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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Tema de hoje: Problemas Sexuais

Mapplethorpe

 

 

Estou a fazer um trabalho sobre doenças sexualmente transmissíveis, a minha
pergunta é:

Refira a relação entre as doenças sexualmente transmissíveis e as condições de vida de grupos sociais específicos (pobreza, desqualificações, estilos de vida, etc). Acha que me pode ajudar?

António Mendes
 
 
 
Caro António,
Não sei se o poderei ajudar muito pois de momento a minha área de investigação não envolve infecções sexualmente transmissíveis. Para obter informação mais recente e correcta aconselho que consulte a biblioteca da sua escola e tente fazer uma busca em sites profissionais tais como o PubMed, PsycInfo, etc... O que lhe posso dizer é que os resultados de estudos variam bastante dependendo do país onde foi realizado o estudo, etc.... De forma geral, as infecções sexualmente transmissíveis não afectam grupos sociais específicos, mas sim pessoas que têm comportamentos sexuais de risco, como ter sexo ou contactos genitais desprotegidos, sem preservativo. Tal pode acontecer a qualquer pessoa que tenha uma vida sexual activa e com isto não me refiro apenas a relações sexuais com penetração, mas também a carícias, contactos genitais, sexo oral ou anal, entre pessoas do sexo oposto ou do mesmo sexo.
O que me parece essencial na questão das infecções sexualmente transmissíveis é cada pessoa deve conhecer bem o seu próprio corpo e estar atenta a sinais de alterações como comichões, inchaço, dores, mudança de cor, de cheiro ou outras. Quando estes sinais aparecem, deve consultar-se um médico o mais rápido possível, sem vergonhas nem hesitações, de modo a iniciar tratamento se necessário e não ter relações sexuais desprotegidas até ser observada e tratada.
O preservativo é o método de barreira essencial para prevenir o contágio, se bem colocado e retirado na hora certa, e tem muitas vantagens: previne igualmente das gravidezes indesejadas, há em vários sabores, cores, texturas, materiais (látex é o mais utilizado, mas existem outros, como o poliuretano), prolonga a relação sexual…
 
A correcta colocação deste método é:
1) Verificar antes do encontro o estado da embalagem, a data de validade e se tem certificado de qualidade de Comunidade Europeia, que garante que está em boas condições;
2) Quando há uma erecção satisfatória e antes de qualquer contacto genital, abrir a embalagem exterior do preservativo, sem utilizar os dentes, tesouras, unhas ou algo afiado (pode empurrar-se o preservativo para um dos lados da embalagem);
3) Com três dedos (polegar, indicador e médio) agarrar a ponta/recipiente do preservativo, para haver espaço para onde o esperma sair.
4) Logo depois de ejacular, retirar o preservativo a partir da base do pénis, para que não deixe sair nenhum sémen para a zona genital vaginal, dar um nó, embrulhar em papel e deitar num caixote do lixo.
Se se seguir estas regras e apenas se utilizar lubrificante adicional à base de água e nunca à base de óleo, a eficácia na protecção dos riscos sexuais é de 95%.
Espero tê-lo ajudado – bom trabalho!

Tema de Hoje: Sexo Oral

 “O meu esposo quer fellatio”

 

“O meu esposo pede–me para fazer fellatio antes de termos relações sexuais, porque isso o excita imenso, eu até gostava de lhe fazer, se soubesse o que é…”

Ana, Guimarães

 

 

Cara leitora:

Realmente essa palavra pode parecer um pouco complicada!!! Fellatio é apenas o termo "técnico" para sexo oral. Ou seja, a estimulação do órgão genital (feminino ou masculino) com a boca. Esta é uma prática bastante comum entre casais, por isso o pedido do seu esposo é bastante normal. Muitos homens apreciam o sexo oral mais do que a penetração por ser bastante excitante, daí o seu marido pedir-lhe que o pratique. Agora que já sabe o que é pode satisfazê-lo sem problemas. 

Tema de Hoje: Masturbação


Nan Goldin

 

 

 

 

 

Bom Dia, Prof. Drª Helena.

Gostaria de saber se a Drª pode  ajudar-me a entender o meu marido. Ele masturba-se quando não estou presente e diz não sentir prazer quando o faz.
Ele diz que é para se livrar do stress do dia-a-dia, mas nunca ouvi falar nisso. O que já ouvi falar é que libertamos a tensão sexual, mas ele diz que não é isso. Esclareça-me, por favor!

Flávia B
 
 
Cara Flávia,
 
A masturbação é uma actividade de busca de prazer com o próprio corpo e órgãos genitais, que pode ser feita solitariamente ou numa relação sexual. O prazer que o seu marido sente ao fazê-lo sozinho não significa que não goste de si, não goste da vossa relação ou que precise de mais qualquer coisa sexualmente. Há efectivamente pessoas que utilizam a masturbação para aliviar o stress (quanto mais nervosas mais o fazem) e, se isso não significar falta de controlo, inadequação dos sítios e situações onde o fazem, ou seja, se não houver um carácter compulsivo no comportamento, não há problema nem é disfuncional. Apenas pode chocar se não souber que é possível e se moralmente não gostar da ideia de masturbação. Como a Flávia reagiu negativamente ao perceber que ele o fazia na sua ausência, ele sentiu-se pressionado a dizer que não sentia prazer. Pode ser que o sinta ou não, mas tal não põe em causa o que sente por si e as relações sexuais que tem consigo.
Não se afaste do seu marido nem o trate mal por ter descoberto isto. Tente falar e compreender melhor e abertamente como ele se sente consigo e com a vossa relação e fique descansada que a masturbação não deve interferir no vosso amor. Pode pensar se lhe apetece apimentar a vossa relação e ser a Flávia a masturbá-lo – informe-se em livros, em sites da internet ou entre amigas sobre como fazê-lo e como tratar o pénis, para o surpreender e lhe mostrar que a masturbação feita por si pode ser um estímulo de prazer intenso!
 
 

Tema de hoje: Andropausa

 

 

 
“Tenho 58 anos e ultimamente tenho notado diferenças a nível emocional e sexual, e por isso me pergunto se estarei a entrar na andropausa?
 
José, Tavira
 
Caro Leitor,
 
Da mesma forma que a menopausa provoca alterações no corpo e no comportamento das mulheres, a andropausa manifesta-se nos homens provocando oscilações a nível físico e psicológico. Na andropausa, os homens podem observar mudanças a nível do desempenho sexual, bem como algumas alterações físicas e psicológicas. A andropausa define-se pela diminuição do nível de testosterona no homem, resultando no enfraquecimento do desejo sexual, bem como na dificuldade em manter a erecção. Outros sintomas que podem ser resultantes da andropausa são a diminuição do nível de energia física e a depressão. Convém referir que esta não é uma regra básica, pois cada homem é um caso. Porém, se achar necessário aconselho-o a dissipar as suas dúvidas junto de um especialista.
 

Tema de hoje: Problemas Sexuais

Sydney Owenson

 

 

Olá, boa tarde,
estou casada há 20 dias mas sinto muitas dores quando ele tenta penetrar-me, ao ponto de nunca o deixar ir até ao final, sinto-me muito incomodada com isso porque quero muito dar prazer ao meu marido. O que posso fazer para não sentir tantas dores? Será que existe algum gel ou pomada que seja anestésica, para que eu não sinta essas dores?
 
 
 
 
 
 
 
 
 
Sabrina
 
 
Cara Sabrina,
Antes de pensar num anestésico para as dores,  procure cuidadosamente as causas delas com um médico. Pode tratar-se de muitas coisas, desde apenas falta de excitação e lubrificação, por estarem a partir para a penetração rápido demais, até disfunções sexuais femininas, como o vaginismo ou a dispareunia. Deve consultar um/a ginecologista para ver se está tudo bem consigo a nível ginecológico e também iniciar uma terapia sexual presencial, para que consiga resolver os problemas da sua relação e das suas relações sexuais.
As disfunções sexuais femininas interferem muito nas relações íntimas, saiba que estes problemas acontecem a muitas mulheres e não deve deixar de tentar viver a sua sexualidade por estar agora a sentir isto. Por enquanto podem explorar outras formas de ter relações sexuais, não só através da penetração… Explorem as massagens, as carícias, a masturbação mútua, o sexo oral, os brinquedos eróticos… Usem a vossa imaginação para reinventarem a vossa sexualidade sem limites!
Tente pedir ao seu marido que a penetre aos poucos e de forma gentil, ou seja, sem colocar o pénis todo na vagina de uma vez, e à medida que ele for introduzindo o pénis a Sabrina deve controlar a profundidade e velocidade da penetração, deve também contrair e relaxar os músculos da vagina durante este exercício. Desta forma a Sabrina vai sentir mais controlo durante a penetração e vai acabar por descontrair, e por sua vez sentir mais prazer.
Aconselho também que explore o seu corpo através da masturbação, para que possa descobrir como gosta de ser tocada e o que lhe dá prazer, pois o primeiro passo para sentir prazer com um parceiro é ser capaz de o fazer sozinha.
Mas não deixe de procurar ajuda especializada, seria desejável fazer uma consulta presencial.
 

Tema de Hoje: Orgasmos

 “Não aguento tempo nenhum!”

 

“Tenho 25 anos e nunca consegui aguentar muito tempo no sexo. Já tentei líquidos das sex-shops, mas nunca me aguentei mais de 5 minutos, o que faz com que não consiga ficar com nenhuma das minhas namoradas. Até já cheguei a acabar a relação antes de ter sexo, para não ter de viver a vergonha. Acha que tenho tratamento?”

 

Rodrigo, Figueira da Foz

 

Caro Leitor,

A sua carta mostra um grande desespero e problemas nas relações não só sexuais, mas também íntimas. A ejaculação precoce, descrita pela sua insatisfação com o tempo que dura a penetração, tem tratamento psicológico e medicamentoso, através da sexologia, pelo que deve tentar fazê-lo o mais rápido possível para que a vergonha que nos conta não o domine desnecessariamente.

Como não aprofunda a intimidade nas suas relações não se chega a sentir à vontade e a ansiedade que sente antes, durante e depois das relações sexuais contribui para a ejaculação tal como a sente. O tempo não é o factor mais determinante da satisfação de um casal com a sua sexualidade, repare que uma relação sexual, desde o momento da penetração até à ejaculação e sem contar com os preliminares, dura para a maioria dos casais de 3 a 13 minutos (segundo um estudo recente da Society for Sex Therapy and Research, publicado em Maio no Journal of Sexual Medicine). Conversas públicas muitas vezes criam-nos expectativas irrealistas e podem deixar-nos insatisfeitos com situações perfeitamente normais.

Há algumas técnicas que pode experimentar para aumentar o tempo até à sua ejaculação: masturbar-se algum tempo antes do encontro sexual; colocar um preservativo (masturbe-se antes com ele, pois pode inibi-lo a colocação frente a outra pessoa e assim treina a sua utilização); e não desistir de ter relações sexuais só porque ejaculou e perdeu a erecção…Deixe-se ficar nas carícias, na estimulação mútua, descubra outras coisas que dão prazer às suas companheiras para além da penetração e até que volte a ter erecção suficiente para voltar a tentar a penetração.

Se estas sugestões não funcionarem, tente a técnica dos terapeutas sexuais – o “squeeze” – que consiste em parar a estimulação sexual e apertar a base ou freio do pénis com três dedos (polegar, indicador e dedo médio) antes da ejaculação e por 3 a 4 segundos, o que parará a ejaculação e causará uma redução da erecção. Continue a estimulação e excitação mútua para voltar a recuperar a erecção. Esta técnica deve ser repetida 3 vezes até permitir a ejaculação. É normal que nas primeiras vezes não seja bem sucedido em conseguir parar a estimulação antes de ejacular, mas deve continuar a tentar. Demora em média 3 semanas, fazendo o exercício 3 ou 4 vezes por dia até que se notem os resultados. Esta técnica pode parecer difícil de executar, pelo que a ajuda de um técnico especializado em sexologia pode ser útil. Não deve ter medo de recuperar a erecção, como refere, pois esse medo em antecipação é que o deve estar a impedir de a recuperar. É ter tranquilidade e não ser observador da sua relação, mas estar presente a sentir todo o prazer possível. Pode ainda masturbar-se até atingir o orgasmo e a ejaculação umas horas antes da relação sexual (ou na própria relação sexual), para que na próxima penetração o tempo desta seja mais duradouro.

 

Tema de Hoje: Adolescentes

 

 “O tipo de preservativo usado pode influenciar a relação sexual?”

 

“Gostaria que me explicasse se o tipo de preservativo utilizado durante a relação sexual interfere na obtenção de prazer. É possível que haja interferência nesse sentido?”

Ricardo, Seixal

 

Caro Leitor,

De certa forma, o tipo de preservativo influência o processamento da relação sexual. O tamanho, a forma, a cor e o sabor são alguns dos indicadores a ter em conta, uma vez que, para além do preservativo se tratar de um contraceptivo e um protector das doenças sexualmente transmissíveis, pode-se transformar num excelente instrumento para dinamizar e divertir a relação sexual e proporcionar uma melhor obtenção de prazer.

Tendo em conta que existe, actualmente, no mercado uma enorme variedade de preservativos é importante saber escolher aquele que melhor se adapta à sensibilidade de cada indivíduo. O que acontece é que muitas vezes escolhe-se o preservativo pelos momentos de diversão que pode causar e não pela segurança que pode transmitir. Neste sentido, quando escolher um preservativo, verifique primeiro quais as indicações de uso, as possíveis alergias que podem causar e a data de validade, depois escolha o preservativo que melhor se adequa a si e à sua parceira e, por fim, divirta-se!

 

 

Tema de Hoje: Sexo oral

Fiz sexo oral a duas pessoas diferentes com um intervalo de mais ou menos 3 meses. Há cerca de 3 semanas beijei outra pessoa onde houve uma intensa troca de saliva. Passado um dia ou dois desse beijo comecei a sentir tipo dor de garganta. Vi ao espelho e tinha do lado direito da garganta aquelas bolhas tipo garganta inflamada. Tenho tomado pastilhas para a dor de garganta mas não passa. Será que contraí alguma doença sexualmente transmissível?
Eduarda
Cara Eduarda,
 
Através do beijo não deve ter transmitido mais que uma constipação, gripe, com uma certa inflamação. O sexo oral pode realmente transmitir algumas infecções sexualmente transmissíveis, pelo que deve ir a uma consulta de planeamento familiar ou ao seu médico assistente com alguma urgência clarificar e fazer um diagnóstico rigoroso e presencial.
Não adie esta questão de saúde, pois a falta de tratamento pode piorar em muito os sintomas de infecções.
Lembre-se que também no sexo oral o preservativo a pode proteger de contrair infecções sexualmente transmissíveis e pode utilizar os que têm sabores, para ser mais agradável para si.    
 

Tema de hoje: Problemas de erecção

Preciso da sua ajuda... Nunca tive problemas com a erecção, porém este sábado saí com a pessoa com quem estou há 3 meses e não consegui fazer sexo. E o que mais me deixou perplexo é que eu já tive relações com ela. O que devo fazer?
 
Rodrigo
 
Caro Rodrigo,
 
Não se preocupe com o sucedido, pois o seu problema parece ter surgido por factores de uma situação pontual, ou momentânea – como refere ter saído, pode ter tido essas dificuldades por ter bebido álcool, estar cansado de trabalhar, ou mesmo ter uma preocupação a atormentá-lo.
Tente não entrar num ciclo vicioso, pois quando sente que uma experiência corre mal, pode começar a sentir ansiedade de antecipação e ficar preocupado com isso, o que influencia muito a próxima relação sexual, de modo negativo.
Um homem não tem de querer e desejar relações sexuais a toda a hora: pode estar bem com a sua parceria, mas não lhe apetecer naquele momento e, por isso, o seu cérebro e o seu corpo não responderem aos estímulos de prazer.
Tente abstrair-se de problemas e não pensar nessa única vez em que as coisas não correram como gostaria, tente relaxar, não partir logo para a penetração mas demorar-se nas carícias, em sentir o corpo da outra pessoa e o prazer e satisfação que lhe pode oferecer, em descobrir as suas zonas erógenas preferidas…
Se o problema persistir, pense em consultar um médico especialista ou um sexólogo/a, para que não deixe esta pequena dificuldade crescer em bola de neve na sua vida.

tema de hoje: Dúvidas sexuais

 

Sou casada há 16 anos, temos um filho e até há pouco tempo eu era feliz. Desde há uns meses veio uma colega nova para o meu trabalho, estamos frente a frente na secretária e comecei a sentir coisas que nunca tinha sentido… Sei que estou apaixonada por ela, adoro as nossas conversas, as risadas, a maneira como ela se veste e parece, ando ansiosa por voltar ao trabalho. Tenho medo de mim – o que posso fazer? Serei lésbica?
 
Luisa
 
Cara Luisa,
 
A sua certeza na paixão que está a sentir parece estar a indicar-lhe o seu caminho. É normal que sinta medo de descobrir uma nova dimensão da sua sexualidade, principalmente quando não esperava senti-la por uma pessoa do mesmo sexo, mas parece que sentir tais emoções está a deixá-la também feliz.
Não se preocupe com o que é, com nomes e adjectivos sobre a sua orientação sexual. Vivemos numa sociedade muito heterossexista, ou seja, parte-se do princípio que toda a gente é heterossexual e tem relações com pessoas do sexo oposto, mas a realidade não é assim. Como ainda existe alguma discriminação e homofobia (sentimentos negativos face às pessoas lésbicas, gays, bissexuais) pode ser assustador passar pelo que está a passar agora. Mas não se culpabilize nem sinta mal – afinal de contas quem controla os seus sentimentos e por quem bate o coração!?
Oiça o seu coração e expresse os seus sentimentos a alguém em quem confie (a sua colega? Uma amiga que a possa ajudar? Alguém que esteja numa relação com outra pessoa do mesmo sexo ou já tenha estado, pessoas de associações de lésbicas, gays ou bissexuais) de modo a perceber que decisões deve tomar neste momento da sua vida. Procure associações da comunidade em que haja outras pessoas apaixonadas por pessoas do mesmo sexo, para compreender e partilhar livremente os seus sentimentos. Muitas pessoas mudam o rumo do seu casamento, pois este não as satisfaz toda a vida, não se deve culpabilizar por isso e tenha confiança que o seu filho preferirá vê-la feliz do que infeliz por ele.