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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

tema de hoje: Dúvidas sexuais

 

Sou casada há 16 anos, temos um filho e até há pouco tempo eu era feliz. Desde há uns meses veio uma colega nova para o meu trabalho, estamos frente a frente na secretária e comecei a sentir coisas que nunca tinha sentido… Sei que estou apaixonada por ela, adoro as nossas conversas, as risadas, a maneira como ela se veste e parece, ando ansiosa por voltar ao trabalho. Tenho medo de mim – o que posso fazer? Serei lésbica?
 
Luisa
 
Cara Luisa,
 
A sua certeza na paixão que está a sentir parece estar a indicar-lhe o seu caminho. É normal que sinta medo de descobrir uma nova dimensão da sua sexualidade, principalmente quando não esperava senti-la por uma pessoa do mesmo sexo, mas parece que sentir tais emoções está a deixá-la também feliz.
Não se preocupe com o que é, com nomes e adjectivos sobre a sua orientação sexual. Vivemos numa sociedade muito heterossexista, ou seja, parte-se do princípio que toda a gente é heterossexual e tem relações com pessoas do sexo oposto, mas a realidade não é assim. Como ainda existe alguma discriminação e homofobia (sentimentos negativos face às pessoas lésbicas, gays, bissexuais) pode ser assustador passar pelo que está a passar agora. Mas não se culpabilize nem sinta mal – afinal de contas quem controla os seus sentimentos e por quem bate o coração!?
Oiça o seu coração e expresse os seus sentimentos a alguém em quem confie (a sua colega? Uma amiga que a possa ajudar? Alguém que esteja numa relação com outra pessoa do mesmo sexo ou já tenha estado, pessoas de associações de lésbicas, gays ou bissexuais) de modo a perceber que decisões deve tomar neste momento da sua vida. Procure associações da comunidade em que haja outras pessoas apaixonadas por pessoas do mesmo sexo, para compreender e partilhar livremente os seus sentimentos. Muitas pessoas mudam o rumo do seu casamento, pois este não as satisfaz toda a vida, não se deve culpabilizar por isso e tenha confiança que o seu filho preferirá vê-la feliz do que infeliz por ele.

Sexo entre mulheres

G

Gostaria de saber se a prática de sexo entre mulheres é mais segura do que entre homens, ou homens e mulheres?

Joana, Porto

Cara leitora,

Realmente a percentagem de mulheres que tem relações sexuais exclusivamente com outras mulheres que contraíram o vírus da SIDA é mais reduzida do que qualquer outro grupo. No entanto as lésbicas podem contrair infecções sexualmente transmitidas da mesma forma que homens homossexuais ou indivíduos heterossexuais, devido à troca de fluidos e da utilização de vibradores e outros brinquedos sexuais. Por isso, a prática de sexo seguro é recomendada até entre mulheres pois só dessa forma uma pessoa se pode proteger.

“Sou lésbica, e agora?”

 

“Tenho 20 anos e descobri recentemente que sou lésbica. Iniciei um relacionamento com uma mulher um pouco mais velha e experiente do que eu, e embora tudo esteja a correr bem entre nós não sei como contar à minha família e amigos, especialmente aos meus pais, pois acho que vão reagir mal.”

 

Liliana, Leiria

 

Cara Leitora,

Apesar de existir socialmente uma maior abertura, a questão da homossexualidade continua a ser um assunto tabu e rejeitado por muitas famílias. Neste sentido, é natural o seu receio em abordar esta questão com os seus pais. A maior expectativa dos pais é quase sempre que os filhos se casem e lhes dêem netos de modo a alargar a família. Por isso, muitas vezes, falar de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo revela-se bastante complicado.

Tente compreender a posição dos seus pais, não é fácil aceitar e lidar com uma situação que em nada tem a ver com aquela que idealizaram. Procure mostrar-lhes, de forma cautelosa, que a sua felicidade está junto da pessoa que ama, independentemente do seu sexo. Mostre-lhes que compreende a posição deles, mas peça-lhes que compreendam também os seus sentimentos. Certamente que, por gostarem de si, entenderão e respeitarão a sua decisão. Não desista de lutar pela sua felicidade!

 

“Penetração lésbica”

“Sou lésbica e eu e minha namorada fizemos amor pela primeira vez. Ela ainda era virgem e sentiu uma certa dor quando eu a acariciava com mais intensidade, mesmo sem penetração, acabando por ficar dorida. Ficámos preocupadas, o que se pode ter passado? Comigo isso não aconteceu!”

 

Ana Paula, Lisboa

 

Cara leitora,

podem ter de fazer mais preliminares (beijos, carícias, massagens,…) antes de iniciarem a penetração, para que haja lubrificação vaginal suficiente e não doa no momento nem depois. Há lubrificantes artificiais que podem ser comprados em sex-shops, farmácias ou em alguns supermercados e que vos podem ajudar: com efeitos de aquecimento, de água, de silicone – podem usá-los para massagens e para ajudar à penetração. Por outro lado, pode ter acontecido que haja uma infecção vaginal que tenha causado o prurido e dores que descreve, com alteração da cor. Consultem um médico ginecologista, para que faça uma observação cuidada, pois podem mesmo infectar-se uma à outra durante as relações. Tenham a atenção de procurar um/a ginecologista que conheça questões de mulheres lésbicas, informem-se junto de associações de direitos de lésbicas, gays ou bissexuais, para que encontrem um profissional adequado e que compreenda bem a vossa relação.  

A minha companheira de casa é lésbica!!!

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Tenho 19 anos e estou a estudar no Porto. Descobri há pouco tempo que a minha companheira de casa é lésbica e não sei o que fazer, pois tenho medo que ela se atire a mim…

Sofia, Porto

 

Cara leitora,

A leitora parece estar a ter um caso de "homofobia aguda", ou seja, um medo excessivo do que é desconhecido para si. A homofobia e a transfobia, sendo a população LGBT em Portugal estimada em 10%, é algo que afeta bastantes indivíduos na nossa sociedade e põe em risco o bem estar de uma parte significativa da população em Portugal. Qual é o problema de a sua companheira de casa ser lésbica? Só porque ela é lésbica não significa que se vai sentir atraída por si, da mesma forma que a leitora não se sente atraída por todos os homens que conhece. Por isso, tenha a mente aberta e aceite a sua companheira de casa tal como ela é. Se no entanto se continuar a sentir excessivamente desconfortável com a sua preferência sexual e receosa de que ela tente algo consigo, tenha uma conversa sincera com ela e tentem chegar a um acordo que permita que ambas coabitem em harmonia. 

“A minha namorada olha para outras”

“Sou lésbica e comecei uma relação com uma rapariga que está sempre a olhar para outras mulheres. Ando muito triste porque sinto muitos ciúmes, o que hei-de fazer? …”

 

 

Cara leitora:

Fale com a sua namorada, diga-lhe que sente ciúmes e fica triste com a atitude dela, seja completamente sincera com a sua namorada. Tente perceber o porque desta atitude por parte da sua namorada. Tentem compatibilizar os vossos feitios e maneiras de estar.

Penetração Lésbica

Sou lésbica e eu e minha namorada fizemos amor pela primeira vez, mas ela nunca tinha feito, embora eu já. No momento em que estávamos fazendo ela sentia uma certa dor, sem eu ter penetrado nada, só sentia dor quando eu acariciava com mais intensidade, e no outro dia, ela ficou toda dolorida, uma dor que parecia ter batido em algum lugar, como quando a gente bate e fica roxo, era uma dor assim. Eu também fiquei dorida, mas foi devido ao esforço.
Eduarda
 
Cara Eduarda,
 
Sem saber que práticas sexuais fizeram é-me difícil responder à sua questão. Não sei se a penetração que descreve terá sido feita com o dedo, um vibrador, a mão…
Podem ter de fazer mais preliminares (beijos, carícias, massagens,…) antes de iniciarem a penetração, para que haja lubrificação vaginal suficiente e não doa no momento nem mais tarde. Há lubrificantes artificiais que podem ser comprados em sexshops, farmácias ou em alguns supermercados e que vos podem ajudar: com efeitos de aquecimento, de água, de silicone – podem usá-los para massagens e para ajudar à penetração.
Por outro lado, pode ter acontecido que haja uma infecção vaginal e por isso o prurido e dores que descreve, com alteração da cor. Consultem um médico ginecologista, para que faça uma observação cuidada, pois podem mesmo infectar-se uma à outra durante as relações.
Tenham a atenção de procurar um/a ginecologista que conheça questões de mulheres lésbicas, informem-se junto de associações de direitos de lésbicas, gays ou bissexuais, para que encontrem um profissional adequado e que compreenda bem a vossa relação.