela, Lisboa

 

Cara leitora,

É possível que os seus vibradores, ou outro brinquedo sexual que tenha utilizado, contenham bactérias da Clamídia presentes na sua superfície, mas não precisa de os deitar fora. Tem de os limpar cuidadosamente e não deve usá-los durante pelo menos 48 horas depois de os limpar, mas a bactéria, chamada Chlamydia Trachomatis, não consegue viver muito tempo fora do corpo humano. A Clamídia transmite-se geralmente através do contacto sexual direto e da troca de fluidos sexuais, como fluidos vaginais, sémen ou líquido pré-ejaculatório, que contenham a bactéria. Através do sexo vaginal, anal ou oral, estes fluidos sexuais infetados podem entrar diretamente em contacto com membranas mucosas dentro da vagina, do reto ou da uretra e propagar a bactéria. Por esse motivo a probabilidade de a doença se propagar através de brinquedos sexuais é reduzida, embora exista esse risco, especialmente se a superfície do brinquedo sexual for algo porosa, propiciando a permanência da bactéria nela. Utilizar brinquedos sexuais entre parceiros sem os limpar também favorece o contágio. É essencial limpar bem os brinquedos sexuais antes e depois de cada uso, e também depois de cada uso entre parceiros.

 

Seduza na cozinha

 

 

Cozinhar e Seduzir são artes deliciosas que envolvem a cabeça, o corpo e o coração. Os bons amantes são inspirados pela paixão, tal como são os grandes chefes de cozinha. A cozinha de sedução, definida pela utilização de receitas de fácil preparação, permite que o cozinheiro passe menos tempo na cozinha e mais tempo envolvido no amor. Explorando comidas que puxam pela sensualidade, sabor, cheiro e toque, vai estimular o apetite sexual do seu parceiro. Escolha pratos que saciem mas que não enfartem e façam o seu parceiro ficar com água na boca.

Comidas sedutoras fazem-nos sentir mais enérgicos, promovendo uma sensação de bem-estar e aumento do vigor. Por coincidência, as comidas consideradas afrodisíacas são aquelas que têm vibrações refrescantes, evocações visuais, e aromas e nutrientes necessários para melhorar o desempenho sexual. Muitas pessoas questionam se os afrodisíacos resultam mesmo. Nem todos estão provados cientificamente, mas lembre-se que a imaginação pode ir longe na arte da sedução, e servir estas comidas sensuais com um ambiente provocante leva qualquer amante ao êxtase. Para além disso, servir uma refeição sedutora com um forte sentido de humor e num ambiente de harmonia vai provocar a melhor recompensa. Seja curiosa e experimente coisas novas. Use uma venda de olhos, vista-se, dispa-se, não vista nada… pois aparecer nua com a sobremesa faz com que tudo se mova na direcção certa. Por último, use a empatia quando cozinhar para o seu parceiro, seja sensível às suas preferências culinárias e alergias. Nada pode estragar mais o ambiente como ele dizer que “detesta ostras”, ou um caso de urticária.

“Só tive o meu primeiro orgasmo ao fim de dois anos!”

Resultado de imagem para worried woman “Há dois anos que tenho uma vida sexual ativa, mas só recentemente tive o meu primeiro orgasmo, e nem sequer estava a ter relações sexuais. Será que há alguma coisa errada comigo?”

 Diana, Valongo

 

Cara leitora,

O orgasmo feminino não acontece, na maior das vezes, através da penetração, não sendo anormal que tenha experienciado o seu primeiro orgasmo ao fim de dois anos. No entanto, para que tenha uma vida sexual satisfatória e plena é muito importante conhecer bem o seu corpo, o que pode fazer através da masturbação, para saber exatamente que tipo de estimulação lhe proporciona mais prazer e para que seja mais fácil atingir o orgasmo – porque embora não seja obrigatório ter um orgasmo sempre que tem relações sexuais, ele é importante para que se sinta satisfeita a nível sexual. Explore o seu corpo e as suas próprias fantasias, há mulheres que conseguem ter um orgasmo apenas através das suas fantasias, sem qualquer tipo de estimulação física (cerca de 2% das mulheres conseguem ter orgasmos só através da estimulação mental – lembre-se que a mente é a nossa zona mais erógena). Converse com o seu companheiro, se tem par, e explorem também juntos outro tipo de toques e de carícias, investindo mais nos preliminares antes de passar à penetração, proporcionando-lhe mais prazer a si também.

 

“Ela fica muito lubrificada!”

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 “Quando eu e a minha namorada temos relações sexuais ela fica extremamente lubrificada, muito mais do que eu, que me considero uma mulher “normal”, e ela sente-se desconfortável com isso, apesar de não me fazer diferença. Porque é que isto acontece? Será algum problema de saúde?”

 

Luísa, Almada

 

Cara leitora,

A lubrificação vaginal durante o ato sexual é geralmente um sinal de excitação, facilitando a penetração, tanto com um pénis, no caso de uma relação heterossexual, como de um vibrador ou dildo, ou dos dedos, numa relação entre duas mulheres. Não há uma definição de “normal” na medida em que há muitas mulheres que têm uma lubrificação abundante, e muitas outras que libertam menor quantidade de fluxo, havendo também muitas mulheres que não conseguem produzir uma quantidade suficiente de fluxo, necessitando de usar um lubrificante para facilitar a penetração. Para além de variar de mulher para mulher, a quantidade de fluido segregada através da excitação varia também consoante a fase do ciclo menstrual em que a mulher se encontra. Fatores como a dieta, a toma de alguns medicamentos, o stress e possíveis infeções também influenciam a produção e segregação de fluidos vaginais. É importante saber se a sua namorada sempre teve um fluxo assim tão abundante, e se ele vem acompanhado por um odor mais forte do que o habitual, se tem alterações na cor ou na consistência. Deve consultar o seu ginecologista pois um fluxo excecionalmente abundante pode ser indicador de uma infeção vaginal que precisa de ser tratada. Algumas doenças e infeções podem também causar alterações nos fluidos vaginais. Mesmo que esta condição seja apenas uma caraterística dela, sem estar associada a nenhum problema de saúde, o seu ginecologista poderá aconselhá-la sobre os produtos de higiene íntima mais adequados para ela.

“Ele sente dores quando me penetra!”

Resultado de imagem para sad couple “Eu e o meu namorado perdemos a virgindade juntos, e estamos ambos muito apaixonados um pelo outro. O problema é que ele não é circuncidado e diz que sente dores muito fortes quando me penetra, causadas pela pele do pénis a ser puxada. Por causa disto ele nunca consegue ter um orgasmo através da penetração. O que podemos fazer?”

 Vanessa, Famalicão

 

Cara leitora,

Antes de mais a situação que descreve precisa de ser vista por um médico, porque mesmo que um homem não seja circuncidado não deve sentir qualquer tipo de dor durante a penetração. As dores indicam que algo não está a funcionar devidamente, e nesse sentido ele precisa de ser imediatamente examinado para que possa ser detetada a origem desse desconforto e essa situação possa ser devidamente tratada. A penetração em si nunca deve causar desconforto nem dor. Esta pode ser resultante de uma inflamação ou de uma infeção, como por exemplo uma balanite, que causa vermelhidão e dor no pénis e no prepúcio, ou uma fimose, que pode aparecer em pénis não circuncidados como resultado de irritações e inflamações, deixando o prepúcio demasiado apertado para ser completamente puxado para trás, ou ainda uma parafimose, na qual o prepúcio não consegue sequer ser puxado para trás da cabeça do pénis, e que difere da fimose na medida em que o prepúcio fica “preso” quando é puxado para trás da cabeça do pénis, sendo considerada uma emergência médica. Por outro lado, também há uma condição médica designada como frenulum breve ou freio curto, em que o prepúcio se retrai apenas parcialmente. Se o freio prepucial for curto ou não tiver a elasticidade necessária não permitirá que a pele do prepúcio se retraia na totalidade, causando dor. Para além destas existem outras possibilidades, pelo que o seu namorado deve ser de imediato visto por um médico para que este decida qual o melhor tratamento ou intervenção a fazer.

“Ela nunca sentiu desejo sexual…”

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“Tenho 23 anos e noutro dia, numa conversa mais íntima com a minha melhor amiga, ela confessou-me que não sente nem nunca sentiu qualquer desejo sexual por ninguém, daí nunca ter tido um namorado. É normal isto acontecer?”

Catarina, Massamá

 

Cara leitora,

A assexualidade consiste na falta de interesse pelo sexo ou na falta de atração pelos outros. Embora não haja muita pesquisa feita nesse campo, crê-se que 1% da população é assexuada, sendo que as pessoas que sofrem deste problema não sentem necessidade do envolvimento íntimo com outra pessoa, embora possam, em alguma fase da vida, experimentar necessidades sexuais, às quais respondem pela masturbação. Mesmo sendo assexuais, as pessoas podem envolver-se em relacionamentos emocionais, pois apesar de não terem necessidade de envolvimento sexual continuam a ter necessidade de envolvimento afetivo e a vontade de estarem num relacionamento. De um modo geral, havendo compreensão mutua, pode haver entendimento num casal em que ambos ou um dos membros são assexuais, encontrando outras formas de trazer satisfação à relação e de a fortalecer.

 

“Tenho herpes genital… quando posso voltar a ter relações?”

“Tenho 26 anos e uma vida sexual ativa. No entanto, recentemente comecei a ter sintomas estranhos e fui ao médico, que me diagnosticou herpes genital. Estou com receio de contagiar uma parceira, apesar de não ter namorada envolvo-me regularmente com raparigas que conheço. Tendo herpes genital posso ter relações sexuais novamente? Agradeço que me esclareça pois não me imagino a viver sem ter relações sexuais.”

Joaquim, Vilamoura

Caro leitor,

O facto de ter contraído o vírus da Herpes Genital é uma situação bastante desconfortável, mas não faz com que a sua vida sexual tenha chegado ao fim. Compreendo que não seja fácil falar com outras pessoas a respeito deste problema, e muito menos com uma possível parceira, mas é essencial que o faça para preservar a saúde das pessoas com quem se envolve a nível sexual e a sua própria saúde. Existem alguns cuidados que deve ter assim que decida recomeçar a sua vida sexual. Deve utilizar sempre um preservativo, mesmo com uma parceira que conheça bem, pois dessa forma diminui as probabilidades de passar o vírus. É também muito importante que cesse qualquer tipo de contacto sexual assim que note que tem feridas, pois é nesse período que você está mais contagioso. O médico pode (se ainda não o fez) prescrever-lhe medicação que lhe permita reduzir a frequência de incidência do vírus, diminuindo as probabilidades de contágio. Desde que tenha em atenção estes cuidados, não há nada que o impeça de ter uma vida sexual ativa e normal.

“Tenho um testículo muito grande…”

“Desde a adolescência que notei que tenho um testículo maior do que o outro e, ao olhar para os meus colegas no balneário, notava que o meu testículo é maior do que o normal. Tenho uma namorada e temos uma vida sexual ativa, mas esta situação deixa-me constrangido e preocupado. É normal isto acontecer?”

 

Luís, Covilhã

 

Caro leitor,

É normal que os testículos sejam assimétricos, assim como acontece com o peito ou com os pés e as mãos. No entanto, deve consultar um médico pois apenas com um exame presencial ele pode esclarecer se essa situação se trata meramente de uma caraterística anatómica, despistando problemas de saúde. Quando um testículo aumenta de tamanho ou muda de textura, cor ou densidade, pode ser indicativo de um problema de saúde. Sentir dores nos testículos pode ser um indício de uma doença, também, e por isso sempre que é detetada uma situação fora do normal ela deve ser de imediato analisada por um especialista. No seu caso, visto que cresceu com essa assimetria e mantém uma vida sexual dentro da normalidade, não será à partida mais do que uma caraterística sua, mas de qualquer dos modos deve ser visto pelo médico.

“É seguro tomar sempre a pílula para nunca ter o período?”

Combined Hormonal Contraceptive Pill (the Pill) | Family Planning NSW

“Gostava de saber se posso tomar sempre a pílula ininterruptamente, para nunca ter o período. Isso pode trazer riscos para a saúde?”

 

Cláudia, Mafra

 

Cara leitora,

A supressão menstrual, isto é, a toma contínua da pílula para suprimir o período, divide a classe médica. É fundamental pedir a opinião do seu médico assistente, que conhece o seu caso e por isso poderá indicar-lhe se mediante o seu historial clínico pode ou não adotar esse método. A toma ininterrupta da pílula faz com que esteja sempre com os seus níveis hormonais a serem controlados exteriormente, e isso pode trazer os mesmos efeitos secundários que se manifestam em algumas mulheres quando começam a tomar a pílula, tais como o sangramento ocasional, sintomas que se confundem com uma gravidez ou mesmo deixar de ter período depois de cessar com a toma da pílula, levando alguns meses a regularizar. Este método pode ser adotado durante alguns meses ou mesmo um ano, mas não é uma solução a longo prazo.

 

“O herpes genital transmite-se, mesmo com preservativo?”

Worried Couple Having Problems and Stock Footage Video (100% Royalty-free)  24498698 | Shutterstock

“O meu namorado teve herpes genital há alguns meses. Evitámos ter relações sexuais, mas houve uma vez em que fizemos amor, utilizando preservativo. É possível transmitir o vírus mesmo usando o preservativo?

Carla, Sacavém

 

Cara leitora,

O herpes genital é uma das doenças sexualmente transmissíveis mais comuns, e é causada por um vírus. Embora a probabilidade de a sua transmissão usando o preservativo ser reduzida, o contágio do parceiro não está fora de questão, porque durante o contacto sexual (vaginal, anal ou oral) as áreas que se encontram desprotegidas estarão em contacto direto com a pele de ambos. Todavia, para que seja possível a transmissão é necessário que o vírus esteja ativo. Os sintomas mais salientes são bolhas, ardor, comichão e dor. É importante ter em conta que este vírus pode voltar a reaparecer no corpo do seu portador, uma vez que o herpes não tem uma cura definitiva. Assim, é essencial ter bastante cuidado na coordenação da vida sexual e seguir escrupulosamente as indicações médicas de forma a salvaguardar o bem-estar de quem é portador do vírus e a integridade física do parceiro.

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