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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

 “Sangrei depois do sexo anal”

“Eu e o meu marido costumamos fazer sexo anal, mas da última vez notei que depois havia sangue no pénis dele, embora não tivéssemos detetado qualquer ferida. No entanto, no dia seguinte senti dores internas mas não consegui detetar o local exato onde estão. É normal isto acontecer com o sexo anal, ou devo ir ao médico?”

 

Cátia, Faro

Cara leitora,

Não é frequente haver danos sérios causados pelo sexo anal, mas se houve perda de sangue e se tem dores deve sem dúvida consultar o seu médico. O sangue que referiu pode ser resultante de uma hemorroida, que consiste numa veia inchada na região anal. As hemorroidas podem libertar sangue, mas não causam normalmente as dores internas que descreve. Pode, também, ter uma fissura anal, que pode ser bastante dolorosa e que demora a cicatrizar pois encontra-se numa região muito delicada. Um problema menos frequente mas mais grave consiste num buraco ou perfuração do cólon, que requer uma cirurgia para ser reparado. É indispensável que consulte o médico para que possa saber exatamente de que se trata e começar a ter o tratamento adequado. Não pratique sexo anal enquanto não estiver completamente restabelecida e, quando voltar a fazê-lo, assegure-se que tomas as medidas necessárias de precaução. O seu parceiro deve penetrá-la de forma lenta e com suavidade, sem forçar o ânus, e devem usar bastante lubrificante. Se ele introduzir dedos no seu ânus deve garantir que as unhas estão curtas e limpas. Devem parar sempre que sentir dor ou desconforto, deve respirar profundamente e então retomar. A respiração ajuda o esfíncter a relaxar, evitando a dor causada pela tensão. Se estiver deitada de barriga para baixo quando o seu marido a penetra será também mais fácil e menos doloroso, visto que existe menos pressão anal.

“Tenho tido dificuldade em ficar lubrificada.”

T4L Workshop Image - sad woman on rainy day - Certified Career & Life Coach  for Women—Specialty: Transitions

“Tenho 36 anos e estou casada há 8. Eu e o meu marido nunca tivemos problemas a nível sexual, mas ultimamente tenho tido dificuldade em ficar lubrificada. Será que passado todos estes anos estou a ficar seca?”

 

Vânia, Matosinhos

 

Cara leitora,

Existem várias explicações para o seu problema. Pode dar-se o caso de ter uma infecção vaginal, que causa desconforto durante a penetração e, logo, dificuldade na lubrificação. Pode também dar-se o caso de estar a tomar algum medicamento que diminua a lubrificação ou o desejo sexual, fazendo com que tenha mais dificuldade em excitar-se sexualmente e atingir a lubrificação necessária para a penetração. Outra possibilidade é a leitora estar em fase de pré-menopausa. Apesar de a maioria das mulheres atingirem a menopausa em idades mais avançadas, existem excepções nas quais mulheres entram em fase de pré-menopausa por volta dos 35 ou 36 anos de idade. Se esse for o seu caso, a dificuldade em ficar lubrificada é devida a níveis irregulares de estrogénio, que nem sempre são acompanhados por ausência de menstruação. Aconselho-a a consultar um médico para descobrir qual a causa da sua dificuldade em ficar lubrificada, mas entretanto utilize lubrificante o que tornará a penetração bastante mais confortável.

“Sexo oral com aparelho nos dentes…”

60 Photos of Teenagers with Braces | Oral Answers

 

“Sou um jovem de 25 anos, gay, e uso aparelho nos dentes há cerca de meio ano. Devido ao confinamento tenho estado sozinho, mas tenho falado mais com um rapaz que estou a pensar conhecer melhor, o que me causou uma dúvida. Posso fazer sexo oral de forma segura sem preservativo? Tenho receio de magoar o meu parceiro ou de rasgar o preservativo devido ao aparelho…”

 

Hugo, Lagos

Caro leitor,

a proximidade física com uma pessoa que não conhece traz riscos acrescidos de contrair e propagar a Covid-19, pelo que não deve avançar para um envolvimento que possa pôr em risco a sua saúde e a dos outros. Se, tomando as medidas necessárias de segurança (estando ambos em isolamento social total durante pelo menos 14 dias), optarem por avançar, é imprescindível que use preservativo, pois independentemente daquilo que a outra pessoa lhe diz a verdade é que não o conhece nem sabe se contraiu infeções. É de lembrar que o facto de usar aparelho nos dentes aumenta drasticamente o risco de fazer cortes e feridas no pénis – e isso potencia a transmissão de infeções e doenças. Apesar de o HIV não ser facilmente transmitido através do sexo oral, há outras infeções sexualmente transmissíveis que se transmitem facilmente por esta via. Assim, o uso de preservativo é indispensável, e vai até ajudá-lo a ter maior cuidado, evitando assim magoar o seu parceiro. Uma vez que usa aparelho, explore outro tipo de estimulação – com o preservativo posto – e use a língua, os lábios, as mãos e outras partes do seu corpo para estimular o seu parceiro.

 

“Há riscos associados à laqueação das trompas?”

Before Falling In Love With An Emotional Girl With An Anxious Mind, Know  This

 

 

“Tenho 36 anos e não quero engravidar, já tenho um filho e não pretendo voltar a ser mãe. Há algum problema em fazer laqueação das trompas? Quais são os efeitos secundários? Será que vou ter desequilíbrios hormonais?”

 

Joana, Massamá

 

Cara leitora,

A laqueação das trompas é uma forma permanente de evitar uma gravidez e consiste em cortar, unir ou bloquear as trompas de Falópio – dois pequenos tubos que transportam o óvulo dos ovários até ao útero durante a ovulação. Há várias formas de proceder a esta intervenção cirúrgica, que é feita de acordo com aquilo que o médico considerar mais adequado ao seu caso. Estudos recentes apontam para o facto de este procedimento não provocar desequilíbrios hormonais significativos, mas é irreversível, pelo que deve sempre ter em conta que não poderá voltar a engravidar (é possível fazer uma cirurgia para voltar a engravidar, mas esta é bastante delicada e pode não assegurar uma gravidez). A laqueação de trompas não interfere com os níveis hormonais e, por isso, não provoca alterações no ciclo menstrual nem antecipa a menopausa. Os efeitos secundários são, essencialmente, os mesmos que estão implicados em qualquer intervenção cirúrgica: pode haver danos acidentais dos tecidos ou órgãos próximos, reações negativas à anestesia ou à medicação prescrita, infeções e dores.

Por outro lado, embora a laqueação de trompas apresente 99% de eficácia na prevenção de uma gravidez, aumenta o risco de uma gravidez ectópica, a qual acontece quando o óvulo é fertilizado e se desenvolve na trompa de Falópio. Essa situação põe em risco a vida da mulher e do feto, necessitando de intervenção imediata. Por fim, importa lembrar que a laqueação de trompas não protege contra infeções sexualmente transmissíveis, pelo que não substitui o uso de preservativo.

“Posso engravidar na primeira vez em que tiver relações sexuais?”

Premium Photo | Wondering woman posing while thinking 

“Eu e o meu namorado estamos a pensar em ter relações sexuais pela primeira vez, mas tenho 17 anos e tenho medo de engravidar se não usarmos preservativo. Há essa possibilidade? Somos ambos virgens.”

 

Tatiana, Porto

 

Cara leitora,

Em primeiro lugar dada o facto de estarmos a enfrentar uma pandemia deve redobrar os cuidados e evitar o contacto físico. Em segundo lugar, mesmo partindo do princípio que ambos são virgens, devem usar preservativo, que protege contra infeções sexualmente transmissíveis que podem ser contraídas em casas-de-banho públicas, por exemplo. Por último, e respondendo à sua questão, sim, é possível engravidar da primeira vez que tem relações sexuais. A fertilização do óvulo pelo espermatozoide nada tem a ver com a experiência sexual: se estiver no período fértil, e se tiver relações sexuais com penetração sexual vaginal, é possível engravidar. Há casais que levam anos a tentar uma gravidez e não têm sucesso, enquanto que há vários casos de mulheres que engravidam na sua primeira relação sexual. é, pois, uma questão relacionada com a fertilidade de ambos. Ponderem bem sobre este passo que pretendem dar, não corram riscos nem ponham em risco a saúde dos outros, tendo em conta o risco de transmissão da Covid-19, e usem preservativo se optarem por ter relações sexuais.

“Ela está cada vez mais distante…”

Worried man in the office by Wavebreakmedia | VideoHive

 

“Tenho uma relação há um ano com uma colega da Faculdade. No entanto, devido à situação atual da pandemia não nos vemos há mais de três meses e ela está cada vez mais distante, raramente demonstra amor por mim, pouco fala sobre nós nas mensagens que trocamos, está sempre ocupada com os estudos e está a pensar em arranjar emprego para ajudar os pais. A minha namorada foi violada quando era mais jovem e tem dificuldade em confiar em alguém. O que devo fazer nesta situação? Amo-a e não a quero perder.”

 

Rui, Funchal

Caro leitor,

A comunicação é sempre o elemento-chave em qualquer relação e, quer um casal partilhe a mesma casa, quer viva a quilómetros de distância, só ela pode construir um presente estável e assegurar um futuro sólido. O facto de a sua namorada ter sofrido abusos sexuais pode, sem dúvida, condicionar a forma como ela lida com as relações, exigindo da sua parte uma dose maior de compreensão, sabendo respeitar o tempo dela. No entanto, este afastamento pode não ter nada a ver com o passado: ela pode estar preocupada com a situação que está a viver, ou pode sentir que as suas próprias necessidades não são satisfeitas na vossa relação. Por isso, aconselho a que se mostre disponível para ouvi-la, explicando-lhe que sente falta de maior proximidade, mesmo que à distância, e sabendo respeitar a sua resposta e o seu tempo.

“Serão saudades da minha ex-namorada?”

worried man - Corporate Bytes

 

“Acabei uma relação há cerca de um ano e tenho outra namorada, que é linda e desejável. No entanto, de há uns tempos para cá comecei a sentir falta da minha ex-namorada, tenho andando em baixo e aconteceu-me uma coisa que nunca tinha sucedido antes, não consigo segurar a ereção. Será que se trata de uma depressão? A verdade é que perdi o interesse na minha namorada atual… devo contactar a minha ex?”

 

Cláudio, Beja

 

Caro leitor,

Por aquilo que descreve parece já ter encontrado a explicação para o seu problema. A depressão e o stress interferem no desempenho sexual, mas à partida o facto de pensar constantemente na sua ex pode estar relacionado com a perda de interesse pela sua parceira atual (e não o contrário). Se estivesse satisfeito com a sua relação atual não pensaria numa relação que, se fosse satisfatória, não teria terminado. Assim o melhor será terminar com a sua atual namorada e, antes de entrar em contacto com a sua ex, avaliar o que se passa consigo. Deve consultar o seu médico, caso tenha outros sintomas depressivos. Se continuar com o desejo de retomar o contacto com a sua ex pode fazê-lo, estando, no entanto, preparado para uma possível rejeição que pode, ainda assim, ajudá-lo a aceitar definitivamente o fim. Deve ter também em consideração o estado de calamidade em que vivemos, evitando correr riscos. Lembre-se também que só quando estiver tudo bem claro na sua cabeça pode e deve iniciar outro relacionamento – é mais honesto consigo, e com a pessoa com quem está.

 

“Ler na casa-de-banho provoca hemorroidas?”

What's the Scoop on Your Poop? | Augusta Health

“Sempre gostei de ler na casa-de-banho enquanto faço as minhas necessidades. Na adolescência lia banda desenhada, depois passei a ler revistas, livros e, nos últimos anos, costumo aproveitar esse tempo para fazer pesquisas através do telemóvel. Recentemente comecei a sofrer de hemorroidas e surgiu-me a dúvida:  será que elas estão relacionadas com o facto de passar mais tempo na casa-de-banho do que é suposto?”

 

Pedro, Braga

 

Caro leitor,

As hemorroidas consistem em veias que engrossam na parte inferior do reto e no ânus. Podem ocorrer fora do ânus, sendo visíveis, ou dentro do mesmo, não sendo detetáveis exteriormente. Embora ler na casa-de-banho, por si só, não cause hemorroidas, estar sentado na sanita durante períodos longos pode contribuir sim para a sua ocorrência. As hemorroidas podem ter várias causas, surgindo muitas vezes devido ao facto de ser exercida pressão na parte inferior do reto. Esta pode ser consequência de diversos fatores, nomeadamente uma gravidez, uma dieta pobre em fibras, sexo anal, levantamento regular de pesos no ginásio, problemas crónicos associados a diarreia ou a obstipação e, também, por ter de fazer maior pressão para defecar ou por estar muito tempo sentado na sanita. Procure adaptar essa sua atividade, pode continuar a ler vestido e com o tampo da sanita fechado! Se as hemorroidas não passarem com o tratamento ao fim de uma semana, deve recorrer novamente ao seu médico.

“Ele pede-me para lhe apertar o pescoço…”

Sore Throat - How to Get Rid of A Sore Throat | familydoctor.org

 

“Namoro há dois anos com o meu namorado e temos uma boa relação. No entanto, quando estamos a fazer amor ele pede-me que lhe aperte o pescoço com força antes dele ter um orgasmo. Eu tenho medo de o matar!”

 

Sandra, Aveiro

 

Cara leitora,

a asfixia induzida é uma prática usada por algumas pessoas para intensificar os orgasmos, sendo muito perigosa na medida em que pode facilmente provocar a morte ou danos irreversíveis para o cérebro. Há pessoas que apreciam esta prática porque o facto de o cérebro receber menos oxigénio faz com que o lóbulo frontal se “desligue” e, desse modo, a pessoa perca o autocontrolo, libertando-se mais a nível de fantasias e tendo mais intensidade de sensações, com a possibilidade de ter orgasmos mais intensos. No entanto, esta prática é muito perigosa, e como tal caso aceda em fazer-lhe a vontade é essencial que mantenham uma comunicação clara, e que avance com calma, parando ao mínimo sinal de desconforto dele. Devem estabelecer também um código de segurança, para que ele lhe possa pedir que páre. Nunca avance mais do que sente que é confortável para o seu marido e não prolongue essa atividade por mais que alguns segundos.

“A minha menstruação falhou”

worried-girl-413690_960_720“Tenho 33 anos e sempre fui muito regular, a minha menstruação surge a cada 3 semanas e meia. Desta vez, porém, já se passaram 5 semanas e não apareceu. Sei que não estou grávida porque não tenho relações sexuais e tenho estado em isolamento social há mais de dois meses, mas estou a ficar preocupada.”

 Nádia, Faro

Cara leitora,

A chamada amenorreia, que descreve a ausência de menstruação, é uma condição que surge na sequência de outros problemas de saúde, e por isso deve falar com o seu médico, especialmente se houver falha de três menstruações consecutivas. Ainda assim, uma das causas possíveis para esta condição é a exposição a situações de elevado stress, que pode ser aquilo que está a suceder consigo. Se não toma qualquer tipo de pílula, e se costuma ser sempre regular, esta alteração pode ser devida à mudança de hábitos, por estar mais tempo em casa, e a situações de stress e ansiedade. Convém também notar se tem outros sintomas a acompanhar a ausência de menstruação, nomeadamente dores de cabeça, vista turva ou problemas de visão, aumento de pêlo facial, mudanças no tamanho do peito, entre outras. As perdas acentuadas de peso são também uma possível causa para esta situação. Aconselho a que fale com o seu médico para que possa esclarecer a sua situação específica.

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