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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Tive uma educação muito rígida em relação ao sexo

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"Acho que a minha educação nunca me permitiu ultrapassar certos medos e complexos em relação ao sexo. Como tal, gostava de poder perceber o porquê das diferenças de atitudes e comportamentos que regeram e que ainda regem a educação sexual."

Marta - Seixal

 

Cara leitora,

Em relação à educação sexual da mulher, existe o mito de que a mulher terá de ser passiva promovendo, desta forma, a culpabilização dos desejos e dos prazeres sexuais da mulher em relação ao homem. A mulher deve mostrar, única e simplesmente, os sentimentos desde que estes nunca sejam transmitidos através das suas reacções corporais. Não se consegue perceber como é que se consegue, numa relação sexual, demonstrar sentimentos sem ter associadas as reações corporais. Ainda hoje, o conceito de prazer não é associado aos conceitos básicos de autoestima e de auto-conceito, que fazem com que haja uma realização da mulher que a possa equiparar com o homem. É necessário à mulher sentir-se amada, desejada e que lhe demonstrem tais factos, mas o que acontece é que devido às frustrações, aos medos e às dicotomias relativas à vivência da sexualidade que lhes foram incutidas durante o seu desenvolvimento, ao não demonstrarem nada, não recebem nada. Todo este tipo de educação vai produzir aquilo a que chamamos Transtornos do Desejo, sendo um dos tipos de Disfunções Sexuais, em que as causas psicológicas e fisiológicas estão interligadas. A repressão dos desejos, o stress, as manipulações e as punições aliadas às alterações hormonais que podem daqui advir, fazem com que a mulher desenvolva, não só grandes desequilíbrios afetivo-emocionais como crises depressivas e frustrações que a vão acompanhar para o resto da sua vida.                                                                                                                                                                    

Educação sexual

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Durante muitos anos falar de sexo em casa com a família ou na escola era tabu. Aliás, quem ousasse puxar esse tipo de assunto poderia ser imediatamente acusado de depravado.

 

Hoje em dia, para além das mentes estarem mais abertas, é essencial que também a escola sirva como meio de educação sexual. Dessa forma, pode evitar-se muitos problemas, tais como as DST (Doenças Sexualmente Transmissíveis) ou gravidezes indesejadas na adolescência.

 

Por isso, se os seus filhos chegarem a casa com muitas perguntas sobre sexo, referindo que têm dúvidas sobre aquilo que lhes ensinaram na escola, não aja como uma mulher do século XIX.

 

Ajude a complementar a educação que eles recebem a este nível nos seus estabelecimentos de ensino e esteja seja pronta para responder às suas perguntas, mesmo que de início se sinta um pouco mais envergonhada. Isso só fará dos seus filhos seres humanos mais esclarecidos, capazes de se orientarem sexualmente, sem se perderem pelo caminho.

“Tive uma educação muito rígida em relação ao sexo”

 

“Acho que a minha educação nunca me permitiu ultrapassar certos medos e complexos em relação ao sexo. Como tal, gostava de poder perceber o porquê das diferenças de atitudes e comportamentos que regeram e que ainda regem a educação sexual.
Pode-me resumir algo sobre este assunto?”

Ana Maria - Sacavém

Cara Leitora,

A principal diferença que nas últimas duas gerações existiram em relação a questões sexuais foram demonstradas através da educação que se deram aos rapazes e às raparigas. Principalmente, criando ideias absurdas e utópicas entre os dois sexos. É por isso que, ainda hoje em dia, o comportamento e as atitudes dos homens é diferente em relação às mulheres. Foi transmitido, durante muitos anos às mulheres, que estas deveriam ser passivas, o que
promoveu a sua culpabilização em relação a desejos e prazeres sexuais. Ainda hoje há quem se comporte e eduque desta forma, criando em algumas mulheres frustrações, medos e desequilíbrios que, mais tarde, lhe provoca grandes distúrbios afectivo-emocionais, chamados de Transtornod do Desejo. Não tenha dúvidas, é necessário sentir-se amada para também poder amar. É necessário demonstrar os seus sentimentos através de reacções corporais, pois só assim o outro saberá como “responder-lhe” da mesma forma.

Tema de hoje: Adolescência

 

 

“Sou pai de dois filhos, um com 9 e outro com 12 anos. Gostava que aprendessem algumas coisas relacionadas com a sexualidade por mim, mas não sei se é muito cedo para tratar destes temas com eles…”
 
Paulo, Cacém
 
 
Caro leitor,
A maioria dos pais e encarregados de educação sente alguma dificuldade em discutir assuntos relacionados com a sexualidade com crianças ou adolescentes. Existe muitas vezes o receio de não saber como abordar esses temas, de iniciar esse tipo de conversa cedo demais ou de forma não apropriada. Em alguns casos os pais ou encarregados de educação acham mesmo que se iniciarem esse tipo de diálogo com os jovens estão a dar-lhes autorização para serem sexualmente activos, e por isso optam por não abordar temas de sexualidade com eles. Esta ideia é falsa, pois vários estudos têm demonstrado que os jovens que estão bem informados a nível de sexualidade iniciam a sua actividade sexual mais tarde e de forma mais segura. Por isso não tenha receio e converse com os seus filhos sobre o tema.