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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Ele ejacula tarde!”

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Enquanto que eu atinjo o orgasmo bastante depressa, o meu marido demora bastante tempo a atingir o orgasmo. Será que estou a fazer alguma coisa errada?”

Inês, Évora

Cara Leitora,

Não se sinta preocupada pelo facto de o seu marido demorar mais tempo a ejacular do que você, pois certamente isso não está relacionado com nada que a leitora esteja a fazer. Cada pessoa demora o seu tempo até atingir o orgasmo e são raras as vezes que um casal consegue atingir o clímax simultaneamente. Existem factores que podem contribuir para que o homem demore mais tempo para ejacular, nomeadamente a toma de medicamentos para a depressão e ansiedade. Alguns destes medicamentos chegam a ser receitados a homens que sofrem de ejaculação precoce. Se o seu marido estiver sob o efeito de algum tipo de medicação, aconselhe-o a consultar o médico e a perguntar quais os efeitos que esses medicamentos podem ter na sua vida sexual. Se necessário, peça ao médico que lhe receite uma medicação diferente. 

Nunca atinjo o orgasmo!

  

Tenho muito prazer ao fazer amor com o meu namorado, fico muito excitada, lubrificada, mas nunca atinjo orgasmo. Porque será?

Maria

Cara Maria,

Existem mulheres que tem uma disfunção orgásmica, ou seja, sentem a excitação e lubrificação durante o acto sexual mas não chegam a atingir o orgasmo. Aconselho que experimente a auto-masturbação, pois dessa forma vai poder explorar o seu corpo e descobrir o que mais gosta. Pode também experimentar a utilização de um vibrador na zona do clítoris, o que costuma levar ao orgasmo em poucos minutos.

Boa sorte e divirta-se.

 

Tema de Hoje: Orgasmos

Tenho 21 anos e desde os 16 que iniciei a minha vida sexual. Já tive 3 parceiros e actualmente estou com o mesmo parceiro há mais de 5 anos.
O que acontece é que nunca consegui atingir o orgasmo, primeiro pensámos que era por ainda ser inexperiente, mas passado tanto tempo e de tentarmos tantas posições, contactos, e novas maneiras de prazer, confesso que estou muito preocupada, uma vez que quando estou quase a atingir o orgasmo, sinto uma dor que me dá vontade de parar, e essa situação acaba por frustar a mim e ao meu marido, ja não sei o que fazer...
Manuela
 
Cara Manuela,
 
Não ficou claro no seu email se atingiu o orgasmo com outros parceiros antes do seu actual. E sozinha, na masturbação? Não tenha vergonha de descobrir como prefere a estimulação na sua intimidade pessoal – tal é essencial para a descobrir numa relação íntima posteriormente. Apenas neste sentido a experiência é importante: o orgasmo feminino é aprendido, encenado num contexto de erotismo e romantismo diferente muitas vezes do masculino.
Não tenha vergonha de pedir ao seu parceiro para a ajudar nesta encenação: faça jantares à luz da vela, banhos de imersão com aromas de que goste, conversas apaixonadas sobre o vosso amor…qualquer coisa que a estimule a sentir-se à vontade, apaixonada e liberta de preconceitos com a sua sexualidade.
As experiências que fez (de posições, contactos, etc) podem falhar o objectivo do orgasmo por estar a pensar demasiado nele. A atenção focada no que está a acontecer pode influenciar que a sua resposta sexual seja interrompida e desviada do prazer, para focar essa preocupação de não estar a sentir a satisfação do orgasmo. Isto é um ciclo vicioso que deve tentar contrariar através de pensamentos positivos, fantasias sexuais que lhe agradem, pensar no prazer do que está a sentir sem racionalizar demasiado. Este ciclo é ainda reforçado pela ansiedade de antecipação e pela frustração que vos afasta depois do sexo, em vez de se aproximarem.
Note bem que a maioria das mulheres atinge o orgasmo mais facilmente com outras estimulações sexuais, sem penetração vaginal. As carícias no clítoris, o sexo oral, a masturbação recíproca são modos que pode explorar na sua relação e que têm bons resultados.
A terapia sexual pode ser adequada para si e o seu parceiro, poderão explorar mais sugestões que vos agradem e evoluir juntos na descoberta da vossa sexualidade. Nós damos consultas presenciais em Lisboa, no Saldanha, marcadas no número de telefone 213 182 591.

"Posso usar o creme retardante com o preservativo?"

Tenho 27 anos e, segundo a minha namorada, cada vez que tenho relações ejaculo depressa demais. Gostaria de experimentar usar um creme retardante, mas será que o posso utilizar com o preservativo sem que este perca o efeito?”

 

Gustavo, Alhandra

 

 

 

Caro leitor,

 

O creme a que o leitor se refere é um creme retardante que contém uma pequena percentagem de um produto chamado Lydacane ou Benzocaina, que possuem qualidades analgésicas. Estas substâncias, quando em contacto directo com a pele, causam uma sensação de adormecimento, fazendo com que a pessoa perca alguma da sensibilidade ao tacto na zona onde este foi aplicado. Por se tratar de um analgésico, estes produtos devem ser utilizados em pequenas quantidades para evitar o adormecimento total do pénis ou perda de erecção. Uma vez que o efeito desejado é a diminuição da sensibilidade do homem e não da mulher, é aconselhável a colocação do preservativo antes da penetração, o que não deve danificar o preservativo.

 

 

Orgasmo SIM, por favor!

 

 

Em primeiro lugar desejo, depois excitação e por fim orgasmo.

Esta seria linha orientadora ideal para atingir aquilo que todas as mulheres desejam na cama: prazer.

Porém, 27% do sexo feminino português confessa que raramente atinge o clímax, contra 1% dos homens.

O que pode estar por detrás desta grande diferença entre os dois sexos?

A verdade é que sexo não é apenas penetração e, principalmente, para as mulheres é muito
mais do que isso. Ela precisa de estar lubrificada, para se sentir preparada para o coito.

A mulher deixou de fingir, nos dias que correm exige mais do seu parceiro e ele, em princípio, também fará tudo para estar à altura de satisfazê-la.

Infelizmente, a repressora educação que sempre foi passada ao sexo feminino, ainda domina algumas mentes e isso pode, muitas vezes, inibir ambos. O que contribuiu, sem dúvida, para um orgasmo insatisfatório, principalmente da parte das mulheres que necessitam pelo menos de oito minutos para atingi-lo, contra três minutos que os homens podem levar a consegui-lo.

Mas afinal é tudo uma questão de timing?

Pode ser, mas não só! Há que “acertar” ritmos, passar ao parceiro informação, pois os homens gostam de ser instruídos. Utilize alguma linguagem corporal, bem como frases provocantes que permitam ao seu companheiro entender aquilo que precisa. Mas antes disso, e para saber dar
instruções necessita de conhecer o seu corpo.

Para si, também os preliminares são importantes, pois quanto mais longa a excitação, maior o clímax.

Alugue filmes picantes, envie mensagens eróticas ao seu parceiro, durante o dia, faça algo
com ele que vos provoque muita adrenalina. Na cama, evite a rotina, experimentem novas posições, descubram-se e se necessário utilizem brinquedossexuais para se estimularem mutuamente.

Na verdade, a imaginação não tem limites! Entregue-se ao prazer!

Orgasmos Múltiplos

Definem-se Orgasmos Múltiplos aqueles picos orgasmos (de prazer) que ocorrem em sequência, um imediatamente após o outro sem interrupção alguma. Logo, os orgasmos múltiplos não ocorrem nos homens, pois estes apresentam o período refratário, que é um impedimento fisiológico. Mesmo nas mulheres, não é um fenômeno muito frequente.

O orgasmo feminino é muito complexo e não apresenta somente um padrão. Pode ocorrer um único e intenso orgasmo, vários orgasmos de menor intensidade ou uma união dessas duas variações. É também comum a mulher confundir a sensação prazeirosa após o coito como se estivesse experimentando novos orgasmos. Para o homem é difícil detectar se sua parceira teve vários orgasmos, principalmente se estes últimos não foram tão intensos. Por vezes percebem o orgasmo feminino pelo súbito aumento de contrações da vagina pressionando o próprio pênis. Em outras ocasiões, podem ser vítimas de um comportamento não recomendável por parte das mulheres que é a simulação do prazer. Parceiras que simulam o orgasmo tendem apenas a trazer complicações ao ajuste sexual do casal.

Os Múltiplos Orgasmos não são a regra geral e não definem por si só se a mulher tem mais, ou não, prazer quando comparada a outras com um único orgasmo. Também não se sabe se há alguma predisposição biológica ou emocional a apresentar tal tipo de resposta sexual. O mito diz que a mulher multiorgásmica é mais fogosa e pode dar maior prazer ao homem, mas não há nenhuma evidência que comprove tal teoria, até porque muitas simulam o prazer sem a percepção do parceiro. O maior prazer do homem frente as supostas mulheres multiorgásmicas está, em grande parte, associado a fantasias de ele próprio ser um "super macho" capaz de levar a mulher às alturas no domínio do prazer.

"Atingimos o orgasmo ao mesmo tempo!"


 

"Eu e a minha namorada temos uma relação fantástica e de há uns meses para cá acabamos por atingir o orgasmo ao mesmo tempo, ou com segundos de diferença, quase sempre que fazemos amor. Ambos estamos muito felizes um com o outro e com esta dinâmica, mas sabemos que é pouco comum. Seremos um casal fora do vulgar?"

 

Pedro, Lisboa

Caro leitor,

Partilhar um orgasmo, quer seja em simultâneo ou não, é uma das mais marcantes experiências da vida a dois. Embora alguns casais consigam estar de tal modo em sintonia, e atentos às necessidades e ao corpo do parceiro, que atingem o orgasmo em simultâneo, com outros tal não acontece, o que não significa que tenham menos prazer ou afinidade. Embora a ideia de atingir o clímax ao mesmo tempo que o parceiro seja romântica e excitante, não é necessário que tal aconteça pois tudo depende de inúmeros fatores e das próprias pessoas envolvidas. Desde que ambos desfrutem dessa sintonia e que, sobretudo, não acabem por sentir-se pressionados por ela ou dececionados quando ela não acontece, aproveitem em pleno essa fantástica cumplicidade e continuem a dedicar-se a explorar o prazer tanto convosco próprios como com o outro. 

Lubrificação e excitação

Gostaria de perceber porque é que sempre que não atinjo o orgasmo, isto é, não fico lubrificada, fico com infecção urinaria...porque será??
Paula Cristina
 
Cara Paula Cristina,
 
Vou primeiro esclarecer alguns conceitos, para não lhe dar uma informação errada. A resposta sexual humana tem várias fases: desejo, excitação, planalto, orgasmo e resolução. O desejo é a fase da vontade, do apetecer, que pode variar muito as situações em que surge. Na fase da excitação, na mulher, há um aumento do ritmo respiratório e de tensão muscular e surge a lubrificação vaginal produz-se um aumento das dimensões dos pequenos lábios e os grandes lábios ficam menos visíveis. A parte externa da vagina separa-se, o útero encolhe e a vagina torna-se maior. O clítoris aumenta de volume e fica erecto. Também os mamilos ficam erectos e produz-se um aumento de volume dos seios. Na fase seguinte, de planalto, estas mudanças fisiológicas intensificam-se. Na fase de orgasmo há uma libertação da tensão sexual acumulada e sentem-se intensas sensações de prazer. Nem todas as mulheres atingem esta fase, mesmo tendo muita excitação e prazer. Na fase de resolução, o retorno ao estado de repouso produz uma sensação de relaxamento por todo o corpo.
 
Assim, a lubrificação vaginal está associada à excitação e o orgasmo a um certo culminar da excitação. Quando não fica lubrificada, pode significar que está pouco excitada, a sua vagina está mais apertada e os lábios vaginais menos preparados para a relação sexual. Se tentar a penetração, a fricção pode magoar a mucosa vaginal, pode levar ao desenvolvimento de bactérias da urina (presentes no pénis ou na sua vagina, se não se limparem com cuidado depois de urinar) – o que facilita uma infecção urinária.
Aconselho-a a falar com o seu parceiro sobre ele se limpar cuidadosamente; utilize roupa interior de algodão e roupa pouco apertada; não use sabões vaginais agressivos, apenas de PH neutro. Antes de cada relação sexual beba água e logo depois do orgasmo, da ejaculação e da penetração, urine e lave com água os seus genitais – pode reduzir o aparecimento de infecções urinárias.
Se tem dificuldades de lubrificação, apesar de se sentir excitada, compre lubrificante artificial, em farmácias, sexshops ou supermercados e resolva esse problema.

Tema de Hoje: Orgasmos

“O que é o Ponto-G?”

“A minha namorada disse-me que existe um sítio na vagina que se chama Ponto-G, que quando estimulado pode provocar orgasmos bastante fortes. É verdade que ele existe?”

Nuno, Lagos

Caro leitor:

A existência, localização e importância do Ponto G para o orgasmo feminino foi descoberto recentemente pelos sexólogos americanos Perry e Whipple. O Ponto-G trata-se de uma pequena aglomeração de terminações nervosas e glândulas no interior da vagina que, quando estimulado, pode fazer a mulher alcançar um grau de excitação extremamente intenso capaz de provocar o que os autores definem como “orgasmos uterinos”. O Ponto-G situa-se na parede superior da vagina e é uma zona particularmente sensível que pode fazer qualquer mulher perder o controlo. Para conseguir proporcionar este tipo de orgasmo à sua companheira aconselho-o a estimular manualmente o interior da vagina conversando com a sua namorada sobre o que lhe dá mais prazer. Um factor bastante importante é que ela relaxe e não se sinta pressionada a atingir o orgasmo, pois só assim ele surgirá naturalmente.

 

 

Qual a diferença entre um orgasmo vaginal e um orgasmo clitoriano?

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"Sou um homem apaixonado pelas mulheres e procuro dar sempre o máximo de prazer às minhas companheiras. Ouvi dizer que as mulheres podem ter orgasmos vaginais e clitorianos, e gostava de saber qual é a diferença entre eles!"

Paulo - Coimbra

 

Caro leitor,

Essa sua preocupação em procurar compreender o corpo das suas companheiras para lhes proporcionar o máximo de prazer é bastante positiva e contribui para que qualquer relação seja melhor. Os orgasmos clitorianos distinguem-se dos vaginais em primeiro lugar pelo tipo de estimulação física que a eles conduz, e naturalmente também à parte do corpo que envolvem. O orgasmo vaginal surge pela estimulação da vagina através da penetração, quer seja feita com o pénis, com a mão ou com um brinquedo sexual, e acontece quando não há qualquer estimulação do clítoris. Contudo, a vagina contém poucas terminações nervosas, e como tal não produz um orgasmo sozinha. Assim, em vez de pensar no clítoris e na vagina como partes separadas, veja-os como parte de uma teia de músculos e terminações nervosas. De facto, o clítoris estende-se e rodeia a vagina, a uretra e o ânus. Em vez de pensar nos orgasmos como vaginais ou clitorianos faz mais sentido pensar nas sensações que o acompanham. Afinal de contas, um orgasmo é sempre um orgasmo!