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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Ele pede-me para lhe apertar o pescoço…”

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 “Namoro há dois anos com o meu namorado e temos uma boa relação. No entanto, quando estamos a fazer amor ele pede-me que lhe aperte o pescoço com força antes dele ter um orgasmo. Eu tenho medo de o matar!”

 

Sandra, Aveiro

 

Cara leitora,

a asfixia induzida é uma prática usada por algumas pessoas para intensificar os orgasmos, sendo muito perigosa na medida em que pode facilmente provocar a morte ou danos irreversíveis para o cérebro. Há pessoas que apreciam esta prática porque o facto de o cérebro receber menos oxigénio faz com que o lóbulo frontal se “desligue” e, desse modo, a pessoa perca o autocontrolo, libertando-se mais a nível de fantasias e tendo mais intensidade de sensações, com a possibilidade de ter orgasmos mais intensos. No entanto, esta prática é muito perigosa, e como tal caso aceda em fazer-lhe a vontade é essencial que mantenham uma comunicação clara, e que avance com calma, parando ao mínimo sinal de desconforto dele. Devem estabelecer também um código de segurança, para que ele lhe possa pedir que páre. Nunca avance mais do que sente que é confortável para o seu marido e não prolongue essa atividade por mais que alguns segundos.

“A minha menstruação falhou”

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“Tenho 33 anos e sempre fui muito regular, a minha menstruação surge a cada 3 semanas e meia. Desta vez, porém, já se passaram 5 semanas e não apareceu. Sei que não estou grávida porque não tenho relações sexuais e tenho estado em isolamento social há mais de dois meses, mas estou a ficar preocupada.”

 

Nádia, Faro

Cara leitora,

A chamada amenorreia, que descreve a ausência de menstruação, é uma condição que surge na sequência de outros problemas de saúde, e por isso deve falar com o seu médico, especialmente se houver falha de três menstruações consecutivas. Ainda assim, uma das causas possíveis para esta condição é a exposição a situações de elevado stress, que pode ser aquilo que está a suceder consigo. Se não toma qualquer tipo de pílula, e se costuma ser sempre regular, esta alteração pode ser devida à mudança de hábitos, por estar mais tempo em casa, e a situações de stress e ansiedade. Convém também notar se tem outros sintomas a acompanhar a ausência de menstruação, nomeadamente dores de cabeça, vista turva ou problemas de visão, aumento de pêlo facial, mudanças no tamanho do peito, entre outras. As perdas acentuadas de peso são também uma possível causa para esta situação. Aconselho a que fale com o seu médico para que possa esclarecer a sua situação específica.

Ela quer fazer sempre a mesma coisa!”

Quarantines, Cabin Fever, And Baby Booms | Jack Fisher's Official  Publishing Blog“A minha esposa quer fazer amor sempre da mesma maneira porque acha que se assim temos prazer não há motivo para mudar. Já tentei pedir-lhe para fazermos outras posições mas ela não quer mudar, e confesso que isto me está a fazer perder o desejo por ela. O que hei-de fazer?”

Nuno, Sacavém

Caro leitor,

A questão principal tem a ver com a comunicação entre os parceiros. Nem sempre as duas pessoas apreciam o mesmo tipo de práticas, mas importa compreender quais são os motivos que levam a sua esposa a não querer mudar. Poderá haver receios que ela não manifesta ou pode não se sentir suficientemente à vontade com o seu corpo e com a sua sexualidade, preferindo manter uma postura dentro do que ela considera tradicional. Pode, também, haver algum tipo de experiência que a marcou de forma negativa, mesmo que não tenha acontecido especificamente com ela, e que ela associe a algo que é desagradável ou indesejável. Assim, lembre-se que se não conversar abertamente com ela, deixando sobretudo espaço para que ela se sinta confortável a explicar os motivos que a levam a agir dessa forma, estará a afastar-se cada vez mais, e será cada vez mais difícil preservar a união. Quando um casal se cala em relação a algo que está a incomodar um ou os dois, está apenas a deixar que aumente a distância entre ambos, chegando a pontos muitas vezes irreversíveis. Pode ser benéfico para ambos, também, fazer terapia de casal com um terapeuta especializado, mesmo que as consultas sejam feitas por videochamada.

“Sexo oral… diferente!”

“Gostava que o meu namorado me fizesse sexo oral no ânus, mas não sei se isso é saudável, nem sei se ele não vai achar nojento. É uma prática comum entre os casais?”

 

Joana, Setúbal

Cara leitora,

Desde que seja consensual e que não ponha em risco a integridade física, mental e moral, nem a saúde dos envolvidos, qualquer atividade sexual pode ser usada para dinamizar a vida de casal. A prática que refere é apreciada por várias pessoas de ambos os sexos, sendo usada muitas vezes como preliminar ao sexo oral. Também chamada anilingus, consiste em beijar, acariciar com os lábios, lamber ou penetrar com a língua o ânus do parceiro. Uma vez que a abertura anal contém inúmeras terminações nervosas, esta prática pode proporcionar um prazer intenso. Para além de ser essencial uma boa higiene, a comunicação entre os dois é o fator-chave para que esta prática seja agradável para ambos. Portanto, partilhe este seu desejo com o seu namorado sem receio de ser mal-interpretada. Tenham sempre em atenção que esta região é muito delicada, e como tal são de evitar os gestos mais bruscos, que podem causar dor e danificar os tecidos. Mantenham uma higiene muito cuidada, porque esta área é propensa à existência de bactérias, e lembre-se que há infeções sexualmente transmissíveis por via anal, como a gonorreia, sendo aconselhável utilizar uma barreira dental (ou película aderente) como forma de proteção.

 

“Ele perguntou-me como se fazem os bebés!”

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“O meu filho de 7 anos perguntou-me como se fazem os bebés. É normal? Devo responder? Tenho muito medo de errar, pois fala-se da educação sexual, mas acho que na escola dele não há e eu nunca falei destas coisas com os meus pais. O que devo fazer?”

 

Soraia, Braga

 

Cara Leitora,

É bastante natural que o seu filho tenha curiosidade com questões de sexualidade e lhe coloque essas perguntas. A informação necessária nas várias idades é diferente para o esclarecimento dessas dúvidas, pelo que não deve ficar preocupada nem assustada. Deve ser sincera e responder às perguntas à medida que surgem, não é preciso explicar tudo, mas também não vale a pena desviar-se do assunto, pois o seu filho compreenderá que este assunto é tabu e não pode falar dele. Agora e noutras alturas ele vai precisar de si para o esclarecer!

Pode falar com os professores ou director de turma sobre a necessidade de fazer educação sexual formal e escolar, mas o seu silêncio ou explicação será bem mais valioso!

Pode comprar online um livro para si sobre o desenvolvimento psicológico e sexual das crianças e adolescentes e encontrar soluções de como lhe explicar a concepção e nascimento, como mãe e educadora. Não invente metáforas que só o deixarão mais confuso (a “cegonha” e as “sementes já não satisfazem a curiosidade de uma criança de 7 anos dos nossos dias).

Tem toda a razão em questionar-se sobre o modo de falar sobre sexualidade com as crianças, e a sua preocupação só mostra como deseja ser boa mãe – procure informação e partilhe esta sua preocupação com outros pais, verá como são comuns as perguntas e encontrará respostas com que se podem ajudar uns aos outros!

“Ele não diz nada!”

“Sempre que estou a fazer sexo oral ao meu marido, ou quando estamos a fazer amor, acho-o muito estranho porque ele nunca diz nada. Mesmo quando ejacula, não produz qualquer som! Sei que ele diz aos amigos que gosta de fazer amor comigo, e a sua linguagem corporal também o demonstra, mas por vezes sinto dúvidas. Porque é que ele não diz nada?”

 

Mariana, Coimbra

 

Cara leitora,

A forma como cada pessoa vive a relação sexual e se entrega ao prazer é muito variável e pessoal. Apesar de não se manifestar verbalmente, o seu marido pode estar a gemer e a gritar o seu nome dentro da sua cabeça! Existem variadas hipóteses para o seu comportamento. Ele pode ser mais inibido na expressão das suas sensações, pode ter receio que os vizinhos oiçam, pode ter certos bloqueios que nada têm a ver consigo. Pode, ainda, sentir-se nervoso ou inseguro. Pode referir, num tom ligeiro, que não se importava de ouvir uns gemidos ou sons quando fazem amor, mas sem ferir a sua suscetibilidade. Pode também dar o exemplo, sendo mais expressiva verbalmente, e deixando-o assim à vontade para fazer o mesmo. Ou pode, naturalmente, conversar com ele sobre o assunto e dizer-lhe que gostava de saber o que ele está a sentir, o que ele gostava que você lhe fizesse em cada momento, como gosta mais de ser estimulado…

“Porque tenho dores de cabeça tão fortes antes de ter o período?”

Young sad woman. | Stock Images Page | Everypixel

“Tenho 37 anos e há alguns anos que noto que um ou dois dias antes de ter o período sinto dores de cabeça fortíssimas, que às vezes se prolongam enquanto tenho a menstruação. Porque é que isto acontece?”

 

Joana, Faro

 

Cara leitora,

Estima-se que as enxaquecas que ocorrem antes ou durante a menstruação afetam uma ou duas em cada 20 mulheres, sendo mais frequentes em mulheres no final da década dos 30. Isto sucede porque parece existir uma relação entre os níveis de estrogénio e o aparecimento de enxaquecas. Esta hormona é produzida tanto por homens como por mulheres, mas no caso destas últimas a oscilação entre os níveis de estrogénio é muito maior, decrescendo no final da fase lútea do ciclo menstrual, que ocorre após a ovulação e antes do período menstrual. De acordo com estudos realizados, diminuir esta quebra nos valores de estrogénio produzido pode ajudar a atenuar a frequência das enxaquecas. Por outro lado, também há indicadores de que quando os níveis de estrogénio são artificialmente manipulados há maior tendência para ter enxaquecas. As prostaglandinas, compostos químicos semelhantes a hormonas que estão envolvidos na regulação do ciclo menstrual e no funcionamento do sistema nervoso, também podem ter uma certa ligação às enxaquecas pré-menstruais, já que, quando elas acontecem, os níveis de prostaglandinas no corpo estão no seu máximo, havendo também, muitas vezes, dores menstruais fortes. Assim, ao tomar medicação que iniba a produção de prostaglandinas é mais fácil reduzir a probabilidade de ter enxaquecas. Assim que seja possível, aconselhe-se com o seu médico para que ele possa prescrever-lhe o tratamento que é mais adequado ao seu caso.

“Cancro da mama e hereditariedade”

Triste infeliz mulher que chora com olhos de lágrimas | Foto Premium"A minha avó paterna teve cancro da mama e faleceu quando tinha 49 anos. Uma vez que eu tenho 45, receio vir a herdar também essa doença. É possível herdar pela parte masculina da família, ou o cancro da mama só pode ser herdado da família materna?”

 

Inês, Sesimbra

 

Cara leitora,

Existe de facto um certo risco de hereditariedade do cancro da mama, seja qual for o lado da família que sofreu essa doença. Ainda assim, a maior percentagem de casos de cancro da mama deriva de uma patologia genética que pode desenvolver-se conforme o estilo de vida e o processo normal de envelhecimento, havendo uma percentagem de casos que decorrem de herança genética da mutacao (BRCA1 ou BRC2) que pode vir tanto do lado da mãe como do pai. De um modo geral e muito resumido, o cancro da mama é causado por uma anormalidade genética que resulta na mutação de genes responsáveis por regular o crescimento das células no corpo e por mantê-las saudáveis. Geralmente as células substituem-se a si próprias mas, havendo uma anormalidade, isto pode não acontecer, o que faz com que as células se dividam de forma descontrolada. Quando isto sucede, as células produzem células semelhantes, que se juntam formando um tumor. Quando isto ocorre na mama, esta situação conduz muitas vezes a um cancro da mama. O cancro da mama pode afetar tanto mulheres como homens, embora seja mais frequente nas pessoas que nasceram do sexo feminino. O facto de uma pessoa da família ter desenvolvido esta doença não significa que outra a vá herdar, mas aumentam o risco, o facto de haver várias pessoas na família mais próxima que tiveram cancro da mama. Assim, aconselho a que, logo que seja possível fazê-lo com segurança, consulte o seu médico ginecologista, para que o seu caso possa ser devidamente acompanhado.

“Quero fazer sexo anal!”

“Vejo em filmes pornográficos e gostava muito de experimentar sexo anal, mas a minha namorada não quer, diz que é sujo e tem medo. Como a posso convencer? Há alguma maneira de lhe explicar que ela até pode gostar e de a levar a fazê-lo?

João, Lisboa

 

Caro leitor,

Não o posso ajudar a convencer a sua namorada, tem de ser o leitor a perceber se a relação que têm lhe permite experimentar uma prática sexual nova e se isso faz sentido para os dois. É importante fazer a sua namorada sentir-se respeitada na sua sexualidade, para que aprecie as vossas relações sexuais. O que se vê nos filmes pornográficos não é necessariamente o que as mulheres preferem nas relações sexuais.

Esta prática pode realmente ser dolorosa para a mulher, pelo que estar confiante e excitada, ao mesmo tempo que relaxada, é muito importante para que sinta algum prazer. Como é uma área genital menos flexível que a vagina há mais probabilidades de fazer fissuras ou feridas e devem ter cuidados para que tal não aconteça, pois aumenta as probabilidades de contrair infeções.

Há modos de tornar o sexo anal higiénico e confortável: usar preservativo e lubrificante à base de água, estar bem relaxada, para prevenir problemas no ânus, tentar a penetração depois de um bom período de excitação e se houver penetração vaginal deve ser com um preservativo diferente do utilizado para a penetração anal, nunca deve passar do ânus para a vagina com o mesmo preservativo. A vontade de ter novas experiências sexuais é saudável para um casal, por isso tente encontrar coisas que vos estimule aos dois: brinquedos eróticos, posições novas, novos lugares – espero que diversifique a sua vida sexual e partilhe o prazer com a sua namorada o melhor possível!

“Tenho vergonha de ejacular!”

“Tenho 15 anos e a minha primeira namorada, mas ao contrário da maior parte dos rapazes da minha idade eu gostava de me manter virgem, pois apesar de gostar da minha namorada sinto que isto não é sério e gostava de perder a virgindade com alguém mais especial. No entanto, quando eu e a minha namorada nos beijamos e entusiasmamos acabo geralmente por ejacular, algo que me envergonha. Comecei a masturbar-me quando era pequeno, porque não sabia exatamente o que estava a fazer, mas há pouco tempo tenho parado de fazê-lo porque me sinto envergonhado. Não sei o que fazer nem quero falar com o médico… pode ajudar-me?”

 

Marco, Santarém

 

 

Caro leitor,

A sua atitude relativamente ao sexo e ao envolvimento com a sua namorada é bastante adulta para a idade que tem, pois a pressa de crescer e a curiosidade em experimentar algo novo faz com que muitas vezes os jovens se envolvam sexualmente sem que haja um envolvimento emocional com a pessoa com quem se encontram. Contudo, as reações do organismo nem sempre acompanham a noção intelectual acerca daquilo que queremos em relação ao sexo, e respostas corporais como ereções, ejaculação, lubrificação vaginal e orgasmos são muitas vezes involuntários, pois o corpo reage de determinadas formas aos estímulos a que é sujeito. O que não é muito “normal” é a vergonha que sente em relação ao seu próprio corpo, levando-o por exemplo a evitar masturbar-se, quando é algo que faz parte da evolução normal e da exploração do próprio corpo e da sexualidade. Aliás, se se masturbar antes de ir ter com a sua namorada isso pode ajudá-lo a evitar ejacular quando está com ela, pois a tensão terá sido aliviada e você estará menos sensível. Deve procurar compreender as razões que o levam a sentir este bloqueio em relação à sua própria masturbação, pois não há nada de errado nesse comportamento, comum a qualquer jovem da sua idade.