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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Lubrificação e excitação

Gostaria de perceber porque é que sempre que não atinjo o orgasmo, isto é, não fico lubrificada, fico com infecção urinaria...porque será??
Paula Cristina
 
Cara Paula Cristina,
 
Vou primeiro esclarecer alguns conceitos, para não lhe dar uma informação errada. A resposta sexual humana tem várias fases: desejo, excitação, planalto, orgasmo e resolução. O desejo é a fase da vontade, do apetecer, que pode variar muito as situações em que surge. Na fase da excitação, na mulher, há um aumento do ritmo respiratório e de tensão muscular e surge a lubrificação vaginal produz-se um aumento das dimensões dos pequenos lábios e os grandes lábios ficam menos visíveis. A parte externa da vagina separa-se, o útero encolhe e a vagina torna-se maior. O clítoris aumenta de volume e fica erecto. Também os mamilos ficam erectos e produz-se um aumento de volume dos seios. Na fase seguinte, de planalto, estas mudanças fisiológicas intensificam-se. Na fase de orgasmo há uma libertação da tensão sexual acumulada e sentem-se intensas sensações de prazer. Nem todas as mulheres atingem esta fase, mesmo tendo muita excitação e prazer. Na fase de resolução, o retorno ao estado de repouso produz uma sensação de relaxamento por todo o corpo.
 
Assim, a lubrificação vaginal está associada à excitação e o orgasmo a um certo culminar da excitação. Quando não fica lubrificada, pode significar que está pouco excitada, a sua vagina está mais apertada e os lábios vaginais menos preparados para a relação sexual. Se tentar a penetração, a fricção pode magoar a mucosa vaginal, pode levar ao desenvolvimento de bactérias da urina (presentes no pénis ou na sua vagina, se não se limparem com cuidado depois de urinar) – o que facilita uma infecção urinária.
Aconselho-a a falar com o seu parceiro sobre ele se limpar cuidadosamente; utilize roupa interior de algodão e roupa pouco apertada; não use sabões vaginais agressivos, apenas de PH neutro. Antes de cada relação sexual beba água e logo depois do orgasmo, da ejaculação e da penetração, urine e lave com água os seus genitais – pode reduzir o aparecimento de infecções urinárias.
Se tem dificuldades de lubrificação, apesar de se sentir excitada, compre lubrificante artificial, em farmácias, sexshops ou supermercados e resolva esse problema.

Tema de Hoje: Orgasmos

“O que é o Ponto-G?”

“A minha namorada disse-me que existe um sítio na vagina que se chama Ponto-G, que quando estimulado pode provocar orgasmos bastante fortes. É verdade que ele existe?”

Nuno, Lagos

Caro leitor:

A existência, localização e importância do Ponto G para o orgasmo feminino foi descoberto recentemente pelos sexólogos americanos Perry e Whipple. O Ponto-G trata-se de uma pequena aglomeração de terminações nervosas e glândulas no interior da vagina que, quando estimulado, pode fazer a mulher alcançar um grau de excitação extremamente intenso capaz de provocar o que os autores definem como “orgasmos uterinos”. O Ponto-G situa-se na parede superior da vagina e é uma zona particularmente sensível que pode fazer qualquer mulher perder o controlo. Para conseguir proporcionar este tipo de orgasmo à sua companheira aconselho-o a estimular manualmente o interior da vagina conversando com a sua namorada sobre o que lhe dá mais prazer. Um factor bastante importante é que ela relaxe e não se sinta pressionada a atingir o orgasmo, pois só assim ele surgirá naturalmente.

 

 

Qual a diferença entre um orgasmo vaginal e um orgasmo clitoriano?

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"Sou um homem apaixonado pelas mulheres e procuro dar sempre o máximo de prazer às minhas companheiras. Ouvi dizer que as mulheres podem ter orgasmos vaginais e clitorianos, e gostava de saber qual é a diferença entre eles!"

Paulo - Coimbra

 

Caro leitor,

Essa sua preocupação em procurar compreender o corpo das suas companheiras para lhes proporcionar o máximo de prazer é bastante positiva e contribui para que qualquer relação seja melhor. Os orgasmos clitorianos distinguem-se dos vaginais em primeiro lugar pelo tipo de estimulação física que a eles conduz, e naturalmente também à parte do corpo que envolvem. O orgasmo vaginal surge pela estimulação da vagina através da penetração, quer seja feita com o pénis, com a mão ou com um brinquedo sexual, e acontece quando não há qualquer estimulação do clítoris. Contudo, a vagina contém poucas terminações nervosas, e como tal não produz um orgasmo sozinha. Assim, em vez de pensar no clítoris e na vagina como partes separadas, veja-os como parte de uma teia de músculos e terminações nervosas. De facto, o clítoris estende-se e rodeia a vagina, a uretra e o ânus. Em vez de pensar nos orgasmos como vaginais ou clitorianos faz mais sentido pensar nas sensações que o acompanham. Afinal de contas, um orgasmo é sempre um orgasmo!

Como atingir o orgasmo mais depressa?

De há alguns anos para cá tenho notado que levo cada vez mais tempo a atingir o orgasmo, havendo mesmo situações em ele não acontece. Acho isso estranho, pois nunca tive essa dificuldade antes. Será que vou perder a capacidade de ter orgasmos?”

Paulo, Vilamoura

Caro leitor,

essa situação acontece com mais frequência do que imagina. É normal que com o avançar da idade o homem comece a levar mais tempo a atingir o orgasmo, o que por vezes melhora a vida sexual do casal pois dá mais tempo à mulher para atingir o clímax. Essa situação é especialmente vantajosa para homens que sofram de ejaculação precoce, mas não tanto para homens que já naturalmente demorem algum tempo até atingir o orgasmo. Nesses casos o acréscimo de tempo natural da idade pode tornar-se um problema, o que parece ser o seu caso, fazendo com que em certas ocasiões o orgasmo chegue mesmo a não acontecer. Uma possível solução é aplicar um gel acelerador no pénis antes de iniciada a relação. Este gel vai aumentar o fluxo sanguíneo na área genital fazendo com que o homem fique mais sensível à estimulação, e atinja o orgasmo mais depressa. Em alguns casos a incapacidade em atingir o orgasmo, tanto no homem como na mulher, pode ser um efeito secundário de algum medicamento. Se achar que este pode ser o seu caso, consulte o seu médico e explore a possibilidade de ajustar a dose ou mudar de medicação.

 

Experimente o Kamasutra!

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Em movimento

Sente-se numa cadeira (se tiver rodinhas é melhor ainda), e ele encaixa-se em si. Com os pés apoiados numa mesa, é você quem orienta os movimentos no caminho para as sensações.

 

Chão de estrelas
De costas para ele, curve o corpo para a frente, até apoiar as mãos no chão (se flexibilidade não for o seu forte, pode dobrar os joelhos). Faça-o encaixar por trás, abraçando-a pela cintura. Se o seu parceiro for muito impetuoso, pode usar uma almofada para apoiar as mãos.

 

Continue a praticar

Agora que experimentou estas duas posições práticas do Kamasutra, eleve o corpo e o espírito a outros domínios, continue a experimentar e quem sabe a reinventar o Kamasutra e consiga obter orgasmos cósmicos. A relação vai sair mais fortalecida depois desta aventura do Kamasutra.

 

Para que consiga tirar o máximo de prazer desta forma de fazer amor, não se esqueça de alguns truques que fazem a temperatura subir ainda mais:

- Enquanto está a fazer amor com o seu par pense nas suas fantasias mais loucas e selvagens, sem medos nem tabus. Deixar que o seu cérebro viaje para terrenos que nunca ousou pisar aumenta a sua excitação.

- Esqueça tudo o resto! Deixe o seu trabalho, os seus filhos ou o que se passa na rua ou na televisão para depois. Neste momento, só existem vocês os dois.

- Relaxe bastante! Se estiver tensa ou cansada peça ao seu companheiro que lhe faça primeiro uma massagem e desfrute de cada sensação, concentrando-se nas reações do seu corpo a cada toque.

- Encha o peito de ar! Ao inspirar com profundidade enquanto contrai a zona pélvica aumenta o fluxo sanguíneo nesta área, potenciando o orgasmo.

"Que devo fazer para proporcionar à minha namorada orgasmos múltiplos?”

Amo imenso a minha namorada e gostava de lhe dar mais prazer. Ouvi falar em orgasmo múltiplo, o que é isso? Como posso praticar isso com a minha namorada?...”

 

Luís Pedro, Sintra

 

 

Caro Leitor,

 

Os orgasmos múltiplos são uma sequência de vários orgasmos cuja intensidade, quantidade e velocidade varia de mulher para mulher. O primeiro passo para atingir o orgasmo múltiplo é dar bastante atenção aos preliminares e estar atento às reacções da sua namorada durante o acto sexual. Descubra o tipo de estimulação que ela mais gosta, e faça-o durante mais tempo do que o normal, sem parar após o primeiro orgasmo. Basicamente, para que uma mulher atinja orgasmos múltiplos requer que o homem proporcione uma estimulação contínua e mais prolongada. Tenha no entanto em mente que nem todas as mulheres têm a capacidade de os experimentar, muitas mulheres com vidas sexuais completamente normais e satisfatórias apenas experienciam um orgasmo independentemente da estimulação que recebam. Converse com a sua namorada sobre isso, pois nenhuma mulher no mundo se vai importar se o seu parceiro lhe quiser dar mais prazer!

 

 

“Demoro muito a ejacular…”

 

Tenho 28 anos e demoro muito tempo a ejacular. Gostaria de saber se é normal, acontece apenas de vez em quando, mas é preocupante pois ainda sou muito novo para ter problemas de ejaculação! Sinto-me constrangido pois às vezes a minha namorada perde a lubrificação com a minha demora.”

 

Cláudio, Porto

 

Caro leitor,

O tempo da ejaculação depende de homem para homem e da pessoa com quem está a ter relações sexuais – o que é lento e demorado para uns pode ser curto e rápido para outros. Saiba que uma relação sexual, desde o momento da penetração até à ejaculação e sem contar com os preliminares, dura para a maioria dos casais de 3 a 13 minutos. Conversas públicas muitas vezes criam-nos expectativas irrealistas e podem deixar-nos insatisfeitos com situações perfeitamente normais.

Existe uma perturbação sexual chamada ejaculação retardada, em que o homem sente bastantes dificuldades em ejacular, mas tal deve ser diagnosticado em consultas presenciais e por especialistas em sexologia. Algumas causas desta perturbação podem ser medicamentos que esteja a tomar (como por exemplo alguns anti-depressivos), por isso se for esse o seu caso, consulte o seu médico e explorem a possibilidade de alterar a medicação ou a sua dose. Procurem experimentar novas formas de viver a relação sexual: juntar lubrificante (há de vários tipos, que aumentam a circulação sanguínea, líquidos, pomadas, com diferentes aromas…), ter o orgasmo com masturbação em vez da penetração vaginal, sexo oral, e mesmo a utilização de um vibrador para ajudar a estimular e atingir o orgasmo mais rapidamente - falem um com o outro sobre questões que vos preocupem e possam interferir com o prazer de estarem juntos.

Tenho orgasmos a toda a hora!

 

Tenho um enorme problema que é o facto de ter orgasmos a toda a hora, sem que me possa controlar, o que as vezes é bastante doloroso e embaraçante!

 

Filipa, Caminha

 

Cara leitora,

O orgasmo é uma libertação da tensão sexual, no entanto existem mulheres que têm orgasmos a toda a hora, tal como a leitora descreve, sem que estejam sexualmente excitadas. Este fenómeno é chamado de Síndroma de Excitação Sexual Permanente, e foi apenas recentemente identificado como sendo uma doença. Os sintomas mais comuns deste síndroma são: manifestação de sinais físicos de excitação sexual que dura durante um longo período
de tempo sem que haja estimulação sexual, orgasmos frequentes, e excitação física que persiste independentemente da obtenção do orgasmo. Se a leitora acha que tem este problema aconselho-a a perder a vergonha e a consultar um médico ginecologista e um medico neurologista para que estes a possam ajudar a resolver o problema.

“Preciso de ajuda para ter orgasmos!”

“Tenho 22 anos e apesar de já ter iniciado a minha vida sexual, tenho dificuldades em conseguir atingir o orgasmo, pelo que gostava que me ajudasse nesse sentido. O que posso fazer para ter orgasmos mais facilmente enquanto estou a fazer amor com o meu namorado?”

 

Cátia, Caneças

 

Cara leitora,

O orgasmo é o ponto em que toda a tensão que o corpo vai acumulando é subitamente libertada sob a forma de uma série de contrações musculares involuntárias e que proporcionam prazer, e que se podem sentir na vagina, no útero e no reto. Pressionar e massajar o clítoris conduz a essa tensão e a inúmeras sensações de estremecimento e de preenchimento pélvico. Há muitas mulheres que têm dificuldade em alcançar o orgasmo, quer seja sozinhas quer com um parceiro. A vergonha em tocar o próprio corpo, a falta de conhecimento do mesmo e medos desconhecidos são apenas alguns dos fatores que dificultam esta libertação física, cuja componente psicológica é também muito importante. Os orgasmos podem ter intensidades diferentes, conforme a mulher, o momento, o tipo de estimulação, o parceiro, etc. Para conseguir ter um orgasmo mais facilmente, evite concentrar-se mais nos pensamentos do que nas sensações, pois é fácil distrair-se com ideias que a afastam do seu propósito, como por pensar se está a agir corretamente, pensar no que o parceiro pode estar a pensar ou se está impaciente, aborrecendo-se consigo mesma e desistindo dos estímulos que está a receber. Não deve também alimentar o receio de não conseguir ter um orgasmo ou de pedir mais do seu parceiro, pois dessa forma estará a criar uma pressão mental que tornará mais difícil a libertação. Os sentimentos de culpa a respeito do sexo, ou pensar que se devia concentrar mais no seu parceiro, são também prejudiciais, bem como querer acelerar o processo. Dê mais tempo a si própria e deixe-se apenas guiar pelas sensações e pelo seu próprio prazer, deixando-se ir, e verá como se tornará mais fácil. 

"Atingimos o orgasmo ao mesmo tempo!"


 

"Eu e a minha namorada temos uma relação fantástica e de há uns meses para cá acabamos por atingir o orgasmo ao mesmo tempo, ou com segundos de diferença, quase sempre que fazemos amor. Ambos estamos muito felizes um com o outro e com esta dinâmica, mas sabemos que é pouco comum. Seremos um casal fora do vulgar?"

 

Pedro, Lisboa

Caro leitor,

Partilhar um orgasmo, quer seja em simultâneo ou não, é uma das mais marcantes experiências da vida a dois. Embora alguns casais consigam estar de tal modo em sintonia, e atentos às necessidades e ao corpo do parceiro, que atingem o orgasmo em simultâneo, com outros tal não acontece, o que não significa que tenham menos prazer ou afinidade. Embora a ideia de atingir o clímax ao mesmo tempo que o parceiro seja romântica e excitante, não é necessário que tal aconteça pois tudo depende de inúmeros fatores e das próprias pessoas envolvidas. Desde que ambos desfrutem dessa sintonia e que, sobretudo, não acabem por sentir-se pressionados por ela ou dececionados quando ela não acontece, aproveitem em pleno essa fantástica cumplicidade e continuem a dedicar-se a explorar o prazer tanto convosco próprios como com o outro.