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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

“Tenho um relacionamento estável, mas penso muitas vezes noutro homem”

“Namorei três anos com o meu companheiro com quem vivo há dois e  sempre nos demos bem. Embora tenhamos um relacionamento sério, há algum tempo para cá comecei a sentir-me sexualmente atraída por outro homem. Não sei o que fazer…”

 Marina, Alcácer do
Sal

 

Cara leitora,

Compreendo que se encontre bastante confusa e instável a nível emocional pelo que dá a entender pela sua carta. Relativamente a esta questão, é perfeitamente normal sentir-se dividida, e isso é bastante natural. Diz que gosta do seu parceiro actual com quem se relaciona há 5 anos, mas sente-se atraída por outra pessoa a nível sexual. No inicio do vosso namoro o ser conquistada e seduzida fê-la sentir muito especial e amada acima de tudo e de todos, mas após cinco anos a vossa relação já se tornou rotineira e a excitação já não é igual à de antes. O facto de se sentir sexualmente atraída
por outro homem sugere que a leitora experimenta a necessidade de voltar a sentir a excitação da conquista. Obviamente que todos nós gostamos da sensação de conquistar e de sermos conquistados, e isso faz parte da natureza humana, mas não se pode esquecer que depois da conquista e do desvendar do mistério que se encontra por detrás da pessoa desejada, facilmente se chegará a um momento de rotina, de insatisfação e de incerteza. Fazer sexo apenas por prazer carnal pode ser uma experiência memorável, mas fazer amor com a pessoa que se ama é uma sensação bem mais intensa. Tendo em conta que tem uma relação estável e com alguns anos é aconselhável que tenha uma atitude mais ponderada e consciente para não tomar precipitadamente qualquer decisão. Se pretende salvaguardar o seu relacionamento, tente quebrar a rotina que possivelmente invadiu a vossa relação e que promoveu este tipo de pensamentos.

“Apaixonei-me por um rapaz mais novo”

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“Tenho 35 anos, sou divorciada e não tenho filhos, mas tenho receio de assumir a relação com um rapaz 10 anos mais novo do que eu, e não sei o que devo fazer, pois ele está a pressionar-me para o fazer.

 

Luísa, Carregado

Cara leitora,

É comum a insegurança que diz sentir nesta situação, pois trata-se de um cenário menos comum numa sociedade que infelizmente ainda faz muitos juízos de valor. No seu caso, faça uma avaliação dos seus sentimentos por esse rapaz, e do rumo que essa relação poderá ter, uma vez que tem sido uma relação camuflada e longe dos olhares das outras pessoas. Tenha uma conversa franca com o seu companheiro de modo a averiguar se ele está na disposição de assumir publicamente o vosso amor, bem como todas as consequências que disso podem advir. Se verificar que, de facto, essa relação reúne condições para seguir em frente, por mais que lhe custe, não a oculte da sua família e amigos. Conte-lhes a verdade pois de facto você não está a fazer nada de errado, e tem todo o direito de ser feliz.

“O meu marido nunca quer ter relações comigo.”

“Engordei bastante depois de ter tido o meu filho e sinto-me bastante mal por causa disso, pois era uma mulher atraente e normalmente chamava as atenções, cheguei a ganhar um concurso de modelos quando era mais jovem. Para piorar ainda mais a situação, noto que o meu marido perdeu o interesse sexual em mim, nunca me procura e quando eu quero fazer amor ele esquiva-se. O que devo fazer?”

 

Joana, Braga

 

Cara leitora,

Parece que o peso que ganhou a incomoda bastante, e imagino que apesar de dizer que o seu marido não tem interesse em si sexualmente, que você também não se deve sentir muito atraente ou sexy. Por isso, terá de decidir primeiro o que quer fazer para melhorar a sua auto-estima, pode tentar perder algum desse peso pois parece que isso a iria fazer mais feliz, e pode entretanto tentar vestir-se de forma que se sinta mais bonita e atraente, mesmo com o peso que tem, pois existem muitas mulheres que têm excesso de peso e nem por isso deixam de ser sexy e bonitas. Quanto ao seu marido, converse com ele acerca do que tem estado a sentir, pois pode ser que algo diferente se esteja a passar com ele e que faça com que ele tenha esta atitude em relação a si. Lembre-se que ter um bebé em casa muda muito a rotina e a vida do casal, e o seu marido pode estar também a sentir-se perdido em relação ao papel que tem na família e na sua relação consigo, ou apenas cansado com o acréscimo de tarefas que o cuidado de um bebé implica.

"A minha namorada não me satisfaz!”

“Namoro há dois anos e há pouco tempo iniciei a vida sexual com a minha namorada, acontece que ela não me satisfaz como eu gostava… Como hei-de fazer para que ela perceba isso sem a magoar?”

Rui, Benavente

 

Caro Leitor:

Se não disser à sua namorada aquilo que gosta que ela lhe faça, ela provavelmente nunca o irá perceber, e continuará na ilusão de que tem desempenhado o seu papel na perfeição. Também pode adoptar outra estratégia que é fazer-lhe a ela o que gostaria que ela lhe fizesse a si. Fazer comentários durante o acto sexual também pode resultar. Verbalize as suas preferências e reforce os comportamentos que quer que ela continue a ter dizendo-lhe o quão bem ela os faz. Faça sugestões de uma forma sedutora, não tenha medo nem receio de falar com a sua namorada acerca de sexo, mas faça-o de uma forma calma, sem lhe dar ordens ou fazendo-a sentir-se um fracasso. O diálogo aberto e sem tabus é fundamental entre um casal.

“Estou muito deprimida!”

A minha namorada acabou o namoro que tínhamos há 2 anos. Eu tenho estado bastante deprimida e não consigo ter energia para continuar a viver sem ela. O que devo fazer?

Joana, Lamego

 

 

Cara leitora,

É natural que se sinta deprimida por a sua namorada a ter deixado, pois após dois anos de relacionamento a leitora perdeu a pessoa que ama de um momento para o outro. Apesar de a sua reacção ser normal, um estado de depressão pode ser bastante sério e deve ser tratado como tal. Uma vez que diz estar bastante deprimida e não ter energia para continuar a viver sem a sua namorada aconselho-a a consultar ajuda professional o mais rapidamente possível. Deve marcar uma consulta com um psicólogo, para que este lhe dê apoio psicológico, e com um psiquiatra que lhe receite medicação, pois desta forma terá a ajuda que necessita para ultrapassar o momento dificil pelo qual está a passar. 

“Sou lésbica, e agora?”

 

“Tenho 20 anos e descobri recentemente que sou lésbica. Iniciei um relacionamento com uma mulher um pouco mais velha e experiente do que eu, e embora tudo esteja a correr bem entre nós não sei como contar à minha família e amigos, especialmente aos meus pais, pois acho que vão reagir mal.”

 

Liliana, Leiria

 

Cara Leitora,

Apesar de existir socialmente uma maior abertura, a questão da homossexualidade continua a ser um assunto tabu e rejeitado por muitas famílias. Neste sentido, é natural o seu receio em abordar esta questão com os seus pais. A maior expectativa dos pais é quase sempre que os filhos se casem e lhes dêem netos de modo a alargar a família. Por isso, muitas vezes, falar de relacionamentos entre pessoas do mesmo sexo revela-se bastante complicado.

Tente compreender a posição dos seus pais, não é fácil aceitar e lidar com uma situação que em nada tem a ver com aquela que idealizaram. Procure mostrar-lhes, de forma cautelosa, que a sua felicidade está junto da pessoa que ama, independentemente do seu sexo. Mostre-lhes que compreende a posição deles, mas peça-lhes que compreendam também os seus sentimentos. Certamente que, por gostarem de si, entenderão e respeitarão a sua decisão. Não desista de lutar pela sua felicidade!

 

"Apaixonei-me pela minha massagista!”

“Há seis meses que estou a ter sessões de massagens com uma massagista de quem gosto muito. Com o tempo fomos ganhando à vontade um com o outro e agora acho que estou apaixonado por ela. Não sei o que fazer.”

Gonçalo, Lisboa

 

Caro Leitor,

 

O tempo e a cumplicidade que se vai estabelecendo entre as pessoas, são muitas vezes factores importantes para que nasça o amor e isso foi precisamente o que aconteceu consigo. Com o tempo passou a conhecer melhor a sua massagista e dentro de si foram despertando outros sentimentos além de uma amizade inocente.

De forma a terminar com essa ansiedade, cabe-lhe a si avaliar a receptividade dessa pessoa, ou seja, confirmar se o sentimento é recíproco ou
não e a partir daí ganhar coragem e falar com ela sobre os seus sentimentos. Lembre-se que se não for corajoso nunca saberá os sentimentos que ela nutre por si e viverá permanentemente na incerteza.

 

“Descobri que fui traído”

 

“Descobri que a minha esposa traiu-me com um colega de trabalho. Estou possesso e apetece-me fazer justiça com as próprias mãos. O que devo fazer? Estou muito confuso…”

Roberto, Bobadela

 

Caro Leitor,

A situação que está a atravessar é realmente bastante complicada e desta forma o seu tipo de comportamento é perfeitamente compreensível. Porém, ressalvo-lhe que não pense em fazer justiça com as suas próprias mãos, pois por certo essa não será a melhor via de resolver os seus problemas, aliás apenas poderá trazer-lhe mais complicações. Neste sentido, por mais difícil que possa ser para si, mantenha a calma e pense numa forma coerente de abordar esta questão com a sua esposa.

Tente controlar essa revolta para que não chegue a consumar a agressão. Procure agir com razão para que não perca as rédeas da situação. Lembro-lhe que a violência não resolve nada e é importante que não percam o pouco respeito que ainda têm um pelo outro. Converse com a sua esposa e diga-lhe tudo aquilo que sente, depois de escutar o que ela tem para dizer, tome a decisão que considerar mais correta para si.

“As infecções urinárias transmitem-se através das relações sexuais?”

Tenho 42 anos e uma saúde bastante frágil, pelo que tenho uma forte tendência para apanhar infecções urinárias. Uma vez que sou solteira, não tenho um parceiro fixo. Gostava de saber se as infecções urinárias podem ser transmitidas através das relações sexuais.”

Sandra, Lisboa

 

Cara Leitora,

 Existem algumas infecções sexualmente transmissíveis que causam sintomas semelhantes aos das infecções urinárias, tais como a clamídia ou a gonorreia. Porém, as infecções do aparelho urinário e as bactérias que transporta não são consideradas Infecções Sexualmente Transmitidas, mas isto não invalida que estas infecções não estejam relacionadas com o acto sexual. Ou seja, as mulheres que têm uma vida sexual activa estão mais predispostas a estas infecções do que as não activas. Teorias defendem que as bactérias instaladas na zona vaginal sejam direccionadas para a bexiga através da uretra após a relação sexual vaginal. Desta forma, um dos meios de prevenção contra as infecções urinárias é urinar logo após o acto sexual para que possa expelir as bactérias do aparelho urinário. Advirto-a para a importância do devido acompanhamento médico para estes casos, ainda para mais quando é uma pessoa bastante permeável a estas situações.

 

“Ele gosta de ser assediado!”

“O meu namorado é um homem 10 anos mais velho do que eu e é muito atraente, e por isso bastante assediado pelas mulheres, mesmo estando junto a mim. O que me chateia é que ele muitas vezes retribui as gracinhas e nem se lembra de que eu estou com ele. Estou farta disto, pois sinto-me muito insegura. O que devo fazer?

 

Sónia, Santarém

 

Cara Leitora,

Regra geral, as pessoas são bastante recetivas a elogios e a piropos. Mas há que especificar a contextualização dos mesmos. Certo é que uma coisa é o seu namorado ser alvo de “gracinhas” consigo por perto e outra coisa é quando ele está sozinho. Porém, pelo que relata ele não faz essa distinção e é sempre bastante simpático para as raparigas que tecem esses comentários. Não é, no entanto, por retribuir os piropos que isso significa que a quer ou vai trair. Há pessoas que simplesmente gostam dos elogios como forma de aumentarem a própria autoestima ou de enaltecerem o seu ego, sem que tal signifique que sejam desonestas ou desleais para com o parceiro.

Quanto a si, deve adotar uma postura de sinceridade e conversar com o seu namorado sobre esta questão. Mostre-lhe o quanto fica magoada e triste com a recetividade que ele tem em relação aos piropos e que pelos menos seja mais discreto quando a leitora está por perto. Não se iniba de confessar as suas inseguranças, pois apenas com a franqueza poderão contornar positivamente as vossas divergências. O que não deve fazer é interiorizar as coisas que a deixam infeliz, converse com ele e, se necessário, faça você mesma os elogios que ele gosta de ouvir.