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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Utilização incorrecta do preservativo

 Estou com um problema que está a tirar o sono. Tenho relações sexuais com minha namorada há aproximadamente 2 meses, mas sempre com preservativo. Ela era virgem. Depois que começámos a ter relações sexuais a menstruação dela já veio normalmente, sem atrasos. Porém há 3 dias a menstruação dela está atrasada, e ela disse que nunca havia atrasado antes. Apesar de sempre usarmos preservativo pode existir o risco de gravidez? Já estou desesperado porque somos bem jovens ainda.

Abílio
 
Caro Abílio,
 
Só não há risco de engravidar quando não se tem relações sexuais de todo…Mas claro que os métodos contraceptivos cumprem bem o seu papel, se forem bem utilizados.
Os sinais de que um preservativo não foi bem utilizado são: ficar dentro da vagina/ânus, estar rasgado depois de retirado, ter ar lá dentro depois de colocado…

Um atraso de 3 dias não é ainda razão para se preocuparem com uma gravidez indesejada, pode ser devido a muitas razões, mas se continuar façam um teste de gravidez numa farmácia e planeiem ir juntos a uma consulta de planeamento familiar. Há outros métodos contraceptivos que podem deixar-vos mais descansados para gozarem a vossa vida sexual (por exemplo a pílula, o anel vaginal, os adesivos, etc). Mesmo assim a utilização adicional do preservativo é desejável, pois é o único a prevenir as infecções sexualmente transmissíveis, para além da gravidez.

“Como diagnosticar a infertilidade masculina?”

Premium Photo | Bored couple drinking coffee

“Tenho tentado engravidar e não consigo. Acho que o meu marido é estéril. Como posso ter a certeza disso, sem magoar os seus sentimentos?”

Paula, Abrantes

Cara Leitora,

Os problemas de fertilidade podem ser diagnosticados através de exames físicos, a análise do esperma e tendo em atenção a história clínica.

É importante refazer toda a história clínica do seu marido desde a puberdade até à idade actual, de modo a verificar infecções e doenças ocorridas e a medicação tomada.

O exame físico deve ter em conta o tamanho e a textura dos testículos com o objectivo de averiguar a sua capacidade de produzir correctamente esperma. Caso este exame não aponte quaisquer problemas, torna-se necessário realizar um teste que determine o número de esperma encontrado na ejaculação.

Se se comprovarem problemas, será necessário que um especialista verifique a formação do espermatozóide e a sua capacidade de movimentação.

De forma a fazer a avaliação da fertilidade é necessário que o homem ejacule para dentro de um frasco e essa amostra deve ser entregue num laboratório nas duas primeiras horas seguintes. Um outro teste possível de ser realizado é o exame pós-coito que é feito através da recolha de uma amostra de muco uterino logo após a ejaculação do homem. Este último teste tem como intuito verificar se o muco intra-uterino tem a consistência necessária para possibilitar a movimentação do esperma.

É importante pois, que o seu marido vá ao médico e efectue todos os exames necessários, sem pudor nem preconceito pois é o primeiro passo para realizar o vosso desejo de ter um filho. Converse com ele com calma e procure fazê-lo entender que, apesar de difícil, este tipo de diagnóstico é muito importante para a vossa felicidade futura.

 

 

“Fumar erva durante a gravidez faz mal ao bebé?”

“Costumo fumar erva de vez em quando socialmente quando estou com os meus amigos. Descobri que estou grávida e como tal gostava de saber se faz mal ao bebé, pois uma amiga disse-me que não faz mal se não fumar muito. É verdade? Não quero correr riscos.”

 Ana, Porto

 

Cara leitora,

O consumo de substâncias traz sempre perigos para a saúde, sendo ainda mais grave quando a mulher se encontra grávida. Em primeiro lugar, fumar seja o que for durante a gravidez, mesmo tabaco, priva o feto de oxigénio e interfere negativamente com o fornecimento de sangue ao feto. Se não receber oxigénio suficiente, o bebé pode nascer mais pequeno em altura e com menor peso, e os bebés que são mais pequenos têm maiores problemas após o nascimento, tais como infeções e problemas respiratórios, assim como dificuldades a nível da alimentação, problemas sanguíneos, oculares, dificuldade de o sangue chegar ao cérebro, entre outros. Por outro lado, os bebés cujas mães consomem drogas enquanto estão grávidas ou no período de amamentação são mais nervosos e agitados. Assim, embora não seja fácil abdicar de hábitos que sempre teve, deve aconselhar-se com o seu médico para que ele a ajude a ter uma gravidez mais saudável, proporcionando saúde e bem-estar ao seu bebé.

 

“Posso deixar de usar preservativo?”  

Retrato de mulher triste e chateada na camisa com dor de cabeça, estresse,  problemas, tocar os templos com os dedos e fechar os olhos, de pé sobre a  parede cinza | Foto

“Tenho 29 anos e comecei um relacionamento há quatro semanas. Estou muito apaixonada pelo meu namorado, temos uma relação sincera e frontal e ele já me falou de todos os relacionamentos que teve no passado. Será que posso deixar de usar preservativo quando temos relações, visto que já o conheço bem e tomo a pílula como método anticoncecional?”

 Vanessa, Sintra

Cara leitora,

Determinar se é seguro deixar de usar preservativos com o seu namorado não é algo tão linear como dizer que já se conhecem bem. Independentemente do grau de sinceridade dele para consigo, o facto de estar apaixonada faz com que veja tudo com uma lente cor-de-rosa que pode corresponder ou não à realidade, podendo correr riscos que condicionam a sua vida para além de qualquer relação. O uso de preservativo é essencial para prevenir a transmissão de infeções e doenças, assim como para evitar uma gravidez indesejada, embora também tome a pílula. O facto de se sentir à vontade com o seu namorado é muito positivo, pois a confiança e a sinceridade são essenciais para poder construir qualquer relação sólida e duradoura. Contudo, a única forma segura de optar por deixar de usar preservativos com o seu namorado é fazerem ambos os testes e exames necessários para se assegurarem que estão ambos saudáveis. Mesmo estando ambos a ser sinceros existe a possibilidade de estarem infetados sem saberem, por não terem ainda sintomas, e nesse sentido é também importante estarem ambos informados para evitar contaminar o outro. Aconselhe-se com o seu médico e façam ambos os testes, tendo em conta que alguns vírus levam seis meses até serem detetados nos testes, e não se precipite pois quatro semanas é ainda pouco tempo para tomar uma decisão tão vital como esta.

 

“Tenho vergonha de pedir ajuda…”

“Tenho 39 anos e a minha vida sexual nunca foi feliz. Não me sinto à vontade com a minha sexualidade e sempre tive diversos problemas nos meus relacionamentos, mas tenho vergonha de pedir ajuda. Não sei o que posso fazer…”

Susana, Ericeira

Cara Leitora,

Muitas pessoas estão ainda um pouco apreensivas em respeito à inclusão de técnicos de sexologia para ajudar a superar os problemas conjugais. Segundo a Organização Mundial de Saúde – OMS – tratar da saúde sexual é um direito que assiste a qualquer cidadão. Acredite que a intervenção de um técnico especializado pode ajudar a ultrapassar situações decorrentes de disfunções sexuais que, por vezes, prejudicam a vivência entre o casal. O papel principal de um terapeuta reside em conseguir detetar problemas e encontrar uma solução que ajude a superar a situação.

Estas terapias demonstram uma maior eficácia se forem feitas pelo casal. Assim sendo, não tema recorrer à ajuda de um terapeuta sexual, pois a sua ajuda poderá ser determinante.

 

“Ele não gosta dos meus seios…”

“Namoro há 4 meses, e nunca tinha tido um namorado antes. De há umas semanas para cá, o meu namorado tem feito alguns comentários sobre os meus seios que me fazem pensar que não são do seu agrado, e isso incomoda-me. Mas não sei como abordar o assunto para não o perder…”

 Carmo, Évora

Cara leitora,

Realmente pelo que conta, a atitude do seu namorado não é muito habitual quando se ama e se pretende a harmonia e o bem-estar de uma relação.

A atenção que o seu namorado tem demonstrado em relação aos seus seios é um pouco estranha e pode ser apenas a denúncia de que algo poderá não estar a correr tão bem no vosso namoro como ambos desejavam. Por isso, não tenha receio em conversar com o seu namorado, pois quanto mais adiar essa conversa mais tempo esse assunto ficará por resolver, e tal facto pode vir a condicionar a sua vida sexual. O seu namoro não deve ficar regulado por comentários imaturos que a deixem constrangida e insegura. Tenha uma conversa aberta e honesta com o seu namorado pois esses comentários podem ser uma forma de expressar algo que ele não tem coragem de lhe dizer directamente.

Quanto à fisionomia dos seus seios, isso é algo que não a deve preocupar, pois os seios de uma mulher não são todos iguais e nem existe um protótipo do tamanho ideal. Tente não ficar obcecada com esses comentários para que não afectem a sua performance sexual.

“Acho que ele me trai com outra mulher!”

“Sou casada há 23 anos e sempre tivemos uma boa relação. Mas ultimamente estou preocupada porque o meu marido parece mais distante de mim, sinto que ele não me está a contar qualquer coisa e já comecei a pensar que deve ter outra mulher. O que devo fazer? Tenho medo que ele me deixe…”

Joana, Famalicão

 

Cara leitora,

Pela sua carta é muito difícil saber o que poderá passar-se com o seu marido e consigo. A comunicação no casal é essencial, mesmo que descubram partes de vocês mesmos difíceis de aceitar. Não alimente os seus medos apenas com base na distância dele: pode dever-se a problemas no trabalho, problemas financeiros, alguma preocupação que lhe quer poupar… talvez precise da sua ajuda e tenha também medo de lhe pedir ou de assumir que tem alguma dificuldade.

Fale com ele sem o pressionar a exprimir qualquer coisa (que até pode não existir!), mostre-se disponível e aberta a ouvi-lo e mostre que gostava de o poder apoiar e compreender, sem vergonha de lhe mostrar que se sente insegura e com medo da sua distância.

 

“Não consegui estar à altura dela”

Worried Boy 300 x 200 - The Happiness Couch 

“Estou muito preocupado com o que me aconteceu na minha primeira vez. Namoro há 2 meses, tenho 18 anos, e tentámos ter relações sexuais pela primeira vez, na casa dela quando os pais estavam fora. Não consegui fazer nada, sentia-me muito nervoso e agora tenho medo que ela conte aos nossos amigos e me deixe. Por favor, ajude-me.”

 

Hugo, Braga

 

Caro leitor,

 

O que lhe aconteceu é muito normal nas primeiras tentativas de ter relações sexuais: ficou ansioso por ser a primeira vez, por querer agradar à sua parceira, por não estar seguro de que vá correr bem, pode também ter medo de engravidar a sua parceira cedo demais na vossa vida…Podem ser muitas as preocupações – mas não desespere! Fale com ela sobre aquilo que o preocupa e vai ver que também ela pode ter preocupações semelhantes e tal irá aproximar-vos e deixar-vos mais à vontade para a descoberta da sexualidade.

Aconselho-o igualmente a masturbar-se sozinho e a colocar o preservativo masculino (que pode ter gratuitamente em centros de saúde, centros de jovens ou outros), para que se habitue e se sinta mais à vontade e confortável com este método contraceptivo e de protecção das infecções sexualmente transmissíveis.

É importante que comuniquem e preparem a vossa primeira relação. Não se apressem, relaxem, acariciem-se durante muito tempo – fazer amor não é só a penetração, mas a intimidade, o carinho, podem fazer massagens, inventar brincadeiras para descobrirem o que vos dá mais prazer, experimentar óleos, lubrificantes, brinquedos eróticos… deixem-se levar pela imaginação!

“Não consigo agradar à minha mulher”

Bored Couple Eating Popcorn and Watching TV at Home by AnnaStills |  VideoHive

“Escrevo-lhe porque estou com a minha mulher há 4 anos e começo a não aguentar mais. Ela arranja discussões comigo a toda a hora e não lhe consigo agradar, por muito que me esforce (e eu esforço-me!). Às vezes ela é mesmo agressiva e assusta-me o que eu possa vir a fazer. Sinto-me um falhado, frustrado e incapaz de a fazer feliz. Ultimamente nem na cama consigo… O que se passa comigo?”

Miguel, Lisboa

Caro leitor,

A sua relação precisa de mudar comportamentos e expectativas, para que ambos se sintam melhor. Tem de experimentar caminhos alternativos, pois discutir, ainda por cima agressivamente, não é solução para nenhum de vós e pode mesmo ser perigoso fisicamente. Lembre-se que a violência conjugal não é só física, pois a psicológica também existe e também magoa, e ambas têm a tendência de aumentar em escalada, quer comecem na mulher ou no homem. As consequências da violência, para quem a sofre, são como descreve a frustração, sentir-se diminuído, e outras emoções negativas e que o desvalorizam. É muito natural, neste contexto, que não lhe apeteça nem consiga ter relações sexuais – a sexualidade é um espaço de intimidade positiva e se o resto da vossa relação não o é neste momento, isso reflecte-se também nas relações sexuais.

Têm de encontrar em conjunto um espaço de reflexão e de planeamento do vosso futuro e, se a sua mulher estiver disposta, deve mudar algumas características da vossa relação e do modo como o trata. Seria aconselhável que procurassem uma ajuda especializada na resolução de conflitos, por exemplo terapia de casal.

“Tenho medo de começar a tomar a pílula.”

“Tenho 20 anos e comecei agora a minha vida sexual. A minha médica de família mandou-me tomar a pílula, mas tenho medo dos efeitos que possa ter na minha saúde…Tenho uma tia que morreu de cancro da mama e tenho medo que a pílula leve a isso mais tarde. Acha que devo tomar?”

Joana, Porto

Cara leitora,

Se iniciou a sua vida sexual é realmente aconselhável que comece a fazer contracepção, pois irá prevenir a gravidez indesejada e sentir-se-á mais à vontade para sentir o prazer.

Há muitas opções à sua disposição no mercado e até com total comparticipação, desde a contracepção hormonal a outros métodos, O preservativo é o único método que a protege igualmente das infecções sexualmente transmissíveis, embora a sua utilização dependa bastante da cooperação do seu parceiro, pelo que devem considerá-lo ambos, mesmo fazendo outro método (a contracepção dupla é a mais eficaz).

Não precisa de se preocupar com interacções com cancros da mama, pois a pílula não leva ao cancro. Outras causas aumentam a probabilidade de virmos a ter cancro, mas não há uma relação de causa-efeito nas mulheres que tomam a pílula. Pode até prevenir que alguns cancros surjam, pois as mulheres que fazem contracepção podem ser melhor seguidas e observadas ginecologicamente que as outras – e a vigilância na saúde sexual é essencial.

Fale melhor com o seu médico sobre as opções existentes e qual será a mais adequada para si. Dentro da contracepção hormonal há o implante contraceptivo, o adesivo, o anel vaginal – com doses hormonais muito baixas; há o dispositivo intra-uterino; entre outros mais ou menos definitivos e de eficácia relativa.

 

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