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Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Consultório de Sexologia

Profª Drª Helena Barroqueiro

Virgem aos 30

Olá, gostaria de
uma ajuda da vossa parte.

Bom, tenho 30 anos... e ainda nunca fiz sexo... resumindo, sou considerada
virgem... A questão é que estou decidida a acabar com isto na minha vida, até aqui
não era importante, mas agora isto incomoda-me. A verdade é que eu sempre tive
bons relacionamentos com os homens, mas ao namorar, ou quando eles pedem algo
mais sério, eu fujo, não quero um compromisso sério... E, por isso, nunca fiz
sexo. Pratico masturbação, mas não com penetração. Queria informações sobre a
primeira vez, e se isto é normal numa mulher... ou se o meu caso é grave! Agradeço
a atenção concedida.

 

Cada
pessoa tem o seu ritmo natural para fazer as coisas, e isso aplica-se também ao
sexo. Você diz que se tem masturbado durante os últimos anos mas apenas não
experimentou a penetração, o que não tem nada de mal. Respeite o seu desejo e ritmo
natural e faça apenas aquilo que quer realmente fazer, sem se sentir pressionada.
Se deseja de facto ter um relacionamento mais sério com alguém e aí então
deseja experimentar a penetração pela primeira vez, deve fazê-lo sem preocupações.
Deve no entanto partilhar com o seu companheiro o facto de ter optado por se
manter virgem todo este tempo, pois isso fará com que ele seja mais cuidadoso
na primeira vez que tiverem relações sexuais. É importante que da primeira vez
que pratiquem a penetração esteja descontraída e apenas experimente introduzir
o pénis quando estiver bastante excitada e lubrificada. Pode também
experimentar utilizar um gel lubrificante para ajudar na penetração. Se sentir
desconforto durante a penetração diga ao seu parceiro para parar e mantenha o pénis
dentro da vagina sem fazer qualquer movimento durante alguns segundos, depois
respire fundo e descontraia os músculos da vagina, e após alguns segundos diga
ao seu parceiro para continuar a penetração.

 

A primeira vez!

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Iniciar a vida sexual é uma escolha individual. E essa decisão deve ser pensada e tomada com maturidade. A primeira relação sexual gera muitas dúvidas: Vai doer? Vai sangrar? É o momento certo? Não existe uma altura certa para estar preparado para iniciar a vida sexual. A primeira vez é sempre diferente de pessoa para pessoa.

 

A iniciação sexual, para a maioria das pessoas, é uma situação de ansiedade, acompanhada de excitação e medo. Ela pode representar o amor, mas pode, também, ser fonte de sentimentos de frustração e de desilusão. Ninguém esquece a primeira relação sexual, porque normalmente imaginamos uma coisa e criamos muitas expetativas de como vai ser esse momento, o que muitas vezes não corresponde à realidade.

 

Ser virgem significa nunca ter tido um contato sexual, para outros, significa nunca ter tido uma relação com penetração; outros ainda, atribuem o rompimento do hímen à perda da virgindade. Não existe portanto uma definição consensual do que é a virgindade.

O significado mais comum atribuído à virgindade tem a ver com a prática sexual, em que existe a penetração do pénis na vagina havendo o rompimento do hímen. Alguns hímenes rompem logo nas primeiras relações sexuais e provocam um sangramento, enquanto outros, por serem mais flexíveis, alargam e não sangram. Mas também se pode dar o caso de uma mulher não ter hímen, ter nascido sem ele

 

Mitos da virgindade

* O tampão não tira a virgindade;

* Quem se masturba não deixa de ser virgem, mesmo que a masturbação seja a dois;

* Se a rapariga/mulher não sangrar na primeira relação sexual não significa que ela não é virgem.   

 

A dor

Por outro lado, a primeira relação sexual não implica necessariamente dor. Os mitos acerca do rompimento do hímen, da penetração, são passados de boca em boca, de geração em geração. É claro que a precipitação, a falta de confiança, o medo e a ansiedade podem fazer com que os músculos da vagina fiquem mais contraídos e que não lubrifique tanto. Nestas circunstâncias, a relação sexual pode ser um pouco desconfortável. Quando um casal se sente preparado para ter uma relação sexual, quando sente que chegou o momento, quando dispõe de tempo, basta deixar crescer o desejo, relaxar e desfrutar da intimidade a dois. As carícias, os gestos ternos, as palavras ditas com carinho, afeto e cuidado podem ajudar a descontrair.   

 

A idade ideal

Não existe uma idade, uma hora ou um espaço indicado ou aconselhado. Para uma pessoa a idade certa pode ser uma, para a(o) outra pode ser diferente. Tudo depende dos sentimentos, do desejo, da segurança, do sentido de responsabilidade, da maturidade física e afetiva.

 

A sexualidade na asolescência

Para os pais que têm filhos numa fase de grandes mudanças, como é a adolescência, há que deixar os tabus para trás e abrir a mente. Em primeiro lugar, tenha em atenção que, embora não se deva considerar a melhor amiga do seu filho ou da sua filha, é em si que eles devem apoiar-se para esclarecer muitas das suas dúvidas, bem como resolver alguns problemas. Se nunca se mostrar disponível para o diálogo, então será nos amigos da mesma idade, que sabem tanto quanto eles sobre o assunto, que estes irão procurar informação sobre sexo, ou outros assuntos, que pouco ou nada se sentem à vontade para partilhar consigo.

 

Como muitos pais não se preparam para o início da vida sexual dos seus filhos adolescentes, estes acabam por se colocar em situações de risco, tais como: gravidez prematura, contacto com doenças sexualmente transmissíveis ou experiências sexuais desagradáveis. E não falamos apenas de países subdesenvolvidos! 

 

Tenha em conta que não é pelo facto de falar com o seu filho sobre sexo que este iniciará a sua vida a este nível levianamente. E para que isso não suceda explique-lhe que o sexo é algo bom e natural, mas tem um momento certo para acontecer, que temos que estar psicologicamente e fisicamente preparados. E se dúvidas houver, os especialistas dizem que meninos e meninas devem receber o mesmo tipo de orientações. Não podem existir preconceitos. O ideal é que seja o pai a dialogar com os filhos e a mãe a esclarecer as filhas.

 

O hímen é uma membrana de pele muito fina que existe um pouco depois da entrada da vagina. As suas características diferem de mulher para mulher em função do seu grau de elasticidade.

"Será impossível penetrar-me?"

 

“Eu e o meu namorado iniciámos recentemente a nossa vida sexual. O pior é que a minha vagina se contrai tanto que não conseguimos consumar o acto. Será impossível o meu namorado penetrar-me? É normal isto acontecer?”

 

Ana, Alcobaça

 

Cara Leitora,

Se ainda é virgem esta situação pode ser causada pela resistência do hímen, e nesse caso será necessária ajuda do médico ginecologista. Por outro lado, aquilo que está a sentir pode estar ligado a um problema de disfunção sexual, chamada vaginismo. Esta disfunção sexual feminina pode afectar tanto as mulheres virgens como as mulheres com alguma experiência sexual. Existem várias causas para este problema, quer sejam físicas quer psicológicas. Geralmente, o que se verifica são espasmos musculares involuntários da vagina que tornam a penetração dolorosa e, por consequência, a dor aumenta a ansiedade e pode levar a uma situação muito penosa, em termos emocionais para a mulher, impedindo por completo a penetração. Este problema pode surgir devido a uma grande variedade de razões. No entanto, a situação que descreve pode estar ainda relacionada com outro tipo de disfunção sexual chamado Dispareunia, que consiste na existência de um excessivo número de nervos sensitivos na entrada da vagina fazendo com que sinta muito mais dor na entrada da vagina do que as outras mulheres. A única forma de resolver esse problema é através de cirurgia. Também pode dar-se o caso de ter uma irritação das paredes da vagina devido a alergia a determinados produtos como sabonetes e tampões. Deve consultar um ginecologista especializado, pois esta condição deve ser tratada através de medicação ou intervenção cirúrgica. Evidentemente que todo este processo pode levar algum tempo, pelo que a compreensão e o apoio do seu namorado serão de extrema importância para a resolução deste problema.

 

“É possível saber quando ela deixou de ser virgem?”

 

 

 

Gostaria de saber se há alguma possibilidade de saber quando foi a primeira relação sexual de uma pessoa, ou seja, em que altura da sua vida…”

 

Tiago, Guarda

 

Caro leitor,

A melhor maneira e a única que conheço de saber tal coisa é perguntar à pessoa quando teve a sua primeira vez. Se está preocupado com a virgindade da sua parceira, lembre-se que não é obrigatório socialmente que todas as pessoas esperem pelo casamento para iniciarem a sua vida sexual. Trata-se antes de uma escolha pessoal e privada. As mulheres foram muito penalizadas com as exigências de virgindade, com observações quase públicas do seu hímen, mas hoje em dia a igualdade permite que cada pessoa defina o seu caminho e como o quer viver e sabemos que cientificamente a membrana do hímen intacta não significa virgindade assegurada, pois mesmo ela pode romper ao longo da vida com outras actividades.

“Todos os universitários fazem sexo?”

“Sou um estudante universitário e por vezes tenho a sensação de que sou o único que não tem relações sexuais, ainda por cima continuo a ser virgem. Será que os outros também não fazem sexo, embora apregoem que sim?”

 

Pedro, Braga

 

Caro leitor, 

Ainda que fosse o único rapaz virgem da sua universidade isso não faria de si um a pessoa com um comportamento “anormal”, ou diferente dos outros. No que  à sexualidade diz respeito, fazer aquilo com que se sente bem é a regra principal. Se não está ainda confortável com a ideia de iniciar a sua vida sexual, é porque ainda não chegou o momento de o fazer, e independentemente da experiência que os seus colegas tenham você não tem de os imitar apenas para “não ficar para trás”. A percepção que os alunos universitários têm da vida sexual dos seus colegas nem sempre corresponde à realidade, pois nesta fase da vida a necessidade de afirmação e de impressionar os outros pode fazer com que muitas vezes as pessoas apregoem mais experiência do que efectivamente têm, tanto para causar impacto como para disfarçar e esconder as próprias inseguranças que, acredite, até os seus colegas que se dizem mais experientes também têm. Por outro lado, o meio universitário propicia um tipo de contacto que pode não ir à consumação do acto sexual, um colega seu pode dizer-lhe que passou a noite após uma festa com uma rapariga sem que tenham necessariamente tido relações sexuais. Dentro destas existem também variáveis, por vezes as carícias podem chegar ao sexo oral mas não ir além disso, outras vezes podem ficar-se por alguns beijos mais escaldantes. Assim, “passar a noite com alguém” não implica necessariamente uma vasta experiência sexual, por isso não se deixe impressionar por aquilo que lhe contam, siga o seu percurso académico normal e, quando encontrar uma rapariga com quem sinta vontade de ir mais longe, deixe que aconteça de forma natural.