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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Os nervos aumentam as dores?”

 

Pablo Picasso

 

 

 “Tenho 21 anos e iniciei há um mês a minha vida sexual, infelizmente até agora só senti dores durante a penetração, e mesmo quando eu e o meu namorado tentamos aumentar os preliminares não sinto qualquer tipo de prazer, tudo é uma impressão incomodativa e desconfortável. Será que estou a confundir o que sinto, não estarei descontraída o suficiente para me abstrair de tudo à minha volta? A minha médica, amigas e a própria mãe dizem-me que só preciso de me acalmar e que isto é mais nervos que outra coisa. Como ultrapassar este problema?”

 

Rita, Cascais

 

Cara leitora,

Parece que o seu problema se relaciona realmente com os nervos que sente durante o acto sexual, que fazem com que não consiga sentir prazer. Embora já tenha consultado uma médica aconselho que o faça novamente se as dores continuarem, pois pode dar-se o caso de ter alguma infecção que pode causar desconforto durante a penetração. Se verificar que não é esse o caso, experimente utilizar um gel lubrificante durante o acto sexual, pois este faz com que sinta maior prazer durante a penetração. Tente também pedir ao seu namorado que a penetre aos poucos e de forma gentil, ou seja, sem colocar o pénis todo na vagina de uma vez e, à medida que ele for introduzindo o pénis, procure controlar a profundidade e velocidade da penetração, ao mesmo tempo que contrai e relaxa os músculos da vagina durante este exercício. Desta forma vai sentir maior controlo durante a penetração e vai acabar por descontrair e por sua vez sentir mais prazer. Aconselho também que explore o seu corpo através da masturbação, para que possa descobrir como gosta de ser tocada e o que lhe dá prazer, pois o primeiro passo para sentir prazer com um parceiro é ser capaz de o fazer sozinha. Boa Sorte!!!

A minha mulher está deprimida e não tem apetite sexual!

Somos um casal jovem, eu de 28 e a minha esposa de 26 anos, casados há 4 anos. A minha esposa, devido ao acompanhamento da doença do seu pai e ao seu posterior falecimento, ficou deprimida.  Foi mal acompanhada no início da doença e já anda a tomar anti-depressivos há cerca de 2 anos. Devido à medicação não tem apetite sexual, o que a deixa ainda pior, apesar de eu compreender a situação ela sente-se mal com isso. Gostávamos de saber se existe "algo" (medicação, ocupação, etc.) que nos possa ajudar, ou onde
poderemos encontrar ajuda.

 

Francisco, Braga

 

Caro leitor,

Infelizmente, a maioria das medicações para a depressão, apesar de ajudarem com os sintomas da mesma, acabam por diminuir o desejo sexual. No entanto, existem vários tipos de medicação diferentes no mercado, e cada pessoa reage de forma diferente a cada um deles, por isso há que encontrar o medicamento e a dose mais adequados para o caso da sua esposa. Medicamentos como o Prozac ou Zoloft, apesar de serem bastante eficazes no combate aos sintomas da depressão, são também conhecidos por causarem uma maior diminuição do desejo sexual do que um medicamento como o Wellbritin, que é o anti depressivo no mercado com menos efeitos a este nível. Aconselho a que a sua mulher consulte um psiquiatra, e não um médico de família, para que este possa avaliar qual a medicação mais adequada para o seu caso. Sejam claros a respeito da vossa preocupação com os efeitos que esta possa ter a nível sexual e peçam ao médico que receite um medicamento que provoque menos efeitos secundários a este nível. Aconselho também a que a sua esposa pratique exercício físico, apanhe sol, e durma bem, pois estes são factores que contribuem para o aumento do desejo sexual.

Tema de hoje: relacionamento

Tenho 22 anos e tive a minha primeira relação sexual há pouco tempo, mas não sangrei. Eu queria fazer amor com o meu namorado e gostei bastante, ele foi muto querido, mas estou preocupada se ele agora me achará mentirosa por isto. Como sei se já perdi a minha virgindade?
 
Paula Cristina
 
Cara Paula Cristina,
 
A virgindade pode ser interpretada de maneiras diferentes: pela cultura e momento histórico, pela medicina e biologia e psicologicamente. Pode sentir a sua perda de virgindade como o momento de ter relações sexuais pela primeira vez – e nem precisar de ter relações com penetração para deixar de se sentir virgem.
Como pode sentir que o importante é o sangramento pelo rompimento fisiológico do hímen, uma membrana fina e elástica que cobre parcialmente a entrada da vagina e que, na maioria dos casos, permite a saída da menstruação ou a entrada de tampões. Na prática de alguns desportos ou actividades pode dar-se o rompimento ou a diminuição da superfície do hímen, pelo que não o rasgar e sangrar nas relações sexuais não é garantia de virgindade.
 
Não se preocupe tanto com esta questão, mas sim com o prazer que pode sentir na intimidade da relação com para seu parceiro ou parceira. Se se sentem seguros e protegidos dos riscos da gravidez indesejada e infecções sexualmente transmissíveis (de que podem falar os dois e com um médico ginecologista ou de família) e escolheram iniciar a vossa vida sexual, como me aprece pelas suas palavras, aproveitem as sensações de prazer e entreguem-se à descoberta da intimidade e do que mais gostam de fazer e de receber.

“Posso ficar impotente devido ao tabaco?”

 

 “Sei que fumar faz mal ao organismo, mas continuo a fumar bastante. Li nos maços de tabaco que fumar causa impotência. Será verdade?”

 

Eduardo, Tomar

 

Caro Leitor,

Como sabe, o tabaco não causa apenas lesões a nível sexual, mas também em outras vertentes, pois existem milhares de pessoas que morrem diariamente vítimas do cancro do pulmão. A partir deste exemplo é possível verificar os efeitos nefastos que o tabaco pode causar. 

O tabaco provoca problemas a nível respiratório, que podem causar problemas sanguíneos, e para que a erecção aconteça é necessário que haja um bom fluxo sanguíneo no pénis. Assim, quando existem problemas de circulação, esse fluxo não vai ser suficiente, o que causa a incapacidade de ter uma erecção. Portanto, o tabaco associado à má circulação pode provocar alguns problemas de saúde, entre os quais a impotência e infertilidade.

 

“Insatisfação sexual”

“Tenho 25 anos e comecei a namorar com um rapaz 6 anos mais novo, que me adora. O problema é que embora ele procure agradar-me a nível sexual eu sou a primeira namorada dele, e não consigo sentir prazer total. Como devo proceder para que a nossa relação sexual
melhore?”

Cláudia, Santarém

 

Cara leitora,

Converse com o seu namorado e, de uma forma delicada, dê-lhe a entender que necessitam de se conhecer melhor a nível sexual para que possam proporcionar momentos de prazer e satisfação um ao outro. Experimentem fazer o jogo de descoberta do corpo, de forma a conhecerem os pontos sensíveis de cada um, essa será uma óptima forma de ultrapassar os vossos obstáculos e ficarem a conhecer melhor as zonas erógenas de ambos.
Ajude-o a conhecer melhor o seu corpo através do diálogo e demonstração daquilo que deseja que ele lhe faça. Estipulem tempos durante os quais cada um tem que fazer um levantamento dos pontos que mais estímulo produz no outro. Poderá então, nesta altura, fazer ver ao seu namorado qual é o tipo, a duração e a pressão das carícias que mais a excita. Toda esta aprendizagem é benéfica para ambos e, assim, podem ter mais prazer sexual com o avançar do tempo.

 

“O orgasmo do homem é igual ao da mulher?”

 

“Gostaria de saber se o homem e a mulher experimentam o orgasmo da mesma forma?”.

Gustavo, Vilamoura

 

Caro leitor

Tanto o homem como a mulher sentem prazer quando têm os seus órgãos genitais estimulados. Masters e Johnson realizaram um estudo sobre o orgasmo e descobriram que homem  pode ter de 6 a 9 contracções da zona pélvica durante o orgasmo enquanto que a mulher pode ter de 9 a 12 contracções durante o orgasmo. Os autores não estabeleceram um valor máximo de contracções da zona pélvica durante o orgasmo, mas os números podem variar bastante, pois cada pessoa é um caso único tendo orgasmos de diferentes intensidades. Em regra geral o orgasmo masculino é acompanhado de ejaculação enquanto que o feminino não. No entanto, existem excepções nas quais homens podem ter orgasmos sem ejacular e mulheres podem ejacular durante o orgasmo. Outra diferença entre o orgasmo feminino e o masculino é o facto da mulher poder ter vários orgasmos múltiplos durante o mesmo acto sexual enquanto que o homem necessita de algum tempo após terminado o acto sexual até que possa recomeçar e ter outro orgasmo.

 

“Estou a entrar na menopausa…”

 

 

“Estou a entrar na menopausa e já tenho ouvido falar de terapia de substituição hormonal. Gostava de saber mais a respeito dessa terapia uma vez que não estou muito esclarecida sobre o assunto.”

 

M.ª Carmo, Sintra

 


Cara Leitora,

A menopausa designa a fase de desenvolvimento do corpo da mulher em queos ovários deixam de produzir as hormonas Progesterona e Estrogénio. A terapia de substituição consiste exactamente na substituição das hormonas que os ovários deixaram de produzir. Cada pessoa é diferente, e nesse sentido a quantidade de hormonas deve variar de pessoa para pessoa, devido à forma como actuam no organismo. Desta forma, uma determinada dosagem é benéfica a uma determinada mulher mas poderá ser prejudicial a outra. É importante dirigir-se ao seu médico para que, em conjunto, possam experimentar os diferentes tipos e dosagens de estrogéneos, a fim de conseguirem chegar àquela que melhor se adequa ao seu organismo. Tenha em conta que algumas mulheres não podem fazer a terapêutica de substituição devido a problemas de saúde, por isso consulte um médico que a possa elucidar a respeito dos riscos associados a esta forma de terapia.

 

“Não consigo ter um orgasmo!”

"Tenho 28 anos e neste momento estou a viver uma nova relação que dura há 2 meses, mas tenho um problema, tenho dificuldades em atingir o orgasmo. Gosto do meu namorado e sinto-me bem com ele, mas como já sei que vai ser difícil chegar ao orgasmo tenho cada vez maior tendência para fugir ao contacto sexual com ele, invento desculpas para não fazermos amor e sei que isso o deixa infeliz e o afasta de mim. Gostava de resolver o meu problema, mas não sei como.”

 

Ana, Tomar

 

Cara Leitora,

A dificuldade em atingir o orgasmo é algo muito frequente e trata-se de uma das causas que mais origina insatisfação no campo sexual e consequentemente provoca abalos na relação de casal. A dificuldade em atingir um orgasmo pode deixar o casal nervoso e gerar uma escalada de ansiedades e insatisfações. Obviamente que as causas são várias e a “culpa” por esta situação não pode ser atribuída exclusivamente a nenhum dos elementos de casal, no entanto, um e outro podem auto-culpabilizar-se por esta situação. Por isso o melhor é discutir este assunto com o seu parceiro, explicando-lhe o que sente e a situação que está a viver. E importante que comunique com o seu namorado de forma a que ele saiba o que lhe dá mais prazer. À primeira vista poderá parecer-lhe uma conversa difícil dado o carácter recente desta relação e também dada a ansiedade que esta situação provoca, no entanto, será uma oportunidade única para o fortalecimento da vossa relação.

“Será que a vasectomia não vai prejudicar o meu desempenho sexual?”

“Tenho 50 anos e o meu médico sugeriu que eu fizesse uma vasectomia. A minha esposa e eu temos algum medo, pois a minha mulher tem 44 anos e uma possível gravidez, nesta fase, será de risco. Também não desejávamos que ela fosse sujeita a uma intervenção mais dolorosa. Será que depois de fazer uma vasectomia, não conseguirei ter erecção e satisfazer a minha esposa como actualmente?”

 

André, Figueira da Foz

 

Caro Leitor:

 

A vasectomia é uma cirurgia que não implica que vá ficar impotente. A vasectomia é, de facto, uma pequena cirurgia que demora cerca de 20 a 30 minutos e é feita com anestesia local, para que não haja dor. Nesse momento, executam-se dois pequenos cortes no escroto de forma a cortar o canal, conhecido como canal deferente, de cada um dos lados e ata-se as extremidades. Muitos indivíduos do sexo masculino optam por este tipo de cirurgia para que a sua esposa e/ou parceira não seja submetida a uma operação muito maior e muito mais séria, chamada esterilização feminina.

Isto significa que, embora os espermatozóides continuem a ser produzidos nos testículos, já não conseguem percorrer o caminho até ao pénis. No entanto, não se verifica nenhuma alteração no desempenho sexual, nem tão pouco a perda do desejo sexual. Qualquer indivíduo que seja submetido a uma vasectomia continua a ter ejaculação, tal como antes e inclusivamente, o sémen parece exactamente igual.

 

Não consigo calcular a data da menstruação!

  

“O período veio há pouco tempo e ainda não consigo prever a data da próxima menstruação. O corpo transmite-nos sinais de que a menstruação vai chegar?”

 

Luciana, Braga

 

Cara Leitora,

Quando o ciclo menstrual é regular é fácil reconhecer os sinais que indicam em que altura virá a próxima menstruação. Cada pessoa é um caso, por isso os sinais podem variar de pessoa para pessoa, contudo existem alguns sinais comuns aos quais pode estar atenta, como por exemplo o aumento de peso devido ao facto de o nosso corpo acumular uma maior retenção de água. Alterações de apetite e de humor são outros sinais caracterizadores que a menstruação se está a aproximar. Estes factores, aliados a uma modificação da pele e do coro cabeludo, podem ajudar a saber quando o dia se aproxima. Todavia, a melhor maneira de poder controlar o dia em que lhe vem a menstruação é anotar num bloco de notas a que dia de cada mês ele vem. Deste modo será muito mais fácil ter uma ideia do dia, porque se for regular, o período virá aproximadamente no mesmo dia que no mês anterior.