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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Sou lésbica, e agora?”

 

“Tenho 20 anos e descobri recentemente que sou lésbica. Iniciei um relacionamento com uma mulher um pouco mais velha e experiente do que eu, e embora tudo esteja a correr bem entre nós não sei como contar à minha família e amigos, especialmente aos meus pais, pois acho que vão reagir mal.”

 

Liliana, Leiria

 

Cara Leitora,

Apesar de existir socialmente uma maior abertura, a questão da homossexualidade continua a ser um assunto tabu e rejeitado por muitas famílias. Neste sentido, é natural o seu receio em abordar esta questão com os seus pais. A maior expectativa dos pais é quase sempre que os filhos se casem e lhes dêem netos de modo a alargar a família. Por isso, muitas vezes, falar de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo revela-se bastante complicado.

Tente compreender a posição dos seus pais, não é fácil aceitar e lidar com uma situação que em nada tem a ver com aquela que idealizaram. Procure mostrar-lhes, de forma cautelosa, que a sua felicidade está junto da pessoa que ama, independentemente do seu sexo. Mostre-lhes que compreende a posição deles, mas peça-lhes que compreendam também os seus sentimentos. Certamente que, por gostarem de si, entenderão e respeitarão a sua decisão. Não desista de lutar pela sua felicidade!

 

Tema de hoje: Homossexualidade

                                                    

 
Tenho 24 anos e nunca tive uma namorada séria. Já tive relações sexuais com algumas mulheres e gosto bastante, mas depois de ter sonhado com um colega comecei a pensar mais em experimentar ter relações com outros homens. Estou assustado comigo próprio, não quero entrar nesse mundo…mas será por isso que nunca tive relações sérias com mulheres?”
 
Jacinto
 
Caro Jacinto,
 
Como as pessoas não heterossexuais acabam por ser discriminadas socialmente sentem-se mal consigo e com os seus sentimentos, mas a atracção pelo mesmo sexo sempre existiu e faz parte da sexualidade humana. Por isso não precisa de ter medo de ser ou não ser homossexual. Não é uma decisão que possa tomar, mas sim uma descoberta de si mesmo e da sua sexualidade, que não deve apressar nem ignorar. É natural que tenha prazer nas relações sexuais com mulheres, ser ou não ser homossexual ou bissexual (sentir atracções pelo sexo oposto e pelo mesmo sexo) não se mede pelo prazer que possa sentir, pois a orientação sexual é bem mais complexa que isso.
Experimente encontrar e conhecer outras pessoas e ambientes não heterossexuais, quer em bares e discotecas, quer em associações da comunidade, sites de internet – assim poderá conhecer outras pessoas que passaram por períodos de confusão e de descoberta e tal poderá ajudá-lo a sentir-se melhor e a perceber o que está a sentir.

“Quero agradar mais ao meu namorado”

“Mantenho um relacionamento com um rapaz um pouco mais novo que eu e gostava de o agradar mais, pois receio que ele me considere demasiado velho e conservador. Falaram-me que também nos homens existe o Ponto G. É verdade?”

João, Coimbra



Caro leitor,

Devo dizer-lhe que é verdade. Também nos homens existe o Ponto G e está localizado na entrada do ânus, pois é uma das zonas mais sensíveis e sexualmente estimulantes do homem. Esta zona trata-se da Próstata, que quando estimulado, pode provocar sensações muito intensas. A maioria dos homens e também de mulheres não está familiarizada com esse facto e por isso não incluem a estimulação da Próstata como parte da sua atividade sexual. A Próstata pode ser estimulada através da introdução gentil de um dedo no ânus. Aconselho-o a experimentar sozinho, utilizando um lubrificante para ajudar a penetração. Se verificar que realmente essa prática lhe provoca prazer, converse com o seu parceiro e procurem experimentar esta prática durante o ato sexual.

Outro aspeto que não deve levar em consideração é o fator da idade. Se o seu companheiro está consigo é porque gosta de si, por isso coloque toda a sua insegurança de lado e viva mais livre e alegremente.

Será que o meu marido é gay?

“Estou casada há três anos e eu e o meu marido temos uma relação muito feliz. Sexualmente ambos gostamos de experimentar novas situações, temos a mente aberta e somos pessoas aventureiras. No entanto, houve algo que me surpreendeu e que me tem vindo a suscitar duvidas. Há tempo, enquanto fazíamos amor, introduzi um dedo no ânus do meu marido e notei que ele gostou imenso, teve mesmo prazer. Será que o meu marido é gay?”

Patrícia, Guimarães

Cara leitora,

O ânus é uma região especialmente sensível, quer para homens quer para mulheres, e por essa razão não é caso para ficar alarmada. Existem homens que têm prazer em ser penetrados, o que não faz com que sejam necessariamente gay. Existem, até, brinquedos sexuais que podem ser usados para a penetração masculina, como é o caso dos strap-on, dildos que a mulher pode usar como se de um cinto se tratasse. Mesmo que o seu marido seja bissexual e tenha prazer quer num relacionamento sexual com homens quer com mulheres isso não implica que não tenha prazer consigo e que a vossa relação não possa continuar a ser boa como tem sido até aqui. Converse com ele sem ser crítica e sem fazer julgamentos, pois esta até pode ser uma forma de dinamizar o vosso relacionamento.

“Ele teve uma experiência homossexual."

 

“Há pouco tempo vim a descobrir que o meu namorado teve no passado uma experiência sexual com um amigo de liceu. Na altura não soube o que dizer, mas o facto é que isso agora não me sai da cabeça!”
 
Vânia, Vilamoura
 
Cara Leitora,
 
Dada a surpresa da notícia que o seu namorado lhe revelou, a leitora não soube o que dizer, mas agora passado algum tempo, sente-se incomodada e não consegue deixar de pensar na experiência homossexual que o seu namorado teve nos tempos de liceu. Antes de mais tenha em consideração a coragem e sinceridade que o seu namorado demonstrou ter para consigo. Ele podia ter optado por não lhe contar algo tão pessoal a respeito do seu passado, mas pelos bons sentimentos que nutre por si ele considerou ser importante partilhar esse episódio da sua vida consigo. Apesar da revelação do seu namorado a ter deixado chocada, deve ter em conta que pelo facto de uma pessoa ter tido uma experiência homossexual não faz com que a pessoa as venha ter durante toda a vida. Muitas pessoas têm experiências a nível sexual durante a adolescência como forma de explorar a sua sexualidade, vindo assim a descobrir a sua orientação sexual. Reflicta no rumo que deseja dar à sua vida afectiva e não deixe que juízos de valor interferiram na sua relação. 
 
 

“Descobri que sou lésbica, e agora o que devo fazer?”


 

Tenho 23 anos e depois de ter tido muitos namorados, descobri recentemente que sou lésbica. Iniciei um relacionamento com uma mulher, e embora tudo esteja a correr bem entre nós não sei como contar aos meus pais, pois acho que vão reagir mal.” 

 

Maria, Faro

 

Cara Leitora,

Apesar de existir hoje em dia na nossa sociedade uma maior abertura a nivel sexual, a questão da homossexualidade continua a ser um assunto tabu e rejeitado por muitas famílias principalmente em países conservadores, devido à influência da Igreja na conduta das pessoas. Neste sentido, é natural o seu receio em abordar esta questão com os seus pais. A expectativa dos pais é quase sempre que os filhos se casem e lhes dêem netos de modo a alargar a família. Por isso, muitas vezes, falar de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo revela-se bastante complicado.

Tente compreender a posição dos seus pais, procure mostrar-lhes, que a sua felicidade está junto da pessoa que ama, independentemente do seu sexo. Não desista de lutar pela sua felicidade! Mostre-lhes que compreende a posição deles, mas peça-lhes que compreendam e respeitem também os seus sentimentos. Certamente que, por gostarem de si, entenderão e respeitarão a sua decisão. 

O meu filho parece ser gay… O que posso fazer?

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"O meu filho tem 8 anos e preocupa-me muito. Na creche ele brincava mais às coisas de meninas e agora na escola dá-se mais com raparigas. Recentemente só fala de um amigo, com uma paixão que até aprece apaixonado…Será gay? É possível assim tão cedo? O que posso fazer para ajudá-lo?"

 Ana Maria - Coimbra

 

Cara leitora,

Como o seu filho é muito novo e precoce falar-se de homossexualidade – deixe-o desenvolver-se e ajude-o a aceitar-se tal como é, mesmo que se sinta diferente dos outros em algumas caraterísticas. Não é obrigatório que todos os rapazes gostem de jogar futebol e as raparigas de brincar às bonecas – as raparigas já conquistaram o direito de ter mais comportamentos "masculinos", de maria-rapaz sem serem discriminadas, mas aos rapazes ainda se fazem muitas exigências sociais desnecessárias e pouco saudáveis. Dê-lhe tempo para descobrir a sua sexualidade ao seu ritmo. Ser ou não ser homossexual no futuro não define muito do que ele será, apenas por quem se apaixonará e provavelmente algumas dificuldades sociais, por vivermos numa sociedade pouco aberta, em alguns contextos.

“Tenho medo do coming out…”

 

“Cheguei a ter namoradas mas nunca me senti plenamente realizado com elas. Cheguei à conclusão que sou gay e iniciei recentemente um relacionamento com um homem. Não tenho quaisquer dúvidas quanto à minha orientação sexual, mas não sei como contar à minha família e amigos, especialmente aos meus pais, pois acho que vão reagir mal.”

 

Marco

Caro Leitor,

Apesar de existir socialmente uma maior abertura de mentalidades, a questão da homossexualidade continua a ser assunto tabu rejeitado por muitas famílias. Neste sentido, é natural o seu receio em abordar esta questão com os seus pais. Existem algumas condicionantes que justificam a relutância, principalmente quando os implicados se tratam de filhos. As expectativas dos pais é quase sempre que os filhos se casem e lhes dêem netos de modo a alargar a família. Por isso, muitas vezes, falar de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo revela-se bastante complicado. Tente compreender a posição dos seus pais, não é fácil aceitar e lidar com uma situação que em nada tem a ver com aquela que idealizaram. Daí, por vezes, a aceitação não seja tão positiva.

De forma cautelosa, procure mostrar aos seus pais que a sua felicidade está junto da pessoa que ama, independentemente do seu sexo. Mostre-lhes que compreende a posição deles, mas peça-lhes que compreendam também os seus sentimentos. Certamente, por gostarem de si, entenderão e respeitarão a sua decisão.

“Será que sou Homossexual?”

“Tenho 23 anos e apesar de ter tido algumas namoradas nunca houve envolvimento sexual entre nós. Contudo sempre tive interesse por homens e até já me senti atraído por alguns. Serei Homossexual?

 

Pedro, Lisboa

 

 

Caro Leitor,

 

A questão que coloca é uma das mais frequentes no âmbito da homossexualidade, isto é, como se sabe que se é ou não homossexual? Deixe-me dizer-lhe que não existe uma resposta verdadeira e standard para esta questão. Algumas pessoas dão-se conta dos sentimentos homossexuais mesmo antes de saberem que existe uma palavra para os descrever, outros consideram que é só uma fase que estão a passar. No entanto, raramente é só uma fase. Assim sendo, considero importante que reflita sobre todos os seus relacionamentos, sobre os seus desejos e interesses sexuais de modo a perceber a sua posição nesta área da sexualidade. Tente fazer uma pequena experiência, enquanto se masturba tente fantasiar que está a ter relações sexuais com uma mulher e depois que está a ter relações sexuais com um homem e observe qual das fantasias o excitam mais e qual das fantasias o levam a atingir o orgasmo.

“Sinto desejo por mulheres…”

“Ultimamente tenho verificado que a minha orientação sexual não se encontra tão bem definida como eu gostaria. Sinto-me estranha e o mais curioso é que só tenho olhos para mulheres e penso nelas numa forma sexual.”

 

Maria, Esposende

Cara Leitora,

Só porque imagina ter relações com mulheres não significa que o venha a fazer, ou mesmo que o queira vir a fazer. Existem muitas mulheres que fantasiam ter relações com outras mulheres e isso não faz delas lésbicas. Não se preocupe pois uma coisa é a imaginação e outra é a realidade. Neste momento não reprima as suas fantasias sexuais, pois são estas que nos mantêm sexualmente ativos. Faça uma reflexão séria e cuidada de forma a averiguar, realmente, qual é a sua preferência sexual. Esteja consciente do que realmente deseja. Caso conclua que esses pensamentos têm fundamento, não se acanhe, pois tem todo o direito de viver a sua sexualidade da forma como bem entender. Afaste-se de tabus e preconceitos porque tanto a bissexualidade como a homossexualidade são orientações sexuais que devem ser respeitadas e vividas de uma forma conscienciosa e sem pudor. Todavia, não se envergonhe em solicitar a ajuda de um psicólogo, caso considere necessário.