Saltar para: Posts [1], Pesquisa [2]

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Dores nos testículos

 

Até há uns meses atrás tudo corria bem com o meu funcionamento sexual, certo dia aleijei-me no testículo esquerdo e na altura senti uma grande dor. Passou durante algumas horas mas depois voltou a doer.

 Estas dores são muito fortes e apareciam frequentemente durante o dia.

 

Alguns dias depois quando estava a masturbar-me reparei que a erecção não era muito forte, não fiquei muito preocupado, o pior foi quando cheguei ao orgasmo e ejaculei reparei que a quantidade de esperma era bastante reduzida e ainda fiquei mais preocupado. Cerca de 2 dias depois, queria-me masturbar, não conseguia de nenhuma maneira obter uma erecção.

Pensei recorrer a um médico mas resolvi esperar. Passou-se cerca de uma semana e já conseguia dificilmente obter uma erecção mas quando ejaculava não saia nada.
Passados quase 4 meses voltou quase tudo ao normal. Consigo obter uma erecção apesar de parecer que não conseguir ter uma erecção completa ou não tão forte como era, e quando ejaculo sinto uma sensação esquisita que não existia antes e que não sei bem explicar.
Com isto não sei se se passará algo de errado e se deveria consultar um médico. Não sei se o urologista é o indicado.


Martinho, Porto

 

Caro leitor,

Penso que deve consultar um médico, seja urologista diretamente, seja um recomendado pelo seu médico de família. Só ele lhe poderá fazer um diagnóstico diferencial e determinar se o seu problema é fisiológico ou psicológico.

Da minha parte, penso que a dor que sentiu pode ter desenvolvido em si um medo exagerado de sofrer consequências ao nível sexual e, como tal, entrou num ciclo vicioso de observação atenta do seu pénis e da resposta sexual que ele fazia, a um ponto que a sua atenção deixou de estar focada no prazer sexual, mas sim na performance, no seu desempenho.

Este ciclo faz com que o próprio corpo não responda da melhor maneira, pois sente-se avaliado, observado e daí que sinta ereções menos fortes e sensações esquisitas na ejaculação.

Esclareça com o médico se ficou com sequelas no testículo ou no aparelho reprodutor e tente não ser observador de si próprio.

Entregue-se às suas fantasias sexuais e deixe-se levar pelo prazer da masturbação, sem se desviar para pormenores técnicos da sua resposta sexual – verá que a sua resposta sexual vai melhorar.

 

“A sua maior fantasia sexual é usar vibradores!”

“Tenho uma namorada que é bastante imaginativa a nível sexual e ultimamente ela tem-me pedido para realizar a sua maior fantasia sexual, que é utilizar um vibrador quando fazemos amor. Eu não sei como reagir!”

 

Nuno, Porto

 

Caro leitor,

Apesar de não ser de conhecimento comum, muitas pessoas utilizam vibradores como forma de atingir prazer sexual, quer nas práticas sexuais com os seus companheiros quer nos momentos solitários. Se essa é uma fantasia da sua namorada tente ser mais arrojado e aventureiro e experimente satisfazer o desejo dela. Sugiro que ambos visitem uma sex Shop, que escolham um vibrador que agrade a ambos e que o experimentem em conjunto. Esta experiência vai fortalecer a vossa relação e aumentar a vossa intimidade. Se depois de experimentar verificar que não gostou da prática sexual converse com a sua namorada de forma carinhosa a descubra outras formas de a satisfazer sexualmente, que agradem a ambos.  

 

Disfunções sexuais

how_to_help_him_cope_with_erectile_dysfunction_ed.

 

Não existem dúvidas, o seu prazer sexual pode ser afetado por diversas disfunções sexuais, que podem causar dor ou algum sofrimento psicológico.

Muitas mulheres, passam uma vida inteira a pensar que o seu desempenho na intimidade é fraco ou diferente, mas aquilo que não entendem é que as suas respostas aos estímulos sexuais podem não ser mais melhores, simplesmente porque sofrem de um problema físico ou psicológico, que pode ser perfeitamente tratado.

Vaginismo, dispareunia, anorgasmia ou desejo sexual hipoativo são alguns dos problemas que se podem manifestar na mulher. Para resolvê-los basta que procure a resolução para eles, junto de algum terapeuta sexual ou do seu ginecologista.

 

Os mais usuais:

Desejo sexual hipoativo (falta de prazer no ato sexual): Não existe ou diminui o desejo e as fantasias sexuais.

Aversão sexual (fobia no ato sexual): Existem sentimentos de repulsa pelo parceiro, na intimidade, acompanhados de alguma ansiedade e medo.

Transtorno de excitação (frigidez): Existe uma capacidade quase permanente de manter a lubrificação vaginal até ao final do ato sexual. A mulher tem também falta de excitação.

Anorgasmia (inibição do orgasmo): Mesmo após um estímulo sexual adequado, a mulher pode não conseguir atingir o orgasmo.

Dispareunia: É a dor genital que a mulher sente durante um ato sexual, desde que não existam outros fatores como nódulos ou infeções.

Vaginismo: Quando existe uma contração permanente dos músculos da vagina que impedem a penetração pelo pénis.

Disfunção sexual devido a uma condição médica: Quando existem outras doenças, como por exemplo a diabetes que fazem com que o desejo sexual diminua.

Disfunção sexual induzida por substâncias: Quando existe diminuição do desejo sexual devido à ingestão de algumas substâncias orgânicas, como por exemplo, antidepressivos.

Ele é pouco experiente…

Raving-couple1.jpg

 

"Tenho 30 anos e namoro com um rapaz 5 anos mais novo do que eu. Há pouco tempo iniciámos a vida sexual, no entanto ele é pouco experiente e não consegue dar-me total satisfação. O que devo fazer nesta situação?"

 Simone - Faro

 

Cara leitora,

Para que possa resolver esta questão sugiro que, numa fase inicial, opte por falar com o seu namorado e, de uma forma delicada, lhe dê a entender que necessitam de conhecer melhor a sexualidade de cada um para que possam proporcionar momentos de prazer e satisfação um ao outro. Experimente sugerir o jogo de descoberta do corpo, no qual cada parceiro estimula o corpo do outro parceiro ao mesmo tempo que este explica como gosta de ser tocado. Desta forma podem conhecer os pontos sensíveis de cada um e esta poderá ser uma excelente maneira de ultrapassar o obstáculo que tem enfrentado. Toda esta aprendizagem é benéfica para ambos e, assim, podem ter mais prazer sexual com o avançar do tempo.

“Quero fazer amor com dois homens”

“Tenho namorado, no entanto, de há uns tempos para cá, não consigo deixar de pensar em fazer amor com dois homens ao mesmo tempo. Sei que o meu namorado nunca iria concordar, mas não consigo deixar de pensar nesta minha fantasia…”

Sara, Moscavide

 

Cara Leitora,

Fantasiar sobre os mais variados cenários sexuais é perfeitamente normal, sendo a sua fantasia comum nas mulheres. O único problema é quando as fantasias começam a interferir na relação do casal, o que parece ser o seu caso, visto que não consegue deixar de pensar em fazer amor com dois homens ao mesmo tempo. As fantasias podem ser bastante divertidas, mas lembre-se que nem sempre devem ser passadas à prática pois podem ter repercussões bastante sérias não valendo a pena os problemas que podem vir a causar. Segundo nos disse, o seu namorado não iria concordar com essa prática, por isso, se gosta realmente dele, não tenha nenhuma atitude que possa prejudicar a vossa relação. Lembre-se que a realidade pode ser bastante diferente da fantasia!

“Tenho muitas dores ao fazer amor!”

“Não sei o que se passa comigo, mas de um momento para o outro comecei a ter imensas dores durante o ato sexual. Receio desiludir o meu marido, pois sinto que estou a atrapalhá-lo. O que se passa?”

 

Carla, Beja

 

Cara Leitora,

Tendo em conta que começou a sentir esse desconforto repentinamente, talvez se trate de uma infeção vaginal. Porém, seja o que for, a melhor atitude a tomar será consultar um médico o quanto antes, pois poderá estar a sofrer desnecessariamente bem como poderá colocar a saúde do seu marido em risco. Consulte urgentemente um médico ginecologista, pois neste caso só ele poderá ajudá-la a detetar o que se passa consigo, fazer a despistagem e aconselhar um tratamento. Por vezes as infeções originam a falta de lubrificação, o que provoca um enorme desconforto sexual e, consequentemente, dores insuportáveis.

Em relação à sua preocupação no que diz respeito ao bem-estar sexual do seu marido, converse com ele, pedindo para que ele seja compreensivo, pois, para o bem de ambos, irá consultar um médico e enquanto não souber a causa dessas dores o melhor será suspender a atividade sexual. 

“Sinto dores no clítoris…”

“De há algum tempo para cá noto que depois de fazer amor sinto dores e comichão muito forte no clítoris, e de cada vez que o meu namorado me toca, ao de leve que seja, temos logo de parar. Por vezes até o roçar da roupa interior me causa desconforto. Gostava de saber se isto é normal e como posso resolver o problema, pois está a interferir com a minha vida sexual.”

 

Tânia, Santarém

 

Cara leitora,

De facto, quando o clítoris está bem qualquer toque nesta área pode trazer um enorme prazer mas se, pelo contrário, se passa algo de errado com esta zona os toques podem ser extremamente dolorosos, por ser tão sensível. O clítoris compõe-se por três partes, a “cabeça”, que consiste numa pequena bolinha eréctil, localizada mesmo acima da abertura da uretra e por baixo do osso púbico, que pode ser visível consoante a anatomia da mulher e o seu estado de excitação, uma parte que se estreita e que vai dessa “cabeça” até ao interior do corpo, onde recebe os sinais nervosos que provocam a excitação, e um tecido que cobre a zona, nos lábios superiores, e que protege o clítoris, produzindo um fluido lubrificante quando a mulher está excitada. Quando esse fluido se acumula em excesso torna-se num líquido branco leitoso, que se não for removido através da lavagem pode “endurecer” em pequenos grânulos, os quais por sua vez provocam irritação na pele sensível envolvente, provocando dor mesmo apenas com o contacto da roupa. Embora a higiene depois de fazer amor possa resolver o problema, certas mulheres têm o canal que liga o clítoris ao interior do corpo mais estreito, dificultando a lavagem, pelo que pode experimentar submergir esta zona durante alguns minutos, usando o bidé, e mover a pele cuidadosamente, afastando os tecidos, lavando com cuidado com um produto aconselhado pelo ginecologista.

 

Violência como forma de atingir o orgasmo

o-SADOMASOCHISM-facebook.jpg

 

"De há uns tempos para cá a única forma de o meu parceiro atingir o clímax é se eu lhe bater durante a penetração. Será que é normal?"

 Cátia - Funchal

 

Cara leitora,

Existem inúmeras formas do homem conseguir atingir o prazer sexual e, no caso do seu parceiro, o facto da leitora demonstrar violência é a forma ideal de o estimular sexualmente. Durante os preliminares, existem pequenos toques e gestos que são fundamentais para causar a excitação e que podem viabilizar o prazer. Contudo, existe a diferença entre experiências sexuais para atingir o clímax e situações de dependência de uma determinada situação para atingir o orgasmo. Se o seu parceiro se encontra nesta última situação, será indispensável procurar a ajuda de um especialista que o poderá ajudar a perceber essa necessidade e definir estratégias que o ajudem a superar essa situação.

“A vagina da minha namorada é pequena”

 

“Iniciei há pouco tempo a ter relações com a minha namorada e normalmente a penetração é dolorosa. Será que a vagina da minha namorada é muito pequena? O que deverei fazer? ”

Pedro, Aveiro

 

 

Caro Leitor:

Quando se inicia a actividade sexual é normal que isso aconteça. A sua namorada está nervosa o que pode provocar tensão dos músculos da vagina, e falta de lubrificação adequada. Aconselho-o a dedicar mais tempo e atenção aos preliminares e só tentar a penetração quando a sua namorada lhe disser que está preparada para isso. Experimente também utilizar um lubrificante para facilitar a penetração o que além de ser divertido fará com que a sua namorada se sinta menos tensa. Não pressione a sua namorada e adopte a posição na qual ela se sente mais confortável.

 

“Sofro de ejaculação precoce, o que posso fazer?”

 

“Tenho 26 anos e sou extremamente ansioso e nervoso. Tenho constantemente ejaculações precoces o que tem dificultado a minha actividade sexual. Gostaria então de saber o que é aconselhável no meu caso. Gostaria que me indicasse onde poderei ser tratado, já que não conheço clínicas para o efeito.”
 
Pedro, Braga
 
 
Caro leitor,
não se auto-diagnostique sem consultar um especialista – isso é muito duro para si mesmo, e pode simplesmente ter dificuldades em manter a erecção tanto tempo como desejaria ou imagina ser necessário para uma relação sexual satisfatória. Seja realista na sua apreciação do tempo de ejaculação: uma relação sexual de penetração não dura tanto como se diz. Um estudo recente (da equipa de Eric Corty da Universidade de Penn State, que saiu no Journal of Sexual Medicine) refere que uma relação sexual ideal dura entre 3 e 13 minutos. Claro que se se sente insatisfeito com o tempo que dura a sua ejaculação, tem razões para procurar ajuda.
Se é uma pessoa ansiosa por natureza, tente abstrair-se de problemas, relaxar, não partir logo para a penetração mas demorar-se nas carícias, em sentir o corpo da outra pessoa e o prazer e satisfação que lhe pode oferecer, em descobrir as suas zonas erógenas preferidas…
Experimente um produto retardante em pomada, que pode ser comprado numa sex-shop, para colocar na glande e fazê-lo perder um pouco a sensibilidade peniana. Pode também colocar um preservativo e tentar a masturbação com ele, antes de o colocar na relação sexual (pode inibi-lo e assim tem tempo de treinar sozinho até se sentir à vontade).
Se estas sugestões não funcionarem, tente a técnica dos terapeutas sexuais – o squeeze – que consiste em parar a estimulação sexual e apertar a base ou freio do pénis com três dedos (polegar, indicador e dedo médio) antes da ejaculação e por 3 a 4 segundos, o que parará a ejaculação e causará uma redução da erecção. Continue a estimulação e excitação mútua para voltar a recuperar a erecção. Esta técnica deve ser repetida 3 vezes ate permitir a ejaculação. E normal que nas primeiras vezes não seja bem sucedido em conseguir parar a estimulação antes de ejacular, mas deve continuar a tentar. Demora em média 3 semanas, fazendo o exercício 3 ou 4 vezes por dia até que se notem os resultados. Esta técnica pode parecer difícil de executar, pelo que a ajuda de um técnico especializado em sexologia pode ser útil. Não deve ter medo de recuperar a erecção, como refere, pois esse medo em antecipação é que o deve estar a impedir de a recuperar. É ter tranquilidade e não ser observador da sua relação, mas estar presente a sentir todo o prazer possível. Pode ainda masturbar-se até atingir o orgasmo e a ejaculação umas horas antes da relação sexual (ou na própria relação sexual), para que na próxima penetração o tempo desta seja mais duradouro.
Apesar destas sugestões úteis, penso que deveria consultar um especialista, que lhe esclareça esta questão e lhe dê um apoio presencial, pois pode prevenir que este problema continue e o faça sentir-se cada vez pior consigo próprio e nas suas relações sexuais. Não tenha vergonha, a ejaculação precoce ou prematura é muito frequente em homens de muitas idades e tem tratamento.