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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Não consigo dormir com ele!”

“Tenho 20 anos e estou a estudar fora da minha cidade natal. Amo o meu namorado e, como eu divido um apartamento com mais duas colegas, ele costuma vir dormir muitas vezes a minha casa. O problema é que tenho uma cama de solteira e não consigo dormir quando ele passa cá a noite. Também não posso trocar de cama, e gosto de passar a noite com ele, mas o que acontece é que acabo por dormir mal porque não encontro uma posição confortável. O que posso fazer?”

 

Mariana, Porto

 

Cara leitora,

A partilha da cama nem sempre é fácil, pois embora a intimidade e o contacto físico sejam essenciais para uma relação amorosa, a divisão do espaço – ainda para mais se tem uma cama de solteira – pode ser difícil de gerir, e o sono é uma das necessidades mais básicas de qualquer ser humano, essencial para que haja saúde e um bom rendimento no dia seguinte. Para além disso, passamos a maior parte do nosso tempo de formação – a infância e a adolescência – a dormir sozinhos, o que faz com que dormir com outra pessoa nem sempre seja assim tão fácil durante os primeiros tempos, pois requer habituação. Assim, em primeiro lugar deve procurar compreender se está confortável com o facto de dormir com o seu namorado, pois a sua inquietação pode ser também resultado de algum tipo de sentimento de culpa (por exemplo, se os seus pais não sabem que ele dorme consigo). Se se tratar de uma questão meramente logística, terão de explorar outras opções. Podem partilhar a cama enquanto trocam carinhos, por exemplo ao verem juntos um filme na cama, ou ao estarem apenas deitados a conversar, mas depois quando for tempo de dormir pode procurar improvisar uma cama, como um colchão ou um saco-cama que possa colocar ao lado da sua cama, e onde ele possa ficar. Podem também organizar-se de forma a que ele passe consigo apenas as noites anteriores a dias de descanso, como o fim de semana, para que dessa forma possa descansar mais no dia seguinte. Existem vários casais que, mesmo tendo camas de casal e uma relação saudável, optam por dormir em camas separadas, precisamente para que ambos possam ter o descanso de que precisam, quando não conseguem conciliar as suas formas de descansar. Podem, também, optar por passar a noite juntos no quarto dele, se houver essa possibilidade e se ele tiver mais espaço. Acima de tudo, é importante lembrar que todas estas questões fazem parte da vida de um casal, e como tal devem ser abertamente discutidas entre os dois para que possam ser solucionadas.

“Ele sente dores quando me penetra!”

 

“Eu e o meu namorado perdemos a virgindade juntos, e estamos ambos muito apaixonados um pelo outro. O problema é que ele não é circuncidado e diz que sente dores muito fortes quando me penetra, causadas pela pele do pénis a ser puxada. Por causa disto ele nunca consegue ter um orgasmo através da penetração. O que podemos fazer?”

 Vanessa, Famalicão

 

Cara leitora,

Antes de mais a situação que descreve precisa de ser vista por um médico, porque mesmo que um homem não seja circuncidado não deve sentir qualquer tipo de dor durante a penetração. As dores indicam que algo não está a funcionar devidamente, e nesse sentido ele precisa de ser imediatamente examinado para que possa ser detetada a origem desse desconforto e essa situação possa ser devidamente tratada. A penetração em si nunca deve causar desconforto nem dor. Esta pode ser resultante de uma inflamação ou de uma infeção, como por exemplo uma balanite, que causa vermelhidão e dor no pénis e no prepúcio, ou uma fimose, que pode aparecer em pénis não circuncidados como resultado de irritações e inflamações, deixando o prepúcio demasiado apertado para ser completamente puxado para trás, ou ainda uma parafimose, na qual o prepúcio não consegue sequer ser puxado para trás da cabeça do pénis, e que difere da fimose na medida em que o prepúcio fica “preso” quando é puxado para trás da cabeça do pénis, sendo considerada uma emergência médica. Por outro lado, também há uma condição médica designada como frenulum breve ou freio curto, em que o prepúcio se retrai apenas parcialmente. Se o freio prepucial for curto ou não tiver a elasticidade necessária não permitirá que a pele do prepúcio se retraia na totalidade, causando dor. Para além destas existem outras possibilidades, pelo que o seu namorado deve ser de imediato visto por um médico para que este decida qual o melhor tratamento ou intervenção a fazer.

“Não tenho lubrificação suficiente!”

“Tenho 43 anos e sempre tive uma vida sexual ativa e feliz. No entanto, ultimamente quando faço amor noto que fico menos lubrificada, o que me causa dores e mal-estar. Não entendo por que aconteceu esta mudança, mas está a provocar-me um grande desconforto e constrangimento.”

 Joana, Queluz

 

Cara Leitora,

Esta dificuldade poderá ser causada por uma infeção vaginal que provoca dores durante a penetração e a redução da lubrificação. Por outro lado, existem alguns medicamentos que têm como efeitos secundários a redução da lubrificação e do desejo sexual. Uma outra hipótese a ter em consideração é o facto de estar num período pré-menopausa, onde poderá ocorrer uma alteração dos níveis hormonais que poderão justificar essa tendência, principalmente a níveis irregulares de estrogénio. Porém, de forma a dissipar todas as suas dúvidas a este respeito, aconselho a que consulte o seu ginecologista para que juntos encontrem a solução para o seu problema de forma a recuperar a satisfação e plenitude sexual.

Será que entrei na Andropausa?

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Tenho 55 anos e ultimamente tenho notado diferenças a nível emocional e sexual, e por isso me pergunto se estarei a entrar na andropausa?

 José

Caro Leitor,

Da mesma forma que a menopausa provoca alterações no corpo e no comportamento das mulheres, a andropausa manifesta-se nos homens provocando oscilações a nível físico e psicológico. Na andropausa, os homens podem observar mudanças a nível do desempenho sexual, bem como algumas alterações físicas e psicológicas. A andropausa define-se pela diminuição do nível de testosterona no homem, resultando no enfraquecimento do desejo sexual, bem como na dificuldade em manter a erecção. Outros sintomas que podem ser resultantes da andropausa são a diminuição do nível de energia física e a depressão. Convém referir que esta não é uma regra básica, pois cada homem é um caso. Porém, se achar necessário aconselho-o a dissipar as suas dúvidas junto de um especialista.

 

Os anti-depressivos interferem com o orgasmo?

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Tenho estado a tomar anti-depressivos há já algum tempo e tenho notado que o meu desempenho sexual se alterou. Gostava de saber se os anti-depressivos diminuem a frequência dos orgasmos.

 Sara

Cara Leitora,

Alguns anti-depressivos, bem como medicamentos para a redução da ansiedade, têm como efeito secundário a diminuição do interesse sexual e dificuldade em atingir o orgasmo. Medicamentos como o Prozac ou Zoloft são notórios neste âmbito. O anti-depressivo que está no Mercado e que tem tido menos efeitos secundários a nível sexual e o Welbutrim. É bem provável que pelo facto de estar a ser medicada com anti-depressivos o seu desempenho sexual tenha sido afectado. Converse com o seu médico a respeito do que tem sentido, e se achar necessário peça que lhe receite outro anti-depressivo que tenha menos efeitos secundários, ou que altere a dose da medicação que está a tomar.

Quero-a de volta!

Como reconquistar um amor.jpg

Namorei durante alguns anos com uma rapariga porém acabei a relação com ela há alguns meses. Agora sei que ela é o amor da minha vida, mas ela ficou bastante magoada e já não quer saber de mim.”

 Ruben

Caro Leitor,

Por vezes depois de vários anos de relacionamento alguns casais sentem que a relação entrou na monotonia e decidem separar-se, porém passados alguns meses as pessoas apercebem-se de que cometeram um erro e querem uma reconciliação. No entanto, reiniciar um relacionamento nem sempre é fácil, pois muitas vezes a separação vem acompanhada de bastante dor e ressentimento. O leitor precipitou-se e terminou o namoro com a sua companheira. Agora quer que ela volte para si, por sua vez, por ter ficado magoada ela não quer considerar a hipótese de uma reconciliação. Tente compreender que ao acabar a relação magoou bastante a sua ex-namorada e é natural que ela agora se sinta relutante em aceitá-lo de volta. Tenha calma e a pouco e pouco tente ganhar a confiança e afecto da sua ex-namorada.

Serei infértil?

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Sou casado e temos tentado engravidar mas nao conseguimos, por isso eu gostaria de fazer um teste de infertilidade masculina, mas não sei como fazê-lo. 

Sandro

Caro Leitor,

A infertilidade masculina pode resultar do facto de o homem não ejacular, não produzir a quantidade necessária de espermatozóides quando ejacula, ou de os espermatozóides não se movimentarem da forma adequada para que se dê a penetração do óvulo. O exame que é feito com maior regularidade para testar a infertilidade masculina é o chamado espermograma, onde o objectivo principal é analisar o sémen. Através deste exame é possível medir a quantidade, a mobilidade e o formato dos espermatozóides, contudo deve ser complementado por outros exames. Porém, o teste não deve ser feito apenas por um membro do casal, é importante que ambos façam os testes necessários de modo a averiguar de onde podem advir os problemas.

O meu namorado é bastante ciumento!

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Namoro há um 2 anos e apesar de nunca ter dado motivos ao meu namorado para desconfiar de mim, ele é bastante ciumento.

Micaela

 Cara leitora,

Se realmente nunca deu motivos ao seu namorado para desconfiar de si tenha uma conversa séria com ele e diga-lhe que não gosta do seu comportamento. Explique-lhe que ele tem de tentar ser mais controlado de forma a que o ciúme não estrague a vossa relação pois ciúme a mais pode acabar por afastar a pessoa amada. Lembre o seu namorado de que ninguém gosta de ter um parceiro que desconfia constantemente de todos os seus comportamentos. 

“Traí o meu namorado…”

 

“Tenho 19 anos e namoro há 4 anos. É o meu primeiro namorado e amo-o, temos uma ótima vida sexual, mas a verdade é que já o traí algumas vezes. Gosto de sair sozinha e de sentir que estou a conquistar alguém, foi sempre isso que me levou a trair. Será que nunca vou conseguir ter um compromisso?”

 

Gabriela, Lisboa

 

Cara leitora,

Em primeiro lugar é de frisar que deve sempre usar preservativo e evitar comportamentos de risco, já que está a pôr em causa a sua saúde e a do seu namorado, que não sabe o que se passa. O sexo casual pode ser excitante, mas pode ser também muito perigoso. O facto de ter necessidade de aventura é natural, dada a sua idade e também uma vez que esta é a sua primeira relação séria. Mais tarde poderá, de forma natural, assumir um compromisso, mas por enquanto e dadas as circunstâncias o melhor será terminar a sua relação e desfrutar a vida, sempre de forma segura e sem se expor a riscos.

 

“Confessei-lhe que fingia o orgasmo!”

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 “Estou há três anos com o meu namorado e finalmente ganhei coragem para confessar que sempre fingi o orgasmo, pois nunca tive um orgasmo, nem com ele nem com nenhum outro parceiro. Ele foi bastante compreensivo, e não tinha tido relações sexuais antes de mim, mas neste momento sinto-me insegura, pois cada vez que começo a manifestar excitação tenho medo que ele pense que estou a fingir. O que hei-de fazer?”

Bárbara, Nazaré

Cara leitora,

O facto de ter ganho coragem para contar a verdade é extremamente positivo e é o primeiro passo para conseguir efetivamente ter prazer. A comunicação honesta e sincera entre os parceiros é fundamental para ter uma vida sexual satisfatória para os dois. Para conseguir ter um orgasmo verdadeiro, liberte-se da pressão de o conseguir. Experimente fazê-lo primeiro através da masturbação, sem pressas, e diversificando as vossas atividades sexuais, experimentando através do sexo oral, da masturbação mútua, etc. Concentre-se nas sensações, a sós ou com o seu par, sem querer controlá-las, entregando-se simplesmente a elas. Quanto mais relaxar, mais fácil será. Se mesmo assim não conseguir, não desanime. Uma vez que diz nunca ter tido um orgasmo pode ser necessário consultar um terapeuta que possa fazer um acompanhamento personalizado do seu caso.

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