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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Sangue no sémen”

 Homem preocupado com a mão no queixo | Indicações para a prótese testicular  | Dr. Luiz Augusto Westin

“Um dia depois de fazer amor de forma mais intensa com a minha namorada encontrei sangue na minha roupa interior e, entretanto, detetei sangue misturado com o sémen quando ejaculo. Tenho sentido uma pressão ligeira no meu testículo esquerdo. O que se passa?”

 João, Barcarena

 

Caro leitor,

Embora encontrar vestígios de sangue no sémen não seja, por si só, indício de um problema de saúde, é aconselhável consultar o seu médico para verificar essa situação. Por vezes, pode haver pequenos cistos no epidídimo, que se encontra nos testículos e que armazena o esperma. Esses cistos são cheios de líquido e, ao crescerem, provocam desconforto e até dor, fazendo com que sinta uma espécie de pressão. Chamados espermatoceles, podem resultar de uma inflamação na área genital – que, pelo que descreve, pode ter sido causada pelo facto de ter tido relações sexuais mais intensas. Para além desta hipótese, o cancro da próstata também pode causar desconforto pélvico e sangue no sémen, sendo como tal importante que consulte o seu médico para que possa proceder a exames que expliquem a dor e os sintomas que descreve.

“Ela diz que é assexual!”

Frustration Tolerance and Its Role in Anger Arousal | Psychology Today UK

“Conheci uma rapariga por quem acabei por apaixonar-me, mas nunca tivemos relações sexuais. Ela diz que é assexual. Não sei como lidar com essa situação…”

 

Mário, Covilhã

 

Caro leitor,

A assexualidade define a ausência de atração sexual ou de interesse por sexo. As pessoas assexuais podem manter relacionamentos, pois têm sentimentos por outras, mas não têm qualquer interesse em integrar a componente sexual nos mesmos. Cada caso é um caso, algumas pessoas experimentam essa perda de interesse sexual na sequência de algum trauma, outras nunca o tiveram. Outras há, ainda, que praticam a masturbação, mas não têm qualquer desejo em estar intimamente com um parceiro. Compreendo que seja difícil para si, que não é assexual, lidar com esta situação, mas deve conversar com a sua namorada de forma a encontrar maneira de satisfazer as necessidades de ambos.

“Ela nunca sentiu desejo sexual…”

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“Tenho 23 anos e noutro dia, numa conversa mais íntima com a minha melhor amiga, ela confessou-me que não sente nem nunca sentiu qualquer desejo sexual por ninguém, daí nunca ter tido um namorado. É normal isto acontecer?”

Catarina, Massamá

 

Cara leitora,

A assexualidade consiste na falta de interesse pelo sexo ou na falta de atração pelos outros. Embora não haja muita pesquisa feita nesse campo, crê-se que 1% da população é assexuada, sendo que as pessoas que sofrem deste problema não sentem necessidade do envolvimento íntimo com outra pessoa, embora possam, em alguma fase da vida, experimentar necessidades sexuais, às quais respondem pela masturbação. Mesmo sendo assexuais, as pessoas podem envolver-se em relacionamentos emocionais, pois apesar de não terem necessidade de envolvimento sexual continuam a ter necessidade de envolvimento afetivo e a vontade de estarem num relacionamento. De um modo geral, havendo compreensão mutua, pode haver entendimento num casal em que ambos ou um dos membros são assexuais, encontrando outras formas de trazer satisfação à relação e de a fortalecer.

 

“Ela fica muito lubrificada!”

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 “Quando eu e a minha namorada temos relações sexuais ela fica extremamente lubrificada, muito mais do que eu, que me considero uma mulher “normal”, e ela sente-se desconfortável com isso, apesar de não me fazer diferença. Porque é que isto acontece? Será algum problema de saúde?”

 

Luísa, Almada

 

Cara leitora,

A lubrificação vaginal durante o ato sexual é geralmente um sinal de excitação, facilitando a penetração, tanto com um pénis, no caso de uma relação heterossexual, como de um vibrador ou dildo, ou dos dedos, numa relação entre duas mulheres. Não há uma definição de “normal” na medida em que há muitas mulheres que têm uma lubrificação abundante, e muitas outras que libertam menor quantidade de fluxo, havendo também muitas mulheres que não conseguem produzir uma quantidade suficiente de fluxo, necessitando de usar um lubrificante para facilitar a penetração. Para além de variar de mulher para mulher, a quantidade de fluido segregada através da excitação varia também consoante a fase do ciclo menstrual em que a mulher se encontra. Fatores como a dieta, a toma de alguns medicamentos, o stress e possíveis infeções também influenciam a produção e segregação de fluidos vaginais. É importante saber se a sua namorada sempre teve um fluxo assim tão abundante, e se ele vem acompanhado por um odor mais forte do que o habitual, se tem alterações na cor ou na consistência. Deve consultar o seu ginecologista pois um fluxo excecionalmente abundante pode ser indicador de uma infeção vaginal que precisa de ser tratada. Algumas doenças e infeções podem também causar alterações nos fluidos vaginais. Mesmo que esta condição seja apenas uma caraterística dela, sem estar associada a nenhum problema de saúde, o seu ginecologista poderá aconselhá-la sobre os produtos de higiene íntima mais adequados para ela.

“Ele sente dores quando me penetra!”

Resultado de imagem para sad couple “Eu e o meu namorado perdemos a virgindade juntos, e estamos ambos muito apaixonados um pelo outro. O problema é que ele não é circuncidado e diz que sente dores muito fortes quando me penetra, causadas pela pele do pénis a ser puxada. Por causa disto ele nunca consegue ter um orgasmo através da penetração. O que podemos fazer?”

 Vanessa, Famalicão

 

Cara leitora,

Antes de mais a situação que descreve precisa de ser vista por um médico, porque mesmo que um homem não seja circuncidado não deve sentir qualquer tipo de dor durante a penetração. As dores indicam que algo não está a funcionar devidamente, e nesse sentido ele precisa de ser imediatamente examinado para que possa ser detetada a origem desse desconforto e essa situação possa ser devidamente tratada. A penetração em si nunca deve causar desconforto nem dor. Esta pode ser resultante de uma inflamação ou de uma infeção, como por exemplo uma balanite, que causa vermelhidão e dor no pénis e no prepúcio, ou uma fimose, que pode aparecer em pénis não circuncidados como resultado de irritações e inflamações, deixando o prepúcio demasiado apertado para ser completamente puxado para trás, ou ainda uma parafimose, na qual o prepúcio não consegue sequer ser puxado para trás da cabeça do pénis, e que difere da fimose na medida em que o prepúcio fica “preso” quando é puxado para trás da cabeça do pénis, sendo considerada uma emergência médica. Por outro lado, também há uma condição médica designada como frenulum breve ou freio curto, em que o prepúcio se retrai apenas parcialmente. Se o freio prepucial for curto ou não tiver a elasticidade necessária não permitirá que a pele do prepúcio se retraia na totalidade, causando dor. Para além destas existem outras possibilidades, pelo que o seu namorado deve ser de imediato visto por um médico para que este decida qual o melhor tratamento ou intervenção a fazer.

“Clamídia e vibradores”

 “Fui ao médico e ele diagnosticou-me Clamídia. Já estou a fazer o tratamento que o médico prescreveu, mas como costumo usar vibradores de vez em quando surgiu-me uma dúvida: devo deitá-los fora? Posso voltar a ter uma infeção por usar vibradores “contaminados”, mesmo tendo-os lavado e desinfetado? Obrigada!”

 Gabriela, Lisboa

 

Cara leitora,

É possível que os seus vibradores, ou outro brinquedo sexual que tenha utilizado, contenham bactérias da Clamídia presentes na sua superfície, mas não precisa de os deitar fora. Tem de os limpar cuidadosamente e não deve usá-los durante pelo menos 48 horas depois de os limpar, mas a bactéria, chamada Chlamydia Trachomatis, não consegue viver muito tempo fora do corpo humano. A Clamídia transmite-se geralmente através do contacto sexual direto e da troca de fluidos sexuais, como fluidos vaginais, sémen ou líquido pré-ejaculatório, que contenham a bactéria. Através do sexo vaginal, anal ou oral, estes fluidos sexuais infetados podem entrar diretamente em contacto com membranas mucosas dentro da vagina, do reto ou da uretra e propagar a bactéria. Por esse motivo a probabilidade de a doença se propagar através de brinquedos sexuais é reduzida, embora exista esse risco, especialmente se a superfície do brinquedo sexual for algo porosa, propiciando a permanência da bactéria nela. Utilizar brinquedos sexuais entre parceiros sem os limpar também favorece o contágio. É essencial limpar bem os brinquedos sexuais antes e depois de cada uso, e também depois de cada uso entre parceiros.

 

“O impulso sexual de um homem diminui com a idade?”

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“Tenho quase 30 anos e estou algo apreensivo com uma questão. Sempre fui muito ativo sexualmente, pelo que me preocupa a ideia que o impulso sexual de um homem possa diminuir com o avançar da idade. Isso é possível? Se sim, há algo que eu possa fazer para evitá-lo?”

Pedro, Bragança

Caro leitor,

Felizmente nem tudo o que é bom acaba. O desejo e o impulso sexual no homem e na mulher diminui gradualmente com a idade, mas a testosterona, a hormona que controla o impulso sexual no homem, nunca deixa inteiramente de ser produzida. Alguns homens de 70 e 80 anos continuam a ter uma libido ativa mesmo com níveis diminuídos de testosterona. Para além da idade, a libido pode ser afetada, em qualquer momento da vida, por fatores como o stress, a fadiga, preocupações com o trabalho, efeitos secundários dos medicamentos, insatisfação com a relação ou falta de interesse pela parceira, entre outras. A vida sexual do homem vai sofrendo alterações mesmo que o desejo se mantenha. Enquanto que aos 20 é menos frequente terem sonhos molhados e masturbarem-se menos, no final dos 20 e aos 30 podem notar que o pénis não fica tão ereto como costumava e que precisam de maior estimulação para terem uma ereção. Aos 40, 50, pode precisar de estimulação direta para ter uma ereção, que pode não ser tão plena como era habitualmente, tendo também maior facilidade em perdê-la. O ângulo de ereção também pode variar ao longo do tempo, bem como a força da ejaculação. Aos 50, 70 anos torna-se mais difícil conseguir que a excitação leve à ereção, levando também mais tempo a ejacular. É importante lembrar que estas mudanças fazem parte do processo de envelhecimento natural do corpo e que não acontecerão todas de uma vez, do mesmo modo como convém não esquecer que cada pessoa tem o seu ritmo próprio, pelo que deve desfrutar da sua sexualidade em pleno e sem ansiedade.

 

Como é que se usam as barreiras dentais?

 

Sou lésbica e gostava de fazer sexo seguro. Já ouvi falar nas barreiras dentais e já li sobre sugestões como abrir um preservativo ou usar película aderente, porém nunca encontrei nenhuma explicação concreta sobre como usá-las, como colocá-las de forma correta e como superar a falta de contato direto, ou como usar os dedos para fazer a penetração com a barreira, por exemplo. Pode esclarecer-me?

Carolina, Lisboa

 

Cara leitora,

As barreiras dentais, criadas originalmente para ajudar os dentistas durante uma intervenção cirúrgica, são de facto um bom método de praticar sexo seguro entre mulheres. Servem especialmente no sexo oral, criando uma barreira que impede a transmissão de vírus e bactérias. Para a posicionar corretamente, pode usar um lubrificante à base de água (os lubrificantes com base de óleo podem danificar o látex), que aumente a aderência da barreira à vulva ou ao ânus, de forma a que não se desloque e dessa forma impeça o contacto com os fluidos. Pode pedir à pessoa a quem está a fazer sexo oral que a mantenha no sítio com os dedos, o que pode tornar-se uma brincadeira divertida para ambas. Relativamente à penetração, as barreiras dentais destinam-se apenas ao sexo oral. Pode usar em alternativa um preservativo ou pode experimentar criar uma barreira utilizando uma luva de látex. Tenha sempre cuidado, no entanto, para que não haja buracos nem fissuras na parte que vai utilizar, para que a proteção não seja comprometida. Use cada barreira apenas de um lado e somente numa parte do corpo, passá-la do ânus para a vulva pode causar infeções.

 

“Preciso de ajuda para ter orgasmos!”

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 “Tenho 22 anos e apesar de já ter iniciado a minha vida sexual, tenho dificuldades em conseguir atingir o orgasmo, pelo que gostava que me ajudasse nesse sentido. O que posso fazer para ter orgasmos mais facilmente enquanto estou a fazer amor com o meu namorado?”

Cátia, Caneças

 

Cara leitora,

O orgasmo é o ponto em que toda a tensão que o corpo vai acumulando é subitamente libertada sob a forma de uma série de contrações musculares involuntárias e que proporcionam prazer, e que se podem sentir na vagina, no útero e no reto. Pressionar e massajar o clítoris conduz a essa tensão e a inúmeras sensações de estremecimento e de preenchimento pélvico. Há muitas mulheres que têm dificuldade em alcançar o orgasmo, quer seja sozinhas quer com um parceiro. A vergonha em tocar o próprio corpo, a falta de conhecimento do mesmo e medos desconhecidos são apenas alguns dos fatores que dificultam esta libertação física, cuja componente psicológica é também muito importante. Os orgasmos podem ter intensidades diferentes, conforme a mulher, o momento, o tipo de estimulação, o parceiro, etc. Para conseguir ter um orgasmo mais facilmente, evite concentrar-se mais nos pensamentos do que nas sensações, pois é fácil distrair-se com ideias que a afastam do seu propósito, como por pensar se está a agir corretamente, pensar no que o parceiro pode estar a pensar ou se está impaciente, aborrecendo-se consigo mesma e desistindo dos estímulos que está a receber. Não deve também alimentar o receio de não conseguir ter um orgasmo ou de pedir mais do seu parceiro, pois dessa forma estará a criar uma pressão mental que tornará mais difícil a libertação. Os sentimentos de culpa a respeito do sexo, ou pensar que se devia concentrar mais no seu parceiro, são também prejudiciais, bem como querer acelerar o processo. Dê mais tempo a si própria e deixe-se apenas guiar pelas sensações e pelo seu próprio prazer, deixando-se ir, e verá como se tornará mais fácil.

 

“Acho que tive um sonho molhado…”

“Tenho 16 anos e recentemente acordei com a região genital húmida, e lembro-me que estava a sonhar que fazia amor com um rapaz pelo qual me sinto muito atraída. Como tal, gostava que me esclarecesse: as raparigas também podem ter sonhos húmidos?”

 

Sofia, Barreiro

 

Cara leitora,

Tal como os homens, as mulheres também podem ter sonhos molhados, embora nem todas as mulheres os tenham. Devido à ejaculação, é mais fácil os homens aperceberem-se que tiveram um sonho molhado, mas as mulheres que experienciam a excitação sexual durante o sonho também têm secreções vaginais, ficando lubrificadas enquanto dormem. De acordo com estudos efetuados verificou-se que a percentagem de rapazes e homens que têm sonhos molhados é maior relativamente às mulheres, o que aliado ao facto de a sexualidade masculina ter sido desde sempre muito mais falada do que a sexualidade feminina, contribui para que os sonhos molhados das mulheres não sejam geralmente referidos. Não se preocupe e desfrute da sua sexualidade em pleno, pois a experiência que teve é perfeitamente normal e faz parte da vida de qualquer ser humano.