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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Quando estou com o meu namorado, não consigo ser eu mesma!”

“Nunca gostei de compromissos e sempre tive casos de uma noite ou de pequena duração, meramente sexuais e com os quais me sentia satisfeita. No entanto, conheci um homem por quem me apaixonei e com quem namoro há 6 meses, mas está a acontecer-me algo muito estranho e que me incomoda: não consigo mostrar ao meu namorado o meu lado selvagem da mesma forma que o faço com alguém com quem passo apenas uma noite, pois tenho medo que ele pense que sou muito experiente e não queira estar comigo.”

Maria, Porto

 

Cara leitora,

É normal que, quando inicia uma relação estável, se preocupe mais com o que o seu parceiro pensa acerca de si, mas daí a pensar que por ser uma amante fogosa ele vai pensar que tem muita experiência e não vai querer estar consigo é exagero. Não é por ter tido uma vida sexual mais “vivida” que agora não amará com toda a sinceridade o seu par, e além disso acho que são poucos os homens que vão reclamar por ter uma namorada fogosa. Pode-se dar o caso de a leitora estar a projetar no seu namorado aquilo que realmente sente em relação a si mesma. Se for esse o caso, aconselho-a a procurar um psicólogo para resolver o que está por detrás desse comportamento. Aceite a sua sexualidade sem preconceitos, pois nunca se sentirá completamente feliz numa relação na qual não está a ser autêntica. Vença o receio da intimidade e permita que o amor traga uma nova dimensão à sua própria sexualidade.

 

“Não atingimos o prazer como antigamente.”

Bored-couple-sitting-on-sofa-not-looking-at-each-other - Heartnsoul Matters “Acho que deve ser uma crise passageira, mas neste momento eu e o meu namorado não conseguimos atingir o prazer como antigamente. A nossa relação está a tornar-se monótona. É normal isto acontecer? O que posso fazer para o evitar?”

Rita, Coruche

Cara leitora,

É perfeitamente legítimo esse tipo de observação. Porém cabe-lhe a si fazer alguma coisa para alterar esse enquadramento. É muito importante que a Rita e o seu namorado conversem sobre este assunto para tentar contornar esta situação e dar uma vida nova à vossa relação. Como em tudo na vida, ninguém nasce ensinado e a sexualidade não é exceção. Já pensaram variar um pouco as posições sexuais? Conhecer melhor o corpo de cada um, de modo a despertar um maior interesse? Desvendar melhor o campo da sexualidade? Já pensaram nas inúmeras surpresas que poderão ter? Não se iniba e converse serenamente com o seu namorado sobre esta situação. Contudo, não deixe transparecer que ele não tem um bom desempenho sexual. A sexualidade deve ser vivida em comum acordo e de uma forma espontânea, sem se estar unicamente preocupado com o resultado final, isto é, o orgasmo.

“Ele trabalha demais!”

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“O meu marido é responsável pela gestão de uma empresa, o que faz com que se dedique inteiramente à carreira profissional e nem queira ouvir falar em ter filhos. Ele trabalha demais e eu já não sei como lidar com a situação.”

 

Joana, Espinho

 

Cara leitora,

As exigências da sociedade actual fazem com que muitas pessoas alterem a sua rotina diária favorecendo a vida profissional em detrimento da vida familiar, verificando-se, então, uma mudança nos padrões sociais inicialmente estipulados. Hoje em dia, algumas pessoas escolhem abdicar do desempenho do papel de pais em favor do prestígio e êxito profissional. Porém, apesar de o seu marido pensar assim, parece que a leitora discorda deste tipo de vida, gostaria que o seu marido trabalhasse menos horas e que constituíssem família. Nesse sentido, aconselho-a a ter uma conversa séria e frontal com o seu marido, dizendo que respeita a sua postura, mas que para si também seria muito importante ter uma família para lhe dar o seu amor e carinho. É fundamental que cheguem a um consenso que promova o equilíbrio e a felicidade do casal.

 

“Perdi o interesse no sexo…”

How Your Relationship Can Survive The Winter | Dr. Karen Sherman | YourTango“Antigamente as minhas relações sexuais duravam duas a três horas e nunca tive problemas mas de há uns tempos para cá perdi o interesse no sexo. Tenho uma namorada maravilhosa mas parece que perdi o interesse nela, tenho sentido muitas saudades da minha ex-namorada, de quem me separei já há um ano. Estou com receio de ter uma depressão. O que se passa comigo?”

 

Tiago, Abrantes

 

Cara leitora,

O facto de estar a aperceber-se conscientemente daquilo que mudou na sua vida é o primeiro passo para encontrar uma solução. Nesse sentido, o acompanhamento de um psicoterapeuta pode avaliar consigo o seu caso e ajudá-lo a compreender melhor o que se passa, devendo fazê-lo para evitar uma depressão, conforme receia. Ainda assim, a situação que descreve parece ter a ver com motivos psicológicos, visto que indica ter perdido o interesse na sua atual namorada e ter saudades da sua anterior relação. Convém compreender se, de facto, ainda tem sentimentos pela sua anterior namorada, o que faz com que deixe de sentir interesse na relação sexual com a sua namorada atual, ou se, pelo contrário, é algo que na sua vida o deixa insatisfeito e, como sente que não está a corresponder às expetativas da sua namorada atual, deseja evadir-se dessa situação, regressando a uma situação anterior, quando a sua vida sexual corria sobre rodas. O stress, a ansiedade e o cansaço contribuem para o desgaste mental e comprometem a libido e o desempenho sexual. Assim, tanto pode estar a atravessar uma fase conturbada – que precisa de ser acompanhada por um terapeuta para que não tenha consequências mais graves – que não tem a ver com a sua namorada, como pode estar bem, mas já não sentir atração nem vontade de manter o seu relacionamento. Nesse sentido, o acompanhamento terapêutico será essencial para que compreenda aquilo que se passa consigo e possa resolvê-lo. Se toma medicação a perda de interesse sexual também pode ser um efeito secundário da mesma, devendo nesse caso aconselhar-se com o seu médico.

“Não consigo dormir com ele!”

“Tenho 20 anos e estou a estudar fora da minha cidade natal. Amo o meu namorado e, como eu divido um apartamento com mais duas colegas, ele costuma vir dormir muitas vezes a minha casa. O problema é que tenho uma cama de solteira e não consigo dormir quando ele passa cá a noite. Também não posso trocar de cama, e gosto de passar a noite com ele, mas o que acontece é que acabo por dormir mal porque não encontro uma posição confortável. O que posso fazer?”

 

Mariana, Porto

 

Cara leitora,

A partilha da cama nem sempre é fácil, pois embora a intimidade e o contacto físico sejam essenciais para uma relação amorosa, a divisão do espaço – ainda para mais se tem uma cama de solteira – pode ser difícil de gerir, e o sono é uma das necessidades mais básicas de qualquer ser humano, essencial para que haja saúde e um bom rendimento no dia seguinte. Para além disso, passamos a maior parte do nosso tempo de formação – a infância e a adolescência – a dormir sozinhos, o que faz com que dormir com outra pessoa nem sempre seja assim tão fácil durante os primeiros tempos, pois requer habituação. Assim, em primeiro lugar deve procurar compreender se está confortável com o facto de dormir com o seu namorado, pois a sua inquietação pode ser também resultado de algum tipo de sentimento de culpa (por exemplo, se os seus pais não sabem que ele dorme consigo). Se se tratar de uma questão meramente logística, terão de explorar outras opções. Podem partilhar a cama enquanto trocam carinhos, por exemplo ao verem juntos um filme na cama, ou ao estarem apenas deitados a conversar, mas depois quando for tempo de dormir pode procurar improvisar uma cama, como um colchão ou um saco-cama que possa colocar ao lado da sua cama, e onde ele possa ficar. Podem também organizar-se de forma a que ele passe consigo apenas as noites anteriores a dias de descanso, como o fim de semana, para que dessa forma possa descansar mais no dia seguinte. Existem vários casais que, mesmo tendo camas de casal e uma relação saudável, optam por dormir em camas separadas, precisamente para que ambos possam ter o descanso de que precisam, quando não conseguem conciliar as suas formas de descansar. Podem, também, optar por passar a noite juntos no quarto dele, se houver essa possibilidade e se ele tiver mais espaço. Acima de tudo, é importante lembrar que todas estas questões fazem parte da vida de um casal, e como tal devem ser abertamente discutidas entre os dois para que possam ser solucionadas.

“Ela é 30 anos mais nova que eu!!…”

“Tenho 52 anos e sou casado há 31. Considero que o meu casamento sempre foi feliz, apesar das zangas e dos problemas que acho que acontecem em todos os casais. Tenho dois filhos, um com 30 anos e o mais novo com 24, e os amigos deles costumam frequentar a minha casa. Eu sempre tive cuidados com o meu corpo, frequento o ginásio e vou correr ao fim do dia, quase todos os dias, por isso considero-me um homem saudável e atraente. Ultimamente, uma das amigas do meu filho mais novo começou a falar mais comigo e demonstrou que se sentia atraída por mim, eu também me sinto muito atraído por ela e a verdade é que nos acabámos por envolver sexualmente algumas vezes. Não consigo deixar de pensar nela, e acabamos por fazer amor frequentemente, mas ao mesmo tempo sinto vergonha de estar a trair a minha esposa e, de certa forma, o meu filho.”

Paulo, Setúbal

 

Caro leitor,

A situação que está a viver está a causar-lhe instabilidade emocional, uma vez que tem mantido uma relação extraconjugal com uma amiga do seu filho. O leitor diz sentir-se envergonhado por estar a trair a sua esposa, mas não acaba a relação que mantém com essa rapariga. A relação que mantém com a sua esposa é baseada em algo sólido tal como a amizade, carinho e companheirismo, enquanto que a relação que mantém com a amiga do seu filho é baseada em algo passageiro e superficial como a luxúria e a atração sexual. Cabe a si refletir e averiguar em qual das relações se sente melhor e quais as suas metas. Deve evitar continuar a viver nesse dilema que também poderá deixar o seu filho muito magoado consigo, pois afinal de contas trata-se de uma amiga dele.

"Será que ele é sensível de mais?"

5 Tips to Reject a Sensitive Guy

“Eu sei que as mulheres costumam reclamar dos homens por estes não serem emocionalmente insensíveis, mas o meu problema é exactamente o oposto. O meu namorado é sensível demais! O que começou por ser algo atractivo está a tornar-se bastante aborrecido pois ele está sempre a choramingar e eu tenho de lhe fazer as vontades todas! O que devo fazer?”

Liliana, Sacavém

Cara leitora,
Realmente isso pode ser bastante aborrecido. O homem ideal seria aquele que é capaz de expressar as suas emoções e de ouvir a sua parceira fazendo-a sentir-se amada e compreendida, sem nunca deixar de ser o homem da relação! No seu caso, parece que o seu namorado é bastante imaturo preocupando-se apenas com as suas necessidades, sem ter em consideração os seus sentimentos. O seu namorado está a utilizar esse tipo de comportamento como uma forma de a controlar, o que demonstra bastante insegurança e egoísmo da parte dele. Compreendo que no princípio ele a tenha atraído pela sua sensibilidade, pois era algo diferente. Infelizmente, por mais que a leitora tente, não o vai conseguir mudar pois existem problemas mais profundos que o fazem comportar-se dessa forma. Se quiser continuar nessa relação aconselho-a a procurar apoio profissional.

“Ela acorda-me com sexo oral quase todos os dias!”

“A minha namorada é bastante desinibida a nível sexual, e por isso temos uma vida sexual bastante ativa. Quando dormimos juntos ela desperta-me de manhã fazendo-me sexo oral, será que isto é normal?”

Diogo, Mafra

 

Caro leitor

O leitor diz ter uma vida sexual bastante ativa com a sua namorada, que diz ser uma pessoa desinibida, por isso não vejo nada de mal no cenário que está a descrever. O único problema é se o leitor não gosta de sexo oral ou não lhe apetece ter relações sexuais de manhã, o que sucede com algumas pessoas, e dessa forma se não gosta desse tipo de comportamento explique à sua namorada as suas razões. Por outro lado, se lhe agrada esta forma divertida e estimulante de acordar, aproveite ao máximo o facto de ter uma namorada desinibida.

 

Vida de casal: não tenho vontade de fazer amor!

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A rotina é, sem dúvida, um dos maiores inimigos de qualquer relacionamento. Enquanto que nos primeiros tempos da  todo o tempo que passavam juntos parecia pouco e qualquer toque ou olhar desencadeava um incêndio que os levava para os braços um do outro, com o tempo e a habituação a excitação da novidade apaga-se. Se a isso juntarmos as exigências do dia a dia, as discussões a respeito de quem lava a louça ou vai buscar os filhos à escola e as pressões a que cada um dos dois é submetido no local de trabalho, é fácil de compreender porque é que a vida sexual se torna um problema silencioso para tantos casais.

 

Passamos mais tempo a trabalhar e a responder aos desafios e exigências profissionais do que a sós com quem amamos. Por outro lado, qualquer pessoa, por mais apaixonada que esteja, precisa de ter tempo para si e para sentir saudades do seu mais-que-tudo. Aquilo de que muitas vezes não nos damos conta, no entanto, é que ao afastarmo-nos no dia a dia isso cria um fosso também na nossa vida sexual, afastando-nos. 


Por outro lado, é fundamental ter presente que se perder o contato com a sua própria sexualidade isso irá necessariamente afastá-la do seu par. Limitar-se a cumprir as suas obrigações enquanto mãe e profissional, esquecendo-se que também é mulher, com desejos e vontades, faz com que essa parte do seu ser e da sua vida vá ficando entorpecida. A partir daí, muitas mulheres deixam de sentir prazer na relação sexual, porque não se permitem desfrutar dela com relaxamento e descontração, passando a evitar o seu parceiro.

 

A anorgasmia, uma disfunção de que já falámos, pode surgir então e impedir a mulher de ter orgasmos, ou dificultando-os. Como tal, isto faz com que a mulher ainda tenha maior tendência para evitar a relação sexual, pois sabe que não lhe será fácil chegar ao orgasmo, tornando o sexo algo penoso.

Tema de Hoje: Relacionamentos

" Namoro há 4 anos, e gosto bastante do meu namorado, mas ele nunca fala em casamento. Acho estranho pois não seria de esperar que depois de 4 anos de namoro ele quisesse fazer vida comigo?"

Laura, Ponte de Lima

 

Cara leitora

Compreendo a sua frustração, mas acredite que isso não acontece só consigo, muitas mulheres se queixam do mesmo. O homem por natureza é um caçador, precisa saber que ainda pode caçar, mesmo que opte por não o fazer devido a estar numa relação, por isso o casamento é tão assustador para alguns homens. Para eles, casar significa deixar de caçar, ou seja, tomam consciência que nunca mais vão dormir com outra mulher, e não se sentem preparados para isso. Parece ser esse o caso do seu namorado, é obvio que ele não tem qualquer intenção de se casar tão cedo, pois se tivesse ele próprio puxaria o assunto. Avalie a relação e faça o que for melhor para si, caso procura alguém com quem partilhar a sua vida e iniciar uma família, parece-me que não está com a pessoa certa. Tenha uma conversa franca com ele e veja o que ele tem a dizer sobre o assunto!