Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Os espermicidas protegem contra Infecções Sexualmente Transmissíveis??”

 

“Tenho um amigo que me disse que os espermicidas ajudam a prevenir o contágio de Infecções Sexualmente Transmissíveis. É verdade?”

 

Carlos, Monte Gordo

 

Caro Leitor,

 

Os espermicidas são contraceptivos cuja função é impedir que os espermatozóides cheguem aos ovários e fecundem o óvulo, ou seja, têm como
principal objectivo a prevenção contra uma gravidez indesejada. No entanto, tem-se verificado que para além dessa função os espermicidas ajudam a eliminar alguns micróbios relacionados com algumas infecções sexualmente transmissíveis, entre as quais a clemidia e a gonorreia. É neste sentido que muitos especialistas defendem o uso de espermicida como forma de prevenção das IST para os casais que não podem utilizar o preservativo por razões alérgicas.


Todavia, esta teoria não é suportada por todos os especialistas, pois a dose de espermicida que neutraliza os espermatozóides não é a mesma para eliminar os micróbios das IST.

“Fiz sexo oral desprotegido”

 

 

“Fiz sexo oral a duas pessoas diferentes com um intervalo de mais ou menos 3 meses. Recentemente conheci outra pessoa onde e beijámo-nos longamente. Passado um dia ou dois desse beijo comecei a sentir uma espécie de dor de garganta. Vi-me ao espelho e notei do lado direito da garganta aquelas bolhas tipo garganta inflamada. Tenho tomado pastilhas para a dor de garganta mas não passa. Será que contraí alguma doença sexualmente transmissível?”

 

Eva, Lisboa

 

 

Cara leitora,

Através do beijo não lhe devem ter transmitido mais que uma constipação ou gripe, com uma certa inflamação. O sexo oral pode realmente transmitir algumas infecções sexualmente transmissíveis, pelo que deve ir a uma consulta de planeamento familiar ou ao seu médico assistente com alguma urgência clarificar e fazer um diagnóstico rigoroso e presencial.

Não adie esta questão de saúde, pois a falta de tratamento pode piorar em muito os sintomas de infecções.

Lembre-se que também no sexo oral o preservativo a pode proteger de contrair infecções sexualmente transmissíveis e pode utilizar os que têm sabores, para ser mais agradável para si.    

 


Doença sexualmente transmissivel - Herpes

Tenho uma dúvida que me aflige muito, tenho vesículas no rabo com recorrência e também na região sacral - como posso saber se é herpes zóster ou genital? Já tive no genital, no sacro, nas nádegas e também nas coxas lateral e posterior. Estou desesperada.
Jacinta
Cara Jacinta,
Deve dirigir-se urgentemente a um médico de clínica geral, dermatologista ou ginecologista – poderá ser herpes genital, mas apenas um diagnóstico ao vivo a poderá ajudar e descansar. O herpes é um vírus que se transmite pelo contacto da pele ou por via sexual e depois da primeira crise pode voltar, pelo que deve confirmar se tal lhe aconteceu, para fazer o tratamento e também para não infectar parceiros sexuais seus.
Não tenha medo de falar destas questões com os técnicos de saúde, eles ouvem e observam muitas vezes situações como a sua e não farão juízos de valor da sua situação.

Herpes genital

Gostaria de saber se o herpes genital pode ser provocado por stress, e quanto tempo depois do 1º aparecimento pode ser mantida relação sexual sem risco de contágio do parceiro e quanto tempo a herpes demora para cicatrizar?
Daniela
Cara Daniela,
Os surtos de herpes genital podem surgir efectivamente em fase de maior stress emocional, mas também durante a menstruação, quando o organismo está debilitado pela ocorrência de outras infecções, se a pessoa está mais cansada, ou por traumatismo da área genital nas relações sexuais. Em situações de herpes genital recorrente (o que é diferente do primeiro surto) e com tratamento, as lesões ou vesículas costumam desaparecer em 8 a 10 dias. Durante este período não se aconselham as relações sexuais pois o risco de infectar é maior. Note-se que por vezes o surto começa e a pessoa não se apercebe, podendo transmitir ao seu parceiro inadvertidamente.
Fale com um médico sobre este assunto, pode ser também numa consulta de planeamento familiar, e esclareça as suas dúvidas a fundo – não há razões para se manter preocupada, o herpes é uma infecção sexualmente transmissível muito comum e os parceiros são compreensivos sobre os cuidados a ter – o preservativo é um deles e devem evitar-se os contactos entre as peles ou mucosas infectadas, como as genitais.

Preservativo: Sim ou Não?!?

Namoro há um ano e três meses com o meu namorado. Nenhum de nós teve outro parceiro sexual. Eu tomo a pílula e até há uns meses para cá usávamos o preservativo em quase todas as relações sexuais. Decidimos que era desnecessário o uso do preservativo visto que eu tomava a pílula e nunca tivemos contacto sexual com outras pessoas. Mas para além de não ficar 100% descansada quanto a possibilidade de gravidez também me preocupo com as doenças que possamos transmitir mutuamente... Acha essencial o uso de preservativo?
Sílvia
Cara Sílvia,
A sua questão é muito pertinente e surge em muitas relações. O ideal é fazer a contracepção dupla (pílula+preservativo) que a protege da gravidez indesejada e das infecções sexualmente transmissíveis e dá uma maior segurança de que se um dos métodos falhar, o outro actua e previne na mesma.
No entanto, muitos casais desejam não utilizar o preservativo. Por vezes, é por pressão masculina que se abandona a sua utilização, embora a mulher se sinta melhor a usá-lo. Se este for o seu caso fale melhor com o seu parceiro sobre as vantagens da utilização do preservativo, para que o sexo seja bom para os dois e não melhor para um que para o outro. O principal orgão sexual que temos é a cabeça...se ela estiver preocupada, o corpo não está disponível para o prazer!
Lembre-lhe que com o preservativo a penetração dura mais tempo, logo podem explorar mais posições, quando se habituam o prazer não sai prejudicado. Têm lubrificação artificial, que pode ser necessária para algumas mulheres que lubrificam pouco ou que perdem a lubrificação ao longo da penetração, podem descobrir novas formas de o colocar que aquecem a relação (a Sílvia a ele, ele a si próprio, colocar com a boca, com as duas mãos, com lubrificante com efeito de calor…). Pode até experimentar o preservativo feminino, que tem uma sensibilidade diferente e não precisa de tantos cuidados na sua colocação. Veja mais aqui: http://consultoriosexologia.blogs.sapo.pt/tag/preservativo+feminino
Se o seu namorado não for compreensivo consigo e com as suas necessidades de segurança sexual terão de pensar bem a natureza da vossa relação e o quanto um dá e o outro recebe…arrisque e seja fiel a si própria!
As infecções sexualmente transmissíveis são realmente um problema para a mulher, que muitas vezes é contagiada pelo seu parceiro, mesmo sem que haja traições.
Depois desta longa resposta, não tenho uma conclusão clara sobre se a utilização do preservativo é ou não essencial, mas cada casal e cada pessoa deve proteger-se a si mesma e à sua saúde - a responsabilidade é sua. Reflicta bem as suas necessidades emocionais e como pode aproveitar o melhor possível as suas relações sexuais. Afinal de contas, o prazer tem de ser mais forte que as preocupações realistas.
Não deixe de ir a uma consulta de planeamento familiar com o seu namorado para fazer o seguimento da vossa saúde sexual e talvez mesmo fazerem os testes necessários às infecções sexualmente transmissíveis que a deixem descansada e livre para sentir o prazer da vossa sexualidade.

“Dormi com uma prostituta…”

 

“Estou muito preocupado, pois num destes dias para tentar combater esta fase de solidão pela qual estou a atravessar tive relações sexuais com uma prostituta. O maior problema é que não utilizámos qualquer forma de protecção… E agora?”
 
Vítor, Porto
Caro Leitor,
Para que a sexualidade seja vivida de uma forma tranquila e despreocupada é essencial ter em mente a prevenção, isto é, a utilização de um método contraceptivo adequado. Pela situação vivida, o uso do preservativo seria imprescindível, não só para evitar uma gravidez não desejada bem como para a protecção de doenças sexualmente transmissíveis.
Neste caso é que deve aplicar o tradicional provérbio “mais vale prevenir do que remediar”. Agora, de forma a clarificar todas as dúvidas o melhor será consultar o seu médico assistente para que possa realizar todos os exames médicos recomendados para a despistagem de doenças do foro sexual.
Tenha em mente que a protecção, actualmente, é crucial, principalmente, para a protecção das doenças transmissíveis pela via sexual.

“Apanhei gonorreia e não sei como!”

“Sou solteira e apesar de não ter namorado fixo tenho tido várias experiências sexuais com homens e mulheres diferentes. Há pouco tempo apanhei gonorreia e não entendo como, pois eu pratico sexo seguro.”
Susana, Horta
 
Cara leitora,
A Gonorreia é uma infecção sexualmente transmitida, por isso a única forma de a ter contraído é através do contacto sexual com um indivíduo infectado. Se por norma a leitora utiliza ou um preservativo ou uma barreira dental conforme o parceiro com quem esteja durante o acto sexual, de facto as probabilidades de contágio são menores, mas como deve saber, tanto o preservativo como a barreira dental não são cem por cento eficazes tanto na protecção contra a gravidez como na protecção de infecções sexualmente transmitidas, por isso deve ter havido alguma altura na qual estes não foram utilizados de todo ou não foram utilizados de forma adequada e por isso houve o contágio.
 

Dores na relação sexual

Há uns 4 meses atrás comecei a vida sexual com a minha namorada. Ela era virgem e por mais que eu tenha tido cuidado para a deixar tranquila e excitada, a primeira penetração doeu um pouco (diz ela), mas passou. Comecei a trabalhar melhor nos preliminares, fiz sexo oral -  ela tinha um pouco de receio, mas percebia que gostava muito, sem contar que devido à saliva e à excitação com o sexo oral, a vagina ficava super lubrificada, o que facilita bastante a penetração. No entanto, o problema é que de há uns tempos para cá, quando vamos começar a penetração ela sente muita dor no início da penetração, até eu penetrar meu pénis por completo, depois a dor passa. Depois da relação ela sente um ardor intenso, principalmente na hora de urinar, e percebi que tem prurido. Tenho medo que seja alguma infecção - quais são as possíveis bactérias que causam isso?
 
César 
 
Caro César,
 
O prurido é um sintoma vaginal de infecções bacterianas, virais, de infecções sexualmente transmissíveis, da menopausa (pela diminuição de estrogéneos), ou de determinados hábitos, como usar roupa interior de materiais sintéticos, usar roupa/calças muito justas, fazer uma alimentação desadequada, tomar antibióticos… Como só um médico geral ou ginecologista poderá fazer um diagnóstico adequado, devem marcar ou ir a uma consulta com urgência, principalmente se o que descreve dura há mais de uma semana.
 
Até lá utilizem preservativo, pois podem reinfectar-se um ao outro e aconselhe a sua namorada a beber água antes de ter relações sexuais e urinar logo depois desta, fazendo a sua higiene. O César deve igualmente limpar quaisquer gotas do pénis depois de urinar, pois as que ficam na glande propiciam o prurido na sua namorada, com a fricção da penetração sexual. Façam o tratamento recomendado e Boa sorte!

Comichão nos genitais

Tive uma relação sexual com a minha companheira e essa relação resultou numa pequena infecção, gostaria de perguntar se é grave ou se são situações normais que passam com o tempo..
Um dia depois da relação sinto muita comichão no meu pénis um ligeiro inchaço e quando deslizo a pele do pénis para trás deparo-me que ele ganha uma espécie de liquido grosso branco ou seja parecendo um creme.. A minha dúvida é se será isso grave e se terei de procurar um médico ou se será uma ligeira infecção que venha a passar com o tempo.
 
Gonçalo
 
Caro Gonçalo,
 
As infecções virais e bacterianas NÃO tendem a desaparecer com o tempo, mas sim com os tratamentos, pelo que deve dirigir-se com urgência a um médico de clínica geral ou urologista – de modo a prevenir que piore a condição e que reinfecte a sua parceria. Por email e pela sua descrição, penso que pode ser, com efeito, uma infecção sexualmente transmissível, pelo que até finalizar o tratamento deve utilizar preservativo em todas as relações sexuais e evitar contactos genitais desprotegidos.
Não tenha vergonha de mostrar o seu pénis a um técnico de saúde – ele saberá ajudá-lo e está habituado a observar profissionalmente todas as partes do corpo. É importante que passe por uma consulta de diagnóstico e que siga o tratamento proposto. Há consultas de planeamento familiar que são gratuitas e há em vários centros de saúde.