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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Herpes genital entre mulheres”

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“Sou lésbica e gostava de saber mais sobre a transmissão de herpes entre mulheres, pois tenho herpes, a minha namorada sabe, sou assintomática e não quero transmitir-lhe.”

 

Teresa, Damaia

Cara leitora,

para evitar a transmissão do herpes o primeiro passo é aquele que já deu, que é comunicar ao parceiro ou parceira a sua situação. Em qualquer relação, homossexual ou heterossexual, importa evitar o contacto direto com áreas infetadas da pele quando o vírus está ativo, embora também possa haver contágio sem que haja manifestações físicas como feridas ou bolhas, pelo que é necessário ter ainda mais cuidado. Consulte o seu médico para saber que medicação deve tomar de forma a evitar surtos de herpes. O risco de transmissão varia conforme o tipo de Herpes. De um modo geral, sempre que começa a sentir ardor ou o tipo de sintomas que antecede um período ativo, devem evitar o contacto direto com as áreas onde costuma ter manifestações. Usar barreiras dentais (ou um preservativo aberto, que pode cortar para ficar com a forma de um quadrado, que não deve ter lubrificante) pode ser uma boa opção. Sempre que há erupções, feridas ou bolhas, seja que tipo de Herpes for e em que parte do corpo for, deve evitar-se o contacto direto, pois elas contêm uma grande carga viral e fazem com que haja maiores riscos de contágio. Se usarem brinquedos sexuais usem preservativos ou outra barreira de proteção para cobri-los, e tenham o cuidado de retirar essas barreiras e não usarem esses brinquedos nela logo depois de terem sido usados em si (precisam de ser lavados e desinfetados). O mesmo deve ser feito em relação à penetração manual, usando sempre uma barreira protetora. Existe, também, medicação que ajuda a suprimir a carga viral, pelo que deve aconselhar-se com o seu médico.

 

“Sexo ao telefone… como fazer?”

You Should Try Phone Sex During the Coronavirus Quarantine - InsideHook

 

“Eu e o meu namorado vivemos em cidades distintas e, devido ao confinamento e às restrições de circulação entre conselhos, temos estado mais tempo afastados. Ele já deu a entender que gostava de fazer sexo pelo telefone mas eu sou tímida e não sei como posso fazer isso…”

 

Gabriela, Famalicão

 

Cara leitora,

Em primeiro lugar importa reforçar que nunca deve fazer algo com que não se sente confortável, quer seja porque se sente indiretamente pressionada, quer por imposição explícita de outra pessoa, quer seja porque acha que é aquilo que é esperado de si. em segundo lugar, o sexo ao telefone pode ser estimulante e uma boa forma de superar distâncias e apimentar uma relação, mas requer que haja confiança mútua. Por fim, quanto à sua questão, tudo depende da sua relação: evite ideias pré-concebidas, deixe que a conversa flua nesse sentido, de forma tranquila, como aconteceria se estivessem juntos fisicamente. Faça-o num lugar onde está à vontade e sabe que pode ter privacidade. Pode começar por expressar o que gostaria de fazer com ele se estivessem juntos, sendo o mais descritiva possível, mas sempre sem se obrigar a seguir “um guião”. O que mais importa é a proximidade, deixe que a conversa flua como se estivessem perto. Uma vez que não se vêem nem se tocam, as palavras importam, assim como os sons, a respiração… Tudo aquilo que faça com que se sintam mais próximos. Caso se sintam à vontade podem, inclusivamente, explorar os próprios corpos e ir partilhando aquilo que estão a sentir.

 

“As mulheres sentem dores nos ovários quando não atingem o orgasmo?”

“Tenho uma questão que gostava que me esclarecesse: da mesma forma como os testículos de um homem podem doer quando está sob tensão sexual mas depois não consegue atingir o orgasmo, será que se passa o mesmo com os ovários de uma mulher?”

 

António, Coimbra

Caro leitor,

De facto quando um homem está sexualmente excitado mas não ejacula pode sentir uma espécie de picadas dolorosas nos testículos. No caso das mulheres, é mais provável sentir um ardor forte nos lábios vaginais, no clítoris e na entrada da vagina. Isto sucede porque quando os homens ou as mulheres ficam sexualmente excitados as artérias bombeiam o sangue para a região genital, enquanto as veias nessa zona se apertam para manter o sangue lá. No caso dos homens, isto faz com que o pénis fique ereto e com que os testículos aumentem de tamanho, enquanto no caso das mulheres os lábios vaginais, a vagina e o clítoris incham e ficam mais lubrificados, assim como o peito e os mamilos também aumentam ligeiramente de tamanho, ficando muito mais sensíveis. O batimento cardíaco, a respiração e a tensão muscular intensificam-se à medida que a excitação sexual aumenta, conduzindo ao orgasmo. Quando um homem tem um orgasmo e ejacula, o sémen é expelido vigorosamente, assim como quando a mulher tem um orgasmo o útero e os músculos pélvicos se contraem em ondas rítmicas, ejaculando fluido vaginal. Após o orgasmo, o corpo quer do homem quer da mulher retoma rapidamente para um estado relaxado, em que as artérias e as veias retomam o seu tamanho e funcionamento normal, fazendo com que o sangue que afluiu àquela zona se disperse, aliviando a tensão criada. Quando não há um orgasmo, isto não acontece, o que faz com que o sangue demore muito mais tempo a dispersar-se, e a pressão que continua a ser exercida durante mais tempo na zona genital pode ser um tanto dolorosa. A masturbação que conduz ao orgasmo ou um duche podem ajudar a atenuar estes sintomas, fazendo-os desaparecer.

 

“O clítoris dela é muito pequeno!”

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“A minha namorada tem um clítoris que me parece muito pequeno comparativamente com o de namoradas anteriores que tive, e a verdade é que ela não atinge o orgasmo durante a relação sexual. Gostava de saber se há algum tipo de correção que possa ser feita para que ela tenha mais prazer, expondo mais o clítoris.”

Tiago, Queluz

 

Caro leitor,

O tamanho do clítoris é uma variação anatómica que muda de mulher para mulher e não condiciona o prazer ou o número de orgasmos que uma mulher pode ter. O capuz do clítoris protege-o da estimulação excessiva, pelo que removê-lo ou afastá-lo não é uma solução a ter em conta, pois como o clítoris possui uma elevada concentração de nervos é extremamente sensível. Não ter orgasmos durante a penetração também não é algo que seja incomum, pois muitas mulheres precisam de outro tipo de estimulação para os terem. Procurem juntos outras formas de ela ter prazer, como através da estimulação oral, e investindo mais tempo nos preliminares para que ela esteja mais excitada e possa mais facilmente ter um orgasmo.

 

“O impulso sexual de um homem diminui com a idade?”

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“Tenho quase 30 anos e estou algo apreensivo com uma questão. Sempre fui muito ativo sexualmente, pelo que me preocupa a ideia que o impulso sexual de um homem possa diminuir com o avançar da idade. Isso é possível? Se sim, há algo que eu possa fazer para evitá-lo?”

Pedro, Bragança

Caro leitor,

Felizmente nem tudo o que é bom acaba. O desejo e o impulso sexual no homem e na mulher diminui gradualmente com a idade, mas a testosterona, a hormona que controla o impulso sexual no homem, nunca deixa inteiramente de ser produzida. Alguns homens de 70 e 80 anos continuam a ter uma libido ativa mesmo com níveis diminuídos de testosterona. Para além da idade, a libido pode ser afetada, em qualquer momento da vida, por fatores como o stress, a fadiga, preocupações com o trabalho, efeitos secundários dos medicamentos, insatisfação com a relação ou falta de interesse pela parceira, entre outras. A vida sexual do homem vai sofrendo alterações mesmo que o desejo se mantenha. Enquanto que aos 20 é menos frequente terem sonhos molhados e masturbarem-se menos, no final dos 20 e aos 30 podem notar que o pénis não fica tão ereto como costumava e que precisam de maior estimulação para terem uma ereção. Aos 40, 50, pode precisar de estimulação direta para ter uma ereção, que pode não ser tão plena como era habitualmente, tendo também maior facilidade em perdê-la. O ângulo de ereção também pode variar ao longo do tempo, bem como a força da ejaculação. Aos 50, 70 anos torna-se mais difícil conseguir que a excitação leve à ereção, levando também mais tempo a ejacular. É importante lembrar que estas mudanças fazem parte do processo de envelhecimento natural do corpo e que não acontecerão todas de uma vez, do mesmo modo como convém não esquecer que cada pessoa tem o seu ritmo próprio, pelo que deve desfrutar da sua sexualidade em pleno e sem ansiedade.

 

Como é que se usam as barreiras dentais?

 

Sou lésbica e gostava de fazer sexo seguro. Já ouvi falar nas barreiras dentais e já li sobre sugestões como abrir um preservativo ou usar película aderente, porém nunca encontrei nenhuma explicação concreta sobre como usá-las, como colocá-las de forma correta e como superar a falta de contato direto, ou como usar os dedos para fazer a penetração com a barreira, por exemplo. Pode esclarecer-me?

Carolina, Lisboa

 

Cara leitora,

As barreiras dentais, criadas originalmente para ajudar os dentistas durante uma intervenção cirúrgica, são de facto um bom método de praticar sexo seguro entre mulheres. Servem especialmente no sexo oral, criando uma barreira que impede a transmissão de vírus e bactérias. Para a posicionar corretamente, pode usar um lubrificante à base de água (os lubrificantes com base de óleo podem danificar o látex), que aumente a aderência da barreira à vulva ou ao ânus, de forma a que não se desloque e dessa forma impeça o contacto com os fluidos. Pode pedir à pessoa a quem está a fazer sexo oral que a mantenha no sítio com os dedos, o que pode tornar-se uma brincadeira divertida para ambas. Relativamente à penetração, as barreiras dentais destinam-se apenas ao sexo oral. Pode usar em alternativa um preservativo ou pode experimentar criar uma barreira utilizando uma luva de látex. Tenha sempre cuidado, no entanto, para que não haja buracos nem fissuras na parte que vai utilizar, para que a proteção não seja comprometida. Use cada barreira apenas de um lado e somente numa parte do corpo, passá-la do ânus para a vulva pode causar infeções.

 

“Preciso de ajuda para ter orgasmos!”

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 “Tenho 22 anos e apesar de já ter iniciado a minha vida sexual, tenho dificuldades em conseguir atingir o orgasmo, pelo que gostava que me ajudasse nesse sentido. O que posso fazer para ter orgasmos mais facilmente enquanto estou a fazer amor com o meu namorado?”

Cátia, Caneças

 

Cara leitora,

O orgasmo é o ponto em que toda a tensão que o corpo vai acumulando é subitamente libertada sob a forma de uma série de contrações musculares involuntárias e que proporcionam prazer, e que se podem sentir na vagina, no útero e no reto. Pressionar e massajar o clítoris conduz a essa tensão e a inúmeras sensações de estremecimento e de preenchimento pélvico. Há muitas mulheres que têm dificuldade em alcançar o orgasmo, quer seja sozinhas quer com um parceiro. A vergonha em tocar o próprio corpo, a falta de conhecimento do mesmo e medos desconhecidos são apenas alguns dos fatores que dificultam esta libertação física, cuja componente psicológica é também muito importante. Os orgasmos podem ter intensidades diferentes, conforme a mulher, o momento, o tipo de estimulação, o parceiro, etc. Para conseguir ter um orgasmo mais facilmente, evite concentrar-se mais nos pensamentos do que nas sensações, pois é fácil distrair-se com ideias que a afastam do seu propósito, como por pensar se está a agir corretamente, pensar no que o parceiro pode estar a pensar ou se está impaciente, aborrecendo-se consigo mesma e desistindo dos estímulos que está a receber. Não deve também alimentar o receio de não conseguir ter um orgasmo ou de pedir mais do seu parceiro, pois dessa forma estará a criar uma pressão mental que tornará mais difícil a libertação. Os sentimentos de culpa a respeito do sexo, ou pensar que se devia concentrar mais no seu parceiro, são também prejudiciais, bem como querer acelerar o processo. Dê mais tempo a si própria e deixe-se apenas guiar pelas sensações e pelo seu próprio prazer, deixando-se ir, e verá como se tornará mais fácil.

 

“Acho que tive um sonho molhado…”

“Tenho 16 anos e recentemente acordei com a região genital húmida, e lembro-me que estava a sonhar que fazia amor com um rapaz pelo qual me sinto muito atraída. Como tal, gostava que me esclarecesse: as raparigas também podem ter sonhos húmidos?”

 

Sofia, Barreiro

 

Cara leitora,

Tal como os homens, as mulheres também podem ter sonhos molhados, embora nem todas as mulheres os tenham. Devido à ejaculação, é mais fácil os homens aperceberem-se que tiveram um sonho molhado, mas as mulheres que experienciam a excitação sexual durante o sonho também têm secreções vaginais, ficando lubrificadas enquanto dormem. De acordo com estudos efetuados verificou-se que a percentagem de rapazes e homens que têm sonhos molhados é maior relativamente às mulheres, o que aliado ao facto de a sexualidade masculina ter sido desde sempre muito mais falada do que a sexualidade feminina, contribui para que os sonhos molhados das mulheres não sejam geralmente referidos. Não se preocupe e desfrute da sua sexualidade em pleno, pois a experiência que teve é perfeitamente normal e faz parte da vida de qualquer ser humano.

“Às vezes mais parece que estou a fazer amor sozinho…”

Free Photo | Worried man sitting on bed in the morning, serious thinking  something“Há algum tempo que a minha esposa participa muito pouco na vida sexual. Às vezes mais parece que estou a fazer amor sozinho. Estou a ficar intrigado. Será que ela tem outra pessoa?”

 Mário, Lousã

 

Caro leitor,

Antes de tomar qualquer decisão ou criar qualquer história na sua cabeça é importante que converse sem tabus e preconceitos com a sua esposa, pois a sua mudança de atitude poderá estar associada a algum problema que esteja a atravessar e não partilhou consigo. Neste tipo de situação, o diálogo é imprescindível porque, por vezes, a solução encontra-se ao nosso alcance, mas por falta de compreensão ou ausência de diálogo as situações vão-se agravando sem que as pessoas se apercebam. Assim sendo, seja objetivo e aborde de forma cautelosa a sua esposa, perguntando o que se passa com ela, mostrando interesse com o seu dia-a-dia e, muito importante, sendo bastante carinhoso. Estes gestos são importantes para que ela se sinta acompanhada e amada. Se mesmo depois da sua intervenção, ela se mostrar demasiadamente apática, o melhor será recorrer à ajuda de um médico.

“Fazer amor é uma tortura…”

“Tenho 25 anos e quase nenhum desejo sexual, quer esteja sozinha ou com um namorado. Fazer amor é, muitas vezes, uma verdadeira tortura, pois não tenho qualquer vontade. Sei que existe a assexualidade e tenho algum receio de ser assexual, poderá ajudar-me a determinar se tenho esse problema e indicar-me, nesse caso, aquilo que posso fazer?”

Sandra, Barcarena

 

Cara leitora,

A assexualidade define-se pela falta de interesse ou atração sexual pelos outros. Cerca de um por cento da população poderá sofrer deste problema, sendo que neste caso a pessoa não sente qualquer desejo sexual ou de intimidade. Podem, até, ter sido sexuais em dado ponto das suas vidas, e podem sentir alguns impulsos sexuais, masturbando-se, mas não desejam ter relações sexuais com outra pessoa. Mesmo sem esta necessidade de intimidade física, muitas pessoas que sofrem de assexualidade criam laços afetivos estáveis, sendo essencial neste caso falarem abertamente com o parceiro para poderem encontrar juntos uma solução. Fazer amor como se de uma obrigação se tratasse não a faz feliz a si nem ao seu namorado, que provavelmente acaba por aperceber-se da sua falta de vontade e pode pensar que a “culpa” é dele. Procure compreender aquilo que a faz não ter qualquer vontade de fazer amor, pois poderá relacionar-se com um trauma ou bloqueio de infância ou até com o desconforto com o seu próprio corpo, ou vergonha em relação à sua sexualidade. Considere, também, que pode tratar-se de falta de vontade em estar com o seu parceiro em particular. E aconselhável que procure aconselhar-se com um terapeuta que possa acompanhar o seu caso em particular, ajudando-a a compreender a situação e a encontrar formas de a superar.

 

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