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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

"Apaixonei-me pela minha massagista!”

“Há seis meses que estou a ter sessões de massagens com uma massagista de quem gosto muito. Com o tempo fomos ganhando à vontade um com o outro e agora acho que estou apaixonado por ela. Não sei o que fazer.”

Gonçalo, Lisboa

 

Caro Leitor,

 

O tempo e a cumplicidade que se vai estabelecendo entre as pessoas, são muitas vezes factores importantes para que nasça o amor e isso foi precisamente o que aconteceu consigo. Com o tempo passou a conhecer melhor a sua massagista e dentro de si foram despertando outros sentimentos além de uma amizade inocente.

De forma a terminar com essa ansiedade, cabe-lhe a si avaliar a receptividade dessa pessoa, ou seja, confirmar se o sentimento é recíproco ou
não e a partir daí ganhar coragem e falar com ela sobre os seus sentimentos. Lembre-se que se não for corajoso nunca saberá os sentimentos que ela nutre por si e viverá permanentemente na incerteza.

 

“Descobri que fui traído”

 

“Descobri que a minha esposa traiu-me com um colega de trabalho. Estou possesso e apetece-me fazer justiça com as próprias mãos. O que devo fazer? Estou muito confuso…”

Roberto, Bobadela

 

Caro Leitor,

A situação que está a atravessar é realmente bastante complicada e desta forma o seu tipo de comportamento é perfeitamente compreensível. Porém, ressalvo-lhe que não pense em fazer justiça com as suas próprias mãos, pois por certo essa não será a melhor via de resolver os seus problemas, aliás apenas poderá trazer-lhe mais complicações. Neste sentido, por mais difícil que possa ser para si, mantenha a calma e pense numa forma coerente de abordar esta questão com a sua esposa.

Tente controlar essa revolta para que não chegue a consumar a agressão. Procure agir com razão para que não perca as rédeas da situação. Lembro-lhe que a violência não resolve nada e é importante que não percam o pouco respeito que ainda têm um pelo outro. Converse com a sua esposa e diga-lhe tudo aquilo que sente, depois de escutar o que ela tem para dizer, tome a decisão que considerar mais correta para si.

“As infecções urinárias transmitem-se através das relações sexuais?”

Tenho 42 anos e uma saúde bastante frágil, pelo que tenho uma forte tendência para apanhar infecções urinárias. Uma vez que sou solteira, não tenho um parceiro fixo. Gostava de saber se as infecções urinárias podem ser transmitidas através das relações sexuais.”

Sandra, Lisboa

 

Cara Leitora,

 Existem algumas infecções sexualmente transmissíveis que causam sintomas semelhantes aos das infecções urinárias, tais como a clamídia ou a gonorreia. Porém, as infecções do aparelho urinário e as bactérias que transporta não são consideradas Infecções Sexualmente Transmitidas, mas isto não invalida que estas infecções não estejam relacionadas com o acto sexual. Ou seja, as mulheres que têm uma vida sexual activa estão mais predispostas a estas infecções do que as não activas. Teorias defendem que as bactérias instaladas na zona vaginal sejam direccionadas para a bexiga através da uretra após a relação sexual vaginal. Desta forma, um dos meios de prevenção contra as infecções urinárias é urinar logo após o acto sexual para que possa expelir as bactérias do aparelho urinário. Advirto-a para a importância do devido acompanhamento médico para estes casos, ainda para mais quando é uma pessoa bastante permeável a estas situações.

 

“Sou lésbica, e agora?”

 

“Tenho 20 anos e descobri recentemente que sou lésbica. Iniciei um relacionamento com uma mulher um pouco mais velha e experiente do que eu, e embora tudo esteja a correr bem entre nós não sei como contar à minha família e amigos, especialmente aos meus pais, pois acho que vão reagir mal.”

 

Liliana, Leiria

 

Cara Leitora,

Apesar de existir socialmente uma maior abertura, a questão da homossexualidade continua a ser um assunto tabu e rejeitado por muitas famílias. Neste sentido, é natural o seu receio em abordar esta questão com os seus pais. A maior expectativa dos pais é quase sempre que os filhos se casem e lhes dêem netos de modo a alargar a família. Por isso, muitas vezes, falar de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo revela-se bastante complicado.

Tente compreender a posição dos seus pais, não é fácil aceitar e lidar com uma situação que em nada tem a ver com aquela que idealizaram. Procure mostrar-lhes, de forma cautelosa, que a sua felicidade está junto da pessoa que ama, independentemente do seu sexo. Mostre-lhes que compreende a posição deles, mas peça-lhes que compreendam também os seus sentimentos. Certamente que, por gostarem de si, entenderão e respeitarão a sua decisão. Não desista de lutar pela sua felicidade!

 

“O meu marido nunca quer ter relações comigo.”

“Engordei bastante depois de ter tido o meu filho e sinto-me bastante mal por causa disso, pois era uma mulher atraente e normalmente chamava as atenções, cheguei a ganhar um concurso de modelos quando era mais jovem. Para piorar ainda mais a situação, noto que o meu marido perdeu o interesse sexual em mim, nunca me procura e quando eu quero fazer amor ele esquiva-se. O que devo fazer?”

 

Joana, Braga

 

Cara leitora,

Parece que o peso que ganhou a incomoda bastante, e imagino que apesar de dizer que o seu marido não tem interesse em si sexualmente, que você também não se deve sentir muito atraente ou sexy. Por isso, terá de decidir primeiro o que quer fazer para melhorar a sua auto-estima, pode tentar perder algum desse peso pois parece que isso a iria fazer mais feliz, e pode entretanto tentar vestir-se de forma que se sinta mais bonita e atraente, mesmo com o peso que tem, pois existem muitas mulheres que têm excesso de peso e nem por isso deixam de ser sexy e bonitas. Quanto ao seu marido, converse com ele acerca do que tem estado a sentir, pois pode ser que algo diferente se esteja a passar com ele e que faça com que ele tenha esta atitude em relação a si. Lembre-se que ter um bebé em casa muda muito a rotina e a vida do casal, e o seu marido pode estar também a sentir-se perdido em relação ao papel que tem na família e na sua relação consigo, ou apenas cansado com o acréscimo de tarefas que o cuidado de um bebé implica.

“Ele gosta de ser assediado!”

“O meu namorado é um homem 10 anos mais velho do que eu e é muito atraente, e por isso bastante assediado pelas mulheres, mesmo estando junto a mim. O que me chateia é que ele muitas vezes retribui as gracinhas e nem se lembra de que eu estou com ele. Estou farta disto, pois sinto-me muito insegura. O que devo fazer?

 

Sónia, Santarém

 

Cara Leitora,

Regra geral, as pessoas são bastante recetivas a elogios e a piropos. Mas há que especificar a contextualização dos mesmos. Certo é que uma coisa é o seu namorado ser alvo de “gracinhas” consigo por perto e outra coisa é quando ele está sozinho. Porém, pelo que relata ele não faz essa distinção e é sempre bastante simpático para as raparigas que tecem esses comentários. Não é, no entanto, por retribuir os piropos que isso significa que a quer ou vai trair. Há pessoas que simplesmente gostam dos elogios como forma de aumentarem a própria autoestima ou de enaltecerem o seu ego, sem que tal signifique que sejam desonestas ou desleais para com o parceiro.

Quanto a si, deve adotar uma postura de sinceridade e conversar com o seu namorado sobre esta questão. Mostre-lhe o quanto fica magoada e triste com a recetividade que ele tem em relação aos piropos e que pelos menos seja mais discreto quando a leitora está por perto. Não se iniba de confessar as suas inseguranças, pois apenas com a franqueza poderão contornar positivamente as vossas divergências. O que não deve fazer é interiorizar as coisas que a deixam infeliz, converse com ele e, se necessário, faça você mesma os elogios que ele gosta de ouvir.

 

“O meu namorado não que ter relações sexuais todos os dias!”

“Tenho 18 anos e perdi a virgindade há pouco tempo com o meu namorado, que é o primeiro. Ele tem 28 anos, mas não quer ter relações tão frequentemente como eu. Costumo vê-lo todos os dias e, por mim, fazíamos amor sempre que estamos juntos, mas ele nem
sempre se mostra com vontade. Acho estranho, porque sempre ouvi dizer que o apetite sexual dos homens é maior do que o das mulheres. Será que ele não gosta de mim? O que devo fazer?”

 

Sofia, Torres
Vedras

Cara leitora,

Cada pessoa tem um nível de desejo sexual diferente, e isso não tem nada de anormal nem significa que o seu namorado não a deseja ou não gosta de si. Apesar de serem ambos bastante jovens, ele é 10 anos mais velho, e por isso tem mais experiência e já passou pela fase da descoberta sexual, na qual você ainda está, sendo por isso natural que a sua vontade de fazer amor todos os dias seja mais forte que a dele, que provavelmente desfruta
da vossa relação noutros aspetos que também são importantes tais como a cumplicidade e a partilha de momentos a dois. Uma vez que a confiança é o pilar básico de qualquer relação e que o diálogo frontal é a melhor forma de superar mal-entendidos, converse abertamente com ele e diga-lhe que gostava de fazer amor mais vezes, pois ele até pode ficar agradavelmente surpreendido. Procurem descobrir juntos um meio-termo de frequência sexual que satisfaça ambos e dediquem-se ao conhecimento mútuo a outros níveis também, pois apesar de agora sentir uma enorme vontade de explorar a sua sexualidade vai ver que a relação será muito mais compensadora e feliz também para si.

“Ele compara-me com a ex namorada…”

“Namoro com um rapaz há dois meses e iniciamos a nossa vida sexual. Como é o meu primeiro namorado a serio sinto-me ainda insegura, embora tente disfarçar. Contudo, ele comentou comigo que a vagina da ex-namorada é mais apertada do que a minha, o que fez sentir muito envergonhada. Ele é o segundo rapaz com quem tenho relações sexuais, penso que ele está a insinuar que tive mais namorados, mas não é verdade.”

Luísa, Coimbra

Cara leitora,

Antes de mais qualquer relação deve assentar no respeito mútuo de ambos os parceiros. Assim, não é correcto da parte do seu namorado fazer comparações entre si e a anterior namorada, ainda para mais relativamente a aspectos físicos que são variáveis de mulher para mulher, de corpo para corpo. Converse com ele e explique-lhe que está magoada, pergunte-lhe como é que ele se sentiria se você comparasse o pénis dele com o do outro rapaz com quem esteve. Para que um relacionamento resulte é importante que ambos os parceiros expressem aquilo que sentem, o que gostam e o que não gostam na relação e também a nível sexual, mas devem sempre focar-se no momento presente, pondo as relações anteriores que tiveram no lugar onde pertencem – o passado.

“Tenho vergonha de me expor!”

“A minha vida sexual não corre muito bem porque não consigo estar solta durante a relação sexual, estou sempre preocupada a pensar se sou atraente ou não, e por isso prefiro fazer amor às escuras.”

 

Susana, Fundão

Cara Leitora,

Para que a sua vida sexual possa ganhar algum colorido é importante que a sua visão enquanto mulher mude. Enquanto não se começar a valorizar jamais poderá ganhar a confiança em si necessária para que durante as relações sexuais se sinta mais à vontade. Aprenda a gostar mais de si e encarar a sua vida sexual com maior naturalidade. Ter relações sexuais é tão natural como qualquer outra necessidade básica da vida, mas para isso é importante que acredite mais na sua feminilidade e no seu poder de sedução. Tente relaxar de forma a que possa aproveitar da melhor forma os momentos de prazer com o seu marido. Comece a ganhar mais confiança em si mesma e verificará que a sua desenvoltura sexual também será melhor.

“Sinto que somos apenas amigos.”

“Tenho um relacionamento de 7 anos, e no início tinha uma vida sexual bastante boa. Mas agora passo pouco tempo com o meu namorado, ele trabalha em horários completamente diferentes do meu e quando temos algum tempo juntos, sozinhos, sinto-me apenas uma boa amiga e não como namorada. A nível sexual também não andamos bem, não me sinto à vontade nem com desejo, e não tenho prazer sexual.

 

Carina, Carcavelos

 

Cara leitora,

 

Esta fase pela qual a leitora e o seu namorado estão a passar tem a ver com a monotonia instalada na vossa vida afectiva devido à incompatibilidade de horários existente. O que se passa no vosso caso é que passaram de um extremo para o outro, isto é, antes estavam sempre juntos e agora, por questões profissionais, o distanciamento forçado prejudicou a base sólida que a vossa relação tinha. O que se pode constatar é que a vossa relação não se encontra num período equilibrado e aí é natural que o vosso entendimento sexual não seja o melhor. Neste sentido, é importante que ambos pensem sobre esta questão, pois não se trata apenas da insatisfação sexual, é também uma questão emocional e de bem-estar. Advirto-a para o facto de que a vida amorosa não se resume apenas ao acto sexual. Sem carinho, diálogo e compreensão mútua a saturação é inevitável. Sem a construção da afectividade, a intimidade na vida sexual não pode surgir. Sugiro que tente dinamizar a vossa vida. Nos poucos momentos que passam juntos, realizem as vossas fantasias, programem encontros românticos e sejam ousados. Não deixem que a rotina se instale na vossa relação.