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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Disfunção da Excitação”

Ouvi falar em disfunções sexuais que estão ligadas à excitação, e gostava de saber melhor do que se trata, como se manifesta e de que forma se pode tratar. Qualquer pessoa pode sofrer dessa disfunção? Como é que se deteta?”

 

Pedro, Vilamoura

 

 

Caro leitor,

A excitação surge a dois níveis: por um lado sente-se e por outro observa-se em reações corporais. Por vezes, o corpo manifesta reações contraditórias em relação àquilo que se passa na mente. Por exemplo, alguns homens experimentam uma ereção quando estão expostos a uma situação que lhes provoca medo, o que naturalmente acontece sem que estejam sexualmente excitados. Assim, enquanto o corpo reage de determinado modo, como a produção de secreções vaginais ou o aumento do fluxo sanguíneo para o clítoris ou o pénis, existe por outro lado a excitação subjetiva, que consiste no sentimento interior de estar excitado, e que pode variar no aparecimento de imagens mentais estimulantes à sensação de euforia. Embora estes dois níveis de excitação ocorram geralmente em simultâneo, fala-se de disfunção quando isto não acontece. Pode dar-se o caso, por exemplo, de os genitais reagirem à estimulação, sem que a pessoa se sinta excitada ou com vontade de ter relações sexuais. Pode acontecer também o contrário, em que uma pessoa se sente excitada mas o corpo não manifesta reações de excitação, e que pode acontecer por variadas razões, como por exemplo em pessoas que sofreram abusos sexuais ou em relações que perderam o estímulo, tornando-se rotineiras, ou quando há perda de interesse pelo parceiro. Se isto suceder de forma continuada é necessário identificar as causas do problema para que este possa ser tratado de forma adequada, quer seja através de terapia individual ou de casal, a dinamização da relação através de novas práticas e mudança de posições, por exemplo. Qualquer pessoa que sinta este tipo de dissociação entre a excitação física e a nível mental de modo continuado deve consultar um médico que possa avaliar o seu caso individual.

Tive uma educação muito rígida em relação ao sexo

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"Acho que a minha educação nunca me permitiu ultrapassar certos medos e complexos em relação ao sexo. Como tal, gostava de poder perceber o porquê das diferenças de atitudes e comportamentos que regeram e que ainda regem a educação sexual."

Marta - Seixal

 

Cara leitora,

Em relação à educação sexual da mulher, existe o mito de que a mulher terá de ser passiva promovendo, desta forma, a culpabilização dos desejos e dos prazeres sexuais da mulher em relação ao homem. A mulher deve mostrar, única e simplesmente, os sentimentos desde que estes nunca sejam transmitidos através das suas reacções corporais. Não se consegue perceber como é que se consegue, numa relação sexual, demonstrar sentimentos sem ter associadas as reações corporais. Ainda hoje, o conceito de prazer não é associado aos conceitos básicos de autoestima e de auto-conceito, que fazem com que haja uma realização da mulher que a possa equiparar com o homem. É necessário à mulher sentir-se amada, desejada e que lhe demonstrem tais factos, mas o que acontece é que devido às frustrações, aos medos e às dicotomias relativas à vivência da sexualidade que lhes foram incutidas durante o seu desenvolvimento, ao não demonstrarem nada, não recebem nada. Todo este tipo de educação vai produzir aquilo a que chamamos Transtornos do Desejo, sendo um dos tipos de Disfunções Sexuais, em que as causas psicológicas e fisiológicas estão interligadas. A repressão dos desejos, o stress, as manipulações e as punições aliadas às alterações hormonais que podem daqui advir, fazem com que a mulher desenvolva, não só grandes desequilíbrios afetivo-emocionais como crises depressivas e frustrações que a vão acompanhar para o resto da sua vida.