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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Perdi o interesse no sexo…”

How Your Relationship Can Survive The Winter | Dr. Karen Sherman | YourTango“Antigamente as minhas relações sexuais duravam duas a três horas e nunca tive problemas mas de há uns tempos para cá perdi o interesse no sexo. Tenho uma namorada maravilhosa mas parece que perdi o interesse nela, tenho sentido muitas saudades da minha ex-namorada, de quem me separei já há um ano. Estou com receio de ter uma depressão. O que se passa comigo?”

 

Tiago, Abrantes

 

Cara leitora,

O facto de estar a aperceber-se conscientemente daquilo que mudou na sua vida é o primeiro passo para encontrar uma solução. Nesse sentido, o acompanhamento de um psicoterapeuta pode avaliar consigo o seu caso e ajudá-lo a compreender melhor o que se passa, devendo fazê-lo para evitar uma depressão, conforme receia. Ainda assim, a situação que descreve parece ter a ver com motivos psicológicos, visto que indica ter perdido o interesse na sua atual namorada e ter saudades da sua anterior relação. Convém compreender se, de facto, ainda tem sentimentos pela sua anterior namorada, o que faz com que deixe de sentir interesse na relação sexual com a sua namorada atual, ou se, pelo contrário, é algo que na sua vida o deixa insatisfeito e, como sente que não está a corresponder às expetativas da sua namorada atual, deseja evadir-se dessa situação, regressando a uma situação anterior, quando a sua vida sexual corria sobre rodas. O stress, a ansiedade e o cansaço contribuem para o desgaste mental e comprometem a libido e o desempenho sexual. Assim, tanto pode estar a atravessar uma fase conturbada – que precisa de ser acompanhada por um terapeuta para que não tenha consequências mais graves – que não tem a ver com a sua namorada, como pode estar bem, mas já não sentir atração nem vontade de manter o seu relacionamento. Nesse sentido, o acompanhamento terapêutico será essencial para que compreenda aquilo que se passa consigo e possa resolvê-lo. Se toma medicação a perda de interesse sexual também pode ser um efeito secundário da mesma, devendo nesse caso aconselhar-se com o seu médico.

“Não consigo dormir com ele!”

“Tenho 20 anos e estou a estudar fora da minha cidade natal. Amo o meu namorado e, como eu divido um apartamento com mais duas colegas, ele costuma vir dormir muitas vezes a minha casa. O problema é que tenho uma cama de solteira e não consigo dormir quando ele passa cá a noite. Também não posso trocar de cama, e gosto de passar a noite com ele, mas o que acontece é que acabo por dormir mal porque não encontro uma posição confortável. O que posso fazer?”

 

Mariana, Porto

 

Cara leitora,

A partilha da cama nem sempre é fácil, pois embora a intimidade e o contacto físico sejam essenciais para uma relação amorosa, a divisão do espaço – ainda para mais se tem uma cama de solteira – pode ser difícil de gerir, e o sono é uma das necessidades mais básicas de qualquer ser humano, essencial para que haja saúde e um bom rendimento no dia seguinte. Para além disso, passamos a maior parte do nosso tempo de formação – a infância e a adolescência – a dormir sozinhos, o que faz com que dormir com outra pessoa nem sempre seja assim tão fácil durante os primeiros tempos, pois requer habituação. Assim, em primeiro lugar deve procurar compreender se está confortável com o facto de dormir com o seu namorado, pois a sua inquietação pode ser também resultado de algum tipo de sentimento de culpa (por exemplo, se os seus pais não sabem que ele dorme consigo). Se se tratar de uma questão meramente logística, terão de explorar outras opções. Podem partilhar a cama enquanto trocam carinhos, por exemplo ao verem juntos um filme na cama, ou ao estarem apenas deitados a conversar, mas depois quando for tempo de dormir pode procurar improvisar uma cama, como um colchão ou um saco-cama que possa colocar ao lado da sua cama, e onde ele possa ficar. Podem também organizar-se de forma a que ele passe consigo apenas as noites anteriores a dias de descanso, como o fim de semana, para que dessa forma possa descansar mais no dia seguinte. Existem vários casais que, mesmo tendo camas de casal e uma relação saudável, optam por dormir em camas separadas, precisamente para que ambos possam ter o descanso de que precisam, quando não conseguem conciliar as suas formas de descansar. Podem, também, optar por passar a noite juntos no quarto dele, se houver essa possibilidade e se ele tiver mais espaço. Acima de tudo, é importante lembrar que todas estas questões fazem parte da vida de um casal, e como tal devem ser abertamente discutidas entre os dois para que possam ser solucionadas.

“Ela é 30 anos mais nova que eu!!…”

“Tenho 52 anos e sou casado há 31. Considero que o meu casamento sempre foi feliz, apesar das zangas e dos problemas que acho que acontecem em todos os casais. Tenho dois filhos, um com 30 anos e o mais novo com 24, e os amigos deles costumam frequentar a minha casa. Eu sempre tive cuidados com o meu corpo, frequento o ginásio e vou correr ao fim do dia, quase todos os dias, por isso considero-me um homem saudável e atraente. Ultimamente, uma das amigas do meu filho mais novo começou a falar mais comigo e demonstrou que se sentia atraída por mim, eu também me sinto muito atraído por ela e a verdade é que nos acabámos por envolver sexualmente algumas vezes. Não consigo deixar de pensar nela, e acabamos por fazer amor frequentemente, mas ao mesmo tempo sinto vergonha de estar a trair a minha esposa e, de certa forma, o meu filho.”

Paulo, Setúbal

 

Caro leitor,

A situação que está a viver está a causar-lhe instabilidade emocional, uma vez que tem mantido uma relação extraconjugal com uma amiga do seu filho. O leitor diz sentir-se envergonhado por estar a trair a sua esposa, mas não acaba a relação que mantém com essa rapariga. A relação que mantém com a sua esposa é baseada em algo sólido tal como a amizade, carinho e companheirismo, enquanto que a relação que mantém com a amiga do seu filho é baseada em algo passageiro e superficial como a luxúria e a atração sexual. Cabe a si refletir e averiguar em qual das relações se sente melhor e quais as suas metas. Deve evitar continuar a viver nesse dilema que também poderá deixar o seu filho muito magoado consigo, pois afinal de contas trata-se de uma amiga dele.

"Será que ele é sensível de mais?"

5 Tips to Reject a Sensitive Guy

“Eu sei que as mulheres costumam reclamar dos homens por estes não serem emocionalmente insensíveis, mas o meu problema é exactamente o oposto. O meu namorado é sensível demais! O que começou por ser algo atractivo está a tornar-se bastante aborrecido pois ele está sempre a choramingar e eu tenho de lhe fazer as vontades todas! O que devo fazer?”

Liliana, Sacavém

Cara leitora,
Realmente isso pode ser bastante aborrecido. O homem ideal seria aquele que é capaz de expressar as suas emoções e de ouvir a sua parceira fazendo-a sentir-se amada e compreendida, sem nunca deixar de ser o homem da relação! No seu caso, parece que o seu namorado é bastante imaturo preocupando-se apenas com as suas necessidades, sem ter em consideração os seus sentimentos. O seu namorado está a utilizar esse tipo de comportamento como uma forma de a controlar, o que demonstra bastante insegurança e egoísmo da parte dele. Compreendo que no princípio ele a tenha atraído pela sua sensibilidade, pois era algo diferente. Infelizmente, por mais que a leitora tente, não o vai conseguir mudar pois existem problemas mais profundos que o fazem comportar-se dessa forma. Se quiser continuar nessa relação aconselho-a a procurar apoio profissional.

“Ela acorda-me com sexo oral quase todos os dias!”

“A minha namorada é bastante desinibida a nível sexual, e por isso temos uma vida sexual bastante ativa. Quando dormimos juntos ela desperta-me de manhã fazendo-me sexo oral, será que isto é normal?”

Diogo, Mafra

 

Caro leitor

O leitor diz ter uma vida sexual bastante ativa com a sua namorada, que diz ser uma pessoa desinibida, por isso não vejo nada de mal no cenário que está a descrever. O único problema é se o leitor não gosta de sexo oral ou não lhe apetece ter relações sexuais de manhã, o que sucede com algumas pessoas, e dessa forma se não gosta desse tipo de comportamento explique à sua namorada as suas razões. Por outro lado, se lhe agrada esta forma divertida e estimulante de acordar, aproveite ao máximo o facto de ter uma namorada desinibida.

 

Vida de casal: não tenho vontade de fazer amor!

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A rotina é, sem dúvida, um dos maiores inimigos de qualquer relacionamento. Enquanto que nos primeiros tempos da  todo o tempo que passavam juntos parecia pouco e qualquer toque ou olhar desencadeava um incêndio que os levava para os braços um do outro, com o tempo e a habituação a excitação da novidade apaga-se. Se a isso juntarmos as exigências do dia a dia, as discussões a respeito de quem lava a louça ou vai buscar os filhos à escola e as pressões a que cada um dos dois é submetido no local de trabalho, é fácil de compreender porque é que a vida sexual se torna um problema silencioso para tantos casais.

 

Passamos mais tempo a trabalhar e a responder aos desafios e exigências profissionais do que a sós com quem amamos. Por outro lado, qualquer pessoa, por mais apaixonada que esteja, precisa de ter tempo para si e para sentir saudades do seu mais-que-tudo. Aquilo de que muitas vezes não nos damos conta, no entanto, é que ao afastarmo-nos no dia a dia isso cria um fosso também na nossa vida sexual, afastando-nos. 


Por outro lado, é fundamental ter presente que se perder o contato com a sua própria sexualidade isso irá necessariamente afastá-la do seu par. Limitar-se a cumprir as suas obrigações enquanto mãe e profissional, esquecendo-se que também é mulher, com desejos e vontades, faz com que essa parte do seu ser e da sua vida vá ficando entorpecida. A partir daí, muitas mulheres deixam de sentir prazer na relação sexual, porque não se permitem desfrutar dela com relaxamento e descontração, passando a evitar o seu parceiro.

 

A anorgasmia, uma disfunção de que já falámos, pode surgir então e impedir a mulher de ter orgasmos, ou dificultando-os. Como tal, isto faz com que a mulher ainda tenha maior tendência para evitar a relação sexual, pois sabe que não lhe será fácil chegar ao orgasmo, tornando o sexo algo penoso.

Tema de Hoje: Relacionamentos

" Namoro há 4 anos, e gosto bastante do meu namorado, mas ele nunca fala em casamento. Acho estranho pois não seria de esperar que depois de 4 anos de namoro ele quisesse fazer vida comigo?"

Laura, Ponte de Lima

 

Cara leitora

Compreendo a sua frustração, mas acredite que isso não acontece só consigo, muitas mulheres se queixam do mesmo. O homem por natureza é um caçador, precisa saber que ainda pode caçar, mesmo que opte por não o fazer devido a estar numa relação, por isso o casamento é tão assustador para alguns homens. Para eles, casar significa deixar de caçar, ou seja, tomam consciência que nunca mais vão dormir com outra mulher, e não se sentem preparados para isso. Parece ser esse o caso do seu namorado, é obvio que ele não tem qualquer intenção de se casar tão cedo, pois se tivesse ele próprio puxaria o assunto. Avalie a relação e faça o que for melhor para si, caso procura alguém com quem partilhar a sua vida e iniciar uma família, parece-me que não está com a pessoa certa. Tenha uma conversa franca com ele e veja o que ele tem a dizer sobre o assunto!

Tema de hoje: relacionamento

Tenho 22 anos e tive a minha primeira relação sexual há pouco tempo, mas não sangrei. Eu queria fazer amor com o meu namorado e gostei bastante, ele foi muto querido, mas estou preocupada se ele agora me achará mentirosa por isto. Como sei se já perdi a minha virgindade?
 
Paula Cristina
 
Cara Paula Cristina,
 
A virgindade pode ser interpretada de maneiras diferentes: pela cultura e momento histórico, pela medicina e biologia e psicologicamente. Pode sentir a sua perda de virgindade como o momento de ter relações sexuais pela primeira vez – e nem precisar de ter relações com penetração para deixar de se sentir virgem.
Como pode sentir que o importante é o sangramento pelo rompimento fisiológico do hímen, uma membrana fina e elástica que cobre parcialmente a entrada da vagina e que, na maioria dos casos, permite a saída da menstruação ou a entrada de tampões. Na prática de alguns desportos ou actividades pode dar-se o rompimento ou a diminuição da superfície do hímen, pelo que não o rasgar e sangrar nas relações sexuais não é garantia de virgindade.
 
Não se preocupe tanto com esta questão, mas sim com o prazer que pode sentir na intimidade da relação com para seu parceiro ou parceira. Se se sentem seguros e protegidos dos riscos da gravidez indesejada e infecções sexualmente transmissíveis (de que podem falar os dois e com um médico ginecologista ou de família) e escolheram iniciar a vossa vida sexual, como me aprece pelas suas palavras, aproveitem as sensações de prazer e entreguem-se à descoberta da intimidade e do que mais gostam de fazer e de receber.

Tema de Hoje: Relacionamentos

 “Estou apaixonada pela minha colega.”

 

“Sou casada há 16 anos, temos um filho e até há pouco tempo eu era feliz. Desde há uns meses veio uma colega nova para o meu trabalho, estamos frente a frente na secretária e comecei a sentir coisas que nunca tinha sentido… Sei que estou apaixonada por ela, adoro as nossas conversas, as risadas, a maneira como ela se veste e parece, ando ansiosa por voltar ao trabalho. Tenho medo de mim – o que posso fazer? Serei lésbica?”

 

Maria, Beja

 

Cara Leitora,

A sua certeza na paixão que está a sentir parece estar a indicar-lhe o seu caminho. É normal que sinta medo de descobrir uma nova dimensão da sua sexualidade, principalmente quando não esperava senti-la por uma pessoa do mesmo sexo, mas parece que sentir tais emoções está a deixá-la também feliz. Não se preocupe com o que é, com nomes e adjectivos sobre a sua orientação sexual. Vivemos numa sociedade muito heterossexista, ou seja, parte-se do princípio que toda a gente é heterossexual e tem relações com pessoas do sexo oposto, mas a realidade não é assim. Como ainda existe alguma discriminação e homofobia (sentimentos negativos face às pessoas lésbicas, gays, bissexuais) pode ser assustador passar pelo que está a passar agora. Mas não se culpabilize nem sinta mal – afinal de contas quem controla os seus sentimentos e por quem bate o coração?

Oiça o seu coração e expresse os seus sentimentos a alguém em quem confie (a sua colega? Uma amiga que a possa ajudar? Alguém que esteja numa relação com outra pessoa do mesmo sexo ou já tenha estado, pessoas de associações de lésbicas, gays ou bissexuais) de modo a perceber que decisões deve tomar neste momento da sua vida. Muitas pessoas mudam o rumo do seu casamento, pois este não as satisfaz toda a vida, não se deve culpabilizar por isso e tenha confiança que o seu filho preferirá vê-la feliz do que infeliz por causa dele. Boa sorte!

“Ele ejacula tarde!”

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Enquanto que eu atinjo o orgasmo bastante depressa, o meu marido demora bastante tempo a atingir o orgasmo. Será que estou a fazer alguma coisa errada?”

Inês, Évora

Cara Leitora,

Não se sinta preocupada pelo facto de o seu marido demorar mais tempo a ejacular do que você, pois certamente isso não está relacionado com nada que a leitora esteja a fazer. Cada pessoa demora o seu tempo até atingir o orgasmo e são raras as vezes que um casal consegue atingir o clímax simultaneamente. Existem factores que podem contribuir para que o homem demore mais tempo para ejacular, nomeadamente a toma de medicamentos para a depressão e ansiedade. Alguns destes medicamentos chegam a ser receitados a homens que sofrem de ejaculação precoce. Se o seu marido estiver sob o efeito de algum tipo de medicação, aconselhe-o a consultar o médico e a perguntar quais os efeitos que esses medicamentos podem ter na sua vida sexual. Se necessário, peça ao médico que lhe receite uma medicação diferente.