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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Vida de casal: não tenho vontade de fazer amor!

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A rotina é, sem dúvida, um dos maiores inimigos de qualquer relacionamento. Enquanto que nos primeiros tempos da  todo o tempo que passavam juntos parecia pouco e qualquer toque ou olhar desencadeava um incêndio que os levava para os braços um do outro, com o tempo e a habituação a excitação da novidade apaga-se. Se a isso juntarmos as exigências do dia a dia, as discussões a respeito de quem lava a louça ou vai buscar os filhos à escola e as pressões a que cada um dos dois é submetido no local de trabalho, é fácil de compreender porque é que a vida sexual se torna um problema silencioso para tantos casais.

 

Passamos mais tempo a trabalhar e a responder aos desafios e exigências profissionais do que a sós com quem amamos. Por outro lado, qualquer pessoa, por mais apaixonada que esteja, precisa de ter tempo para si e para sentir saudades do seu mais-que-tudo. Aquilo de que muitas vezes não nos damos conta, no entanto, é que ao afastarmo-nos no dia a dia isso cria um fosso também na nossa vida sexual, afastando-nos. 


Por outro lado, é fundamental ter presente que se perder o contato com a sua própria sexualidade isso irá necessariamente afastá-la do seu par. Limitar-se a cumprir as suas obrigações enquanto mãe e profissional, esquecendo-se que também é mulher, com desejos e vontades, faz com que essa parte do seu ser e da sua vida vá ficando entorpecida. A partir daí, muitas mulheres deixam de sentir prazer na relação sexual, porque não se permitem desfrutar dela com relaxamento e descontração, passando a evitar o seu parceiro.

 

A anorgasmia, uma disfunção de que já falámos, pode surgir então e impedir a mulher de ter orgasmos, ou dificultando-os. Como tal, isto faz com que a mulher ainda tenha maior tendência para evitar a relação sexual, pois sabe que não lhe será fácil chegar ao orgasmo, tornando o sexo algo penoso.

Tema de Hoje: Relacionamentos

" Namoro há 4 anos, e gosto bastante do meu namorado, mas ele nunca fala em casamento. Acho estranho pois não seria de esperar que depois de 4 anos de namoro ele quisesse fazer vida comigo?"

Laura, Ponte de Lima

 

Cara leitora

Compreendo a sua frustração, mas acredite que isso não acontece só consigo, muitas mulheres se queixam do mesmo. O homem por natureza é um caçador, precisa saber que ainda pode caçar, mesmo que opte por não o fazer devido a estar numa relação, por isso o casamento é tão assustador para alguns homens. Para eles, casar significa deixar de caçar, ou seja, tomam consciência que nunca mais vão dormir com outra mulher, e não se sentem preparados para isso. Parece ser esse o caso do seu namorado, é obvio que ele não tem qualquer intenção de se casar tão cedo, pois se tivesse ele próprio puxaria o assunto. Avalie a relação e faça o que for melhor para si, caso procura alguém com quem partilhar a sua vida e iniciar uma família, parece-me que não está com a pessoa certa. Tenha uma conversa franca com ele e veja o que ele tem a dizer sobre o assunto!

Tema de hoje: relacionamento

Tenho 22 anos e tive a minha primeira relação sexual há pouco tempo, mas não sangrei. Eu queria fazer amor com o meu namorado e gostei bastante, ele foi muto querido, mas estou preocupada se ele agora me achará mentirosa por isto. Como sei se já perdi a minha virgindade?
 
Paula Cristina
 
Cara Paula Cristina,
 
A virgindade pode ser interpretada de maneiras diferentes: pela cultura e momento histórico, pela medicina e biologia e psicologicamente. Pode sentir a sua perda de virgindade como o momento de ter relações sexuais pela primeira vez – e nem precisar de ter relações com penetração para deixar de se sentir virgem.
Como pode sentir que o importante é o sangramento pelo rompimento fisiológico do hímen, uma membrana fina e elástica que cobre parcialmente a entrada da vagina e que, na maioria dos casos, permite a saída da menstruação ou a entrada de tampões. Na prática de alguns desportos ou actividades pode dar-se o rompimento ou a diminuição da superfície do hímen, pelo que não o rasgar e sangrar nas relações sexuais não é garantia de virgindade.
 
Não se preocupe tanto com esta questão, mas sim com o prazer que pode sentir na intimidade da relação com para seu parceiro ou parceira. Se se sentem seguros e protegidos dos riscos da gravidez indesejada e infecções sexualmente transmissíveis (de que podem falar os dois e com um médico ginecologista ou de família) e escolheram iniciar a vossa vida sexual, como me aprece pelas suas palavras, aproveitem as sensações de prazer e entreguem-se à descoberta da intimidade e do que mais gostam de fazer e de receber.

Tema de Hoje: Relacionamentos

 “Estou apaixonada pela minha colega.”

 

“Sou casada há 16 anos, temos um filho e até há pouco tempo eu era feliz. Desde há uns meses veio uma colega nova para o meu trabalho, estamos frente a frente na secretária e comecei a sentir coisas que nunca tinha sentido… Sei que estou apaixonada por ela, adoro as nossas conversas, as risadas, a maneira como ela se veste e parece, ando ansiosa por voltar ao trabalho. Tenho medo de mim – o que posso fazer? Serei lésbica?”

 

Maria, Beja

 

Cara Leitora,

A sua certeza na paixão que está a sentir parece estar a indicar-lhe o seu caminho. É normal que sinta medo de descobrir uma nova dimensão da sua sexualidade, principalmente quando não esperava senti-la por uma pessoa do mesmo sexo, mas parece que sentir tais emoções está a deixá-la também feliz. Não se preocupe com o que é, com nomes e adjectivos sobre a sua orientação sexual. Vivemos numa sociedade muito heterossexista, ou seja, parte-se do princípio que toda a gente é heterossexual e tem relações com pessoas do sexo oposto, mas a realidade não é assim. Como ainda existe alguma discriminação e homofobia (sentimentos negativos face às pessoas lésbicas, gays, bissexuais) pode ser assustador passar pelo que está a passar agora. Mas não se culpabilize nem sinta mal – afinal de contas quem controla os seus sentimentos e por quem bate o coração?

Oiça o seu coração e expresse os seus sentimentos a alguém em quem confie (a sua colega? Uma amiga que a possa ajudar? Alguém que esteja numa relação com outra pessoa do mesmo sexo ou já tenha estado, pessoas de associações de lésbicas, gays ou bissexuais) de modo a perceber que decisões deve tomar neste momento da sua vida. Muitas pessoas mudam o rumo do seu casamento, pois este não as satisfaz toda a vida, não se deve culpabilizar por isso e tenha confiança que o seu filho preferirá vê-la feliz do que infeliz por causa dele. Boa sorte!

“Ele ejacula tarde!”

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Enquanto que eu atinjo o orgasmo bastante depressa, o meu marido demora bastante tempo a atingir o orgasmo. Será que estou a fazer alguma coisa errada?”

Inês, Évora

Cara Leitora,

Não se sinta preocupada pelo facto de o seu marido demorar mais tempo a ejacular do que você, pois certamente isso não está relacionado com nada que a leitora esteja a fazer. Cada pessoa demora o seu tempo até atingir o orgasmo e são raras as vezes que um casal consegue atingir o clímax simultaneamente. Existem factores que podem contribuir para que o homem demore mais tempo para ejacular, nomeadamente a toma de medicamentos para a depressão e ansiedade. Alguns destes medicamentos chegam a ser receitados a homens que sofrem de ejaculação precoce. Se o seu marido estiver sob o efeito de algum tipo de medicação, aconselhe-o a consultar o médico e a perguntar quais os efeitos que esses medicamentos podem ter na sua vida sexual. Se necessário, peça ao médico que lhe receite uma medicação diferente. 

“Não consigo ter prazer total!”

 

Tenho 32 anos e amo o meu marido, com quem vivo há 3 anos. O problema é que não consigo ter relações sexuais na sua plenitude, isto é, não consigo tolerar a penetração.

Penso que o problema não é frigidez, pois tenho prazer com o resto, mas não consinto que ele me penetre, pois magoa-me muito. Sei que o problema é meu e que isto não é normal, mas não sei a quem pedir ajuda, o mais indicado será ir ao ginecologista ou ao sexólogo? Ajude-me, este problema pode dar cabo da relação e eu não quero que isso aconteça!

 

Margarida, Sesimbra

 

Cara leitora,

Este problema sexual que descreve de não conseguir a penetração vaginal acontece a muitas mulheres e deve procurar tratamento com especialistas da área da sexologia para o tentar resolver. Sem muitos dados, eu colocaria as hipóteses de dispareunia ou de vaginismo – duas disfunções sexuais femininas. Deve também consultar um ginecologista para verificar se a dor não se deve a algum problema de natureza ginecológica.  

Diversifique as relações sexuais, explorem as massagens, as carícias, a masturbação mútua, o sexo oral, os brinquedos eróticos… Usem a vossa imaginação para reinventarem a vossa sexualidade sem limites e para não estar tão concentrada na penetração apenas!

Aconselho-a a explorar o seu corpo através da masturbação,  para que possa descobrir como gosta de ser tocada e o que lhe dá prazer, pois o primeiro passo para sentir prazer com um parceiro é ser capaz de o fazer sozinha.

Nas suas relações sexuais, deve tentar relaxar e entregar-se a carinhos e festas durante um tempo substancial (a lubrificação depende do prazer que sente antes de iniciar a penetração). Não vou definir-lhe um tempo limitado, mas sugiro-lhe um mínimo de meia hora, antes de tentarem a penetração ou sequer de pensarem nisso (podem até nem chegar a concretizá-la!).

Como o seu problema pode ser mais específico, seria desejável fazer uma consulta presencial de Sexologia, para fazer um diagnóstico diferencial.

“Nunca me procura para fazermos amor!”

“Amo a minha namorada, namoramos há três anos, mas tenho que ser sempre eu a procurá-la para termos relações. Será que há algo de errado?”

 

José, Sacavém

 

Caro leitor,

As diferentes necessidades de cada pessoa a nível sexual são muitas vezes o factor principal para que haja desentendimento entre casais. O que pode fazer é conversar com a sua namorada, pois deve existir alguma razão que explique o seu comportamento. Pode ser por razões culturais ou religiosas, segundo as quais a mulher não deve iniciar o contacto sexual. Pode também dar-se o caso de ela ser muito tímida e ter receio de ser rejeitada, ou sentir que você inicia sempre a relação sexual não lhe dando a hipótese de dar o primeiro passo. Outra hipótese a considerar é o facto de ela sentir que cada vez que têm relações sexuais as suas necessidades não são satisfeitas, o que faz com que ela evite ter relações consigo. Aconselho-o a falar com a sua namorada pois só assim poderá compreender o porquê do seu comportamento.

 

Posso namorar a minha prima?

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"Tenho 23 anos e ultimamente tenho passado muito tempo com a minha prima direita. Gostaria de saber se posso namorar com ela ou se existe alguma lei que impede esse tipo de relação."

 Luís - Caminha

 

Caro leitor,

Que eu saiba não existem leis em Portugal que impedem o relacionamento amoroso entre primos direitos. No entanto, primos direitos têm duas vezes mais probabilidades de vir a ter filhos com deficiências, e uma em cada quatro crianças nascidas de pais que são primos direitos tem algum tipo de deficiência. Por isso há que ver que tipo de intenções o leitor tem em relação à sua prima, se pretende namorar e possivelmente casar com ela e ter filhos, isso não é muito indicado devido às probabilidades de virem a ter filhos com problemas. Tambem existe o problema do casamento, apesar de legalmente não haver uma lei que impeça o casamento civil entre primos, existem impedimentos em relação a um casamento religioso. Por isso pense bem se realmente quer enfrentar todos estes problemas ou se prefere manter a relação com a sua prima como "família" e não namorada.

Sou gay e estou farto de engates

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"Tenho 38 anos e sou gay. Gostaria de encontrar um companheiro de vida, mas tenho dificuldade em encontrar um namorado que queira ter um relacionamento sério, pois todos se ficam pelo envolvimento sexual, e eu já sinto necessidade de estabilizar. Gostava de saber o que posso fazer para conseguir ter uma relação mais estável, e não meros engates de uma noite ou duas! Começo a pensar que há algo errado comigo!"

 Simão - Porto

 

Caro leitor,

Se quer encontrar um companheiro de vida, não perca a esperança. Comece por pensar no tipo de homens com que tem saído nos últimos anos. Será que você se sente atraído por um certo tipo de homem que não quer compromisso? Será que o leitor apenas frequenta bares nos quais as pessoas só estão interessadas em encontros furtivos? Avalie as técnicas e lugares onde tem encontrado pretendentes, e talvez se procurar conhecer homens num contexto diferente, o resultado também seja diferente. Procure também ser sempre honesto e dizer logo que o que você procura é namoro, assim que conhece alguém novo, pois dessa forma vai apenas atrair poessoas que estão interessadas no mesmo que você.

“Não consegui fazer amor com ela!”


 

Sinto-me bastante preocupado com uma coisa que me aconteceu recentemente. Tenho 26 anos e nunca tive problemas com a erecção, porém há duas semanas saí com uma pessoa com quem namoro e não consegui fazer sexo. E o que mais me deixou perplexo é que eu já tive relações com ela. Porque é que isto sucedeu?”

 

Rui, Coimbra

 

Caro leitor,

Não se preocupe com o sucedido, pois o seu problema parece ter surgido por factores de uma situação pontual, ou momentânea – como refere ter saído, pode ter tido essas dificuldades por ter bebido álcool, estar cansado devido ao trabalho, ou mesmo por ter alguma preocupação a atormentá-lo.

Tente não entrar num ciclo vicioso, pois quando sente que uma experiência corre mal, pode começar a sentir ansiedade de antecipação e ficar preocupado com isso, o que influencia muito a próxima relação sexual, de modo negativo.

Um homem não tem de querer e desejar relações sexuais a toda a hora: pode estar bem com a sua parceira, mas não lhe apetecer naquele momento e, por isso, o seu cérebro e o seu corpo não responderem aos estímulos de prazer.

Tente abstrair-se de problemas e não pensar nessa única vez em que as coisas não correram como gostaria, tente relaxar, não partir logo para a penetração mas demorar-se nas carícias, sentir o corpo da outra pessoa e o prazer e satisfação que lhe pode oferecer, descobrir as suas zonas erógenas preferidas…

Se o problema persistir, pense em consultar um médico especialista ou um sexólogo/a, para que não deixe esta pequena dificuldade crescer em bola de neve na sua vida.