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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Masturbo-me com muita frequência…”

“Estou a ficar preocupado, pois acho que estou a ficar viciado em masturbação. Sinto uma vontade incontrolável de me masturbar vezes sem conta. Será que estou doente?”

 

Manuel, Cartaxo

 

Caro Leitor,

O acto de masturbar foi durante muito tempo considerado comoalgo imoral e obsceno, daí que ainda tenha em muitas mentes uma conotação negativa. A masturbação é algo natural entre homens e mulheres, sendo uma forma de obter satisfação e prazer sexual, bem como de aliviar a tensão. Porém, para que essa prática possa ser algo salutar é importante que haja um ponto de equilíbrio, isto é, a frequência exagerada deste acto deve ser vista como um sinal de alerta. Existe um tipo de masturbação que é considerado fora do normal, como sendo uma patologia, que é a compulsão, ou seja, o indivíduo masturba-se desenfreadamente. Nestes casos, o aconselhamento e a ajuda por parte de pessoas especializadas é a hipótese mais viável. Na sua situação, caso considere necessário, aconselho-a a solicitar a ajuda de um técnico especializado em sexualidade para que possa saber realmente o que se passa consigo.

 

Comportamentos sexuais e Infecção pelo VIH em Portugal

                                              

O Instituto de Ciências Sociais apresentou no dia 6 de Maio os resultados do inquérito Comportamentos Sexuais e VIH/SIDA – uma encomenda da Coordenação Nacional Para a Infecção Pelo VIH/SIDA de um estudo que analisasse a sexualidade portuguesa. A equipa de foi coordenada por Manuel Villaverde Cabral e Pedro Moura Ferreira e integrou outros investigadores como Duarte Vilar, Raquel Lucas ou Sofia Aboim, que se debruçaram em áreas mais específicas, como as práticas e as representações sexuais, a saúde sexual e reprodutiva, os indicadores do risco ou as identidades e orientações sexuais.

O inquérito foi respondido por 3625 portugueses (1860 mulheres e 1775 homens), com idades dos 16 aos 65 anos, sendo uma amostra representativa de Portugal continental, com Lisboa um pouco mais representada, por ter uma diversidade urbana maior.

As diferenças de género foram acentuadas: homens e mulheres não vivem a sua sexualidade da mesma maneira – nem têm de o fazer – mas aproximam-se cada vez mais, em comparação com outros estudos semelhantes em Portugal no passado. As gerações apresentam também diferenças inegáveis na sua vivência da sexualidade e, em algumas questões perguntadas, o nível de a escolaridade e de prática religiosa tinham um certo impacto na sexualidade.

Entre alguns resultados que vale a pena destacar, está a idade de iniciação sexual: para os homens situa-se nos 17 e para as mulheres nos 19, enquanto a motivação dos primeiros é a atracção e o desejo sexual, para elas é estar apaixonada. Ao longo da vida, os homens relatam ter mais parceiras sexuais que as mulheres, onde um terço delas se afirma monogâmica exclusiva (contra 9% dos homens).

A saúde sexual do casal mostra-nos que o homem tem mais interesse (um terço das mulheres não o tem) uma satisfação com a frequência das relações sexuais maior nas mulheres que nos homens (69.5% delas “está bem assim”, mas apenas 56% deles); no entanto, os homens sentem sempre prazer em 65.5% dos casos e apenas 34% das mulheres, ao que se acrescenta ainda que elas demonstram dificuldades em atingir o orgasmo em 24% e dores durante a penetração em 18%. No sexo dos homens 22% consideram-nos rápido demais, 9.5% têm problemas em manter a erecção e 9% demoram muito ou nem chegam a ejacular – notando-se no geral mais ansiedade.

No que toca ao VIH/SIDA e à utilização de preservativo como protecção de infecções sexualmente transmissíveis é superior no grupo de idades maiores de 20 anos, enquanto que abaixo dos 20 e acima dos 50 a utilização é bem menor – aumentando no geral com o maior número de parceiros sexuais. Os homossexuais utilizam-no mais que os heterossexuais, apesar da subida de novos casos por transmissão heterossexual.

A realização do teste ao VIH/SIDA foi de 44%, mas as razões não são tanto por se ter tido comportamentos pessoais de risco ou pelo parceiro ter tido (apenas 7.6%), mas sim porque se fez exame médico geral (44%), por gravidez (17.8%).

Nas questões de orientação sexual destaca-se que as práticas sexuais não heterossexuais são mais alargadas que as identidades, ou seja, a auto-identificação como gay, homossexual, lésbica ou bissexual – o que pode ter implicações na prevenção focada em grupos específicos. As experiencias não heterossexuais surgem em 5.2% dos homens e 6.3% das mulheres, um pouco abaixo de outros estudos realizados em amostrar representativas de Portugal; embora as atracções pelo mesmo sexo surjam em maior número. No que toca às identidades, 0.7% assumem a identidade de homossexuais e, em maior número de bissexuais (1.5%).

Ficamos à espera da apresentação mais detalhada destes dados para podermos perceber melhor os detalhes da evolução e das diferenças entre homens, mulheres e casais heterossexuais e homossexuais, dos seus comportamentos e dos riscos que tomam nos seus amores.