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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Sempre tive dificuldade em manter a ereção…”

“Tenho 49 anos e sempre tive dificuldade em aguentar muito tempo sem ejacular. Agradecia imenso um conselho seu (pois acredito que compreende a minha ansiedade), se há algum medicamento que possa tomar, quer para manter a libido quer para ajudar a reduzir a ejaculação precoce. “

 

António, Covilhã

 

Caro leitor,

Existe uma técnica utilizada muito frequentemente para ajudar a reduzir a ejaculação precoce, pois apresenta resultados muito satisfatórios: é a chamada técnica do Squeeze, também denominada técnica de Compressão. Para pô-la em prática, deve masturbar-se todos os dias sem se deixar atingir o orgasmo, e quando estiver próximo do momento em que acha que vai ejacular, pare, aperte a base do pénis (sem se magoar) com os dedos polegar e indicador, e conte até 5. Depois retome a masturbação. Deve repetir este exercício diário umas 3 ou 4 vezes e só depois deve permitir a ejaculação. Vai ver que se efetuar esta técnica com regularidade, após algumas semanas vai aguentar bastante tempo mais durante a penetração do que agora.

  

 

“A asfixia pode ser erótica?”

“Tenho um amigo que gosta de práticas sado-masoquistas e ele já me disse que por vezes quando se masturba pratica a autoasfixia. Tive vergonha de lhe perguntar porque não queria que me achasse ignorante, mas fiquei sem compreender aquilo que ele me disse. A asfixia pode ser erótica?”

 

Vítor, Leiria

 

Caro leitor,

A autoasfixia erótica consiste em inibir a chegada de cérebro ao sangue através de métodos autoinduzidos de sufocamento, praticados em simultâneo com a masturbação. Ao limitar o fornecimento de sangue que chega ao cérebro, este procedimento provoca um défice de oxigénio no cérebro, que os praticantes deste tipo de estimulação acreditam que intensifica as sensações, trazendo uma leveza cerebral que potencia as sensações do orgasmo. O facto de representar um risco grave, pois pode induzir à morte, também funciona como um estímulo para algumas pessoas. O facto de esta prática também poder levar à morte, pois a pessoa perde facilmente o controlo e se o cérebro não recebe oxigénio acaba por asfixiar, faz com que seja muitas vezes secreta, até que se sabe de alguma morte ocasional. Mesmo que não induza à morte, dependendo do tempo em que o cérebro está privado de oxigénio a autoasfixia também pode causar danos cerebrais muito graves.

 

"Masturbo-me todos os dias"

 

"Tenho 18 anos e nunca tive relações sexuais. Sinto-me excitado com bastante frequência e por isso masturbo-me todos os dias, algumas vezes mais do que uma vez. Será que sou normal?..."

João, Lagos

 

 

Caro Leitor:

A masturbação é algo normal que faz parte da vida sexual de quase todos os indivíduos independentemente da idade. É natural adolescentes masturbarem-se com mais frequência devido a níveis de testosterona mais elevados e à descoberta da sexualidade, por isso não se preocupe pois o seu comportamento é perfeitamente normal para um rapaz de 18 anos. Infelizmente a masturbação é ainda tabu para algumas pessoas que a consideram como algo negativo, o que não devia acontecer, pois a masturbação é uma forma segura de explorar a própria sexualidade e descobrir diferentes formas de sentir prazer. Se opta por se masturbar com tanta frequência aconselho-o a utilizar um lubrificante para evitar irritações da pele.

"Será que a minha mulher é viciada em sexo?”

“Estou casado há dois anos e tenho uma boa relação com a minha mulher, o problema é que ela só pensa em sexo. Ela quer ter relações várias vezes por dia enquanto que eu estou perfeitamente satisfeito com algumas vezes por semana. Será que a minha mulher é viciada em sexo?”

 

      Carlos, Braga

 

Caro leitor:

Realmente algumas pessoas são viciadas em sexo, tal como outras pessoas são viciadas em tabaco. É possível que esse seja o caso da sua esposa. Grande parte da população sente-se perfeitamente satisfeita em ter relações apenas algumas vezes por semana, o que faz com que o seu caso não seja único. Uma forma de equilibrar as coisas é sugerir à sua esposa que opte pela masturbação com mais frequência. Dessa forma ela poderá satisfazer-se sexualmente sem ter de o procurar com tanta frequência.

Apetite sexual

 

Tenho 18 anos e já iniciei a minha vida sexual há algum tempo com o meu parceiro. O que se passa é que não tenho apetite sexual. Ele por vezes queixa-se, mas eu não tenho culpa de não me apetecer. Gostaria de saber se algo de errado se passa comigo, uma vez que ainda sou muito nova. Agradeço que a publicação desta mensagem seja feita sem qualquer nome identificativo.

 

 

Cara leitora,

é ainda bastante jovem e por isso está ainda numa fase de descoberta sexual. Aconselho que converse com o seu parceiro e que em conjunto explorem com mais calma e atenção todas as suas áreas erógenas. Dessa forma tanto a leitora como o seu namorado vão descobrir o que lhe dá prazer, o que vai ajudar a aumentar o seu desejo sexual. Aconselho também que a leitora experimente a masturbação em privado, e que depois partilhe com o seu namorado o que aprendeu.

Masturbação

“Masturbo-me com a pressão da água…”

 

“(…) Sinto-me no céu quando estou no banho e aproveito a pressão da água do chuveiro para me masturbar. É normal sentir tanto prazer desse modo?”

Carlos, Estoril

 

 

Caro Leitor,

Existem diversas formas de alcançar o próprio prazer, uma delas é através da água que, em contacto directo com corpo, pode causar sensações indescritíveis. Para além disso, a água possui  um efeito relaxante, proporcionando a calma, diminuindo a ansiedade e ajudando na  libertação de energias.

A prática da masturbação no banho, seja ela individual ou conjunta, pode ser um estímulo para a renovação de energias e uma prática agradável, mesmo para preceder uma relação sexual.

Este momento é de puro relaxamento, tanto físico como psicológico, rompendo as barreiras do inconsciente, relativamente às fantasias sexuais. Não se martirize por ter este tipo de práticas, pois hoje em dia é perfeitamente normal, visto que permite um contacto mais íntimo e prazeroso.

"Gosto de me masturbar"

 

" Acabei de fazer 18 anos, neste momento não ando com ninguém, mas mesmo assim sinto muito desejo e gosto de me masturbar frequentemente. É normal?..."

 


 

 

Cara Leitora:

Claro que é normal…ainda mais aos 18 anos !!! A masturbação é um comportamento saudável praticado por indivíduos de todas as idades. Infelizmente ainda é um tabú para muitas mulheres, quando na verdade ajuda imenso a mulher a descobrir-se, e a perceber do que gosta a nível sexual. A masturbação ainda é também um tabú para algumas religiões, pois estas encaram a sexualidade só como um acto meramente reprodutor. Não se preocupe, explore o seu corpo e faça novas descobertas nessa viajem maravilhosa.

“Masturbo-me no duche”

 

“Sempre gostei de me masturbar na banheira, e cada vez mais tenho o hábito de, ao fim do dia, me masturbar enquanto tomo duche. Não sei por que razão sinto tanto prazer dessa forma!”
 
Carolina, Almada
 
Cara Leitora,
A masturbação é algo perfeitamente normal e, apesar de não se falar muito disso, faz parte da sexualidade da maioria das pessoas, tanto homens como mulheres. O banho é um momento de privacidade na qual o corpo se encontra relaxado e descontraído, sendo como tal um momento propício ao prazer. Para além disso, a água possui um efeito relaxante, proporcionando a calma, diminuindo a ansiedade e ajudando na libertação de energias. A prática da masturbação no banho, seja ela individual ou conjunta, pode ser um estímulo para a renovação de energias e uma prática agradável, mesmo para preceder uma relação sexual. Este momento é de puro relaxamento, tanto físico como psicológico, por isso não se preocupe por ter este tipo de práticas, pois são perfeitamente normais.

Tema de Hoje: Orgasmos

(Andy Wharol)

 

 
Sinto-me muito diferente das outras mulheres: acho que nunca senti um orgasmo a ter relações sexuais. Tenho uma boa relação com o meu marido, mas nunca falámos sobre orgasmos e eu nunca tive coragem de lhe dizer que não consigo ter com ele. Ainda por cima estou sempre a ler coisas sobre as mulheres terem orgasmos múltiplos - sinto-me uma anormal!
 
Sofia
 
Cara Sofia,
 
Não precisa de se sentir diferente das outras mulheres – há um grupo de mulheres que não sente orgasmos, apesar de gostar de ter relações sexuais -pois a maioria das mulheres não atinge o orgasmo atraves da penetração vaginal. A estimulação oral e manual do clítoris são outras maneiras que pode experimentar para ver se consegue atingir o orgasmo.
Os orgasmos múltiplos são também raros na maioria das mulheres - apenas algumas o conseguem e depende de muitos factores, não quer dizer que o consigam na penetração e muito menos em todas as relações sexuais que têm. Não se deixe influenciar pelas conversas públicas, pois estas escondem muito a realidade do que acontece em privado.
Muitas vezes o que acontece é o casal ter dificuldades em exprimir o que dá mais prazer aos dois e cada pessoa varia muito, mesmo ao longo da vida. Tente descobrir sozinha, na masturbação, se consegue sentir orgasmos e depois tente mostrar ao seu marido ou partilhe com ele, com calma e algum jogo erótico o que gostava que ele lhe fizesse.
Tente não estar preocupada com isso durante as relações sexuais e deixar-se levar a sentir o prazer delas… A intimidade e as sensações físicas são mais importantes do que a satisfação final que pode tirar do sexo. Se pensa que este facto a está a prejudicar muito na relação, então procure ajuda especializada da sexologia, para mais conselhos úteis para descobrir a sua sexualidade.

Dores nos testículos

 

Até há uns meses atrás tudo corria bem com o meu funcionamento sexual, certo dia aleijei-me no testículo esquerdo e na altura senti uma grande dor. Passou durante algumas horas mas depois voltou a doer.

 Estas dores são muito fortes e apareciam frequentemente durante o dia.

 

Alguns dias depois quando estava a masturbar-me reparei que a erecção não era muito forte, não fiquei muito preocupado, o pior foi quando cheguei ao orgasmo e ejaculei reparei que a quantidade de esperma era bastante reduzida e ainda fiquei mais preocupado. Cerca de 2 dias depois, queria-me masturbar, não conseguia de nenhuma maneira obter uma erecção.

Pensei recorrer a um médico mas resolvi esperar. Passou-se cerca de uma semana e já conseguia dificilmente obter uma erecção mas quando ejaculava não saia nada.
Passados quase 4 meses voltou quase tudo ao normal. Consigo obter uma erecção apesar de parecer que não conseguir ter uma erecção completa ou não tão forte como era, e quando ejaculo sinto uma sensação esquisita que não existia antes e que não sei bem explicar.
Com isto não sei se se passará algo de errado e se deveria consultar um médico. Não sei se o urologista é o indicado.


Martinho, Porto

 

Caro leitor,

Penso que deve consultar um médico, seja urologista diretamente, seja um recomendado pelo seu médico de família. Só ele lhe poderá fazer um diagnóstico diferencial e determinar se o seu problema é fisiológico ou psicológico.

Da minha parte, penso que a dor que sentiu pode ter desenvolvido em si um medo exagerado de sofrer consequências ao nível sexual e, como tal, entrou num ciclo vicioso de observação atenta do seu pénis e da resposta sexual que ele fazia, a um ponto que a sua atenção deixou de estar focada no prazer sexual, mas sim na performance, no seu desempenho.

Este ciclo faz com que o próprio corpo não responda da melhor maneira, pois sente-se avaliado, observado e daí que sinta ereções menos fortes e sensações esquisitas na ejaculação.

Esclareça com o médico se ficou com sequelas no testículo ou no aparelho reprodutor e tente não ser observador de si próprio.

Entregue-se às suas fantasias sexuais e deixe-se levar pelo prazer da masturbação, sem se desviar para pormenores técnicos da sua resposta sexual – verá que a sua resposta sexual vai melhorar.