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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Porque é que o meu marido se masturba?”

 “Sou casada e tenho uma relação sexual satisfatória com o meu marido. No entanto, sinto-me apreensiva porque há uns dias surpreendi-o a masturbar-se. Não consigo entender porque é que ele se masturba. Será que já não me deseja? Ele diz que é para se livrar do stress do dia-a-dia, mas nunca ouvi falar nisso. O que já ouvi falar é que libertamos a tensão sexual, mas ele diz que não é isso. Gostaria que me ajudasse a compreender o que se passa com ele.”

 

Lídia, Setúbal

 

 

Cara leitora,

 A masturbação é uma actividade de busca de prazer com o próprio corpo e órgãos genitais, que pode ser feita solitariamente ou numa relação sexual. O prazer que o seu marido sente ao fazê-lo sozinho não significa que não goste de si, não goste da vossa relação ou que precise de mais qualquer coisa sexualmente. Há efectivamente pessoas que utilizam a masturbação para aliviar o stress (quanto mais nervosas mais o fazem) e, se isso não significar falta de controlo, inadequação dos sítios e situações onde o fazem, ou seja, se não houver um carácter compulsivo no comportamento, não há problema nem é disfuncional. Apenas pode chocar se não souber que é possível e se moralmente não gostar da ideia de masturbação. Como reagiu negativamente ao perceber que ele o fazia na sua ausência, ele sentiu-se pressionado a dizer que não sentia prazer. Pode ser que o sinta ou não, mas tal não põe em causa o que sente por si e as relações sexuais que tem consigo.

Não se afaste do seu marido nem o trate mal por ter descoberto isto. Tente falar e compreender melhor e abertamente como ele se sente consigo e com a vossa relação e fique descansada que a masturbação não deve interferir no vosso amor. Pode pensar se lhe apetece apimentar a vossa relação e ser a leitora a masturbá-lo – informe-se em livros, em sites da internet ou entre amigas sobre como fazê-lo e como tratar o pénis, para o surpreender e lhe mostrar que a masturbação feita por si pode ser um estímulo de prazer intenso!

Dores nos testículos

 

Até há uns meses atrás tudo corria bem com o meu funcionamento sexual, certo dia aleijei-me no testículo esquerdo e na altura senti uma grande dor. Passou durante algumas horas mas depois voltou a doer.

 Estas dores são muito fortes e apareciam frequentemente durante o dia.

 

Alguns dias depois quando estava a masturbar-me reparei que a erecção não era muito forte, não fiquei muito preocupado, o pior foi quando cheguei ao orgasmo e ejaculei reparei que a quantidade de esperma era bastante reduzida e ainda fiquei mais preocupado. Cerca de 2 dias depois, queria-me masturbar, não conseguia de nenhuma maneira obter uma erecção.

Pensei recorrer a um médico mas resolvi esperar. Passou-se cerca de uma semana e já conseguia dificilmente obter uma erecção mas quando ejaculava não saia nada.
Passados quase 4 meses voltou quase tudo ao normal. Consigo obter uma erecção apesar de parecer que não conseguir ter uma erecção completa ou não tão forte como era, e quando ejaculo sinto uma sensação esquisita que não existia antes e que não sei bem explicar.
Com isto não sei se se passará algo de errado e se deveria consultar um médico. Não sei se o urologista é o indicado.


Martinho, Porto

 

Caro leitor,

Penso que deve consultar um médico, seja urologista diretamente, seja um recomendado pelo seu médico de família. Só ele lhe poderá fazer um diagnóstico diferencial e determinar se o seu problema é fisiológico ou psicológico.

Da minha parte, penso que a dor que sentiu pode ter desenvolvido em si um medo exagerado de sofrer consequências ao nível sexual e, como tal, entrou num ciclo vicioso de observação atenta do seu pénis e da resposta sexual que ele fazia, a um ponto que a sua atenção deixou de estar focada no prazer sexual, mas sim na performance, no seu desempenho.

Este ciclo faz com que o próprio corpo não responda da melhor maneira, pois sente-se avaliado, observado e daí que sinta ereções menos fortes e sensações esquisitas na ejaculação.

Esclareça com o médico se ficou com sequelas no testículo ou no aparelho reprodutor e tente não ser observador de si próprio.

Entregue-se às suas fantasias sexuais e deixe-se levar pelo prazer da masturbação, sem se desviar para pormenores técnicos da sua resposta sexual – verá que a sua resposta sexual vai melhorar.

 

“O meu noivo masturba-se com muita regularidade!”

“Namoro com o meu noivo há quase 10 anos e há pouco tempo descobri que ele se masturba com muita regularidade. Temos uma vida sexual ativa e, mesmo assim, ele sente a necessidade de se masturbar quase todos os dias. Será que pratica este ato porque não está satisfeito com a nossa vida sexual? Vai continuar a ser assim depois de casarmos? ”

                                                                                              Teresa, Castelo Branco

 

 

Cara leitora,

A masturbação é algo que faz parte da sexualidade masculina (e também feminina) independentemente de a pessoa ter um parceiro ou não. O facto de o seu noivo se masturbar, não significa que ele não esteja satisfeito com a vossa vida sexual, pois a maioria dos homens continua a masturbar-se independentemente de terem uma companheira. A maioria dos homens pratica a masturbação durante toda a sua vida, mas quando estão numa relação fazem-no menos frequentemente. Não deixe que esta descoberta seja uma fonte de desacordo entre ambos, aproveite a oportunidade para conversar com ele sobre o assunto. Fale-lhe sobre os seus receios e, mais importante, as suas necessidades, o que vai ser bastante benéfico para a vossa relação.

 

 

“Demoro muito a ejacular…”

 

Tenho 28 anos e demoro muito tempo a ejacular. Gostaria de saber se é normal, acontece apenas de vez em quando, mas é preocupante pois ainda sou muito novo para ter problemas de ejaculação! Sinto-me constrangido pois às vezes a minha namorada perde a lubrificação com a minha demora.”

 

Cláudio, Porto

 

Caro leitor,

O tempo da ejaculação depende de homem para homem e da pessoa com quem está a ter relações sexuais – o que é lento e demorado para uns pode ser curto e rápido para outros. Saiba que uma relação sexual, desde o momento da penetração até à ejaculação e sem contar com os preliminares, dura para a maioria dos casais de 3 a 13 minutos. Conversas públicas muitas vezes criam-nos expectativas irrealistas e podem deixar-nos insatisfeitos com situações perfeitamente normais.

Existe uma perturbação sexual chamada ejaculação retardada, em que o homem sente bastantes dificuldades em ejacular, mas tal deve ser diagnosticado em consultas presenciais e por especialistas em sexologia. Algumas causas desta perturbação podem ser medicamentos que esteja a tomar (como por exemplo alguns anti-depressivos), por isso se for esse o seu caso, consulte o seu médico e explorem a possibilidade de alterar a medicação ou a sua dose. Procurem experimentar novas formas de viver a relação sexual: juntar lubrificante (há de vários tipos, que aumentam a circulação sanguínea, líquidos, pomadas, com diferentes aromas…), ter o orgasmo com masturbação em vez da penetração vaginal, sexo oral, e mesmo a utilização de um vibrador para ajudar a estimular e atingir o orgasmo mais rapidamente - falem um com o outro sobre questões que vos preocupem e possam interferir com o prazer de estarem juntos.

Tema de hoje: fantasias

 
 
 
 
Sou o Marco (nome fictício) e gostava de fazer amor com duas mulheres, a minha esposa já sabe dessa minha fantasia e eu até já lhe pedi que fizéssemos amor com outra mulher mas ela recusou e disse que não iria conseguir.
Mas ontem, estava eu descansado no meu escritório em casa, entretanto levantei-me e dei com ela a ver um filme de lésbicas e a masturbar-se.
Será que ela estará interessada? Deverei fazer-lhe uma surpresa com outra mulher? Ou deverei mais uma vez perguntar-lhe se está pronta para essa fantasia?
 
 
Caro Marco,
A sexualidade humana é muito complexa e tem vários níveis e modos de interpretação. Para a compreendermos há que ser paciente, ter respeito e comunicar muito, de muitas maneiras. O nível das fantasias e o dos comportamentos são diferentes: a sua mulher pode não querer ter a experiência real de estar com outra mulher, mas isso excitá-la visualmente. A masturbação pode ser um comportamento solitário ou ser parte da relação sexual – não fique chocado por descobrir que a sua mulher o faz sozinha.
Fale com ela, sem pressas nem pressões, pergunte o que ela gostaria de fazer, uma fantasia pode ser encenada por vocês os dois e responder a um desejo (seu ou dos dois – não sabemos!), sem ter de arriscar ter outra pessoa na vossa relação sexual, se isso não deixa um membro do casal à vontade. Se ela for muito tímida e não se sentir bem a falar sobre a vossa sexualidade, experimente novas formas, como escrever-lhe cartas, emails, deixar-lhe bilhetes românticos…use a sua imaginação para perceber como pode melhorar a sua relação, sem afastar a sua mulher.
 

Desvende a arte da masturbação

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Existe um número infindável de técnicas que pode e deve usar enquanto se masturba. Acima de tudo, a regra básica é deixar-se levar pelas suas próprias sensações, com uma mente liberta de receios ou tabus.

 

Masturbação a dois

Praticar a masturbação a dois é uma das melhores formas de revitalizar a relação, aumentando a cumplicidade e estimulando a união. No entanto, pode ser difícil partilhar algo tão íntimo com outra pessoa. Libertar-se desse receio é também uma excitante forma de quebrar tabus e de se superar a si própria.

 

Para partilhar a masturbação com o seu par é importante entender o que lhe provoca o orgasmo. Muitas pessoas têm um estilo de masturbação desde a adolescência e mantêm-no. Não sendo necessariamente negativo, isso faz com que não descubram outras potencialidades. De um modo geral, a maior parte dos orgasmos são provocados através da pressão e da tensão provocadas na masturbação. No entanto, este tipo de orgasmos proporciona um nível de prazer consideravelmente baixo e também não é fácil de ser partilhado com o parceiro, porque se passa tudo a um nível muito interno, dependendo da tensão dos músculos e da pressão sobre a zona genital. Existem também orgasmos provocados pelo relaxamento ou uma variação combinada de todos os outros.

 

Masturbação por pressão

Muitas mulheres chegam ao orgasmo ao friccionarem o clítoris sobre qualquer objeto, seja o braço de um sofá, uma almofada, um boneco de peluche. Este tipo de masturbação dispensa o uso das mãos, sendo que algumas mulheres limitam-se a cruzar as pernas, fechando-as com força e massajando a região genital através da pressão por elas exercida. Colocar-se sobre uma almofada ou qualquer outro objeto que lhe ofereça esse tipo de pressão, sendo mais ou menos rígido, à frente do seu companheiro, mesmo vestida, pode ser extremamente provocador e excitante para ambos.

 

Masturbação por tensão

Ao conjugar a estimulação genital com alguma tensão muscular a libertação trazida pelo orgasmo é maior e este é mais intenso. Neste caso, os músculos das pernas e das nádegas contraem-se com força, apertando enquanto o resto do corpo se mantém rígido. Enquanto sustem a respiração, exerce maior pressão sobre o clítoris apertando os músculos, o que proporciona com relativa facilidade um orgasmo silencioso, que alivia a tensão numa rápida descarga. Este tipo de orgasmos pode acontecer mesmo enquanto se pratica ginástica, como por exemplo ao subir a uma corda, pois todo o corpo está em tensão. Embora estes orgasmos rápidos sejam dos mais comuns, devem ser vistos como a fast food – saciam a fome mas não alimentam plenamente.

 

Masturbação por relaxamento

Este tipo de masturbação é ideal para ser praticada a dois, até porque não é fácil relaxar completamente e estimular ao mesmo tempo a área genital. Assim, é essencial que se deixe pura e simplesmente descontrair, relaxando todos os músculos, como se fosse a Bela Adormecida, enquanto o seu par a masturba com a mão dele, deslizando suavemente os dedos pelos seus lábios vaginais, brincando com o seu clítoris. Deixe-se ir, simplesmente, sem pressas. Este tipo de contacto íntimo é extremamente erótico para ambos, estimulando a cumplicidade do casal.

 

Masturbação combinada

Usa os princípios subjacentes às três formas de obter prazer que foram anteriormente descritas. Assim, neste caso usa-se a tensão e o relaxamento em simultâneo com a estimulação direta do clítoris ou a penetração vaginal, usando os dedos ou um vibrador. Assim, deve contrair os músculos vaginais e libertá-los de seguida, repetindo algumas vezes. Use então um vibrador que deve introduzir devagar na vagina, enquanto continua a contrair e relaxar os músculos vaginais. Com os dedos estimule o clítoris (este tipo de masturbação pode e deve ser feita a dois), continuando a trabalhar os músculos vaginais, inspirando com força quando contrai e expirando profundamente quando liberta os músculos. Ao conjugar todos estes fatores obterá orgasmos mais intensos e mais profundos. Pode também fazer você a estimulação do clítoris enquanto o seu companheiro "se encarrega" da penetração vaginal, com os dedos ou um vibrador. Este tipo de masturbação cria o ambiente adequado para a relação sexual, pois proporciona à mulher orgasmos intensos e libertadores.

“Não me consigo satisfazer”

“Divorciei-me há uns meses e desde aí nunca mais tive relações sexuais com ninguém, por isso, a única forma de me satisfazer sexualmente é através da masturbação, mas agora já nem isso me apetece…”

Sérgio, Odivelas

Caro Leitor,

Não fique preocupado com o facto de não ter relações sexuais e de não ter vontade de se masturbar, faça-o apenas se se sentir estimulado para tal. Não se sinta diferente, pois tudo decorre dentro da normalidade. Muitas pessoas pensam que a ausência de relações sexuais é algo prejudicial à saúde, o que é bastante errado. Não entre em pânico e tente levar a sua vida de uma forma normal. É claro que como se sente emocionalmente abalado devido ao divórcio, o seu apetite sexual está mais reduzido. Neste sentido, dê tempo ao tempo e quando tiver a sua vida afetiva reestruturada verá que com certeza irá recuperar o interesse sexual.   

“Perderei a virgindade através da masturbação?”

 

“Masturbo-me frequentemente e sinto muito prazer ao fazê-lo mas sinto alguma vergonha porque não sei se assim me posso considerar ainda virgem. Será que ainda sou virgem?”

 

Marina, Évora

Cara Leitora,

 

Não se preocupe, se nunca houve penetração pode considerar-se ainda virgem. Só após a penetração durante o acto sexual é que se perde a virgindade. A masturbação é um acto perfeitamente normal, não se deve envergonhar ou ter qualquer tipo de preconceito por praticá-lo. A masturbação é uma maneira saudável e natural de conhecer o seu próprio corpo e a partir daí descobrir os seus pontos mais sensíveis, que a iram ajudar a atingir o ponto máximo de prazer.

A prova de que este acto é único e que dá muito prazer é pelo grau de excitação que se consegue alcançar, chegando ao ponto de conseguir lubrificar a vagina apenas estimulando-se a si própria. Portanto, consciencialize-se de que a masturbação é um acto normalíssimo do qual não se deve envergonhar.

 

Sinto muita vontade de fazer amor logo no primeiro encontro

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"Sou um jovem de 21 anos um pouco assanhado, e por isso se calhar tenho mais vontade do que os outros de fazer amor. Mas o problema é que isso acontece logo na primeira vez que saio com uma rapariga. Tenho medo que elas pensem que sou um tarado, que o que quero delas é somente isso! Quando sentir vontade como será que devo proceder para saber se elas não vão ficar assustadas."

Jorge - Maia

 

Caro leitor,

O que sente é algo muito normal na sua idade, pois os seus níveis de testosterona estão no pique, o seu corpo está cheio de vitalidade e está a explorar uma faceta da sua vida bastante agradável. O estranho seria se você se queixasse de falta de vontade..!!!! Mas também tem de aprender a assentar os pés na terra e a controlar um pouco essa sua vontade. Uma possibilidade é masturbar-se mais frequentemente, e principalmente antes de sair com alguma rapariga, dessa forma a sua capacidade de julgamento não estará "nublada" devido a um desejo sexual incontrolável. Para perceber se a rapariga que está consigo também tem vontade de fazer amor consigo, primeiro espere, para ver se a situação se proporciona naturalmente, sem forçar nada. Se esta até se mostrar recetiva não avance antes de lhe perguntar se ela se sente confortável com o que estão a pensar fazer assegurando-a de que parará se ela, assim o desejar, parecerá muito delicado o que deixará a rapariga mais segura das suas intenções.

“Masturbo-me com muita frequência…”

“Estou a ficar preocupado, pois acho que estou a ficar viciado em masturbação. Sinto uma vontade incontrolável de me masturbar vezes sem conta. Será que estou doente?”

 

Manuel, Cartaxo

 

Caro Leitor,

O acto de masturbar foi durante muito tempo considerado comoalgo imoral e obsceno, daí que ainda tenha em muitas mentes uma conotação negativa. A masturbação é algo natural entre homens e mulheres, sendo uma forma de obter satisfação e prazer sexual, bem como de aliviar a tensão. Porém, para que essa prática possa ser algo salutar é importante que haja um ponto de equilíbrio, isto é, a frequência exagerada deste acto deve ser vista como um sinal de alerta. Existe um tipo de masturbação que é considerado fora do normal, como sendo uma patologia, que é a compulsão, ou seja, o indivíduo masturba-se desenfreadamente. Nestes casos, o aconselhamento e a ajuda por parte de pessoas especializadas é a hipótese mais viável. Na sua situação, caso considere necessário, aconselho-a a solicitar a ajuda de um técnico especializado em sexualidade para que possa saber realmente o que se passa consigo.