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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Penetração Lésbica

Sou lésbica e eu e minha namorada fizemos amor pela primeira vez, mas ela nunca tinha feito, embora eu já. No momento em que estávamos fazendo ela sentia uma certa dor, sem eu ter penetrado nada, só sentia dor quando eu acariciava com mais intensidade, e no outro dia, ela ficou toda dolorida, uma dor que parecia ter batido em algum lugar, como quando a gente bate e fica roxo, era uma dor assim. Eu também fiquei dorida, mas foi devido ao esforço.
Eduarda
 
Cara Eduarda,
 
Sem saber que práticas sexuais fizeram é-me difícil responder à sua questão. Não sei se a penetração que descreve terá sido feita com o dedo, um vibrador, a mão…
Podem ter de fazer mais preliminares (beijos, carícias, massagens,…) antes de iniciarem a penetração, para que haja lubrificação vaginal suficiente e não doa no momento nem mais tarde. Há lubrificantes artificiais que podem ser comprados em sexshops, farmácias ou em alguns supermercados e que vos podem ajudar: com efeitos de aquecimento, de água, de silicone – podem usá-los para massagens e para ajudar à penetração.
Por outro lado, pode ter acontecido que haja uma infecção vaginal e por isso o prurido e dores que descreve, com alteração da cor. Consultem um médico ginecologista, para que faça uma observação cuidada, pois podem mesmo infectar-se uma à outra durante as relações.
Tenham a atenção de procurar um/a ginecologista que conheça questões de mulheres lésbicas, informem-se junto de associações de direitos de lésbicas, gays ou bissexuais, para que encontrem um profissional adequado e que compreenda bem a vossa relação.

Homossexualidade escondida

Preciso da sua ajuda para esclarecimentos sobre homossexualidade.Tenho 45 anos, sou casado e tenho um filho. Tive a minha primeira relação com um menino, tinha 12 anos, sempre tive atracção pelo sexo masculino, casei com 21 anos, pensava que os meus desejos e pensamentos eram apenas fantasias malucas.

Vivo num eterno conflito comigo mesmo. Às vezes penso que vou explodir, tenho desejos fortes incontroláveis, já pensei em me assumir, mas ao mesmo tempo tenho muito medo em tomar uma decisão precipitada. Uma vez fui a um sexólogo para tirar dúvidas, e ele disse-me que eu não tinha jeito de gay, e que não devia me assumir como tal.

Tudo para que se relaciona com homossexualidade me atrai, parece um imã, como fico envolvido com esses assuntos. E sempre tenho desejos homossexuais, lá no fundo sei que sou gay, posso não ter coragem de assumir, mas sei que sou.
abraços.

 

Roberto

 
Caro Roberto,
 
Não sei se o poderei esclarecer sobre a homossexualidade, pois é uma coisa que faz parte do ser humano, sempre fez e é muito complexa.
Tente ler livros, procurar associações na internet (http://portugalgay.pt) e sítios onde possa conhecer pessoas homossexuais, que o poderão esclarecer melhor do que eu e ajudá-lo a passar pelos momentos certamente confusos e difíceis por que está a passar. Há Associações como a ILGA-Portugal, As Panteras Rosa, A nao te prives, a Rede Ex-aequo...entre outras.
O desejo, a fantasia, a atracção e os comportamentos entre pessoas do mesmo sexo são dimensões da nossa sexualidade difíceis de controlar, de ignorar apenas pela vontade de querer conformar-se, como bem sabe. Aliás, quanto mais nos esforçamos por esconder um segredo, mais vemos esse segredo por toda a parte – como o leitor descreve. Isso pode deixá-lo extenuado e frustrado, pois contrariar as nossas emoções e sentimentos é muito duro. Penso que o leitor faz isso por causa da homofobia, ou seja, das emoções negativas que algumas pessoas têm em relação a questões do mesmo sexo e, muitas vezes, a própria sociedade, quando encara os homossexuais como inferiores aos heterossexuais. Mas hoje em dia sabemos que a homossexualidade é perfeitamente normal, não é doença e, em alguns países, atingiu-se mesmo a igualdade de direitos (casamento, adopção, etc) com a heterossexualidade. Não deixe que esta discriminação e estigmatização se instalem em si, negando os seus sentimentos (bem mais importantes que qualquer impressão de um sexólogo) e sentindo-se como que inferior aos heterossexuais – a chamada homofobia internalizada. Há terapias adequadas a este processo de desenvolvimento pessoal e se pedir ajuda a um especialista, tente fazer com alguém que saiba de questões lésbicas, gay, bissexuais ou transsexuais. Nem todos os profissionais o podem acompanhar no seu processo.
Lembre-se que quando tiver relações sexuais com outros homens, deve utilizar sempre preservativo, pois há algumas práticas (como o sexo anal, que não tem necessariamente de fazer) que são mais infecciosas no que toca ao VIH/SIDA. Proteja-se a si mesmo na descoberta que pode ser difícil, mas pode trazer-lhe também uma satisfação grande com a sua sexualidade.
Boa sorte nesse percurso.