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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Estarei impotente?”

"Sinto que já não me excito com tanta facilidade como antes, embora continue a amar a minha mulher. Será isto a chamada impotência?”

 

César, Cascais

 

Caro leitor,

É perfeitamente normal que, a partir dos 40/50 anos, os homens comecem a perder a capacidade de se excitar só de pensar em sexo, ou ver uma mulher bonita na televisão. Isto faz parte do processo de envelhecimento, da mesma forma que as mulheres têm a menopausa. O problema é que, ao contrário das mulheres que já estão preparadas para a menopausa, os homens são apanhados de surpresa. Como começam a pensar que se passa algo de errado com eles, começam a evitar ter relações, que é o pior que podem fazer nesta situação. É importante que os homens saibam que, com a idade, apenas perdem a capacidade de se excitar tão facilmente com imagens ou pensamentos, mas não perdem a capacidade de ter uma erecção. O problema pode ser facilmente resolvido com estimulação directa do pénis e mais preliminares, tal como sucede com as mulheres! Sugiro que utilizem um lubrificante, pois faz com que a estimulação seja mais agradável.

Será que ela é frígida?

 

“Tenho notado que a minha esposa inventa cada vez mais desculpas para não fazermos amor. A verdade é que somos casados há já seis anos e nunca tivemos uma vida sexual muito activa, por isso gostaria de saber se ela sofre de frigidez.
César, Coimbra
 
Caro Leitor,
É normal que o desejo sexual da mulher diminua devido a diversas condicionantes físicas e psicológicas, por exemplo o nascimento de filhos, o stress causado pelo trabalho ou a entrada na menopausa. A frigidez é uma disfunção sexual que afecta as mulheres, fazendo com não sintam prazer durante o acto sexual e, consequentemente, não consigam atingir o orgasmo. Em termos práticos, tanto as mulheres que sofrem de frigidez como as que sofrem de falta de desejo sexual raramente procuram o parceiro, e quando este as procura a tendência é para rejeitá-lo. Esta situação causa constrangimentos e tensão no ambiente familiar, pois o facto de a esposa não estar muito receptiva a participar do acto sexual muitas vezes pode gerar incompreensão por parte do marido. Aconselho a que fale abertamente com a sua esposa, pois através do diálogo e da compreensão esta situação pode ser ultrapassada.

“Ela não se masturba”

“Sempre tive o desejo de ver a minha namorada a masturbar para mim, e até já lhe pedi, mas ela disse-me que não se masturba. Será verdade?...”

 

Caro leitor:

A prática da masturbação é uma escolha pessoal, por isso pode muito bem ser verdade que a sua namorada não se masturba. Existem várias filosofias e religiões que condenam esta prática e talvez por isso a sua namorada não se toque intimamente. Tente realizar outra fantasia com a sua namorada e não a force a nada que ela não goste de fazer.

Sexo na Terceira Idade

“Sou o mais novo de um grupo de amigos e numa das nossas reuniões de final de tarde abordámos um assunto que me deixou bastante preocupado, o sexo na terceira idade. Ainda me encontro na casa dos 50 mas o que constatei, ao conversar com os meus amigos, é que a partir desta idade o desejo sexual deixa de existir. Gostaria e obter mais informações sobre este caso?”

Manuel, Tavira

 

Caro leitor,

Um grande número de homens e mulheres na casa dos 50 continuam a ter vidas sexuais bastante satisfatórias. É normal pensar-se que nas pessoas mais idosas já não nasce o desejo sexual, no entanto são eles próprios que vivem a sua vida sexual com culpa devido à educação que tiveram. Existe uma série de dúvidas em relação ao sexo na terceira idade. Por exemplo: Se podem ou não os idosos ter uma vida sexual activa? A resposta é SIM!

Na realidade os idosos não perdem o apetite sexual, apenas já não têm pressa. É claro que a frequência das relações sexuais diminui (pode perder-se alguma da capacidade técnica) mas o grau de satisfação pode ser o mesmo. Afinal, também aqui a experiência conta.

Caro leitor, a expressão “ Não há sexo na terceira idade “ está completamente errada! É um preconceito generalizado, de tal modo que os próprios protagonistas do envelhecimento vão acreditando nele, pondo de parte desejos e prazeres quando acaba o fito da reprodução, pois muita gente ainda atribui ao sexo a mera função reprodutora.

Aconselho-o a viver com calma o seu dia a dia e a desfrutar o melhor que a vida nos oferece.

 

 

Apetite sexual

 

Tenho 18 anos e já iniciei a minha vida sexual há algum tempo com o meu parceiro. O que se passa é que não tenho apetite sexual. Ele por vezes queixa-se, mas eu não tenho culpa de não me apetecer. Gostaria de saber se algo de errado se passa comigo, uma vez que ainda sou muito nova. Agradeço que a publicação desta mensagem seja feita sem qualquer nome identificativo.

 

 

Cara leitora,

é ainda bastante jovem e por isso está ainda numa fase de descoberta sexual. Aconselho que converse com o seu parceiro e que em conjunto explorem com mais calma e atenção todas as suas áreas erógenas. Dessa forma tanto a leitora como o seu namorado vão descobrir o que lhe dá prazer, o que vai ajudar a aumentar o seu desejo sexual. Aconselho também que a leitora experimente a masturbação em privado, e que depois partilhe com o seu namorado o que aprendeu.

“Tenho tido dificuldade em ficar lubrificada.”

“Tenho 36 anos e estou casada há 8. Eu e o meu marido nunca tivemos problemas a nível sexual, mas ultimamente tenho tido dificuldade em ficar lubrificada. Será que passado todos estes anos estou a ficar seca?”

Vânia, Matosinhos

 

Cara leitora:

Existem várias explicações para o seu problema. Pode dar-se o caso de ter uma infecção vaginal, que causa desconforto durante a penetração e, logo, dificuldade na lubrificação. Pode também dar-se o caso de estar a tomar algum medicamento que diminua o desejo sexual, fazendo com que tenha mais dificuldade em excitar-se sexualmente e atingir a lubrificação necessária para a penetração. Outra possibilidade é a leitora estar em fase de pré-menopausa. Apesar de a maioria das mulheres atingirem a menopausa em idades mais avançadas, existem excepções nas quais mulheres entram em fase de pré-menopausa por volta dos 35 ou 36 anos de idade. Se esse for o seu caso, a dificuldade em ficar lubrificada é devida a níveis irregulares de estrogénio, que nem sempre são acompanhados por ausência de menstruação. Aconselho-a a consultar um médico para descobrir qual a causa da sua dificuldade em ficar lubrificada, mas entretanto utilize lubrificante o que tornará a penetração bastante mais confortável.

“Não tenho lubrificação suficiente!”

 

"Não sei porquê, mas há uns tempos tenho tido dificuldade em ficar lubrificada. Será que esta mudança se deve ao facto de eu estar perto da menopausa?”
Susana, Ericeira
 
Cara Leitora,
Realmente o facto de estar a entrar na menopausa pode causar alterações dos níveis hormonais, nomeadamente níveis irregulares de estrogénio. Esta redução de estrogénio causa diminuição da lubrificação durante o acto sexual, o que pode resultar em dores durante a penetração. A redução de lubrificação pode também ser o sintoma de uma infecção vaginal. Existem alguns medicamentos que provocam como efeitos secundários a redução da lubrificação e do desejo sexual. Para poder esclarecer todas as suas dúvidas a este respeito aconselho que consulte o seu ginecologista, para que juntos encontrem a solução para o seu problema de forma a recuperar a satisfação e plenitude sexual.
 

-“Álcool: afrodisíaco ou perigo para a saúde?”

 

 

Tenho uma dúvida que é, em parte, causada por informações dúbias que aparecem na imprensa. Se nalguns jornais e revistas aparece que o álcool é um perigo para a saúde, noutros aparece que é
um óptimo afrodisíaco. Afinal em que ficamos? Poderá esclarecer-me esta dúvida?

 

Francisco – Évora

 

 

 

Caro Leitor,

 

De facto, existem os chamados falsos conceitos relativos ao álcool como por
exemplo, que quando consumido pela manhã dá energia, que alimenta durante o
dia, que é um afrodisíaco, etc. Este produto quando consumido diariamente e em
grandes quantidades pode causar problemas de saúde muito graves. Quando
consumido em determinadas quantidades, pode ter um efeito desinibidor, aumentar
desejo sexual, mas com um efeito de redução do desempenho sexual. Pode também
ser a causa de impotência nos homens e da frigidez nas mulheres. No entanto, o
álcool pode ser considerado afrodisíaco se consumido em quantidade pequenas e
esporadicamente. Ajuda a libertar as inibições, fazendo com que todos os
receios e ansiedades sejam suprimidos e com que a pessoa seja mais receptiva.
Podemos dizer que este produto funciona de duas maneiras contraditórias, se por
um lado tem um efeito desinibidor, pois o seu efeito reduz os centro inibidores
do cérebro, permitindo que certos desejos reprimidos sejam libertados, por
outro pode ter o efeito oposto, ou seja, pode fazer com que a pessoa adormeça,
ficando sem reflexos e não tire partido da situação de que estava a tentar
usufruir. O melhor será optar por outro tipo de afrodisíaco, para não cair na
cama e não se divertir.

Depressão e Desejo sexual

Sou casado há 14 anos e de há um ano para cá a minha mulher desinteressou-se de vez de ter sexo. Ela tem problemas de depressão, toma anti-depressivos (fluoxetina e rivotril), mas pelo menos uma vez por mês sentia vontade de fazer sexo, mas agora não quer deixar nem que lhe toque, já conversei com ela, expliquei que devido aos problemas que ela já passou devia procurar um médico. Será que ela esta com problemas hormonais? E se ela for fazer uma reposição hormonal será que melhora? Ela também disse que hormonas causam cancro (devido familiares terem morrido de cancro). É verdade?
Filipe
 
Caro Filipe,
 
O seu email levanta várias questões: se a terapêutica de substituição hormonal causa cancro e porque terá a sua mulher um baixo desejo sexual.
Em primeiro lugar, a depressão e a medicação que a sua mulher toma causam realmente falta de desejo sexual. Pode tentar pedir-lhe que peça ao seu médico que lhe prescreva novos medicamentos, mas terá de ser paciente em relação à progressão da doença e do tratamento desta.
Neste sentido, a causa de tão baixo desejo sexual não é hormonal, mas sim emocional e da terapêutica anti-depressiva. A terapia de substituição hormonal faz-se na menopausa, quando os sintomas desta causam desconforto nas mulheres. Mais uma vez terá de ser o ou os médicos que fazem o seguimento da sua esposa a avaliarem a necessidade de tal, em conjunto com ela. Os riscos de cancro desta terapêutica não são medicamente significativos, por isso ela é recomendada em algumas mulheres. Só um técnico de saúde poderá receitar e avaliar a necessidade ou risco para a saúde e herança genética.
 
Tente agradar-lhe com coisas que ela gosta… criar ambientes românticos, preparar-lhe um banho de imersão de surpresa, escrever-lhe cartas de amor – o que a sua imaginação conseguir inventar e muito mais! Veja o nosso blog para mais sugestões.

“Tive um bebé e não me apetece ter relações sexuais…”

 

“Tenho 33 anos e fui mãe há 3 meses da minha primeira filha. Apesar de estar tudo bem comigo e com a bebé, deixei de ter qualquer vontade de ter relações sexuais. Embora o meu marido tenha sido muito compreensivo comigo sinto que já está a perder a paciência, mas esquivo-me de cada vez que ele tenta fazer amor comigo. É normal isto suceder? Será por estar a amamentar? O que posso fazer para evitar que suceda? Estou encantada com a minha filha mas não quero perder o meu marido.”

 

Teresa, Montijo

 

 

Cara leitora,

A sua situação não é fora do comum, especialmente para mães que estão a amamentar. Devido a estar a dar de mamar à sua filha, o seu corpo está constantemente a produzir oxitocina, que é uma hormona produzida também durante o acto sexual. Uma vez que o seu organismo já tem uma grande quantidade dessa hormona devido ao facto de estar a amamentar, é natural que o seu corpo não sinta necessidade de ter relações sexuais, e por isso nota em si uma ausência de desejo sexual. Uma vez que a sua filha comece a comer outro tipo de alimentos e deixe de mamar, você notará que o seu desejo vai voltar. Se, nessa altura, tal não acontecer é aconselhável que consulte o seu médico. Entretanto converse com o seu parceiro para que ele esteja a par do que se está a passar consigo, e para que possa perceber que não se trata de o estar a rejeitar ou de já não querer fazer amor com ele, mas sim de uma alteração hormonal.