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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Sexo ao telefone… como fazer?”

You Should Try Phone Sex During the Coronavirus Quarantine - InsideHook

 

“Eu e o meu namorado vivemos em cidades distintas e, devido ao confinamento e às restrições de circulação entre conselhos, temos estado mais tempo afastados. Ele já deu a entender que gostava de fazer sexo pelo telefone mas eu sou tímida e não sei como posso fazer isso…”

 

Gabriela, Famalicão

 

Cara leitora,

Em primeiro lugar importa reforçar que nunca deve fazer algo com que não se sente confortável, quer seja porque se sente indiretamente pressionada, quer por imposição explícita de outra pessoa, quer seja porque acha que é aquilo que é esperado de si. em segundo lugar, o sexo ao telefone pode ser estimulante e uma boa forma de superar distâncias e apimentar uma relação, mas requer que haja confiança mútua. Por fim, quanto à sua questão, tudo depende da sua relação: evite ideias pré-concebidas, deixe que a conversa flua nesse sentido, de forma tranquila, como aconteceria se estivessem juntos fisicamente. Faça-o num lugar onde está à vontade e sabe que pode ter privacidade. Pode começar por expressar o que gostaria de fazer com ele se estivessem juntos, sendo o mais descritiva possível, mas sempre sem se obrigar a seguir “um guião”. O que mais importa é a proximidade, deixe que a conversa flua como se estivessem perto. Uma vez que não se vêem nem se tocam, as palavras importam, assim como os sons, a respiração… Tudo aquilo que faça com que se sintam mais próximos. Caso se sintam à vontade podem, inclusivamente, explorar os próprios corpos e ir partilhando aquilo que estão a sentir.

 

“As mulheres sentem dores nos ovários quando não atingem o orgasmo?”

“Tenho uma questão que gostava que me esclarecesse: da mesma forma como os testículos de um homem podem doer quando está sob tensão sexual mas depois não consegue atingir o orgasmo, será que se passa o mesmo com os ovários de uma mulher?”

 

António, Coimbra

Caro leitor,

De facto quando um homem está sexualmente excitado mas não ejacula pode sentir uma espécie de picadas dolorosas nos testículos. No caso das mulheres, é mais provável sentir um ardor forte nos lábios vaginais, no clítoris e na entrada da vagina. Isto sucede porque quando os homens ou as mulheres ficam sexualmente excitados as artérias bombeiam o sangue para a região genital, enquanto as veias nessa zona se apertam para manter o sangue lá. No caso dos homens, isto faz com que o pénis fique ereto e com que os testículos aumentem de tamanho, enquanto no caso das mulheres os lábios vaginais, a vagina e o clítoris incham e ficam mais lubrificados, assim como o peito e os mamilos também aumentam ligeiramente de tamanho, ficando muito mais sensíveis. O batimento cardíaco, a respiração e a tensão muscular intensificam-se à medida que a excitação sexual aumenta, conduzindo ao orgasmo. Quando um homem tem um orgasmo e ejacula, o sémen é expelido vigorosamente, assim como quando a mulher tem um orgasmo o útero e os músculos pélvicos se contraem em ondas rítmicas, ejaculando fluido vaginal. Após o orgasmo, o corpo quer do homem quer da mulher retoma rapidamente para um estado relaxado, em que as artérias e as veias retomam o seu tamanho e funcionamento normal, fazendo com que o sangue que afluiu àquela zona se disperse, aliviando a tensão criada. Quando não há um orgasmo, isto não acontece, o que faz com que o sangue demore muito mais tempo a dispersar-se, e a pressão que continua a ser exercida durante mais tempo na zona genital pode ser um tanto dolorosa. A masturbação que conduz ao orgasmo ou um duche podem ajudar a atenuar estes sintomas, fazendo-os desaparecer.

 

“O clítoris dela é muito pequeno!”

Ver a imagem de origem

 

“A minha namorada tem um clítoris que me parece muito pequeno comparativamente com o de namoradas anteriores que tive, e a verdade é que ela não atinge o orgasmo durante a relação sexual. Gostava de saber se há algum tipo de correção que possa ser feita para que ela tenha mais prazer, expondo mais o clítoris.”

Tiago, Queluz

 

Caro leitor,

O tamanho do clítoris é uma variação anatómica que muda de mulher para mulher e não condiciona o prazer ou o número de orgasmos que uma mulher pode ter. O capuz do clítoris protege-o da estimulação excessiva, pelo que removê-lo ou afastá-lo não é uma solução a ter em conta, pois como o clítoris possui uma elevada concentração de nervos é extremamente sensível. Não ter orgasmos durante a penetração também não é algo que seja incomum, pois muitas mulheres precisam de outro tipo de estimulação para os terem. Procurem juntos outras formas de ela ter prazer, como através da estimulação oral, e investindo mais tempo nos preliminares para que ela esteja mais excitada e possa mais facilmente ter um orgasmo.