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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Vida de casal: não tenho vontade de fazer amor!

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A rotina é, sem dúvida, um dos maiores inimigos de qualquer relacionamento. Enquanto que nos primeiros tempos da  todo o tempo que passavam juntos parecia pouco e qualquer toque ou olhar desencadeava um incêndio que os levava para os braços um do outro, com o tempo e a habituação a excitação da novidade apaga-se. Se a isso juntarmos as exigências do dia a dia, as discussões a respeito de quem lava a louça ou vai buscar os filhos à escola e as pressões a que cada um dos dois é submetido no local de trabalho, é fácil de compreender porque é que a vida sexual se torna um problema silencioso para tantos casais.

 

Passamos mais tempo a trabalhar e a responder aos desafios e exigências profissionais do que a sós com quem amamos. Por outro lado, qualquer pessoa, por mais apaixonada que esteja, precisa de ter tempo para si e para sentir saudades do seu mais-que-tudo. Aquilo de que muitas vezes não nos damos conta, no entanto, é que ao afastarmo-nos no dia a dia isso cria um fosso também na nossa vida sexual, afastando-nos. 


Por outro lado, é fundamental ter presente que se perder o contato com a sua própria sexualidade isso irá necessariamente afastá-la do seu par. Limitar-se a cumprir as suas obrigações enquanto mãe e profissional, esquecendo-se que também é mulher, com desejos e vontades, faz com que essa parte do seu ser e da sua vida vá ficando entorpecida. A partir daí, muitas mulheres deixam de sentir prazer na relação sexual, porque não se permitem desfrutar dela com relaxamento e descontração, passando a evitar o seu parceiro.

 

A anorgasmia, uma disfunção de que já falámos, pode surgir então e impedir a mulher de ter orgasmos, ou dificultando-os. Como tal, isto faz com que a mulher ainda tenha maior tendência para evitar a relação sexual, pois sabe que não lhe será fácil chegar ao orgasmo, tornando o sexo algo penoso.

“Preciso de ajuda para ter orgasmos!”

“Tenho 22 anos e apesar de já ter iniciado a minha vida sexual, tenho dificuldades em conseguir atingir o orgasmo, pelo que gostava que me ajudasse nesse sentido. O que posso fazer para ter orgasmos mais facilmente enquanto estou a fazer amor com o meu namorado?”

 

Cátia, Caneças

 

Cara leitora,

O orgasmo é o ponto em que toda a tensão que o corpo vai acumulando é subitamente libertada sob a forma de uma série de contrações musculares involuntárias e que proporcionam prazer, e que se podem sentir na vagina, no útero e no reto. Pressionar e massajar o clítoris conduz a essa tensão e a inúmeras sensações de estremecimento e de preenchimento pélvico. Há muitas mulheres que têm dificuldade em alcançar o orgasmo, quer seja sozinhas quer com um parceiro. A vergonha em tocar o próprio corpo, a falta de conhecimento do mesmo e medos desconhecidos são apenas alguns dos fatores que dificultam esta libertação física, cuja componente psicológica é também muito importante. Os orgasmos podem ter intensidades diferentes, conforme a mulher, o momento, o tipo de estimulação, o parceiro, etc. Para conseguir ter um orgasmo mais facilmente, evite concentrar-se mais nos pensamentos do que nas sensações, pois é fácil distrair-se com ideias que a afastam do seu propósito, como por pensar se está a agir corretamente, pensar no que o parceiro pode estar a pensar ou se está impaciente, aborrecendo-se consigo mesma e desistindo dos estímulos que está a receber. Não deve também alimentar o receio de não conseguir ter um orgasmo ou de pedir mais do seu parceiro, pois dessa forma estará a criar uma pressão mental que tornará mais difícil a libertação. Os sentimentos de culpa a respeito do sexo, ou pensar que se devia concentrar mais no seu parceiro, são também prejudiciais, bem como querer acelerar o processo. Dê mais tempo a si própria e deixe-se apenas guiar pelas sensações e pelo seu próprio prazer, deixando-se ir, e verá como se tornará mais fácil. 

“Há mais de um ano que não tenho orgasmos…”

“Tenho 48 anos e vivo sozinho. Há mais de um ano que não tenho orgasmos, e nunca tive um sonho molhado. Uma vez que não tenho ejaculações com regularidade tenho infeções da próstata e do trato urinário com alguma frequência. Gostava de saber se é comum isto acontecer, e se o facto de não libertar o sémen não traz problemas maiores de saúde para o meu futuro.”

 

Carlos, Bragança

 

Caro leitor

A excitação nem sempre conduz a um aumento do fluxo ou à necessidade de libertação através da ejaculação. No entanto, uma vez que sofre de infeções regulares deve ser visto por um médico especialista, se é que tal ainda não acontece. Sendo um individuo saudável não é comum passar tanto tempo de abstinência sexual, sendo que chegar à excitação sem culminar num orgasmo pode causar-lhe desconforto e dores, acarretando problemas de saúde tais como as infeções que menciona. Não precisa de ter uma companheira para praticar a masturbação, que permitirá ao seu corpo libertar-se de qualquer tensão acumulada.

Orgasmo Feminino

Já estou há três anos a morar com o meu o namorado e nunca consegui atingir o orgasmo . Será que tenho algum problema?
Teresa
 
Cara Teresa,
Atingir o orgasmo depende muito de mulher para mulher e das situações em que sente o prazer. A maioria das mulheres não atinge o orgasmo com a penetração, mas mais facilmente com masturbação, com sexo oral, com estimulação do clítoris… não valorize demasiado a questão de atingir ou não o orgasmo, pois a sua atenção irá desviar-se do prazer e não se entrega às sensações físicas, tirando menos satisfação daquilo que sente.
Como não sei se alguma vez terá sentido orgasmo é difícil responder-lhe, mas procure como gosta do prazer na masturbação sozinha, acaricie-se e à sua vagina – se a leitora souber do que gosta melhor poderá guiar o seu parceiro ou parceira nessa descoberta.
 

Orgasmo SIM, por favor!

 

 

Em primeiro lugar desejo, depois excitação e por fim orgasmo.

Esta seria linha orientadora ideal para atingir aquilo que todas as mulheres desejam na cama: prazer.

Porém, 27% do sexo feminino português confessa que raramente atinge o clímax, contra 1% dos homens.

O que pode estar por detrás desta grande diferença entre os dois sexos?

A verdade é que sexo não é apenas penetração e, principalmente, para as mulheres é muito
mais do que isso. Ela precisa de estar lubrificada, para se sentir preparada para o coito.

A mulher deixou de fingir, nos dias que correm exige mais do seu parceiro e ele, em princípio, também fará tudo para estar à altura de satisfazê-la.

Infelizmente, a repressora educação que sempre foi passada ao sexo feminino, ainda domina algumas mentes e isso pode, muitas vezes, inibir ambos. O que contribuiu, sem dúvida, para um orgasmo insatisfatório, principalmente da parte das mulheres que necessitam pelo menos de oito minutos para atingi-lo, contra três minutos que os homens podem levar a consegui-lo.

Mas afinal é tudo uma questão de timing?

Pode ser, mas não só! Há que “acertar” ritmos, passar ao parceiro informação, pois os homens gostam de ser instruídos. Utilize alguma linguagem corporal, bem como frases provocantes que permitam ao seu companheiro entender aquilo que precisa. Mas antes disso, e para saber dar
instruções necessita de conhecer o seu corpo.

Para si, também os preliminares são importantes, pois quanto mais longa a excitação, maior o clímax.

Alugue filmes picantes, envie mensagens eróticas ao seu parceiro, durante o dia, faça algo
com ele que vos provoque muita adrenalina. Na cama, evite a rotina, experimentem novas posições, descubram-se e se necessário utilizem brinquedossexuais para se estimularem mutuamente.

Na verdade, a imaginação não tem limites! Entregue-se ao prazer!

“O orgasmo do homem é igual ao da mulher?”

 

“Gostaria de saber se o homem e a mulher experimentam o orgasmo da mesma forma?”.

Gustavo, Vilamoura

 

Caro leitor

Tanto o homem como a mulher sentem prazer quando têm os seus órgãos genitais estimulados. Masters e Johnson realizaram um estudo sobre o orgasmo e descobriram que homem  pode ter de 6 a 9 contracções da zona pélvica durante o orgasmo enquanto que a mulher pode ter de 9 a 12 contracções durante o orgasmo. Os autores não estabeleceram um valor máximo de contracções da zona pélvica durante o orgasmo, mas os números podem variar bastante, pois cada pessoa é um caso único tendo orgasmos de diferentes intensidades. Em regra geral o orgasmo masculino é acompanhado de ejaculação enquanto que o feminino não. No entanto, existem excepções nas quais homens podem ter orgasmos sem ejacular e mulheres podem ejacular durante o orgasmo. Outra diferença entre o orgasmo feminino e o masculino é o facto da mulher poder ter vários orgasmos múltiplos durante o mesmo acto sexual enquanto que o homem necessita de algum tempo após terminado o acto sexual até que possa recomeçar e ter outro orgasmo.

 

“Que devo fazer para proporcionar à minha namorada orgasmos múltiplos?”

“Amo imenso a minha namorada e gostava de lhe dar mais prazer. Ouvi falar em orgasmos múltiplos, o que é isso? Como posso praticar isso com a minha namorada?...”

Carlos – Moita

 

 

Caro Leitor:

Os orgasmos múltiplos são uma sequência de vários orgasmos cuja intensidade, quantidade e velocidade variam de mulher para mulher. O primeiro passo para atingir o orgasmo múltiplo é dar bastante atenção aos preliminares e estar atento às reacções da sua namorada durante o acto sexual. Descubra o tipo de estimulação de que ela mais gosta, e faça-o durante mais tempo do que o normal, sem parar após o primeiro orgasmo. Basicamente, para que uma mulher atinja orgasmos múltiplos é necessário que o homem proporcione uma estimulação contínua e mais prolongada. Tenha no entanto em mente que nem todas as mulheres têm a capacidade de os experimentar, muitas mulheres com vidas sexuais completamente normais e satisfatórias conseguem ter apenas um orgasmo, independentemente da estimulação que recebam. Converse com a sua namorada sobre isso, pois nenhuma mulher no Mundo se vai importar se o seu parceiro lhe quiser dar mais prazer!

 

Tema de Hoje: Orgasmos

(Andy Wharol)

 

 
Sinto-me muito diferente das outras mulheres: acho que nunca senti um orgasmo a ter relações sexuais. Tenho uma boa relação com o meu marido, mas nunca falámos sobre orgasmos e eu nunca tive coragem de lhe dizer que não consigo ter com ele. Ainda por cima estou sempre a ler coisas sobre as mulheres terem orgasmos múltiplos - sinto-me uma anormal!
 
Sofia
 
Cara Sofia,
 
Não precisa de se sentir diferente das outras mulheres – há um grupo de mulheres que não sente orgasmos, apesar de gostar de ter relações sexuais -pois a maioria das mulheres não atinge o orgasmo atraves da penetração vaginal. A estimulação oral e manual do clítoris são outras maneiras que pode experimentar para ver se consegue atingir o orgasmo.
Os orgasmos múltiplos são também raros na maioria das mulheres - apenas algumas o conseguem e depende de muitos factores, não quer dizer que o consigam na penetração e muito menos em todas as relações sexuais que têm. Não se deixe influenciar pelas conversas públicas, pois estas escondem muito a realidade do que acontece em privado.
Muitas vezes o que acontece é o casal ter dificuldades em exprimir o que dá mais prazer aos dois e cada pessoa varia muito, mesmo ao longo da vida. Tente descobrir sozinha, na masturbação, se consegue sentir orgasmos e depois tente mostrar ao seu marido ou partilhe com ele, com calma e algum jogo erótico o que gostava que ele lhe fizesse.
Tente não estar preocupada com isso durante as relações sexuais e deixar-se levar a sentir o prazer delas… A intimidade e as sensações físicas são mais importantes do que a satisfação final que pode tirar do sexo. Se pensa que este facto a está a prejudicar muito na relação, então procure ajuda especializada da sexologia, para mais conselhos úteis para descobrir a sua sexualidade.

Tema de Hoje: Orgasmos

 “Não aguento tempo nenhum!”

 

“Tenho 25 anos e nunca consegui aguentar muito tempo no sexo. Já tentei líquidos das sex-shops, mas nunca me aguentei mais de 5 minutos, o que faz com que não consiga ficar com nenhuma das minhas namoradas. Até já cheguei a acabar a relação antes de ter sexo, para não ter de viver a vergonha. Acha que tenho tratamento?”

 

Rodrigo, Figueira da Foz

 

Caro Leitor,

A sua carta mostra um grande desespero e problemas nas relações não só sexuais, mas também íntimas. A ejaculação precoce, descrita pela sua insatisfação com o tempo que dura a penetração, tem tratamento psicológico e medicamentoso, através da sexologia, pelo que deve tentar fazê-lo o mais rápido possível para que a vergonha que nos conta não o domine desnecessariamente.

Como não aprofunda a intimidade nas suas relações não se chega a sentir à vontade e a ansiedade que sente antes, durante e depois das relações sexuais contribui para a ejaculação tal como a sente. O tempo não é o factor mais determinante da satisfação de um casal com a sua sexualidade, repare que uma relação sexual, desde o momento da penetração até à ejaculação e sem contar com os preliminares, dura para a maioria dos casais de 3 a 13 minutos (segundo um estudo recente da Society for Sex Therapy and Research, publicado em Maio no Journal of Sexual Medicine). Conversas públicas muitas vezes criam-nos expectativas irrealistas e podem deixar-nos insatisfeitos com situações perfeitamente normais.

Há algumas técnicas que pode experimentar para aumentar o tempo até à sua ejaculação: masturbar-se algum tempo antes do encontro sexual; colocar um preservativo (masturbe-se antes com ele, pois pode inibi-lo a colocação frente a outra pessoa e assim treina a sua utilização); e não desistir de ter relações sexuais só porque ejaculou e perdeu a erecção…Deixe-se ficar nas carícias, na estimulação mútua, descubra outras coisas que dão prazer às suas companheiras para além da penetração e até que volte a ter erecção suficiente para voltar a tentar a penetração.

Se estas sugestões não funcionarem, tente a técnica dos terapeutas sexuais – o “squeeze” – que consiste em parar a estimulação sexual e apertar a base ou freio do pénis com três dedos (polegar, indicador e dedo médio) antes da ejaculação e por 3 a 4 segundos, o que parará a ejaculação e causará uma redução da erecção. Continue a estimulação e excitação mútua para voltar a recuperar a erecção. Esta técnica deve ser repetida 3 vezes até permitir a ejaculação. É normal que nas primeiras vezes não seja bem sucedido em conseguir parar a estimulação antes de ejacular, mas deve continuar a tentar. Demora em média 3 semanas, fazendo o exercício 3 ou 4 vezes por dia até que se notem os resultados. Esta técnica pode parecer difícil de executar, pelo que a ajuda de um técnico especializado em sexologia pode ser útil. Não deve ter medo de recuperar a erecção, como refere, pois esse medo em antecipação é que o deve estar a impedir de a recuperar. É ter tranquilidade e não ser observador da sua relação, mas estar presente a sentir todo o prazer possível. Pode ainda masturbar-se até atingir o orgasmo e a ejaculação umas horas antes da relação sexual (ou na própria relação sexual), para que na próxima penetração o tempo desta seja mais duradouro.

 

Orgasmos Múltiplos

Definem-se Orgasmos Múltiplos aqueles picos orgasmos (de prazer) que ocorrem em sequência, um imediatamente após o outro sem interrupção alguma. Logo, os orgasmos múltiplos não ocorrem nos homens, pois estes apresentam o período refratário, que é um impedimento fisiológico. Mesmo nas mulheres, não é um fenômeno muito frequente.

O orgasmo feminino é muito complexo e não apresenta somente um padrão. Pode ocorrer um único e intenso orgasmo, vários orgasmos de menor intensidade ou uma união dessas duas variações. É também comum a mulher confundir a sensação prazeirosa após o coito como se estivesse experimentando novos orgasmos. Para o homem é difícil detectar se sua parceira teve vários orgasmos, principalmente se estes últimos não foram tão intensos. Por vezes percebem o orgasmo feminino pelo súbito aumento de contrações da vagina pressionando o próprio pênis. Em outras ocasiões, podem ser vítimas de um comportamento não recomendável por parte das mulheres que é a simulação do prazer. Parceiras que simulam o orgasmo tendem apenas a trazer complicações ao ajuste sexual do casal.

Os Múltiplos Orgasmos não são a regra geral e não definem por si só se a mulher tem mais, ou não, prazer quando comparada a outras com um único orgasmo. Também não se sabe se há alguma predisposição biológica ou emocional a apresentar tal tipo de resposta sexual. O mito diz que a mulher multiorgásmica é mais fogosa e pode dar maior prazer ao homem, mas não há nenhuma evidência que comprove tal teoria, até porque muitas simulam o prazer sem a percepção do parceiro. O maior prazer do homem frente as supostas mulheres multiorgásmicas está, em grande parte, associado a fantasias de ele próprio ser um "super macho" capaz de levar a mulher às alturas no domínio do prazer.