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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Não lhe apetece fazer sexo!”

Couples fail bigtime at understanding partner's sad feelings: study |  Relationships News – India TV

“Amo muito a minha esposa e sempre nos demos muito bem a nível sexual, mas desde que ela teve o nosso filho, há 6 meses, já não tem vontade de fazer amor comigo…”

Luis, Lisboa

 

Caro leitor,

O nascimento de uma criança é sempre um período de adaptacao tanto a nível do relacionamento como a nivel sexual. Deixar de ter relações depois de ter um filho é bastante comum para vários casais. Alterações hormonais, depressão pós-parto ou cansaço são muitas vezes associados a diminuição de desejo, mas estas não são as únicas razões. É perfeitamente seguro ter relações após o nascimento do bebé, desde que a mulher se sinta psicologicamente e fisicamente preparada para tal. Aconselho-o a tentar aliviar algum do trabalho da sua esposa com o bebe, arramjem uma ama, ou alguem de familia que tome conta do bebe para que voces possam passar tempo juntos, criem novos cenários e fantasias, passe uns dias fora sozinhos, e isto irá ajudar o vosso relacionamento.

 

“Será que o meu marido é gay?”

Estou casada há 5 anos e há já 2 anos que eu e o meu marido não temos relações sexuais. Ele não mostra qualquer interesse em mim. Será que ele é gay?

Teresa, Lagos

 

Cara Leitora,

De facto algo se passa, mas não deve precipitar-se e assumir que é uma questão de orientação sexual. Muitos factores podem estar por trás da aparente falta de desejo do seu marido. A dificuldade é decifrar a razão sem causar brigas e conflitos no relacionamento. Existem homens que têm falta de desejo sexual devido a depressão ou a medicamentos que estão a tomar, ou devido a terem problemas de ejaculação precoce ou dificuldade em ter uma ereção, e por isso evitam ter relações sexuais com as suas parceiras para evitar o embaraço que sentem. Existem tambem outros homens que têm fetiches, ou amantes, ou mesmo que preferem masturbar-se com a utilização de pornografia em vez de ter relações com as parceiras. Como vê, existem muitos factores em jogo, por isso há que falar com o seu marido e talvez consultar a ajuda de um sexólogo para decifrar este dilema.

“Ela queixa-se que não lhe dou prazer suficiente…”

Worried Couple Stock Footage ~ Royalty Free Stock Videos | Pond5

 

“Eu e a minha mulher estamos juntos há cinco anos e temos uma vida sexual estável, mas por vezes ela queixa-se que não lhe dou prazer suficiente. Estarei a fazer algo errado?"

João, Évora

 

Caro leitor,

a maioria das mulheres necessita de 10 a 45 minutos de estimulação antes do coito para poder atingir o orgasmo. Dessa forma, procure saber aquilo que mais a satisfaz e não tenha preconceitos em satisfazê-la, pois se o fizer é garantido que você também irá sentir maior prazer. Para a mulher, o ato sexual é algo mais demorado e complexo do que para os homens, sendo também algo muito íntimo, carregado de valor sentimental, por isso muitas mulheres gostam que o parceiro demonstre carinho, que as abracem e que as excitem antes da penetração. Neste sentido, as mulheres dão muita importância aos preliminares, pois são eles que lhes permitem atingir o grau de excitação necessário para atingirem mais facilmente o orgasmo. Por isso, experimente dedicar mais tempo aos preliminares, é porque ela necessita deles para poder sentir-se excitada, e dessa forma desfrutar da relação sexual por completo.

“Não consigo deixar de segui-lo!”

Jelous Woman Stalking Image & Photo (Free Trial) | Bigstock

“O meu ex-namorado terminou comigo há um ano e meio, após quatro anos de namoro. Já tenho outro namorado mas o problema é que continuo a seguir todos os passos do meu ex-namorado e da namorada dele, por mais que tente não consigo evitar! Não sei o que fazer…”

 

Lígia, Coimbra

 

Cara leitora,

Aceitar o fim de uma relação nem sempre é fácil, especialmente quando foi a outra pessoa que decidiu terminar. No entanto, a situação que refere é uma falta de respeito para com o espaço individual do seu ex-namorado, que está no seu direito de refazer a sua vida, para com o seu atual namorado, que está a construir uma relação com uma pessoa que ainda vive presa a outra, e para consigo, que não se permite a si própria seguir em frente. Nesse sentido, para que possa ser feliz e deixar que as outras pessoas também o sejam, é aconselhável consultar um psicólogo, que possa explorar consigo as causas que a fazem continuar a agir dessa forma e, através do acompanhamento terapêutico, ajudá-la a libertar-se dessa situação. Reflita sobre aquilo que não está bem na sua vida, e que a faz continuar ligada a alguém com quem já não tem uma relação. Refere que tem um namorado, mas continua a seguir o seu ex-namorado, o que pode indiciar pouco interesse da sua parte no seu relacionamento atual. Avalie se não terá necessidade de estar sozinha para que, devidamente acompanhada por um terapeuta, possa compreender o que deseja para a sua vida, que lições aprendeu com esta experiência e o que pode realmente fazer para ser feliz, concentrando-se única e exclusivamente em si, e naquilo que pode fazer pelo seu bem-estar e realização. 

“O que se passa comigo?”

“Tenho 19 anos e há 2 anos que namoro com um rapaz. Há 8 meses perdi a virgindade com ele. Correu tudo bem, eu tinha ido ao médico antes, que me mandou fazer alguns exames e que me orientou sobre as sensações que possivelmente iria ter... Eu já tomava anticoncecional desde os meus 14 anos, porque a minha menstruação tem um fluxo muito forte. O meu namorado, entretanto, fez uma cirurgia e tivemos de estar mais de dezoito dias sem ter relações sexuais. Quando o médico dele indicou que era seguro termos relações sexuais eu perdi a vontade, deixei de sentir desejo. Quando tentei forçar senti muitas dores e sinto que a minha vagina está com um odor diferente, com muito corrimento.

É normal eu sentir essa falta de interesse por ele? Gosto de beijar, abraçar, mas quando nos envolvemos mais intimamente peço-lhe que pare e sinto vontade de chorar. Tenho medo que seja alguma infeção!”

Maria, Lamego

  

Cara leitora,

O seu caso apresenta tantos aspetos que deve em primeiro lugar falar abertamente com o seu médico para melhor a esclarecer. O facto de fazer contraceção é positivo para ficar descansada quanto a possíveis gravidezes indesejadas, mas não a protege de contrair infeções sexualmente transmissíveis e isso pode ainda preocupá-la.

Não sei como reagiu às suas primeiras relações sexuais, se gostou, se se sentiu confortável, como ficaram depois. Não sei a causa da cirurgia do seu namorado e se ela pode relacionar-se com a sua falta de desejo. Também não sei se a vossa relação sofreu alguma mudança nesses dias em que não tiveram relações. Qualquer um destes fatores pode influenciar o seu desejo sexual e a sua vontade de ter sexo.

Reflita um pouco, sozinha ou acompanhada, sobre o que poderá estar a ter impacto nos seus sentimentos em relação à sexualidade. Aconselho ainda a que procure a ajuda de um psicólogo ou de um sexólogo para que ele a ajude a fazer um diagnóstico e a lidar com a situação. No que toca a dores, odores e corrimento tem mesmo de fazer um diagnóstico presencial com um médico, pois pode ter desenvolvido algumas bactérias vaginais (a vagina como mucosa tem uma flora vaginal que pode desequilibrar-se e dar tais sintomas), como pode ter sido infetada com uma infeção sexualmente transmissível e estar a reagir negativamente ao sexo por lhe causar dores.

“Confessei-lhe que fingia o orgasmo!”

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 “Estou há três anos com o meu namorado e finalmente ganhei coragem para confessar que sempre fingi o orgasmo, pois nunca tive um orgasmo, nem com ele nem com nenhum outro parceiro. Ele foi bastante compreensivo, e não tinha tido relações sexuais antes de mim, mas neste momento sinto-me insegura, pois cada vez que começo a manifestar excitação tenho medo que ele pense que estou a fingir. O que hei-de fazer?”

Bárbara, Nazaré

Cara leitora,

O facto de ter ganho coragem para contar a verdade é extremamente positivo e é o primeiro passo para conseguir efetivamente ter prazer. A comunicação honesta e sincera entre os parceiros é fundamental para ter uma vida sexual satisfatória para os dois. Para conseguir ter um orgasmo verdadeiro, liberte-se da pressão de o conseguir. Experimente fazê-lo primeiro através da masturbação, sem pressas, e diversificando as vossas atividades sexuais, experimentando através do sexo oral, da masturbação mútua, etc. Concentre-se nas sensações, a sós ou com o seu par, sem querer controlá-las, entregando-se simplesmente a elas. Quanto mais relaxar, mais fácil será. Se mesmo assim não conseguir, não desanime. Uma vez que diz nunca ter tido um orgasmo pode ser necessário consultar um terapeuta que possa fazer um acompanhamento personalizado do seu caso.

“Traí o meu namorado…”

 worried-woman - RA Fischer Co.

“Tenho 19 anos e namoro há 4 anos. É o meu primeiro namorado e amo-o, temos uma ótima vida sexual, mas a verdade é que já o traí algumas vezes. Gosto de sair sozinha e de sentir que estou a conquistar alguém, foi sempre isso que me levou a trair. Será que nunca vou conseguir ter um compromisso?”

 

Gabriela, Lisboa

 

Cara leitora,

Em primeiro lugar é de frisar que deve sempre usar preservativo e evitar comportamentos de risco, já que está a pôr em causa a sua saúde e a do seu namorado, que não sabe o que se passa. O sexo casual pode ser excitante, mas pode ser também muito perigoso. O facto de ter necessidade de aventura é natural, dada a sua idade e também uma vez que esta é a sua primeira relação séria. Mais tarde poderá, de forma natural, assumir um compromisso, mas por enquanto e dadas as circunstâncias o melhor será terminar a sua relação e desfrutar a vida, sempre de forma segura e sem se expor a riscos.

 

“Serão saudades da minha ex-namorada?”

Stop Feeding the Beast: A Therapist's Approach to Treating Men with Severe  Depression | NewHarbinger.com

“Acabei uma relação há cerca de um ano e tenho outra namorada, que é linda e desejável. No entanto, de há uns tempos para cá comecei a sentir falta da minha ex-namorada, tenho andando em baixo e aconteceu-me uma coisa que nunca tinha sucedido antes, não consigo segurar a ereção. Será que se trata de uma depressão? A verdade é que perdi o interesse na minha namorada atual… devo contactar a minha ex?”

 Cláudio, Beja

 

Caro leitor,

Por aquilo que descreve parece já ter encontrado a explicação para o seu problema. A depressão e o stress interferem no desempenho sexual, mas à partida o facto de pensar constantemente na sua ex pode estar relacionado com a perda de interesse pela sua parceira atual (e não o contrário). Se estivesse satisfeito com a sua relação atual não pensaria numa relação que, se fosse satisfatória, não teria terminado. Assim o melhor será terminar com a sua atual namorada e, antes de entrar em contacto com a sua ex, avaliar o que se passa consigo. Deve consultar o seu médico, caso tenha outros sintomas depressivos. Se continuar com o desejo de retomar o contacto com a sua ex pode fazê-lo, estando, no entanto, preparado para uma possível rejeição que pode, ainda assim, ajudá-lo a aceitar definitivamente o fim. Deve ter também em consideração o estado de calamidade em que vivemos, evitando correr riscos. Lembre-se também que só quando estiver tudo bem claro na sua cabeça pode e deve iniciar outro relacionamento – é mais honesto consigo, e com a pessoa com quem está.

“Ela quer fazer sempre a mesma coisa!”

“A minha esposa quer fazer amor sempre da mesma maneira porque acha que se assim temos prazer não há motivo para mudar. Já tentei pedir-lhe para fazermos outras posições mas ela não quer mudar, e confesso que isto me está a fazer perder o desejo por ela. O que hei-de fazer?”

Nuno, Sacavém

Caro leitor,

A questão principal tem a ver com a comunicação entre os parceiros. Nem sempre as duas pessoas apreciam o mesmo tipo de práticas, mas importa compreender quais são os motivos que levam a sua esposa a não querer mudar. Poderá haver receios que ela não manifesta ou pode não se sentir suficientemente à vontade com o seu corpo e com a sua sexualidade, preferindo manter uma postura dentro do que ela considera tradicional. Pode, também, haver algum tipo de experiência que a marcou de forma negativa, mesmo que não tenha acontecido especificamente com ela, e que ela associe a algo que é desagradável ou indesejável. Assim, lembre-se que se não conversar abertamente com ela, deixando sobretudo espaço para que ela se sinta confortável a explicar os motivos que a levam a agir dessa forma, estará a afastar-se cada vez mais, e será cada vez mais difícil preservar a união. Quando um casal se cala em relação a algo que está a incomodar um ou os dois, está apenas a deixar que aumente a distância entre ambos, chegando a pontos muitas vezes irreversíveis. Pode ser benéfico para ambos, também, fazer terapia de casal com um terapeuta especializado, mesmo que as consultas sejam feitas por videochamada.

“Amo-o, mas não quero fazer amor…”

bored couple | TENNIS LIFE MAGAZINE“Tenho 38 anos e sou casada. Não sei porque é que isto acontece, mas há mais ou menos 2 anos que deixei de ter vontade de ter relações sexuais com o meu marido. Finjo dores de cabeça ou digo que tenho sono, evitando a todo o custo, mas continuo a amá-lo como antes. Preciso de resolver esta situação, mas não sei como.” Maria Joana, Viseu 

Cara leitora,

A inibição de desejo feminino ou apatia sexual é um transtorno muito mais comum do que podemos imaginar, atinge tanto mulheres casadas, como solteiras, sem distinção de idade ou classe social, por isso não se sinta única na vivência desta situação. São vários os fatores que podem contribuir para a diminuição do desejo sexual, nomeadamente uma depressão, estados de ansiedade, gravidez, o nascimento de uma nova criança e doenças crónicas tais como o cancro. Faça uma análise dos últimos dois anos da sua vida e tente identificar o fator que possa ter causado o seu desinteresse sexual. A melhor forma de resolver esse problema deve ser encontrada por si e pelo seu marido, através de uma conversa franca e aberta, partilhando emoções e sentimentos. Explique ao seu companheiro o que sente, transmitindo-lhe as suas dúvidas, mas também o amor que sente por ele e a vontade de resolver toda esta situação. Deve em conjunto com o seu companheiro percorrer uma longa caminhada, tendo em vista a melhoria da relação e satisfação conjugal. Um terapeuta sexual pode dar-vos uma ajuda importante nesse sentido, fazendo-vos perceber de que forma podem melhorar o vosso relacionamento.