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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Demoro muito a ejacular…”

 

Tenho 28 anos e demoro muito tempo a ejacular. Gostaria de saber se é normal, acontece apenas de vez em quando, mas é preocupante pois ainda sou muito novo para ter problemas de ejaculação! Sinto-me constrangido pois às vezes a minha namorada perde a lubrificação com a minha demora.”

 

Cláudio, Porto

 

Caro leitor,

O tempo da ejaculação depende de homem para homem e da pessoa com quem está a ter relações sexuais – o que é lento e demorado para uns pode ser curto e rápido para outros. Saiba que uma relação sexual, desde o momento da penetração até à ejaculação e sem contar com os preliminares, dura para a maioria dos casais de 3 a 13 minutos. Conversas públicas muitas vezes criam-nos expectativas irrealistas e podem deixar-nos insatisfeitos com situações perfeitamente normais.

Existe uma perturbação sexual chamada ejaculação retardada, em que o homem sente bastantes dificuldades em ejacular, mas tal deve ser diagnosticado em consultas presenciais e por especialistas em sexologia. Algumas causas desta perturbação podem ser medicamentos que esteja a tomar (como por exemplo alguns anti-depressivos), por isso se for esse o seu caso, consulte o seu médico e explorem a possibilidade de alterar a medicação ou a sua dose. Procurem experimentar novas formas de viver a relação sexual: juntar lubrificante (há de vários tipos, que aumentam a circulação sanguínea, líquidos, pomadas, com diferentes aromas…), ter o orgasmo com masturbação em vez da penetração vaginal, sexo oral, e mesmo a utilização de um vibrador para ajudar a estimular e atingir o orgasmo mais rapidamente - falem um com o outro sobre questões que vos preocupem e possam interferir com o prazer de estarem juntos.

Ejaculo com muita rapidez

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"Quando tenho relações sexuais ejaculo muito rapidamente e não tenho a mesma reação sexual que tinha dantes. Isto aconteceu de um momento para o outro, mas tenho apenas 28 anos, o que me deixa muito assustado."

Manuel - Faro

 

Caro leitor,

Os problemas sexuais podem surgir repentinamente, depois de uma experiência que correu mal e que ficou marcada na memória. A ansiedade de antecipar o que pode voltar a acontecer pode levar a que aconteça o mesmo, pois está preocupado e menos dedicado a sentir prazer. Por outro lado, outros fatores podem influenciar a sua capacidade de ter relações sexuais e a penetração: ter um problema, estar cansado, ter bebido muito álcool. Tente abstrair-se de problemas, relaxar, não partir logo para a penetração mas demorar nas carícias, sentir o corpo da outra pessoa e o prazer e satisfação que lhe pode oferecer, descobrir as suas zonas erógenas preferidas… Apesar destas sugestões úteis, penso que deveria consultar um especialista, que lhe esclareça esta questão e lhe dê um apoio presencial, pois pode prevenir que este problema continue e o faça sentir-se cada vez pior consigo próprio e nas suas relações sexuais. Não tenha vergonha, a ejaculação precoce ou prematura é muito frequente em homens de muitas idades e tem tratamento.

Ela não aceita as rapidinhas

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"A minha vida sexual é bastante ativa, mas quando peço à minha namorada para darmos uma rapidinha, pois o meio envolvente não nos permite irmos mais longe ela nega-mo. Porque será?"

 

Caro leitor:

Nesta situação a lógica é bastante básica…o ser humano tem tendência a repetir aquilo que lhe dá prazer e a evitar o que lhe causa mal estar ou desconforto. Assim sendo, a sua namorada nega porque provavelmente uma rapidinha não é suficiente para lhe dar prazer, por isso ela não vai estar interessada em fazê-lo. O homem e a mulher são seres completamente diferentes no que diz respeito ao prazer sexual. A mulher necessita de tempo para estar totalmente excitada e lubrificada para que haja uma penetração sem dor e para que possa atingir o orgasmo, enquanto que o homem está pronto para a ocasião sem necessidade de grandes preparativos. Pergunte à sua namorada o que ela sugere que você faça para que ela também sinta prazer na rapidinha, pois não é justo que apenas você se divirta!!!!

“Custa-me penetrar a minha namorada em outras posições!”

  

 
“A minha namorada diz que lhe custa quando eu a tento penetrar noutras posições além da do missionário. Quando tentamos inovar ela diz que sente muitas dores durante a penetração.”
Tiago, Santarém
 
Caro Leitor,
Nem sempre a descoberta de novas posições sexuais se traduz em mais prazer para ambos os parceiros, pois algumas posições podem ser desconfortáveis, originando dores e mal-estar, o que parece ser o caso da sua namorada. Procurem experimentar posições novas, mas apenas depois da sua namorada estar bem lubrificada, desta forma ambos poderão aproveitar da melhor forma esse momento de entrega e partilha. Procurem ser cuidadosos nas posições que adoptam e se mesmo assim as dores persistirem não hesite em aconselhar a sua namorada a consultar um médico. Não percam essa vontade de continuar a dinamizar a vossa vida a dois.
 

Há risco de gravidez sem penetração?

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"Gostaria de saber quais as probabilidade de uma mulher engravidar apenas com o contato direto da vagina com o pénis, mesmo que não haja ejaculação nem penetração?"

Mariana - Vila Nova de Gaia

 

Cara leitora,

As probabilidades não são muito grandes de acontecer uma gravidez, apenas com o contato genital, mas pode acontecer, se o homem tiver já libertado líquido pré-ejaculatório (a lubrificação que sai antes da ejaculação) e se o contato entre os genitais for bastante direto, sem qualquer roupa nem proteção. Lembre-se que mesmo que a gravidez não aconteça as infeções sexualmente transmissíveis podem ser transmitidas numa situação como a que descreve, pelo que a proteção com o preservativo é desejável. 

 

“Não tenho lubrificação suficiente!”

 

Tenho 43 anos e sempre tive uma vida sexual ativa e feliz. No entanto, ultimamente quando faço amor noto que fico menos lubrificada, o que me causa dores e mal-estar. Não entendo por que aconteceu esta mudança, mas está a provocar-me um grande desconforto e constrangimento.”

 

Mariana, Queluz

 

Cara Leitora,

Esta dificuldade poderá ser causada por uma infeção vaginal que provoca dores durante a penetração e a redução da lubrificação. Por outro lado, existem alguns medicamentos que têm como efeitos secundários a redução da lubrificação e do desejo sexual. Uma outra hipótese a ter em consideração é o facto de estar num período pré-menopausa, onde poderá ocorrer uma alteração dos níveis hormonais que poderão justificar essa tendência, principalmente a níveis irregulares de estrogénio. Porém, de forma a dissipar todas as suas dúvidas a este respeito, aconselho a que consulte o seu ginecologista para que juntos encontrem a solução para o seu problema de forma a recuperar a satisfação e plenitude sexual.

A primeira vez!

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Iniciar a vida sexual é uma escolha individual. E essa decisão deve ser pensada e tomada com maturidade. A primeira relação sexual gera muitas dúvidas: Vai doer? Vai sangrar? É o momento certo? Não existe uma altura certa para estar preparado para iniciar a vida sexual. A primeira vez é sempre diferente de pessoa para pessoa.

 

A iniciação sexual, para a maioria das pessoas, é uma situação de ansiedade, acompanhada de excitação e medo. Ela pode representar o amor, mas pode, também, ser fonte de sentimentos de frustração e de desilusão. Ninguém esquece a primeira relação sexual, porque normalmente imaginamos uma coisa e criamos muitas expetativas de como vai ser esse momento, o que muitas vezes não corresponde à realidade.

 

Ser virgem significa nunca ter tido um contato sexual, para outros, significa nunca ter tido uma relação com penetração; outros ainda, atribuem o rompimento do hímen à perda da virgindade. Não existe portanto uma definição consensual do que é a virgindade.

O significado mais comum atribuído à virgindade tem a ver com a prática sexual, em que existe a penetração do pénis na vagina havendo o rompimento do hímen. Alguns hímenes rompem logo nas primeiras relações sexuais e provocam um sangramento, enquanto outros, por serem mais flexíveis, alargam e não sangram. Mas também se pode dar o caso de uma mulher não ter hímen, ter nascido sem ele

 

Mitos da virgindade

* O tampão não tira a virgindade;

* Quem se masturba não deixa de ser virgem, mesmo que a masturbação seja a dois;

* Se a rapariga/mulher não sangrar na primeira relação sexual não significa que ela não é virgem.   

 

A dor

Por outro lado, a primeira relação sexual não implica necessariamente dor. Os mitos acerca do rompimento do hímen, da penetração, são passados de boca em boca, de geração em geração. É claro que a precipitação, a falta de confiança, o medo e a ansiedade podem fazer com que os músculos da vagina fiquem mais contraídos e que não lubrifique tanto. Nestas circunstâncias, a relação sexual pode ser um pouco desconfortável. Quando um casal se sente preparado para ter uma relação sexual, quando sente que chegou o momento, quando dispõe de tempo, basta deixar crescer o desejo, relaxar e desfrutar da intimidade a dois. As carícias, os gestos ternos, as palavras ditas com carinho, afeto e cuidado podem ajudar a descontrair.   

 

A idade ideal

Não existe uma idade, uma hora ou um espaço indicado ou aconselhado. Para uma pessoa a idade certa pode ser uma, para a(o) outra pode ser diferente. Tudo depende dos sentimentos, do desejo, da segurança, do sentido de responsabilidade, da maturidade física e afetiva.

 

A sexualidade na asolescência

Para os pais que têm filhos numa fase de grandes mudanças, como é a adolescência, há que deixar os tabus para trás e abrir a mente. Em primeiro lugar, tenha em atenção que, embora não se deva considerar a melhor amiga do seu filho ou da sua filha, é em si que eles devem apoiar-se para esclarecer muitas das suas dúvidas, bem como resolver alguns problemas. Se nunca se mostrar disponível para o diálogo, então será nos amigos da mesma idade, que sabem tanto quanto eles sobre o assunto, que estes irão procurar informação sobre sexo, ou outros assuntos, que pouco ou nada se sentem à vontade para partilhar consigo.

 

Como muitos pais não se preparam para o início da vida sexual dos seus filhos adolescentes, estes acabam por se colocar em situações de risco, tais como: gravidez prematura, contacto com doenças sexualmente transmissíveis ou experiências sexuais desagradáveis. E não falamos apenas de países subdesenvolvidos! 

 

Tenha em conta que não é pelo facto de falar com o seu filho sobre sexo que este iniciará a sua vida a este nível levianamente. E para que isso não suceda explique-lhe que o sexo é algo bom e natural, mas tem um momento certo para acontecer, que temos que estar psicologicamente e fisicamente preparados. E se dúvidas houver, os especialistas dizem que meninos e meninas devem receber o mesmo tipo de orientações. Não podem existir preconceitos. O ideal é que seja o pai a dialogar com os filhos e a mãe a esclarecer as filhas.

 

O hímen é uma membrana de pele muito fina que existe um pouco depois da entrada da vagina. As suas características diferem de mulher para mulher em função do seu grau de elasticidade.

Ele tem o pénis muito grande e magoa-me!

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"Tenho 25 anos e comecei a namorar com um rapaz, mas ele tem um pénis muito grande, o que me causa dores durante o ato sexual. Não sei o que fazer, pois gosto muito dele."
Soraia - Vilamoura

 

Cara leitora,

Os casais que eu conheço que estão na mesma situação que a sua acabam por utilizar um gel lubrificante durante o ato sexual, bem como tentarem posições diferentes, que não magoem tanto. Pode também pedir para ele ter cuidado durante a penetração, e colocar a mão à volta do pénis para que este não a penetre de forma tão profunda. Converse com ele e experimentem algumas alternativas para ajudar a vossa relação, seguramente que com amor encontrarão formas de ajustarem a anatomia de um à do outro.

 

"Será impossível penetrar-me?"

 

“Eu e o meu namorado iniciámos recentemente a nossa vida sexual. O pior é que a minha vagina se contrai tanto que não conseguimos consumar o acto. Será impossível o meu namorado penetrar-me? É normal isto acontecer?”

 

Ana, Alcobaça

 

Cara Leitora,

Se ainda é virgem esta situação pode ser causada pela resistência do hímen, e nesse caso será necessária ajuda do médico ginecologista. Por outro lado, aquilo que está a sentir pode estar ligado a um problema de disfunção sexual, chamada vaginismo. Esta disfunção sexual feminina pode afectar tanto as mulheres virgens como as mulheres com alguma experiência sexual. Existem várias causas para este problema, quer sejam físicas quer psicológicas. Geralmente, o que se verifica são espasmos musculares involuntários da vagina que tornam a penetração dolorosa e, por consequência, a dor aumenta a ansiedade e pode levar a uma situação muito penosa, em termos emocionais para a mulher, impedindo por completo a penetração. Este problema pode surgir devido a uma grande variedade de razões. No entanto, a situação que descreve pode estar ainda relacionada com outro tipo de disfunção sexual chamado Dispareunia, que consiste na existência de um excessivo número de nervos sensitivos na entrada da vagina fazendo com que sinta muito mais dor na entrada da vagina do que as outras mulheres. A única forma de resolver esse problema é através de cirurgia. Também pode dar-se o caso de ter uma irritação das paredes da vagina devido a alergia a determinados produtos como sabonetes e tampões. Deve consultar um ginecologista especializado, pois esta condição deve ser tratada através de medicação ou intervenção cirúrgica. Evidentemente que todo este processo pode levar algum tempo, pelo que a compreensão e o apoio do seu namorado serão de extrema importância para a resolução deste problema.

 

Não conseguir penetração

 

 

Tenho 31 anos, e nunca tive uma vida sexual muito activa. Mas a ultima relação sexual que tive foi com uma pessoa que amava muito, mas não consegui satisfazer o meu ex companheiro, não consegui ser penetrada, tenho bastantes dores, mas acho que é um problema psicológico meu porque não relaxo. Mas isso está-me a prejudicar bastante. É que agora estava  a começar um relacionamento e parece que tenho trauma de ter relações, envolvo-me bastante e tenho desejo de continuar mas de repente (parece que se passa algo) e paro e o meu companheiro não entende porque faço isso. Acho que é um problema que não consigo resolver.

Gostava que me ajudassem a suportar este problema e perguntar se devo procurar ajuda clínica ou psicológica.
Patrícia

 

Cara Patrícia,

 

 

O seu caso pode ser de uma perturbação sexual feminina, mas tal diagnóstico só pode ser feito numa consulta presencial e com avaliação fisiológica médica e sexológica. Existem duas perturbações sexuais femininas da dor: o vaginismo e a dispareunia. Estes problemas acontecem a muitas mulheres e não deve deixar de tentar viver a sua sexualidade por isto lhe acontecer, nem sentir-se culpada. Deve procurar ajuda especializada para esclarecer se as suas dificuldades são psicológicas ou fisiológicas e reflectir sobre um tratamento adequado.

Por enquanto podem explorar outras formas de ter relações sexuais, não só através da penetração… Explorem as massagens, as carícias, a masturbação mútua (pode começar sozinha para descobrir como gosta de ser tocada e o que lhe dá mais prazer), o sexo oral, os brinquedos eróticos… Usem a vossa imaginação para reinventarem a vossa sexualidade sem limites!