Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Tema de Hoje: Relacionamentos

 

Será possível alguém ser viciado numa relação, que não é saudável?

Vou tentar explicar me melhor: eu namoro há 2 anos com o homem com que me vejo casada e tenho um caso com um homem 8 anos mais velho, há cerca de 5 anos. Às vezes tenho a sensação que este meu caso é doentio, é um "relacionamento" muito pouco saudável em quase tudo, existe muita agressão verbal de parte a parte, milhentas vezes termos dito um ao outro desaparece da minha vida, nunca mais te quero voltar a ver, etc... E no máximo passado 2 semanas já estamos envolvidos novamente, sem nunca se pedir desculpas pelo que foi dito anteriormente...
E muitas das vezes quando saio de ao pé dele, venho com quase 100% de certezas de que foi a ultima vez, porque cada vez é pior, porque eu saio de lá frustrada, que isto só me faz mal, porque estou farta de tudo (dele, da situação).... mas até agora este fim ainda não apareceu. 

Anabela

 

Cara Anabela,

 

O seu caso é bastante complexo e requer alguma reflexão da sua parte e muita coragem e força. A dependência que existe é sua e dele, do homem com quem tem uma relação escondida e cabe-lhe a si procurar no seu intimo o que ele lhe oferece que a sua relação de compromisso não faz: perigo de ser descoberta? Nervosismo de estar às escondidas? Sexo que lhe agrada mais? Sensação de liberdade por não haver compromisso? Paixão em vez de amor? Intensidade em vez de tranquilidade amorosa?

Se ambos voltam a encontrar-se e se mantêm esta relação há 5 anos cada um terá as suas necessidades emocionais a que este modelo de relação responde.

Repare como escreve “até agora o fim ainda não apareceu”, sem se identificar a si mesma como autónoma e independente para o fazer aparecer, por vontade própria, esse fim, na sua vida pessoal e de mulher. Se ele tiver de acontecer, terá de ser a Anabela a decidi-lo… Ou estará à espera que ele o faça por si?!

A decisão é sua (ou dele) de continuar ou de acabar com esta relação, todas as relações têm os seus pós e contras.

Por pouco romântico que tal pareça, pode escrever numa folha o que ganha e o que perde com as suas duas relações e assim terá uma pequena ajuda na sua reflexão sobre as partes da balança que estão envolvidas na sua vida emocional.

Quando tomar a sua decisão, seja ela qual for terá de partir para a acção e resistir ao que for contrário a ela. São precisas forças e determinação, mas elas estão em si, visto que conseguiu lidar até agora com a complexidade de ter duas relações, de aguentar frustrações, agressões verbais… saiba que quando uma pessoa se vincula a alguém que nos trata mal pode haver uma identificação com o agressor (mesmo que se trate apenas de agressão verbal), acreditar no que ele nos diz, assumir o papel de vítima que ele nos impõe e, ao longo do tempo, ir ficando com a auto-estima em baixo e deixar de se sentir forte sem o agressor a tratar da vítima. Pelas suas palavras não sei se tal terá acontecido entre vós, mas não desvalorize a força das agressões verbais – são igualmente agressões, magoam e deixam feridas difíceis de sarar.

Leia mais sobre violência conjugal para perceber melhor o que tento mostrar-lhe.

Se achar que pode beneficiar de ajuda profissional, nós damos consultas presenciais em Lisboa, no Saldanha, marcadas no número de telefone 213 182 591.