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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Ele gostava que eu falasse mas eu não sei o que dizer!”

“Comecei uma nova relação há um mês e sinto-me muito envolvida pelo meu namorado, mas ele é mais atrevido do que eu. Quando fazemos amor ele já me disse que se excita com palavras picantes, mas eu fico bloqueada e não sei o que dizer!”

Catarina, Seixal

Cara leitora,

Não há limites para o erotismo, pois o segredo para o sucesso de qualquer relação íntima consiste na partilha e na comunicação sincera, algo que parece estar a falhar no seu caso, pois como ainda não conhece muito bem o seu namorado tem vergonha de lhe dizer abertamente o que sente. Embora o facto de falar durante o sexo possa ser extremamente erótico para algumas pessoas, para outras não surte qualquer efeito ou tem precisamente o efeito de arrefecer o clima do momento. Assim, seja sincera com o seu par e diga-lhe que prefere estar em silêncio, ou então, quando estiverem a fazer amor, evite pensar no que vai dizer, deixando-se simplesmente levar pela intensidade, soltando gemidos, palavras ou sussurros, conforme sentir vontade. Aquilo que é dito depende também muito do casal, enquanto alguns casais preferem elogios lânguidos, sussurrados com voz suave, tais como “os teus olhos são tão profundos” ou “Fazes-me sentir tão bem”, outros são capazes de descrever cenários afrodisíacos ao parceiro e outros, ainda, preferem abordagens diretas, imperativas, tais como “quero-te!”. É importante, pois, conhecer aquilo que ambos gostam, o que vos excita, pois a linguagem verbal durante o sexo, tal como qualquer outra, deve aproximar-vos, e não o contrário. Experimente diversas abordagens e sinta o que a excita mais a si e ao seu par. 

“Quero fazer amor com dois homens”

“Tenho namorado, no entanto, de há uns tempos para cá, não consigo deixar de pensar em fazer amor com dois homens ao mesmo tempo. Sei que o meu namorado nunca iria concordar, mas não consigo deixar de pensar nesta minha fantasia…”

Sara, Moscavide

 

Cara Leitora,

Fantasiar sobre os mais variados cenários sexuais é perfeitamente normal, sendo a sua fantasia comum nas mulheres. O único problema é quando as fantasias começam a interferir na relação do casal, o que parece ser o seu caso, visto que não consegue deixar de pensar em fazer amor com dois homens ao mesmo tempo. As fantasias podem ser bastante divertidas, mas lembre-se que nem sempre devem ser passadas à prática pois podem ter repercussões bastante sérias não valendo a pena os problemas que podem vir a causar. Segundo nos disse, o seu namorado não iria concordar com essa prática, por isso, se gosta realmente dele, não tenha nenhuma atitude que possa prejudicar a vossa relação. Lembre-se que a realidade pode ser bastante diferente da fantasia!

“Demoro muito a ejacular…”

 

Tenho 28 anos e demoro muito tempo a ejacular. Gostaria de saber se é normal, acontece apenas de vez em quando, mas é preocupante pois ainda sou muito novo para ter problemas de ejaculação! Sinto-me constrangido pois às vezes a minha namorada perde a lubrificação com a minha demora.”

 

Cláudio, Porto

 

Caro leitor,

O tempo da ejaculação depende de homem para homem e da pessoa com quem está a ter relações sexuais – o que é lento e demorado para uns pode ser curto e rápido para outros. Saiba que uma relação sexual, desde o momento da penetração até à ejaculação e sem contar com os preliminares, dura para a maioria dos casais de 3 a 13 minutos. Conversas públicas muitas vezes criam-nos expectativas irrealistas e podem deixar-nos insatisfeitos com situações perfeitamente normais.

Existe uma perturbação sexual chamada ejaculação retardada, em que o homem sente bastantes dificuldades em ejacular, mas tal deve ser diagnosticado em consultas presenciais e por especialistas em sexologia. Algumas causas desta perturbação podem ser medicamentos que esteja a tomar (como por exemplo alguns anti-depressivos), por isso se for esse o seu caso, consulte o seu médico e explorem a possibilidade de alterar a medicação ou a sua dose. Procurem experimentar novas formas de viver a relação sexual: juntar lubrificante (há de vários tipos, que aumentam a circulação sanguínea, líquidos, pomadas, com diferentes aromas…), ter o orgasmo com masturbação em vez da penetração vaginal, sexo oral, e mesmo a utilização de um vibrador para ajudar a estimular e atingir o orgasmo mais rapidamente - falem um com o outro sobre questões que vos preocupem e possam interferir com o prazer de estarem juntos.

Não tenho lubrificação suficiente para ter relações sexuais

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"Sou casada há 5 anos e a melhor coisa que tenho na vida é a relação que tenho com o meu marido. Ultimamente tenho tido problemas sérios no trabalho e acho que se estão a transbordar também para casa. Chego cansada, não me apetece conversar com ele e quando tentamos fazer amor não tenho lubrificação suficiente. O que se passa comigo? Não quero perder a melhor coisa que tenho e começo a ficar assustada".

Sara - Amadora

 

Cara leitora,

Como descreve que tem problemas sérios no trabalho é natural que estes se reflitam no seu estado de humor em casa igualmente e na sua maneira de viver as relações sexuais. Se forem passageiros, tente ter paciência e dar tempo ao tempo para que passem. Se previr que se manterão por muito tempo, então deve encontrar modos saudáveis para si de lidar com eles, de os aceitar e de conseguir abstrair-se deles (pelo menos em casa e noutros contextos), ou mesmo de considerar a procura e mudança de trabalho.

A lubrificação vaginal é um sinal de excitação, mas pode sofrer influências do modo como se sente, pelo que pode experimentar utilizar lubrificantes líquidos, em pomadas, comprados em sex-shops, farmácias ou mesmo supermercados. Não a ter ou perdê-la não significa que não esteja a gozar a relação sexual e deve comunicar com o parceiro se desejar uma fase mais longa de preliminares.

Comuniquem sobre as coisas que a preocupam, mas dedique-lhes um tempo limitado (por exemplo, meia hora diária depois de chegar do trabalho e não mais do que isso), para que consiga aproveitar o tempo e recuperar as suas forças no seu tempo livre.

Boa sorte!

Ejaculo com muita rapidez

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"Quando tenho relações sexuais ejaculo muito rapidamente e não tenho a mesma reação sexual que tinha dantes. Isto aconteceu de um momento para o outro, mas tenho apenas 28 anos, o que me deixa muito assustado."

Manuel - Faro

 

Caro leitor,

Os problemas sexuais podem surgir repentinamente, depois de uma experiência que correu mal e que ficou marcada na memória. A ansiedade de antecipar o que pode voltar a acontecer pode levar a que aconteça o mesmo, pois está preocupado e menos dedicado a sentir prazer. Por outro lado, outros fatores podem influenciar a sua capacidade de ter relações sexuais e a penetração: ter um problema, estar cansado, ter bebido muito álcool. Tente abstrair-se de problemas, relaxar, não partir logo para a penetração mas demorar nas carícias, sentir o corpo da outra pessoa e o prazer e satisfação que lhe pode oferecer, descobrir as suas zonas erógenas preferidas… Apesar destas sugestões úteis, penso que deveria consultar um especialista, que lhe esclareça esta questão e lhe dê um apoio presencial, pois pode prevenir que este problema continue e o faça sentir-se cada vez pior consigo próprio e nas suas relações sexuais. Não tenha vergonha, a ejaculação precoce ou prematura é muito frequente em homens de muitas idades e tem tratamento.

“Tive um bebé e não me apetece ter relações sexuais…”

 

“Tenho 33 anos e fui mãe há 3 meses da minha primeira filha. Apesar de estar tudo bem comigo e com a bebé, deixei de ter qualquer vontade de ter relações sexuais. Embora o meu marido tenha sido muito compreensivo comigo sinto que já está a perder a paciência, mas esquivo-me de cada vez que ele tenta fazer amor comigo. É normal isto suceder? Será por estar a amamentar? O que posso fazer para evitar que suceda? Estou encantada com a minha filha mas não quero perder o meu marido.”

 

Teresa, Montijo

 

 

Cara leitora,

A sua situação não é fora do comum, especialmente para mães que estão a amamentar. Devido a estar a dar de mamar à sua filha, o seu corpo está constantemente a produzir oxitocina, que é uma hormona produzida também durante o acto sexual. Uma vez que o seu organismo já tem uma grande quantidade dessa hormona devido ao facto de estar a amamentar, é natural que o seu corpo não sinta necessidade de ter relações sexuais, e por isso nota em si uma ausência de desejo sexual. Uma vez que a sua filha comece a comer outro tipo de alimentos e deixe de mamar, você notará que o seu desejo vai voltar. Se, nessa altura, tal não acontecer é aconselhável que consulte o seu médico. Entretanto converse com o seu parceiro para que ele esteja a par do que se está a passar consigo, e para que possa perceber que não se trata de o estar a rejeitar ou de já não querer fazer amor com ele, mas sim de uma alteração hormonal.

 

“Será que não consigo satisfazer a minha parceira?”

“Tenho 50 anos e estou com a minha parceira há 20 anos. Algumas vezes, depois de fazermos amor ela diz, em tom de riso, que já não sou como antes. Isso deixa-me bastante preocupada pois acho que já não consigo satisfazê-la e isso angustia-me. ”

  

Vera, Lagos

 

Cara leitora,

O facto de a sua parceira fazer esse tipo de comentário significa que algo mudou na vossa relação e é importante que ambas conversem acerca desse assunto. Apenas a comunicação aberta entre ambas poderá resolver esse problema. Converse com a sua companheira, de forma a tentar descobrir o que ela quer dizer com esse comentário e o que a leitora pode fazer de diferente para resolver a situação. Não se sinta desanimada, pois é natural que o seu corpo e as vossas práticas sexuais se tenham alterado durante os 20 anos que já partilharam. Tente ser imaginativa e quebrar a rotina de forma a surpreender a sua companheira da próxima vez que fizerem amor

 

“A vagina dá mais prazer que o clítoris?”

“Noutro dia eu e as minhas amigas estávamos a falar sobre a nossa vida sexual e uma delas disse que sente mais prazer quando o namorado lhe toca na vagina sente mais prazer do que com a estimulação do clítoris. É possível? Pensava que o prazer da mulher se concentrava no clítoris…”

 

Susana, Barcelos

 

Cara leitora,

Embora as sensações que produzem sejam diferentes, tanto o clítoris como a vagina propiciam prazer à mulher. Cada mulher é um ser humano único, e que vive o prazer de forma diferente e única também. O que dá muito prazer a uma mulher pode não provocar qualquer sensação a outra. Por essa razão, conhecer bem o próprio corpo é essencial para poder descobrir aquilo que lhe dá prazer a si e para que, dessa forma, o possa transmitir ao seu companheiro. Em primeiro lugar, há que compreender a diferença entre o prazer e a sensibilidade. Embora existam muitas áreas sensíveis ao longo do corpo, não quer dizer que todas elas proporcionem prazer. As zonas erógenas, que o provocam, estão associadas a terminações nervosas. O clítoris contém inúmeras terminações nervosas, provocando intensas sensações de prazer quando é estimulado. Embora seja menos comum, há muitas mulheres que também sentem muito prazer pela estimulação da vagina, pois também contém muitas terminações nervosas. A estimulação da vagina e do clítoris em simultâneo pode provocar inesperadas ondas de prazer!

“Tenho muitas dores ao fazer amor!”

“Não sei o que se passa comigo, mas de um momento para o outro comecei a ter imensas dores durante o ato sexual. Receio desiludir o meu marido, pois sinto que estou a atrapalhá-lo. O que se passa?”

 

Carla, Beja

 

Cara Leitora,

Tendo em conta que começou a sentir esse desconforto repentinamente, talvez se trate de uma infeção vaginal. Porém, seja o que for, a melhor atitude a tomar será consultar um médico o quanto antes, pois poderá estar a sofrer desnecessariamente bem como poderá colocar a saúde do seu marido em risco. Consulte urgentemente um médico ginecologista, pois neste caso só ele poderá ajudá-la a detetar o que se passa consigo, fazer a despistagem e aconselhar um tratamento. Por vezes as infeções originam a falta de lubrificação, o que provoca um enorme desconforto sexual e, consequentemente, dores insuportáveis.

Em relação à sua preocupação no que diz respeito ao bem-estar sexual do seu marido, converse com ele, pedindo para que ele seja compreensivo, pois, para o bem de ambos, irá consultar um médico e enquanto não souber a causa dessas dores o melhor será suspender a atividade sexual. 

“Não consigo perder os meus complexos…”

 

“Tive uma educação muito rígida em relação a sexualidade, e acho que a minha educação nunca me permitiu ultrapassar certos medos e complexos em relação ao sexo. O que posso fazer agora para mudar essa situação?”

 

Marta, Odivelas

Cara Leitora,

A repressão dos desejos e o stress resultante de uma educação rígida podem fazer com que a mulher desenvolva não só grandes desequilíbrios afetivo-emocionais como frustrações que a podem acompanhar para o resto da sua vida. Em relação à educação sexual da mulher, existe o mito de que a mulher terá de ser passiva promovendo, desta forma, a culpabilização dos desejos e dos prazeres sexuais da mulher em relação ao homem. A mulher deve mostrar, única e simplesmente, os sentimentos desde que estes não sejam transmitidos através das suas reações corporais. Ainda hoje, o conceito de prazer não é associado aos conceitos básicos de autoestima e de autoconceito, que fazem com que haja uma realização da mulher que a possa equiparar com o homem. Este tipo de educação sexual mais rígida pode produzir aquilo Transtornos do Desejo, sendo um dos tipos de Disfunções Sexuais, em que as causas psicológicas e fisiológicas estão interligadas. O acompanhamento de um terapeuta poderá ajudá-la a libertar-se desses bloqueios.